Médica enviou mensagem em grupo privado orientando a não dar alta para pacientes no fim de semana de eleição, alegando que 'a maioria é petista'. Procuradoria Regional Eleitoral pediu investigação formal; médica nega que orientações resultaram em condutas inadequadas ou altas atrasadas.
Procuradoria pede investigação sobre médica suspeita de orientar não dar alta a 'petistas'
Nenhuma paciente teve a alta atrasada ou negada
O que exatamente a médica escreveu naquela mensagem?
Ela disse ao grupo que ninguém deveria receber alta no fim de semana de eleição porque a maioria era petista. Doze colegas reagiram com emojis positivos e um respondeu "combinado".
Mas há confirmação de que alguém realmente não recebeu alta por isso?
Não. A própria médica nega que a mensagem se transformou em conduta. Ela diz que todas as pacientes foram liberadas por critérios clínicos.
Então por que a Procuradoria Regional Eleitoral se envolveu?
Porque uma comunicação que sugere reter pacientes com base em preferência política é uma questão eleitoral, mesmo que não tenha resultado em ação prática.
Mas se ninguém foi prejudicado, qual é o crime ou a violação?
É aí que fica complexo. A investigação está tentando determinar se houve intenção de interferir no voto ou se foi apenas uma brincadeira de mau gosto entre colegas.
A médica foi punida?
Sim, foi afastada de suas funções enquanto o caso é apurado. Mas a investigação ainda está em andamento.
E quanto ao hospital? Ele sabia disso?
O hospital disse que as mensagens foram enviadas em um grupo privado e representavam manifestações pessoais, não o posicionamento da administração.
Isso a protege legalmente?
Não necessariamente. O fato de ser privado não significa que não houve violação de conduta profissional ou eleitoral. A investigação vai determinar isso.
O Pulso
- Mensagem enviada em 2 de outubro, dois dias antes do primeiro turno das eleições
- Médica Marcella Segato de Sousa Melo, chefe de ginecologia e obstetrícia do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara
- Doze profissionais reagiram à mensagem com emojis positivos e um respondeu 'combinado'
- Procuradoria Regional Eleitoral em Goiás pediu investigação formal ao Ministério Público Eleitoral
Médica enviou mensagem em grupo privado orientando a não dar alta para pacientes no fim de semana de eleição, alegando que 'a maioria é petista'. Procuradoria Regional Eleitoral pediu investigação formal; médica nega que orientações resultaram em condutas inadequadas ou altas atrasadas.
Procuradoria Regional Eleitoral em Goiás investiga médica suspeita de orientar profissionais a não dar alta a pacientes no dia da eleição por serem petistas. A ginecologista foi afastada do hospital enquanto o caso é apurado.
No fim de semana que antecedeu o primeiro turno das eleições de 2026, uma médica ginecologista e obstetra enviou uma mensagem a colegas em um grupo privado de profissionais do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara, em Goiânia. A mensagem era direta: quem estivesse trabalhando no sábado e domingo não deveria dar alta a ninguém, porque, segundo ela, a maioria dos pacientes era petista. Marcella Segato de Sousa Melo, chefe do departamento de ginecologia e obstetrícia da unidade, escreveu isso dois dias antes do primeiro turno, em 2 de outubro.
A mensagem circulou entre doze profissionais que reagiram com emojis de risada, sinais de positivo e a bandeira do Brasil. Um deles respondeu "combinado". Prints da conversa foram preservados e eventualmente chegaram às autoridades. O que começou como uma comunicação privada entre colegas se transformou em uma questão de interesse público quando a Procuradoria Regional Eleitoral em Goiás (PRE-GO) pediu formalmente a investigação do caso, encaminhando-o ao Ministério Público Eleitoral para apuração.
Marcella foi afastada de suas funções enquanto o caso segue sob investigação. Ela é contratada pela empresa que presta serviços para a Organização Social responsável pela gestão da maternidade. O hospital, quando o caso veio à tona, afirmou que as mensagens representavam manifestações pessoais dos participantes e não o posicionamento da administração. A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia informou que adotou medidas administrativas para apurar a conduta e reforçou às equipes a importância de garantir atendimento adequado, ético e respeitoso a todos os pacientes do Sistema Único de Saúde.
Até o momento, não há confirmação de que alguma paciente tenha tido a alta retida ou negada por razões políticas. Marcella afirmou em nota que todas as pacientes foram avaliadas e liberadas exclusivamente com base em critérios clínicos. "Essas mensagens, porém, não se transformaram em conduta nem resultaram em procedimentos inadequados. Nenhuma paciente teve a alta atrasada ou negada", escreveu. Ela pediu desculpas às pacientes, às famílias, aos colegas e ao hospital, dizendo que lamenta profundamente que suas mensagens tenham destoado do compromisso que sempre orientou sua atuação profissional.
A médica também reafirmou que nenhuma avaliação levou em conta preferência política e que o voto é secreto e deve ser respeitado, sem qualquer tipo de retaliação. Desde 2017, segundo ela, realizou milhares de partos de mulheres de diferentes origens e convicções. O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás informou que denúncias relacionadas à conduta ética de médicos são apuradas em sigilo e que solicita esclarecimentos ao médico responsável técnico pela instituição citada nas denúncias.
A PRE-GO afirmou que adotou medidas preventivas para garantir o livre exercício do voto no segundo turno das eleições, mas não informou quais foram essas medidas, alegando que o procedimento tem acesso restrito. O órgão também afirmou que não antecipa qualquer avaliação sobre os fatos investigados. O caso permanece em apuração, com o Ministério Público Eleitoral e o conselho de medicina trabalhando em paralelo para esclarecer se houve, de fato, qualquer conduta inadequada ou se a mensagem permaneceu apenas no âmbito da comunicação privada sem se converter em ações que afetassem pacientes.
Citações Notáveis
Quem estiver na enfermaria sábado e domingo, não dar alta para ninguém, a maioria é petista— Marcella Segato de Sousa Melo, em mensagem ao grupo privado de médicos
Essas mensagens, porém, não se transformaram em conduta nem resultaram em procedimentos inadequados. Nenhuma paciente teve a alta atrasada ou negada— Marcella Segato de Sousa Melo, em nota de resposta