Aos 49 anos, Mato Grosso do Sul apresenta ao país uma saúde pública de contrastes: de um lado, o crescimento expressivo nos transplantes e a inauguração de um hospital regional que amplia o acesso para quase um milhão de pessoas no Cone Sul; de outro, uma epidemia de chikungunya que já ceifou 30 vidas e revela que a infraestrutura hospitalar, por mais robusta que seja, não substitui a prevenção cotidiana. O Estado celebra conquistas reais enquanto enfrenta a lembrança de que o mosquito Aedes aegypti não respeita aniversários — e que as chuvas de outubro chegam como um aviso.
MS marca 49 anos com avanços em transplantes e alerta para chikungunya
A autorização familiar permanece como um dos maiores desafios
Então Mato Grosso do Sul está crescendo em transplantes, mas ainda tem fila. Como se explica isso?
Os números mostram que a oferta aumentou — 16% de crescimento é real. Mas a demanda é ainda maior. E tem um detalhe importante: a autorização familiar é o gargalo. Nem sempre a família autoriza a doação, mesmo quando há morte encefálica.
Espera. Esses 368 transplantes em 2025 — quantos eram de doadores vivos e quantos de doadores falecidos? A fonte não especifica.
Boa pergunta. A fonte não detalha isso. Mas o crescimento em órgãos sólidos é significativo mesmo assim.
E o hospital em Dourados? Isso resolve o problema?
Resolve parte. Antes não havia hospital regional ali. Agora tem 100 leitos, com UTI, ressonância magnética. Atende 900 mil pessoas em 34 municípios.
Mas a meta é chegar a 192 leitos. Então os 100 atuais são ainda insuficientes para o que o governo planejou.
Exato. É um começo, mas não é o fim da história.
E a chikungunya? Por que explodiu assim?
Não está claro na reportagem. Mas os números são assustadores: 10 mil casos em oito meses de 2026, contra 7.650 em todo 2025. E 30 mortes.
E 11 delas na Reserva Indígena de Dourados. Isso sugere vulnerabilidade específica, acesso desigual, talvez. Mas a fonte não aprofunda.
Verdade. Há uma questão de equidade aí que fica em aberto.
Der Puls
- Os transplantes cresceram 16% em 2025, com órgãos sólidos praticamente dobrando, mas centenas de pacientes ainda aguardam na fila — e a recusa familiar de doação permanece o obstáculo mais difícil de vencer.
- O Hospital Regional de Dourados, inaugurado em dezembro com R$ 134,1 milhões investidos, representa um salto de infraestrutura para 34 municípios, mas ainda opera abaixo da meta de 192 leitos prevista para 2026.
- A chikungunya transformou-se na maior crise sanitária do Estado: 10.041 casos e 30 mortes até agosto, com Dourados em emergência de saúde pública e 11 óbitos entre moradores da Reserva Indígena.
- A chegada das chuvas em outubro eleva o risco de novos surtos de chikungunya e dengue, colocando a prevenção individual — eliminar água parada — no centro de uma batalha que nenhum hospital resolve sozinho.
Aos 49 anos, Mato Grosso do Sul apresenta ao país uma saúde pública de contrastes: de um lado, o crescimento expressivo nos transplantes e a inauguração de um hospital regional que amplia o acesso para quase um milhão de pessoas no Cone Sul; de outro, uma epidemia de chikungunya que já ceifou 30 vidas e revela que a infraestrutura hospitalar, por mais robusta que seja, não substitui a prevenção cotidiana. O Estado celebra conquistas reais enquanto enfrenta a lembrança de que o mosquito Aedes aegypti não respeita aniversários — e que as chuvas de outubro chegam como um aviso.
Mato Grosso do Sul completou 49 anos com um sistema de saúde em movimento desigual: avanços concretos em algumas frentes e uma crise aguda em outra. Em 2025, 368 pessoas receberam transplantes pelo SUS no Estado, alta de 16% sobre o ano anterior. O crescimento mais expressivo veio dos órgãos sólidos — fígado e rim —, que quase dobraram, de 40 para 70 cirurgias. Os números colocaram o Estado em sexto lugar no país em transplantes de fígado e de córnea por milhão de habitantes.
Mesmo assim, a fila persiste. Em maio de 2026, 367 pessoas aguardavam um rim e 463 esperavam por uma córnea. Claire Miozzo, coordenadora da Central Estadual de Transplantes, apontou a autorização familiar como um dos maiores obstáculos — um desafio cultural que nenhuma política pública resolve de forma imediata.
No sul do Estado, Dourados ganhou o Hospital Regional, entregue em 20 de dezembro de 2025 com 100 leitos e investimento de R$ 134,1 milhões. A unidade atende 34 municípios onde vivem cerca de 900 mil pessoas e, em abril, passou a oferecer ressonância magnética pelo SUS. A meta é chegar a 192 leitos ao longo de 2026. No conjunto da rede estadual, as internações saltaram 49% entre 2023 e 2025, e Mato Grosso do Sul ficou em primeiro lugar no indicador de cobertura vacinal do Ranking de Competitividade dos Estados pelo segundo ano consecutivo.
