María del Carmen Abascal viveu 70 anos no mesmo apartamento em Madri e morreu sem poder voltar a ele. Aos 87 anos, foi retirada de sua casa em uma maca por ordem judicial, após uma empresa imobiliária exigir um aluguel três vezes maior do que sua aposentadoria permitia. Seu caso tornou-se símbolo de uma crise habitacional que agora molda o destino político da Espanha — lembrando que, por trás de cada contrato e cada sentença, há uma vida inteira em jogo.
Morre Maricarmen, símbolo da crise habitacional espanhola após despejo aos 87 anos
Morreu antes que o retorno ao apartamento acontecesse
Por que a morte de uma mulher idosa em Madri se tornou tão importante politicamente?
Porque Maricarmen não era apenas uma pessoa despejada. Ela vivia no mesmo apartamento desde 1956, pagava aluguel acessível, e de repente uma empresa imobiliária comprou o prédio e exigiu que ela saísse. Quando ela resistiu, a empresa cobrou 2.650 euros por mês — impossível para uma pensionista. As imagens de seu despejo em maca provocaram protestos em toda a Espanha.
Mas qual era exatamente o argumento legal? A empresa tinha direito de rescindir um contrato antigo?
Segundo a reportagem, a empresa alegava que o contrato antigo não poderia mais continuar em vigor. Ela questionou na Justiça a continuidade do contrato, e a Justiça concordou. Mas o que importa é que a situação real — uma mulher de 87 anos sendo removida de sua casa — gerou uma reação política massiva.
E o acordo que negociaram nos últimos dias?
Conseguiram um novo contrato que limitaria o aluguel a 30% de sua renda. Mas Maricarmen morreu antes de poder voltar para casa.
A reportagem não diz qual foi a causa da morte. Sabemos se foi relacionada ao despejo, ao stress, ou algo completamente diferente?
Não. A causa oficial não foi divulgada. Sabemos que ela foi hospitalizada em 23 de setembro e morreu em 7 de outubro — duas semanas depois.
Como isso afeta a política espanhola agora?
O caso se tornou central na campanha para eleições antecipadas em 29 de novembro. Sánchez antecipou as eleições porque seu governo perdeu votações sobre habitação no Parlamento. Agora a crise habitacional é um dos principais temas da disputa.
Então o timing político é importante aqui — o caso de Maricarmen explodiu justamente quando o governo estava vulnerável em relação a esse tema?
Exatamente. E o Sindicato de Inquilinas prometeu continuar os protestos. A morte dela não encerrou o movimento; intensificou-o.
Il Polso
- Uma idosa de 87 anos foi removida em uma maca do apartamento onde vivia desde 1956, hospitalizada imediatamente após o despejo e nunca mais retornou para casa.
- A empresa imobiliária que comprou o prédio exigiu 2.650 euros mensais de uma mulher que recebia cerca de 1.400 euros de aposentadoria — uma pressão financeira calculada para forçar a saída.
- Manifestantes ocuparam as ruas de várias cidades espanholas e montaram acampamento na Puerta del Sol, transformando o caso de Maricarmen em grito coletivo contra a especulação imobiliária.
- Um acordo foi negociado nos dias finais, limitando o aluguel a 30% da renda líquida dela — mas chegou tarde demais: Maricarmen morreu em 7 de outubro sem ter voltado ao apartamento.
- O caso tornou-se central nas eleições gerais antecipadas de 29 de novembro, pressionando o governo Sánchez numa disputa em que a crise habitacional define o campo de batalha político.
María del Carmen Abascal viveu 70 anos no mesmo apartamento em Madri e morreu sem poder voltar a ele. Aos 87 anos, foi retirada de sua casa em uma maca por ordem judicial, após uma empresa imobiliária exigir um aluguel três vezes maior do que sua aposentadoria permitia. Seu caso tornou-se símbolo de uma crise habitacional que agora molda o destino político da Espanha — lembrando que, por trás de cada contrato e cada sentença, há uma vida inteira em jogo.
María del Carmen Abascal — Maricarmen, como todos a chamavam — vivia no bairro de Ibiza, em Madri, desde 1956. O contrato de aluguel havia sido assinado por seu pai décadas antes, e ela pagava cerca de 500 euros entre aluguel e despesas, sustentada por uma aposentadoria de aproximadamente 1.400 euros mensais. Essa vida simples e enraizada durou até uma empresa imobiliária comprar o prédio e declarar o contrato antigo sem validade. A nova proprietária passou a cobrar 2.650 euros por mês — uma quantia impossível — e recorreu à Justiça quando Maricarmen se recusou a sair.
