Portugal sobe para 26.º país mais atrativo para trabalhar, com Lisboa a ganhar 12 posições

Setenta por cento dos portugueses aceitam trabalhar para empregadores estrangeiros a partir de casa
Revelação central sobre como o trabalho remoto está a redefinir a mobilidade laboral portuguesa.
Mark

Como é que Portugal conseguiu subir quatro posições num ranking tão competitivo?

Mimi

A resposta à pandemia foi decisiva. Países que controlaram bem a covid-19 tornaram-se mais atrativos. Portugal fez isso razoavelmente bem, e isso refletiu-se na perceção internacional.

Luke

Mas espera — o estudo foi feito em 2020, no meio da pandemia. Quanto dessa subida é realmente sobre Portugal, e quanto é apenas sobre a Europa estar em pior situação?

Mark

Boa questão. E quanto a Lisboa especificamente? Subiu 12 posições.

Mimi

Lisboa beneficiou da mesma dinâmica. Tornou-se mais atrativa porque Portugal como país se tornou mais atrativo. A capital ganhou visibilidade.

Luke

Mas não sabemos se essa subida é sustentável. Pode ser apenas um efeito de curto prazo da pandemia. Quando as restrições acabarem, as preferências podem mudar novamente.

Mark

O que me intriga é a contradição — Portugal sobe no ranking, mas menos portugueses querem emigrar.

Mimi

Não é contradição, é transformação. O trabalho remoto mudou tudo. Os portugueses não precisam de sair do país para trabalhar internacionalmente. É um ganho para Portugal.

Luke

Verdade, mas isso também significa que Portugal está a atrair menos talento estrangeiro do que poderia. Se as pessoas podem trabalhar remotamente de qualquer lugar, porque viriam para cá?

Mark

Então qual é o verdadeiro valor deste ranking para Portugal?

Mimi

Mostra que Portugal tem potencial. Qualidade de vida, educação, segurança — são ativos reais. O trabalho remoto é uma oportunidade para capitalizar isso.

Luke

Desde que Portugal consiga converter essa atratividade em políticas concretas — vistos, infraestrutura, oportunidades reais. O ranking é apenas perceção. O que importa é se as empresas e os trabalhadores realmente vêm.

  • A pandemia virou o mapa da mobilidade laboral de cabeça para baixo: países que controlaram o vírus subiram no ranking, enquanto potências europeias como Alemanha, França, Itália e Espanha perderam terreno.
  • Lisboa deu um salto impressionante de 12 posições nas cidades mais atrativas, passando do 40.º para o 28.º lugar — um sinal de que a perceção internacional de Portugal mudou de forma substancial.
  • Paradoxalmente, enquanto Portugal se torna mais atrativo para estrangeiros, os próprios portugueses mostram-se menos dispostos a emigrar: a vontade de trabalhar no exterior caiu de 58% para 48% entre 2018 e 2020.
  • O trabalho remoto surge como o grande mediador desta tensão — 70% dos portugueses aceitariam trabalhar para um empregador estrangeiro sem sair do país, bem acima da média mundial de 57%.
  • Portugal posiciona-se agora como um caso estratégico: um país que pode atrair talento global e reter o seu próprio, desde que saiba capitalizar as suas vantagens únicas num mundo cada vez mais digital.

Num mundo onde as fronteiras do trabalho se dissolvem gradualmente, Portugal emergiu como um destino cada vez mais desejado, subindo ao 26.º lugar entre os países mais atrativos para trabalhadores internacionais. O estudo do Boston Consulting Group, que ouviu mais de 200 mil pessoas em 190 países, revela que a pandemia não apenas perturbou economias — reconfigurou profundamente o que os seres humanos procuram quando escolhem onde construir as suas vidas profissionais. Portugal, com as suas qualidades difíceis de replicar, encontra-se numa encruzilhada promissora entre o apelo físico de um lugar e a promessa digital de um mundo sem fronteiras.

Portugal alcançou o 26.º lugar no ranking global de destinos mais atrativos para trabalhadores estrangeiros em 2020, subindo quatro posições face a 2018. O resultado integra um estudo do Boston Consulting Group que avaliou preferências de mobilidade laboral em 190 países, com base em respostas de 209 mil pessoas. O Canadá lidera a classificação, ultrapassando os Estados Unidos.

A pandemia de covid-19 tornou-se o principal fator de reconfiguração das preferências. Países com respostas sanitárias robustas — como Austrália, Japão, Singapura e Nova Zelândia — subiram no ranking ou entraram no top 10 pela primeira vez. Em sentido inverso, Alemanha, França, Itália e Espanha perderam posições. Nas cidades, Lisboa destacou-se ao saltar 12 lugares, do 40.º para o 28.º, enquanto Nova Iorque, Barcelona, Roma e Madrid perderam apelo.

