Em meio a um Brasil onde filas hospitalares e informalidade trabalhista persistem como feridas abertas na vida cotidiana, o candidato Renan Santos, do partido Missão, apresentou esta semana propostas que buscam enfrentar esses dois nós estruturais com ferramentas do século XXI. A ideia de unificar os dados de saúde do SUS em uma plataforma digital com inteligência artificial parte do diagnóstico de que a fragmentação, e não apenas a escassez, é o que paralisa o sistema. Já a proposta de contratação por hora para trabalhadores de aplicativos reconhece que a CLT, pensada para outro tempo, não al
Renan Santos propõe prontuário eletrônico para zerar filas do SUS e reforma trabalhista para apps
Os ganhos para as pessoas vão ser gigantescos
Como é que um prontuário eletrônico conseguiria zerar as filas do SUS em três anos? Isso não depende de muito mais do que dados integrados?
Segundo o candidato, a integração permite que médicos vejam o histórico completo do paciente de uma vez, sem repetir exames ou consultas. A IA também identificaria riscos antes, evitando internações emergenciais. Teoricamente, menos gargalos.
Mas ele cita "experiências mundo afora" sem nomear uma. Qual país conseguiu isso? E em quanto tempo? Três anos é uma estimativa dele ou baseada em dados reais?
E quanto aos trabalhadores de app — como funciona exatamente esse modelo de venda de horas?
Seria uma contratação por hora, mais flexível que a CLT. Com contribuições reduzidas à seguridade social, para não encarecer demais para quem contrata.
Reduzidas quanto? Qual seria o valor? E se as contribuições são menores, como garante cobertura previdenciária adequada? Ele não especifica os números.
Por que a CLT não funciona para esses trabalhadores?
Ele diz que a tributação é alta e muitos jovens preferem não se formalizar. A CLT é rígida demais para quem quer flexibilidade.
Verdade que muitos não querem CLT, mas também é verdade que muitos não conseguem porque plataformas não oferecem. Não é só preferência — é também recusa do empregador.
Der Puls
- Milhões de brasileiros aguardam consultas, exames e cirurgias num sistema de saúde onde os dados dos pacientes vivem dispersos em arquivos desconexos, sem memória compartilhada.
- Santos afirma que a inteligência artificial aplicada a um prontuário unificado poderia zerar a fila do SUS em três anos — uma promessa ambiciosa que desafia décadas de inércia burocrática.
- No mercado de trabalho, entregadores e motoristas de aplicativo operam numa zona cinzenta legal, sem proteção previdenciária e sem enquadramento formal adequado à sua realidade.
- A proposta de contratação por hora com contribuições reduzidas tenta seduzir tanto trabalhadores quanto empregadores, oferecendo formalização sem o peso tributário que hoje afasta ambos da CLT.
- O horizonte desenhado pelo candidato aponta para um Estado mais conectado digitalmente e um mercado de trabalho mais poroso à nova economia — mas a viabilidade política e fiscal dessas mudanças ainda está por ser testada.
Em meio a um Brasil onde filas hospitalares e informalidade trabalhista persistem como feridas abertas na vida cotidiana, o candidato Renan Santos, do partido Missão, apresentou esta semana propostas que buscam enfrentar esses dois nós estruturais com ferramentas do século XXI. A ideia de unificar os dados de saúde do SUS em uma plataforma digital com inteligência artificial parte do diagnóstico de que a fragmentação, e não apenas a escassez, é o que paralisa o sistema. Já a proposta de contratação por hora para trabalhadores de aplicativos reconhece que a CLT, pensada para outro tempo, não alcança a nova geometria do trabalho brasileiro.
Renan Santos, candidato do partido Missão à presidência, apresentou esta semana duas propostas voltadas a problemas estruturais do Brasil: a criação de um prontuário eletrônico unificado para o SUS e uma reforma trabalhista para formalizar trabalhadores de plataformas digitais.
Sobre a saúde, Santos defende que a fragmentação dos dados é uma das causas centrais das longas esperas enfrentadas pelos pacientes. Um sistema integrado reuniria o histórico clínico completo de cada pessoa em uma única plataforma digital, com uso de inteligência artificial para identificar riscos de doenças como hipertensão e diabetes. O candidato citou experiências internacionais para sustentar que seria possível zerar a fila do SUS em três anos.
Na área trabalhista, a proposta mira entregadores, motoristas e outros profissionais de aplicativos que hoje operam sem proteção legal. Santos propõe um modelo de contratação baseado na compra e venda de horas de trabalho, mais flexível do que a CLT atual, que ele aponta como obstáculo à formalização — especialmente entre os jovens, que muitas vezes rejeitam o regime formal pela alta carga tributária.
A ideia inclui contribuições reduzidas à seguridade social, com o objetivo de ampliar a cobertura previdenciária sem encarecer a contratação. Para Santos, trazer essa população para o sistema formal aumentaria a arrecadação e ofereceria mais segurança a quem hoje trabalha à margem da lei.
Renan Santos, candidato pelo partido Missão, apresentou nesta semana duas propostas que pretendem atacar problemas estruturais da administração pública brasileira: a criação de um prontuário eletrônico unificado para o Sistema Único de Saúde e uma reforma trabalhista voltada para formalizadores de trabalho por aplicativo. Em entrevista, o presidenciável argumentou que a fragmentação dos dados de saúde é uma das razões centrais pelas quais pacientes enfrentam esperas prolongadas e dificuldades para acessar consultas, exames e procedimentos cirúrgicos.
Segundo Santos, um sistema integrado permitiria que o histórico completo do tratamento de um paciente ficasse disponível em uma única plataforma digital. Ele propõe ainda o uso de inteligência artificial para rastrear o percurso clínico dos indivíduos e sinalizar riscos de desenvolvimento de doenças específicas — citou hipertensão e diabetes com histórico familiar como exemplos. O candidato afirmou que modelos semelhantes implementados em outros países demonstram potencial significativo para descongestionar o sistema. "Os ganhos para as pessoas vão ser gigantescos. Dá pra pegar a fila do SUS em três anos você zerar, como algumas experiências que estão tendo mundo afora", declarou.
No que diz respeito aos trabalhadores informais e de plataformas digitais — entregadores, motoristas e profissionais similares — Santos defende um modelo de contratação baseado na comercialização de horas de trabalho. Ele argumenta que essa estrutura seria mais simples e flexível do que o regime atual da Consolidação das Leis do Trabalho, que ele identifica como um obstáculo à formalização, especialmente entre os mais jovens. "Hoje a maior parte das pessoas no Brasil, especialmente os mais jovens, não apenas não consegue a formalização via CLT, como muitas vezes não quer, porque a tributação é alta", afirmou.
A proposta inclui contribuições reduzidas destinadas à seguridade social, com o objetivo de garantir cobertura previdenciária sem elevar excessivamente os custos para quem contrata. Santos sustenta que essa abordagem ampliaria a arrecadação previdenciária ao trazer para o sistema formal uma população que hoje trabalha sem proteção legal. O candidato vê na mudança uma oportunidade de oferecer mais segurança aos profissionais de aplicativos enquanto reduz o índice geral de informalidade no país.
Bemerkenswerte Zitate
O prontuário único permite que você tenha toda a trajetória do tratamento da sua doença dentro de um aplicativo— Renan Santos
Hoje a maior parte das pessoas no Brasil, especialmente os mais jovens, não apenas não consegue a formalização via CLT, como muitas vezes não quer, porque a tributação é alta— Renan Santos