Uma criança foi resgatada viva de escombros na sexta-feira, dois dias após a avalanche de lama que destruiu vilarejos e infraestrutura na região de fronteira Nepal-China. O Nepal inicialmente recusou ajuda internacional, mas reverteu a decisão horas depois. Equipes da Índia já participam das buscas e grupo chinês é aguardado para operações de resgate.
Menina é resgatada viva no Nepal dois dias após colapso de geleira que deixa 676 mortos
Encontrar alguém vivo após 48 horas é raro demais
Por que uma criança resgatada dois dias depois é notícia tão importante quando há 3 mil desaparecidos?
Porque encontrar alguém vivo nos escombros depois de 48 horas é raro demais para passar despercebido. Deslizamentos de terra não deixam bolsas de ar como terremotos. Cada pessoa viva é uma exceção que prova que ainda há esperança.
Mas a gente não sabe nada sobre essa criança — nem idade, nem saúde, nem se ela perdeu alguém. É um resgate real ou é um símbolo que as autoridades precisavam mostrar?
É um resgate real. Ela foi levada de helicóptero para um hospital. Mas você tem razão — a falta de detalhes é estranha.
O Nepal mudou de ideia sobre ajuda internacional muito rápido. Isso significa que as autoridades subestimaram a escala do desastre?
Ou subestimaram a complexidade. Resgates em deslizamentos são diferentes de terremotos. Há um túnel com 100 pessoas presas. Você precisa de especialistas.
Mas o ministro disse que só precisava de apoio técnico, não de equipes gerais. Horas depois, aceitou tudo. O que mudou em poucas horas?
Provavelmente a realidade no terreno. Quando você vê 669 corpos e 2.426 desaparecidos, a arrogância desaparece rápido.
E esses dois lagos formados pelo colapso — qual é o risco real?
Um começou a escoar lentamente. Mas "lentamente" é vago. Ninguém sabe se vai transbordar ou se vai drenar de forma controlada.
É por isso que ambos estão sob monitoramento 24 horas. Se um transbordar, pode haver mais enchentes, mais mortes, mais desaparecidos.
A reconstrução vai custar entre 4 e 5 bilhões de dólares. O Nepal tem esse dinheiro?
Não. Por isso o governo já pediu assistência técnica e financeira. A Índia já começou a enviar suprimentos.
Le Pouls
- Menina resgatada viva na sexta-feira, dois dias após colapso de geleira
- 676 mortos no total (669 no Nepal, 7 no Tibete chinês)
- Cerca de 3 mil desaparecidas (2.426 no Nepal, 554 no Tibete chinês)
- Aproximadamente 93 mil pessoas afetadas pela tragédia
- Reconstrução estimada entre US$ 4 e US$ 5 bilhões
Uma criança foi resgatada viva de escombros na sexta-feira, dois dias após a avalanche de lama que destruiu vilarejos e infraestrutura na região de fronteira Nepal-China. O Nepal inicialmente recusou ajuda internacional, mas reverteu a decisão horas depois. Equipes da Índia já participam das buscas e grupo chinês é aguardado para operações de resgate.
Menina é resgatada com vida dois dias após colapso de geleira no Nepal que matou 669 pessoas. Nepal aceita ajuda internacional enquanto cerca de 3 mil permanecem desaparecidas.
Na sexta-feira, dois dias depois que uma geleira desabou na região de fronteira entre Nepal e China, equipes de resgate conseguiram tirar uma menina viva dos escombros. A criança foi encontrada em uma casa próxima ao posto de fronteira de Timure e levada de helicóptero para um hospital. Sua idade, estado de saúde e se perdeu familiares no desastre não foram divulgados. O resgate, anunciado pelas autoridades nas redes sociais, representou um raro momento de esperança em uma operação que se torna cada vez mais desesperada conforme os dias passam.