O maior problema de 2026, porém, tem nome e mosquito. A chikungunya confirmou 10.041 casos e 30 mortes até agosto — salto brutal em relação a 2025, quando foram 7.650 casos e 17 mortes. Dourados prorrogou a emergência em saúde pública em setembro, com 11 dos 19 óbitos locais ocorrendo entre moradores da Reserva Indígena. A dengue, transmitida pelo mesmo Aedes aegypti, recuou em relação ao ano anterior, mas as chuvas previstas para outubro ameaçam reverter esse quadro. Eliminar água parada segue sendo a principal defesa — um trabalho que depende tanto de política pública quanto de cada morador, e que nenhum hospital, por melhor equipado que seja, consegue fazer no lugar das pessoas.
Mato Grosso do Sul completou 49 anos neste domingo com um sistema de saúde que cresce em alguns fronts e enfrenta uma crise aguda em outro. Os números de 2025 mostram movimento: 368 pessoas receberam transplantes pelo SUS no Estado, um salto de 16% em relação aos 318 do ano anterior. O crescimento mais expressivo veio dos órgãos sólidos — fígado e rim — que praticamente dobraram, passando de 40 cirurgias para 70. Ao todo, foram 49 transplantes de fígado, 21 de rim e 298 de córnea, números que colocaram Mato Grosso do Sul em sexto lugar no país tanto em transplantes de fígado quanto de córnea, medidos por milhão de habitantes.
Mas a fila não desapareceu. Em maio de 2026, 367 pessoas aguardavam um rim, 463 esperavam por uma córnea, 15 aguardavam fígado e uma pessoa estava na fila por pâncreas. Claire Miozzo, coordenadora da Central Estadual de Transplantes, identificou o obstáculo real: a autorização familiar permanece como um dos maiores desafios em todo o país. Mesmo com o aumento na oferta de procedimentos — entre janeiro e abril de 2026 foram mais 23 transplantes de fígado, 31 de rim e 84 de córnea — a demanda continua superando a capacidade.
No sul do Estado, Dourados ganhou infraestrutura. O Hospital Regional foi entregue em 20 de dezembro de 2025, com 100 leitos distribuídos entre 59 de internação, 20 de UTI (10 para adultos e 10 para crianças) e 21 de cuidados imediatos. O investimento foi de R$ 134,1 milhões, sendo R$ 89,53 milhões do Estado e R$ 44,56 milhões da União. A unidade atende 34 municípios do Cone Sul, onde vivem aproximadamente 900 mil pessoas. Em abril, começou a oferecer ressonância magnética pelo SUS. O governo anunciou meta de chegar a 192 leitos ao longo de 2026.
A rede estadual como um todo internava mais gente. As internações saltaram de 39.486 em 2023 para 58.916 em 2025, uma alta de 49%. Em 2025, a Secretaria de Estado de Saúde gastou R$ 2,47 bilhões em ações de saúde. Nos dois primeiros quadrimestres de 2026, foram R$ 1,61 bilhão. Na vacinação, Mato Grosso do Sul conquistou nota 100 e ficou em primeiro lugar no indicador de cobertura vacinal do Ranking de Competitividade dos Estados 2025, pelo segundo ano seguido, com mais de 2,5 milhões de doses aplicadas em 2025. A exceção foi a gripe: em junho, a própria secretaria alertou que a cobertura contra influenza em 2026 estava em 43,85%, abaixo do necessário.
O maior problema de 2026, porém, tem nome e mosquito. A chikungunya confirmou 10.041 casos e 30 mortes até a semana epidemiológica 32, em agosto — o último boletim consolidado disponível. Isso representa um salto brutal em relação a 2025 inteiro, quando foram registrados 7.650 casos confirmados e 17 mortes. Dourados, a cidade mais atingida, prorrogou em setembro a emergência em saúde pública com 19 mortes, 11 delas entre moradores da Reserva Indígena. Havia também 114 casos confirmados em gestantes.
A dengue, transmitida pelo mesmo mosquito Aedes aegypti, seguiu trajetória oposta. Foram 1.978 casos confirmados e uma morte até agosto de 2026, contra 8.461 casos e 20 mortes em 2025 inteiro. Mas o calendário trabalha contra o Estado. A chegada das chuvas, prevista para outubro, aumenta o risco de novos casos de ambas as doenças. Eliminar água parada em vasos, pneus, calhas e caixas-d'água segue sendo a principal forma de prevenção — um trabalho que depende tanto de política pública quanto de comportamento individual, e que nenhum hospital, por melhor equipado que seja, consegue resolver sozinho.
Bemerkenswerte Zitate
A autorização familiar ainda é um dos maiores desafios em todo o país— Claire Miozzo, coordenadora da Central Estadual de Transplantes