Portugal registou crescimento de dois dígitos em vendas de livros, mas foi o único país do estudo a não recuperar aos níveis de 2019. Banda desenhada disparou 72,7% em Portugal, enquanto mangas e manhwas cresceram mais de 100% em vários mercados europeus.
Vendas de livros em Portugal crescem 16,6% em 2021, mas ainda abaixo de 2019
Portugal foi o único país que ainda ficou aquém dos números de 2019
Como é que Portugal consegue ter um crescimento de 16,6% e ainda assim ficar atrás de 2019? Parece contraditório.
Não é contraditório, é apenas o efeito da queda de 2020. Portugal caiu mais fundo em 2020 do que outros países, por isso mesmo com um salto de 16,6% em 2021, ainda não recuperou completamente.
Mas a Gfk não especifica exatamente quanto Portugal caiu em 2020, certo? Estamos a inferir a magnitude da queda apenas pelo facto de não ter recuperado.
Exato. Sabemos que caiu, sabemos que 16,6% não foi suficiente para voltar, mas os números específicos de 2020 não estão no estudo.
E quanto à banda desenhada? 72,7% é um número impressionante.
É, e não é apenas em Portugal. Itália teve 98%, e mangas e manhwas cresceram mais de 100% em vários lugares. Parece ter sido um fenómeno europeu real.
Embora o estudo não explique o porquê. É confinamento? É uma tendência de longo prazo que a pandemia acelerou? Não sabemos.
E os livros sobre saúde e psicologia que aumentaram durante a pandemia — achas que isso vai continuar?
O estudo não faz previsões, mas é razoável pensar que alguns desses leitores vão manter o hábito. Outros podem ter sido apenas uma resposta ao momento.
Exatamente. O estudo documenta o que aconteceu em 2021, não o que vai acontecer em 2022 ou 2023. É um retrato de um ano específico.
Il Polso
- Crescimento de 16,6% em Portugal em 2021, face a 2020
- Portugal foi o único dos nove países estudados que não recuperou aos níveis de 2019
- Banda desenhada cresceu 72,7% em Portugal; mangas e manhwas cresceram mais de 100% em vários mercados
- Livros infantojuvenis cresceram 21% em Portugal, superando o crescimento geral do mercado
- Preço médio dos livros subiu 1,2% em Portugal
Portugal registou crescimento de dois dígitos em vendas de livros, mas foi o único país do estudo a não recuperar aos níveis de 2019. Banda desenhada disparou 72,7% em Portugal, enquanto mangas e manhwas cresceram mais de 100% em vários mercados europeus.
O mercado do livro em Portugal cresceu 16,6% em 2021, recuperando-se da pandemia, mas permanecendo abaixo dos níveis pré-COVID de 2019. Banda desenhada e livros infantojuvenis lideraram o crescimento.
O mercado português do livro disparou 16,6% em 2021, um salto impressionante que colocou o país entre os maiores crescimentos de um grupo de nove nações estudadas. Mas há um detalhe que complica a celebração: Portugal foi o único desses países que ainda não recuperou aos níveis de vendas que tinha antes da pandemia, em 2019. Enquanto a Holanda e Espanha já tinham ultrapassado seus recordes anteriores — atingindo números que não viam desde 2011 — Portugal permanecia aquém, apesar do crescimento robusto.
A análise foi conduzida pela Gfk, uma entidade independente que audita e contabiliza as vendas de livros ao longo do ano, e abrangeu mercados na Alemanha, Bélgica (Flandres e Valónia), Brasil, Espanha, França, Holanda, Itália, Portugal e Suíça. O quadro geral era de recuperação: quase metade desses países tinha registado quedas em 2020, mas todos apresentaram resultados positivos em 2021. A Valónia liderou com 19% de crescimento, seguida pelo Brasil com 18,8%, Portugal com 16,6%, Espanha com 16,3% e Itália com 14,7%.
Dois fatores explicam essa recuperação. O comércio online expandiu-se significativamente, e as livrarias tradicionais adotaram abordagens inovadoras para contornar os longos períodos de encerramento forçado. Essa combinação permitiu que os leitores continuassem a encontrar livros mesmo quando as portas das lojas estavam fechadas. Simultaneamente, os preços subiram na maioria dos mercados, reflexo do aumento geral dos custos. Em Portugal, o preço médio dos livros cresceu 1,2%, um aumento moderado comparado com a Alemanha (3,8%) e a Holanda (3,7%), mas ligeiramente superior ao de Espanha (0,7%) e França (0,3%). Brasil, Itália e Valónia foram exceções, com preços médios a caírem.
O crescimento foi impulsionado por categorias específicas. A banda desenhada experimentou um "boom imparável", com vendas a aumentarem quase 50% na média dos nove países. Portugal registou um crescimento de 72,7%, enquanto Itália atingiu 98%. Ainda mais dramático foi o desempenho de mangas e manhwas, cujas vendas ultrapassaram 100% em muitos mercados europeus. Os livros infantojuvenis também dispararam: no Brasil cresceram 25,6%, em Portugal 21% e em Espanha 19,4%, superando em muitos casos o crescimento do mercado livreiro no seu conjunto.
A pandemia deixou marcas claras nas preferências de leitura. Houve um aumento importante da procura de guias e livros de não-ficção sobre saúde, conselhos sobre tópicos relacionados com a vida, psicologia e temas esotéricos. Esses títulos refletem as preocupações e as buscas de leitores confinados, à procura de orientação e compreensão durante um período de incerteza. Dois terços dos países analisados viram os livros infantojuvenis registarem aumentos ainda maiores do que o mercado livreiro no seu conjunto, sugerindo que famílias investiram em leitura para crianças como forma de ocupação e enriquecimento durante os encerramentos escolares.
O retrato que emerge é o de um mercado que se reinventou rapidamente. As vendas recuperaram força, as categorias de nicho explodiram, e os leitores buscaram títulos que respondessem às suas ansiedades e curiosidades do momento. Mas Portugal permanece numa posição peculiar: cresceu mais do que muitos, mas ainda não regressou ao ponto de partida. A questão que fica é se esse hiato reflete apenas o tempo necessário para recuperação completa, ou se a pandemia deixou marcas mais profundas no mercado português do que noutros países europeus.
Citazioni salienti
Os mercados internacionais do livro recuperaram força com um crescimento significativo em 2021— Gfk
A banda desenhada mostra-se imparável, com vendas a aumentarem quase 50% na média dos nove países— Gfk