Morre aos 87 anos idosa símbolo da luta contra crise habitacional na Espanha

Maricarmen Abascal, 87 anos, faleceu após despejo forçado de seu apartamento, onde havia morado por 71 anos, internada em hospital desde a retirada.
Retirada em 30 minutos, internada desde o despejo, morreu sem voltar para casa
Maricarmen Abascal passou seus últimos dias de vida no hospital, não no apartamento onde viveu sete décadas.
Mark

Por que o caso de Maricarmen se tornou tão importante? Havia outros despejos acontecendo na Espanha.

Mimi

Sim, mas a brutalidade foi visível. Uma mulher de 87 anos, 71 anos no mesmo apartamento, retirada em 30 minutos enquanto centenas protestavam. E o motivo era puro: um fundo de investimento triplicando o aluguel. Não havia ambiguidade moral.

Luke

Mas precisamos ser precisos: o fundo de investimento tinha direito legal de fazer isso? Ou a lei espanhola permitia isso?

Mimi

A lei permitia. Não havia proteção suficiente para inquilinos de longa duração naquela situação. Esse é exatamente o ponto que os sindicatos e o governo tentaram mudar.

Mark

E as medidas que Sánchez apresentou — teriam protegido Maricarmen se tivessem passado?

Mimi

Sim. A suspensão de despejos de vulneráveis até 2030 a teria coberto. Também havia a restrição a fundos de investimento comprando residências.

Luke

Mas passaram? Não. Então estamos falando de uma morte que poderia ter sido evitada por legislação que foi rejeitada.

Mark

Os números dos protestos — 70 mil versus 500 mil — isso importa?

Luke

Importa para entender a escala, mas ambos os números indicam mobilização massiva. A discrepância entre governo e organizadores é típica, não invalida o ponto.

Mimi

O que importa é que as pessoas saíram às ruas porque viram Maricarmen e reconheceram a si mesmas nela. Ou reconheceram alguém que amam.

Mark

Então sua morte muda algo agora?

Mimi

Muda o tom. Agora não é abstrato. É uma mulher que morreu internada porque foi despejada. Os sindicatos convocaram greve geral. Há eleições em novembro. A pressão aumentou.

  • Um fundo de investimento triplicou o aluguel de Maricarmen — de 500 para 1.650 euros — e, diante da recusa em assinar novo contrato, a retirou à força em setembro, dando-lhe apenas 30 minutos para deixar o lar de sete décadas.
  • A cena da idosa sendo carregada em uma maca, cercada por centenas de manifestantes, circulou pelo país e acendeu uma indignação que já estava represada por anos de aluguéis em alta e escassez de moradia acessível.
  • O governo Sánchez apresentou medidas emergenciais ao Congresso — suspensão de despejos, renovação de contratos, restrições a fundos imobiliários —, mas ambos os decretos foram rejeitados pela oposição, aprofundando a crise política.
  • Dezenas de milhares foram às ruas em toda a Espanha no fim de semana seguinte; em Madri, os organizadores estimaram 500 mil pessoas exigindo proteção real para inquilinos.
  • Com a morte de Maricarmen, os sindicatos convocaram greve geral para 11 de novembro, a menos de três semanas de eleições antecipadas, tornando a moradia o centro do debate político nacional.

Maricarmen Abascal, 87 anos, morreu em Madri carregando consigo 71 anos de memória em um apartamento do qual foi expulsa em 30 minutos — vítima não apenas de um despejo, mas de uma lógica de mercado que transformou o lar em ativo financeiro. Seu caso iluminou, com crueldade rara, a crise habitacional que sufoca as grandes cidades espanholas e a incapacidade das instituições de proteger os mais vulneráveis. A morte de uma idosa em uma maca tornou-se o rosto humano de uma disputa que é, no fundo, sobre quem tem direito de pertencer à cidade.

Maricarmen Abascal morreu na quarta-feira, 7 de outubro, aos 87 anos, internada no Hospital Gregorio Marañón em Madri. Ela estava naquele leito desde 23 de setembro — o dia em que foi retirada à força do apartamento onde havia vivido por 71 anos, no bairro de Retiro. Nos meses anteriores, sua saúde havia se deteriorado: perda de massa muscular, dificuldade para se alimentar, dependência da cadeira de rodas.

O que a transformou em símbolo foi a sequência de eventos que precedeu o despejo. Um fundo de investimento adquiriu o imóvel e tentou elevar o aluguel de 500 para 1.650 euros mensais. Ela recebeu 30 minutos para sair com o essencial. Havia um pedido judicial pendente e até uma oferta anônima para cobrir os pagamentos atrasados, mas o proprietário recusou assinar qualquer novo contrato. A imagem da idosa sendo carregada em uma maca, cercada por assistentes sociais e centenas de manifestantes, percorreu o país e tocou um nervo exposto.