Há, porém, um paradoxo revelador: ao mesmo tempo que Portugal sobe no ranking internacional, a disposição dos portugueses para emigrar caiu de 58% para 48%. A tendência é global — a proporção de trabalhadores dispostos a mudar de país desceu de 57% para 50%. O trabalho remoto explica grande parte desta mudança: muitos profissionais percebem que podem aceder a oportunidades internacionais sem sair de casa.

Neste contexto, os portugueses revelam uma preferência distinta: 70% aceitariam trabalhar para um empregador estrangeiro a partir de Portugal, muito acima da média mundial de 57%. Os profissionais das áreas digitais e de tecnologias de informação mostram-se particularmente abertos a este modelo. Miguel Abecasis, do BCG Lisboa, vê aqui uma oportunidade estratégica, sublinhando que Portugal possui características únicas — clima, segurança, educação, cultura e proficiência em inglês — que o posicionam como destino preferencial numa era de digitalização crescente.

Portugal conquistou o 26.º lugar no ranking global de destinos mais atrativos para trabalhadores estrangeiros em 2020, subindo quatro posições em relação a 2018. O resultado faz parte de um estudo divulgado pelo Boston Consulting Group que avaliou as preferências de mobilidade laboral internacional em 190 países, ouvindo 209 mil pessoas no processo. O Canadá lidera a classificação, ultrapassando os Estados Unidos, que até então ocupavam o topo.

A pandemia de covid-19 redefiniu completamente o que os trabalhadores procuram num destino internacional. Segundo o estudo, a preferência migrou claramente para países que demonstraram sucesso no controlo do vírus. Austrália e Japão, ambas com respostas robustas à crise sanitária, subiram significativamente no ranking. Singapura e Nova Zelândia, igualmente elogiadas pela gestão da pandemia, entraram no top 10 pela primeira vez. Inversamente, Alemanha e França recuaram duas posições cada, enquanto Itália e Espanha caíram completamente do pódio dos dez principais destinos.

O fenómeno não se limita aos países. Nas cidades, a tendência é idêntica. Nova Iorque, Barcelona, Roma e Madrid tornaram-se significativamente menos atrativas do que eram em 2018. Tóquio, Singapura, Dubai e Abu Dhabi, por outro lado, ganharam apelo. Lisboa experimentou uma transformação notável, saltando 12 posições — do 40.º para o 28.º lugar — refletindo uma melhoria substancial na perceção de Portugal como destino de trabalho.

Mas há um paradoxo importante no quadro geral. Enquanto Portugal sobe no ranking internacional, a disposição dos portugueses para trabalhar no estrangeiro caiu. Em 2018, 58% dos inquiridos portugueses afirmavam estar dispostos a emigrar por razões profissionais. Em 2020, essa percentagem desceu para 48%. A tendência é global: a proporção de trabalhadores dispostos a mudar de país caiu de 57% para 50% em todo o mundo. O trabalho remoto é a explicação mais plausível. Conforme explicou Rainer Strack, managing director sénior do BCG, muitos profissionais agora consideram que podem trabalhar virtualmente sem necessidade de deixar o país.

Os portugueses, porém, mostram uma preferência distinta. Embora menos dispostos a emigrar fisicamente, 70% responderam que aceitariam trabalhar para um empregador estrangeiro a partir de Portugal — uma taxa bem acima da média mundial de 57%. Esta discrepância sugere que os trabalhadores portugueses veem valor em manter-se no país enquanto acede a oportunidades internacionais. Profissionais com formação em áreas digitais e análise de dados (71%) e tecnologias de informação (67%) mostram-se particularmente abertos a este modelo. Entre os inquiridos com mestrado ou grau superior, 62% expressaram disponibilidade para trabalhar remotamente para empresas sem presença física em Portugal.

Miguel Abecasis, managing director sénior do BCG em Lisboa, vê nestes dados uma oportunidade estratégica. Portugal, argumenta, possui "características difíceis de replicar" que deveria alavancar: a qualidade do sistema educativo, o clima temperado, a segurança, a cultura acolhedora, a gastronomia e o nível de proficiência em inglês de grande parte da população. O estudo reforça a visão de que Portugal pode posicionar-se como destino preferencial tanto para empresas como para trabalhadores, especialmente num contexto de digitalização crescente e transformação das formas de trabalho.

A amostra portuguesa incluiu 1.213 participantes, 55% mulheres e 44% homens, representando uma perspetiva equilibrada das preferências de mobilidade laboral no país. Os dados sugerem que a próxima década de trabalho internacional será menos sobre deslocação física e mais sobre acesso a oportunidades globais a partir de casa — uma mudança que pode favorecer países como Portugal, que combinam qualidade de vida com conectividade digital crescente.

Com o aumento do trabalho remoto, muitos consideram que podem trabalhar de forma virtual, sem que haja necessidade de emigrar
— Rainer Strack, managing director sénior do BCG
Portugal pode procurar posicionar-se como um destino preferencial de empresas e trabalhadores, sobretudo num contexto de crescente digitalização e novas formas de trabalho
— Miguel Abecasis, managing director sénior do BCG em Lisboa
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