Em uma noite de maio de 2019, o que começou como uma visita ao pronto-socorro de Brusque terminou em violência: Julius Tortoza, embriagado, sacou uma faca durante uma briga com um vigilante e feriu gravemente um homem inocente que tentava apartar o conflito. Quase sete anos depois, no dia 10 de abril, um Tribunal do Júri será chamado a pesar culpa, intenção e capacidade — questões que raramente cabem em uma única noite, mas que a Justiça precisa, ainda assim, responder.
Julgamento por tentativa de homicídio em pronto-socorro de Brusque marcado para abril
Um homem tentou separar a briga e recebeu três golpes de faca
Por que esse caso levou tanto tempo para chegar ao júri? Estamos falando de quase sete anos entre o ataque e o julgamento.
Boa parte do tempo foi gasto em recursos e em avaliações psiquiátricas. A defesa contestou a decisão de ir a júri, e isso subiu até o tribunal estadual. Depois houve a questão da sanidade mental, que precisava ser esclarecida antes do julgamento.
Mas é importante notar que a defesa conseguiu liberdade provisória para o acusado bem antes disso. Ele não ficou preso o tempo todo. E o exame de sanidade mental — quando exatamente foi feito? O texto não deixa claro se foi recente ou se foi feito anos atrás.
A defesa está apostando em quê, exatamente?
Em três coisas. Primeiro, legítima defesa — a ideia de que ele estava se defendendo do vigilante. Segundo, que problemas psiquiátricos devem ser considerados. E terceiro, que o crime não deveria ser tentativa de homicídio, mas lesão corporal.
Mas há um problema com a legítima defesa aqui. Ele feriu alguém que não era a pessoa com quem estava em conflito. Isso complica bastante o argumento.
E a vítima? O que sabemos sobre ela?
Apenas que estava no pronto-socorro aguardando atendimento quando viu a briga e tentou separar. Recebeu três golpes de faca por isso.
Nenhuma informação sobre como ela se recuperou, se sobreviveu sem sequelas, nada disso. O texto foca no acusado e no processo, não na vítima.
Il Polso
- Um homem que foi ao hospital buscar cuidado tornou-se vítima de três golpes de faca — dois na cabeça e um no olho esquerdo — simplesmente por tentar separar uma briga.
- O Ministério Público sustenta que o ataque foi duplamente qualificado: motivado por razão fútil e executado com recurso que impediu a vítima de se defender.
- A defesa contesta a versão, alegando legítima defesa e transtornos psiquiátricos, e pede a reclassificação do crime para lesão corporal sem qualificadoras.
- Um exame de sanidade mental recente concluiu que Tortoza tinha capacidade reduzida de autodeterminação no momento do fato, adicionando uma camada de complexidade ao julgamento.
- Após recursos negados por unanimidade pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina, o caso chega ao júri popular no dia 10 de abril, com doze jurados decidindo o destino do acusado.
Em uma noite de maio de 2019, o que começou como uma visita ao pronto-socorro de Brusque terminou em violência: Julius Tortoza, embriagado, sacou uma faca durante uma briga com um vigilante e feriu gravemente um homem inocente que tentava apartar o conflito. Quase sete anos depois, no dia 10 de abril, um Tribunal do Júri será chamado a pesar culpa, intenção e capacidade — questões que raramente cabem em uma única noite, mas que a Justiça precisa, ainda assim, responder.
Julius Tortoza chegou ao pronto-socorro do Hospital Azambuja, em Brusque, na noite de 18 de maio de 2019, com uma lesão na perna e sinais evidentes de embriaguez. O que deveria ser uma passagem pela emergência transformou-se em confronto: ele causou tumulto, um vigilante foi acionado, e os dois entraram em luta corporal. Foi nesse momento que Tortoza sacou uma faca.
Um homem que aguardava atendimento se aproximou para apartar a briga. Ele não era o alvo — mas recebeu três golpes: dois na cabeça e um no olho esquerdo. O Ministério Público enquadrou o caso como tentativa de homicídio duplamente qualificada, apontando motivo fútil e o uso da faca como recurso que tornou impossível a defesa da vítima. Tortoza foi preso em flagrante e, meses depois, obteve liberdade provisória condicionada a internação e tratamento.
O processo se arrastou por anos. A defesa alegou legítima defesa, invocou problemas psiquiátricos e pediu a reclassificação do crime. Em 2022, a Justiça decidiu pelo júri popular; em 2023, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina confirmou a decisão por unanimidade. Um novo exame de sanidade mental concluiu que, na noite do crime, Tortoza apresentava capacidade reduzida de autodeterminação — elemento que promete pesar na deliberação dos jurados.
No dia 10 de abril, doze pessoas vão decidir o que aquela noite significa perante a lei.
Julius Tortoza vai a julgamento no dia 10 de abril em Brusque, acusado de tentar matar um homem dentro do pronto-socorro do Hospital Azambuja. O caso remonta à noite de 18 de maio de 2019, quando tudo começou com uma lesão na perna e terminou com três golpes de faca.
Tortoza chegou ao hospital por volta das 23 horas naquela noite, embriagado e ferido. Segundo o Ministério Público, ele causou confusão na ala de emergência. Um vigilante foi chamado para controlar a situação. Os dois entraram em luta corporal. Nesse ponto, de acordo com a acusação, Tortoza sacou uma faca e tentou atingir o vigilante.
Mas a faca não encontrou apenas o segurança. Um outro homem que aguardava atendimento no pronto-socorro se aproximou para separar a briga. Esse homem recebeu três golpes: dois na cabeça e um no olho esquerdo. Ele se tornou vítima de um ataque que, segundo o Ministério Público, não era originalmente dirigido a ele.
A acusação formal é de tentativa de homicídio duplamente qualificada. As duas qualificadoras são motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima — a faca, nesse caso, sendo o recurso que tornou a defesa impossível. Tortoza foi preso em flagrante no dia 19 de maio de 2019 e sua prisão foi convertida em preventiva. Meses depois, a Justiça concedeu liberdade provisória sob condições: internação e tratamento ambulatorial.
O processo se estendeu por anos. Testemunhas foram ouvidas. Tortoza foi interrogado. Sua defesa alegou legítima defesa, apontou problemas psiquiátricos e pediu que o crime fosse reclassificado para lesão corporal, além de solicitar a retirada das qualificadoras. Em 29 de junho de 2022, a Justiça decidiu que o caso deveria ir a júri popular. A defesa recorreu, mas a Quarta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Santa Catarina manteve a decisão por unanimidade em 13 de junho de 2023.
Um novo exame de sanidade mental foi realizado. Esse exame apontou que, no momento do fato, Tortoza tinha redução da capacidade de se autodeterminar. Com essa informação em mãos, o processo foi liberado para julgamento. Agora, no dia 10 de abril, doze jurados vão decidir se ele é culpado ou não.
Citazioni salienti
A defesa alegou legítima defesa, apontou problemas psiquiátricos e pediu que o crime fosse reclassificado para lesão corporal— Defesa de Julius Tortoza