Na manhã de uma quarta-feira em Islamabad, o fogo consumiu uma sala de maternidade em dois minutos e levou catorze vidas que mal tinham começado. O incêndio no Instituto de Ciências Médicas do Paquistão não foi apenas uma catástrofe súbita — foi o resultado visível de uma negligência acumulada: sem alarmes, sem aspersores, sem procedimentos de emergência, sem cumprimento das normas da OMS. Quando uma sociedade falha nas suas instituições mais vulneráveis, o preço é pago pelos que menos podem defendê-se.
Incêndio em hospital do Paquistão mata 14 bebés; PM suspende oito dirigentes
O fogo consumiu a sala em dois minutos. Não havia alarme.
Como é que um incêndio consegue consumir uma sala inteira em apenas dois minutos?
Sem alarme de incêndio, sem aspersores, sem procedimentos de emergência — o fogo encontrou um ambiente perfeito para se propagar. Duas pessoas conseguiram sair com um bebé, mas os outros catorze não tiveram essa oportunidade.
Mas o relatório diz que havia pessoal do centro na sala. Então por que é que não conseguiram sair todos?
Essa é a questão que fica sem resposta clara. O que sabemos é que a sala estava fechada à chave, segundo os familiares. E as equipas de emergência demoraram 15 minutos a chegar.
Oito dirigentes foram suspensos. Isso é suficiente?
O primeiro-ministro prometeu punição exemplar para quem for considerado culpado de negligência criminosa. Mas a suspensão é apenas o primeiro passo — a investigação forense continua.
Quanto à origem do fogo — ainda não sabem o que causou?
Consideram um curto-circuito no ar condicionado ou numa incubadora. Mas a origem exata continua sob investigação.
E isto não é um caso isolado, pois não?
Não. Um mês antes houve outro incêndio no mesmo instituto, numa residência de enfermagem. E o Paquistão tem um histórico de incêndios em grandes edifícios por causa de leis de segurança fracas.
Então a questão real é se as suspensões vão levar a mudanças estruturais ou se isto vai passar e tudo continuar como estava.
Exatamente. O relatório diz que o hospital não cumpria nenhuma orientação da Organização Mundial da Saúde. Isso não se resolve com suspensões — resolve-se com investimento, regulação e fiscalização.
El Pulso
- O fogo devorou a sala de maternidade em apenas dois minutos, matando 14 dos 15 recém-nascidos presentes — uma enfermeira arriscou a vida para salvar o único sobrevivente.
- Familiares denunciaram que a sala estava fechada à chave e sem pessoal de segurança no momento do incêndio, enquanto as equipas de emergência demoraram 15 minutos a chegar após o alerta.
- As câmaras de vigilância e o relatório preliminar confirmaram ausência total de alarmes, aspersores e protocolos de emergência — o hospital não cumpria nenhuma orientação da Organização Mundial da Saúde.
- O Governo suspendeu oito dirigentes, incluindo o diretor executivo e a chefe de Neonatologia, e o primeiro-ministro prometeu punição exemplar para os responsáveis por negligência criminosa.
- A tragédia expõe uma ferida estrutural mais profunda: um mês antes já havia ocorrido um incêndio no mesmo instituto, sem que medidas de segurança tivessem sido tomadas, num país onde leis de segurança e códigos de construção são sistematicamente ignorados.
Na manhã de uma quarta-feira em Islamabad, o fogo consumiu uma sala de maternidade em dois minutos e levou catorze vidas que mal tinham começado. O incêndio no Instituto de Ciências Médicas do Paquistão não foi apenas uma catástrofe súbita — foi o resultado visível de uma negligência acumulada: sem alarmes, sem aspersores, sem procedimentos de emergência, sem cumprimento das normas da OMS. Quando uma sociedade falha nas suas instituições mais vulneráveis, o preço é pago pelos que menos podem defendê-se.
Na manhã de quarta-feira, um incêndio deflagrou no Instituto de Ciências Médicas de Islamabad e consumiu a sala de maternidade em apenas dois minutos. Catorze recém-nascidos morreram. Um décimo quinto foi salvo por uma enfermeira que arriscou a própria vida para o retirar das chamas.