O caso não era isolado. Os preços de imóveis subiram 12,2% no segundo trimestre de 2026 em relação ao ano anterior, segundo o Instituto Nacional de Estatística. A gentrificação e a escassez de moradia acessível já haviam transformado o acesso à habitação em questão política central na Espanha.

O primeiro-ministro Pedro Sánchez respondeu com medidas emergenciais: suspender despejos de inquilinos vulneráveis até 2030, prorrogar contratos, taxar apartamentos turísticos e restringir fundos imobiliários. O Congresso rejeitou ambos os decretos — o primeiro por 178 votos a 172, o segundo por 184 a 166. No fim de semana seguinte, dezenas de milhares foram às ruas; em Madri, os organizadores estimaram 500 mil pessoas.

Com a morte de Maricarmen, os sindicatos a invocam na convocação para uma greve geral em 11 de novembro, a menos de três semanas de eleições antecipadas. Seu nome ficou ligado não apenas ao seu próprio sofrimento, mas à pergunta que seu caso expôs e que permanece sem resposta: quem tem direito à moradia em uma cidade que se tornou mercadoria?

Maricarmen Abascal morreu na quarta-feira, 7 de outubro, aos 87 anos, internada no Hospital Gregorio Marañón em Madri. Ela estava naquele leito desde 23 de setembro, o dia em que foi retirada à força do apartamento onde havia vivido durante 71 anos. O Sindicato de Inquilinos da Espanha e sua família confirmaram o falecimento. A causa não foi divulgada, mas nos meses anteriores seu estado de saúde havia se deteriorado significativamente — perda de massa muscular, dificuldade para se alimentar sozinha, dependência da cadeira de rodas.

O que transformou Maricarmen em símbolo nacional foi a brutalidade da retirada e o que a precedeu. Um fundo de investimento havia adquirido o imóvel no bairro de Retiro e tentou elevar o aluguel de aproximadamente 500 euros para 1.650 euros por mês. Ela recebeu 30 minutos para sair, levando apenas o essencial. Havia um pedido judicial pendente e até uma oferta anônima para cobrir os pagamentos, mas o proprietário recusou assinar um novo contrato. A cena de seu despejo — a idosa sendo carregada em uma maca até uma ambulância, cercada por assistentes sociais e centenas de pessoas protestando — circulou amplamente e tocou um nervo exposto na Espanha.

O sindicato, em comunicado, chamou Abascal de exemplo de luta e afirmou que sua história representa um antes e depois na história do país. Sua morte reacendeu imediatamente a mobilização. Os principais sindicatos espanhóis convocaram uma greve geral para 11 de novembro, menos de três semanas antes de eleições antecipadas, com foco em melhores salários e moradia digna.

O caso de Maricarmen não era isolado, mas a ponta visível de uma crise habitacional que sufoca as grandes cidades espanholas. Os preços de compra de imóveis subiram 12,2% no segundo trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo o Instituto Nacional de Estatística. Imóveis usados ficaram 12,9% mais caros; os novos, 7,4%. A gentrificação e a escassez de moradias acessíveis transformaram o acesso à habitação em questão política central.

Seu despejo provocou uma reação em cascata. O primeiro-ministro Pedro Sánchez apresentou medidas emergenciais ao Congresso: suspender despejos de inquilinos vulneráveis até 2030, prorrogar contratos com vencimento antes de 2028, elevar impostos sobre apartamentos turísticos e restringir a compra de residências por fundos de investimento. O primeiro decreto foi rejeitado por 178 votos a 172. Um segundo, prevendo renovação automática de contratos, recebeu 184 votos contra e 166 a favor.

No sábado seguinte à derrota parlamentar, dezenas de milhares de pessoas foram às ruas em toda a Espanha. Em Madri, o governo estimou 70 mil participantes; os organizadores, 500 mil. Os manifestantes exigiam redução de aluguéis e proteção contra despejos. A manifestação já estava marcada, mas a rejeição das medidas do governo acrescentou urgência e raiva ao protesto.

Agora, com a morte de Maricarmen, seu nome permanece ligado não apenas ao seu próprio sofrimento, mas ao fracasso das instituições em proteger os mais vulneráveis. Os sindicatos a invocam na convocação para a greve de novembro. O governo enfrenta pressão renovada. E a questão que seu caso expôs — quem tem direito à moradia em uma cidade que se tornou mercadoria — segue sem resposta.

Lamentamos informar que no dia de hoje faleceu Maricarmen
— Sindicato de Inquilinos da Espanha
Representam um antes e depois na história deste país
— Sindicato de Inquilinos da Espanha, sobre o exemplo de luta de Maricarmen
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