Confusão ocorreu durante abordagem a veículo; baixa luminosidade teria levado PMs do 18º BPM a disparar contra equipe do Bope. Vítima trabalhava 26 anos na corporação; seu irmão também morreu em operação policial em outubro de 2025, deixando família em luto duplo.
Policial do Bope é morto em confusão com PMs no Rio de Janeiro
A nossa família não suporta mais tanta dor
Como é possível que dois grupos de policiais se confundam assim? Não deveriam estar comunicados?
Segundo o Bope, a baixa luminosidade foi decisiva. Quando você não consegue ver bem, interpretações erradas acontecem rápido. Não está claro se havia protocolo de comunicação entre as unidades naquele momento.
Mas isso é o que o Bope está dizendo. Precisamos saber se havia realmente falta de iluminação ou se houve falha de comunicação. São duas coisas diferentes.
E quanto à família? Perder dois policiais em um ano parece extraordinário.
É. O irmão de Gláucio morreu na operação Contenção, em outubro de 2025, que foi a ação policial mais letal do Brasil — 122 mortos. Agora, exatamente um ano depois, Gláucio morre em um tiroteio com colegas. A viúva do irmão publicou que a família não aguenta mais.
A coincidência de datas é real, mas precisamos ter cuidado em não transformar isso em narrativa. São duas mortes em contextos completamente diferentes.
O que acontece agora?
Há investigação em andamento. A Delegacia de Homicídios e a Corregedoria estão apurando. O governo prometeu assistência.
Mas não sabemos ainda se haverá responsabilização. Investigação aberta não significa que conclusões virão rápido.
Il Polso
- Subtenente Gláucio Marcelo Fonseca da Silva, 54 anos, morto em 11 de outubro em Jacarepaguá
- Confusão entre Bope e 18º BPM durante abordagem a veículo; baixa luminosidade citada como fator
- Quatro agentes do Bope e um PM feridos; todos levados ao Hospital Municipal Lourenço Jorge
- Gláucio tinha 26 anos de corporação; seu irmão morreu na operação Contenção em outubro de 2025
Confusão ocorreu durante abordagem a veículo; baixa luminosidade teria levado PMs do 18º BPM a disparar contra equipe do Bope. Vítima trabalhava 26 anos na corporação; seu irmão também morreu em operação policial em outubro de 2025, deixando família em luto duplo.
Subtenente do Bope é morto em tiroteio com policiais militares que confundiram abordagem com ato criminoso em Jacarepaguá. Quatro agentes do Bope e um PM também ficaram feridos.
No domingo de manhã, 11 de outubro, o subtenente Gláucio Marcelo Fonseca da Silva, 54 anos, estava em serviço com sua equipe do Bope na rua Guilherme Moreira, em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio de Janeiro. Ele e seus colegas faziam uma abordagem de rotina a um veículo quando policiais militares do 18º BPM chegaram ao local. No escuro — a baixa luminosidade do lugar teria sido determinante — os PMs interpretaram a movimentação como atividade criminosa. Dispararam contra a equipe do Bope. Gláucio foi morto. Quatro outros agentes do Bope ficaram feridos, assim como um policial do 18º BPM. Todos foram levados ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca.
O subtenente tinha 26 anos de corporação, a maior parte deles no Bope. Deixou três filhos. Mas havia algo mais na história de Gláucio que tornava aquele domingo particularmente devastador para sua família. Seu irmão, o policial Heber Carvalho da Fonseca, também do Bope, havia morrido exatamente um ano antes — em outubro de 2025 — durante a operação Contenção, a ação policial mais letal da história do Brasil, que deixou 122 mortos.
Jéssica Araújo, viúva de Heber, publicou uma mensagem nas redes sociais que capturava o peso daquele momento. Ela havia perdido o marido em outubro de 2025. Agora, no mesmo mês, no aniversário de sua filha, recebia a notícia de que havia perdido o cunhado. "A nossa família não suporta mais tanta dor", escreveu.
O comando do Bope divulgou sua versão dos fatos: agentes da unidade estavam em operação quando a confusão aconteceu. A falta de iluminação adequada no local teria levado os policiais militares a interpretarem mal o que viam. Não houve comunicação prévia entre as duas corporações, aparentemente. O resultado foi um tiroteio entre policiais que deveriam estar do mesmo lado.
A Secretaria de Estado de Polícia Militar respondeu com uma nota breve, prometendo assistência às vítimas e aos familiares. A Delegacia de Homicídios da Capital e a Corregedoria Interna da Polícia Militar, por meio da 2ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar, abriram investigação sobre o tiroteio. O que se segue agora é o processo de apuração — determinar exatamente o que aconteceu naquela rua escura, por que não houve coordenação entre as equipes, e se havia algo que pudesse ter sido feito de forma diferente.
Citazioni salienti
Perdi meu esposo em outubro de 2025 e hoje, no mesmo mês, no aniversário da minha filha, recebo a notícia que perdi o meu cunhado. A nossa família não suporta mais tanta dor.— Jéssica Araújo, viúva de Heber Carvalho da Fonseca, irmão de Gláucio