Em 23 de setembro, a ordem judicial foi cumprida. Policiais executaram o despejo, e Maricarmen deixou o apartamento em uma maca, levada diretamente ao Hospital Gregorio Marañón. As imagens de sua retirada — uma mulher idosa sendo removida da casa de uma vida inteira — provocaram manifestações em várias cidades espanholas. Em Madri, ativistas montaram um acampamento na Puerta del Sol exigindo medidas contra despejos e o aumento dos aluguéis.
Mesmo internada, Maricarmen enviou mensagens às pessoas que lutavam em sua defesa. Nos dias anteriores à sua morte, seus representantes conseguiram negociar um novo acordo com a empresa: o aluguel seria limitado a 30% de sua renda líquida, permitindo seu retorno. Mas ela morreu em 7 de outubro sem que isso acontecesse. O primeiro-ministro Pedro Sánchez lamentou a perda publicamente, e o Sindicato de Inquilinas e Inquilinos de Madri prometeu continuar os protestos.
O caso de Maricarmen — uma mulher que viveu sete décadas no mesmo lugar e morreu sem poder voltar — tornou-se símbolo de uma crise habitacional que agora ocupa o centro da campanha para as eleições gerais antecipadas de 29 de novembro, eleições que o próprio Sánchez antecipou após sofrer derrotas sucessivas no Parlamento sobre o tema.
María del Carmen Abascal tinha 87 anos quando a polícia a retirou do apartamento onde havia vivido desde 1956. Era setembro em Madri, e ela saiu do imóvel em uma maca, levada direto para o Hospital Gregorio Marañón. Nesta quarta-feira, 7 de outubro, ela morreu ali, sem ter voltado para casa.
Maricamen — como era conhecida — vivia no bairro de Ibiza com uma aposentadoria de aproximadamente 1.400 euros mensais. O contrato de aluguel havia sido assinado por seu pai décadas antes, e ela pagava cerca de 500 euros entre aluguel e despesas. A vida seguia assim até uma empresa imobiliária comprar o prédio e decidir que o contrato antigo não tinha mais validade. A proprietária exigiu a desocupação e, quando Maricarmen se recusou, começou a cobrar 2.650 euros por mês — uma quantia impossível para uma mulher vivendo de pensão. A Justiça foi acionada, e sucessivas tentativas de despejo se seguiram, algumas impedidas por manifestantes que se reuniam diante do prédio em sua defesa.
Em 23 de setembro, a ordem judicial foi cumprida. Policiais e autoridades executaram o despejo, e Maricarmen foi hospitalizada. Permaneceu internada desde então. As imagens de sua retirada do apartamento — uma mulher idosa sendo removida da casa de uma vida inteira — provocaram manifestações em várias cidades espanholas. Em Madri, ativistas montaram um acampamento na Puerta del Sol para exigir medidas contra despejos e o aumento dos aluguéis. O caso ganhou força política também, tornando-se central na crise enfrentada pelo governo socialista de Pedro Sánchez.
Nos dias anteriores à sua morte, representantes de Maricarmen conseguiram negociar um novo acordo com a empresa proprietária. O novo contrato limitaria o aluguel a 30% de sua renda líquida — uma solução que permitiria seu retorno ao apartamento. Mas ela morreu antes que isso acontecesse. Mesmo internada, Maricarmen enviou mensagens às pessoas que se mobilizavam em sua defesa, mantendo-se conectada à luta que seu caso havia desencadeado.
O primeiro-ministro Sánchez lamentou sua morte em uma postagem na rede social X, expressando condolências à família e aos que sentiam a perda como própria. Familiares e representantes do Sindicato de Inquilinas e Inquilinos de Madri divulgaram um comunicado lamentando que a solução tivesse chegado tarde demais. A organização prometeu continuar os protestos em defesa do direito à moradia na Espanha. A causa oficial da morte não foi divulgada.
A crise habitacional agora ocupa lugar central na campanha para as eleições gerais antecipadas marcadas para 29 de novembro. Sánchez antecipou a disputa após sofrer derrotas sucessivas em projetos sobre o tema no Parlamento, onde seu governo não possui maioria. O caso de Maricarmen — uma mulher que viveu sete décadas no mesmo lugar e morreu sem poder voltar — transformou-se em símbolo de uma crise que define a política espanhola neste momento.
Citazioni salienti
Todo o meu carinho à família e aos entes queridos de Maricarmen. Um abraço também a todos nós que hoje sentimos essa perda como se fosse nossa— Pedro Sánchez, primeiro-ministro da Espanha, em postagem na rede social X
A solução sobre a situação de Maricarmen chegou tarde demais— Familiares e representantes do Sindicato de Inquilinas e Inquilinos de Madri