O colapso ocorreu na quarta-feira, quando uma geleira no Himalaia desabou e lançou gelo, rochas, lama e detritos sobre os rios da região, destruindo vilarejos inteiros, pontes, estradas, escolas, hospitais e usinas hidrelétricas. O saldo até sábado era de 669 mortos no Nepal e sete no Tibete chinês, totalizando 676 vítimas. Mas o número de desaparecidos é ainda mais alarmante: cerca de 3 mil pessoas continuam desaparecidas entre os dois países — 2.426 no Nepal e 554 no Tibete chinês. Entre eles estão moradores, turistas, peregrinos e trabalhadores de usinas hidrelétricas. Pelo menos 540 dos desaparecidos são estrangeiros. A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho estima que aproximadamente 93 mil pessoas foram afetadas pela tragédia.
Resgates em deslizamentos de terra são operacionalmente mais complexos do que em terremotos, e sobreviventes tendem a ser encontrados apenas nas bordas da zona afetada. Conforme o tempo passa, as chances de encontrar pessoas vivas diminuem drasticamente. As operações enfrentaram obstáculos adicionais: chuva intensa e nevoeiro forçaram suspensões temporárias, embora tenham sido retomadas no sábado após melhora das condições climáticas. Um dos focos principais das buscas é um túnel de uma usina hidrelétrica onde cerca de 100 pessoas permanecem presas.
O governo do Nepal inicialmente declarou que conseguiria conduzir sozinho as operações de resgate, rejeitando ajuda internacional. O ministro das Relações Exteriores, Shisir Khanal, afirmou à Reuters que o país necessitava apenas de apoio técnico especializado para ações como resgates em túneis, identificação de corpos e exames de DNA. Horas depois, porém, o governo reverteu essa posição e passou a aceitar ajuda da comunidade internacional. Equipes especializadas da Índia já participam das buscas, enquanto um grupo enviado pela China é aguardado. A Índia já enviou cerca de 60 toneladas de suprimentos de emergência, incluindo alimentos, medicamentos e cobertores, além de oferecer equipes técnicas e pontes pré-fabricadas.
Três dias após a tragédia, parte dos corpos recuperados já estava em avançado estado de decomposição, impossibilitando identificação visual. A administração do distrito de Chitwan anunciou que amostras de DNA serão coletadas antes do sepultamento para preservar a possibilidade de identificação futura e reduzir riscos sanitários. Em Katmandu, familiares continuam procurando notícias de desaparecidos e tentam reconhecer vítimas por fotografias afixadas nos muros do Campus Médico de Maharajgunj, para onde parte dos corpos foi levada.
Na cidade de Bidur, a cerca de duas horas de Katmandu, centenas de moradores aguardam helicópteros para retornar às comunidades atingidas. Uma base militar foi transformada em centro de atendimento aos sobreviventes resgatados por via aérea. Enquanto algumas estradas começam a ser reabertas para permitir acesso por terra, o risco de novas enchentes permanece. Dois lagos formados após o colapso da geleira seguem sob monitoramento das autoridades nepalesas e chinesas. Um deles começou a escoar lentamente no sábado, reduzindo o risco imediato de transbordamento, mas especialistas alertam que o perigo só diminuirá quando ambos estiverem completamente esvaziados.
O ministro das Finanças do Nepal, Swarnim Wagle, estima que a reconstrução custará entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões — cerca de R$ 20,8 bilhões a R$ 26 bilhões — embora os prejuízos ainda estejam sendo contabilizados. Além dos recursos financeiros, o governo pediu assistência técnica para resgates em túneis, recuperação da infraestrutura, identificação de vítimas, realização de exames de DNA e ampliação da capacidade de armazenamento de corpos. As autoridades alertam que o número de mortos pode aumentar à medida que novas áreas se tornam acessíveis às equipes de resgate.
Citations marquantes
Achamos que não há necessidade de repetição nisso— Ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, sobre rejeição inicial de ajuda internacional
O número de mortos pode aumentar à medida que novas áreas se tornam acessíveis às equipes de resgate— Autoridades do Nepal