A resposta do Governo paquistanês chegou dias depois, numa reunião em Lahore onde o primeiro-ministro Shehbaz Sharif analisou as conclusões iniciais da comissão de investigação e as gravações de segurança. Oito dirigentes foram suspensos, entre eles o diretor executivo do instituto, a chefe do Departamento de Neonatologia e o subdiretor de Segurança.
As imagens de vigilância confirmaram o que os familiares já denunciavam: não havia alarme de incêndio, nem sistema de aspersores, nem procedimentos de emergência. A sala estava fechada à chave e sem pessoal de segurança no momento do incêndio. As equipas de emergência demoraram 15 minutos a chegar. O relatório preliminar concluiu que o hospital não cumpria nenhuma orientação da OMS e que havia má gestão generalizada.
A origem do fogo — possivelmente um curto-circuito num aparelho de ar condicionado ou numa incubadora — continua sob investigação forense. Mas o que agrava a tragédia é o seu contexto: um mês antes, já tinha ocorrido um incêndio na residência de enfermagem do mesmo instituto, sem que medidas corretivas tivessem sido adotadas.
O primeiro-ministro foi direto nas suas palavras: quem for considerado culpado de negligência criminosa não receberá clemência. A promessa de punição exemplar marca o tom oficial, mas deixa por responder a questão mais difícil — como reformar um sistema de saúde onde as leis de segurança existem no papel mas raramente se aplicam na prática.
Um incêndio deflagrou na manhã de quarta-feira no Instituto de Ciências Médicas do Paquistão, em Islamabad, consumindo uma sala de maternidade em apenas dois minutos. Catorze recém-nascidos morreram nas chamas. Um décimo quinto bebé estava na sala quando o fogo começou, mas conseguiu ser salvo — uma enfermeira arriscou a vida para o retirar.
O Governo paquistanês, liderado pelo primeiro-ministro Shehbaz Sharif, respondeu com suspensões. Oito dirigentes foram afastados dos seus cargos: o diretor executivo do instituto, a chefe do Departamento de Neonatologia, duas responsáveis pelo registo, o subdiretor de Segurança e o diretor-geral dos Serviços de Emergência da Capital. A decisão foi tomada após uma reunião de sábado em Lahore, onde o Governo analisou as conclusões iniciais da comissão de investigação e as gravações de segurança do dia do incidente.
As imagens de vigilância revelaram o que as autoridades já suspeitavam: o centro não tinha procedimentos operacionais padrão para situações de emergência. Não havia alarme de incêndio na sala. Não havia sistema de aspersores. Dezenas de familiares dos recém-nascidos denunciaram que, no momento do fogo, não havia pessoal de segurança presente e que a sala estava fechada à chave — uma violação clara dos protocolos de segurança. O relatório preliminar confirmou uma má gestão do hospital, embora indicasse que havia pessoal do centro na sala quando o incidente ocorreu.
O Governo concluiu que o local não cumpria nenhuma das orientações da Organização Mundial da Saúde. Houve também um atraso de 15 minutos na chegada das equipas de emergência após o alerta inicial. A origem do fogo continua sob investigação forense, com as autoridades a considerarem hipóteses como um curto-circuito num aparelho de ar condicionado ou numa incubadora, embora tenham excluído falhas na rede elétrica exterior.
O contexto torna a tragédia ainda mais grave. Um mês antes, tinha-se registado um incêndio na residência de enfermagem do mesmo instituto. Após esse incidente, o relatório conclui que "não foram tomadas medidas sérias de segurança no hospital". O Paquistão enfrenta fragilidades estruturais: as leis de segurança e os códigos de construção são frágeis, e a sua aplicação é negligente. Os incêndios em grandes edifícios são frequentes no país.
Durante a reunião de sábado, o primeiro-ministro foi claro sobre as consequências. "Quem for considerado culpado de negligência criminosa não merece qualquer clemência. Será aplicada uma punição exemplar para que nenhuma outra família sofra uma perda devastadora devido à negligência de terceiros", declarou. A promessa de castigo exemplar marca o tom da resposta oficial, mas deixa em aberto a questão de como o sistema de saúde paquistanês pode ser reformado para evitar que tragédias semelhantes se repitam.
Citas Notables
Quem for considerado culpado de negligência criminosa não merece qualquer clemência. Será aplicada uma punição exemplar para que nenhuma outra família sofra uma perda devastadora devido à negligência de terceiros.— Primeiro-ministro Shehbaz Sharif