No mercado global de medicamentos para diabetes e obesidade, uma virada de poder começa a se desenhar: a Eli Lilly encerrou 2025 com crescimento de 43% em receita e projeções ousadas para 2026, enquanto a Novo Nordisk — que por anos dominou esse espaço com Wegovy e Ozempic — projeta queda de até 13% nas vendas, pressionada por acordos de preços com o governo americano e pela concorrência crescente. É o tipo de inversão que lembra ao mercado que nenhuma liderança é permanente, especialmente em setores onde a inovação e a política de saúde caminham juntas.
Eli Lilly surpreende com resultados enquanto Novo Nordisk projeta queda de vendas
A dinâmica do mercado está mudando — Eli Lilly ganha terreno enquanto Novo Nordisk enfrenta realidade mais desafiadora
Como assim a Eli Lilly conseguiu crescer 43% em receita enquanto a Novo Nordisk projeta queda? Eles não estão no mesmo mercado?
Estão, mas em posições muito diferentes agora. A Eli Lilly tem o Mounjaro e o Zepbound ganhando participação de mercado rapidamente. A Novo Nordisk tem o Wegovy e o Ozempic, que foram os primeiros e ainda crescem, mas enfrentam pressão de preços e competição direta.
Espera — a Novo Nordisk viu o Wegovy crescer 17% e o Ozempic crescer 1%. Isso não é queda, é crescimento. Por que ela projeta queda para 2026?
Porque o crescimento que ela teve no trimestre foi em um contexto de preços mais altos. Para 2026, ela espera que a pressão de preços — resultado de um acordo com o governo americano — reduza as vendas em 5% a 13%. É uma projeção conservadora.
Esse acordo de redução de preços foi recente?
Sim, foi mencionado como um fator que está afetando as projeções. A Novo Nordisk está sendo forçada a baixar preços, o que reduz a receita mesmo que o volume de pacientes continue crescendo.
Mas a Novo Nordisk ainda viu receita acima do esperado no trimestre. Como ela pode estar tão pessimista para 2026?
Porque ela está vendo a combinação de três pressões: preços caindo, Eli Lilly roubando mercado, e incerteza regulatória. Não é uma coisa só — é tudo junto.
E a versão em comprimido do Wegovy? Isso não deveria ajudar?
Deveria, mas a Novo Nordisk disse que o impacto financeiro ainda vai levar tempo. Pode ser que em 2026 ainda não seja significativo o suficiente para compensar as outras pressões.
Então o que a gente sabe de verdade é: Eli Lilly está crescendo forte, Novo Nordisk está crescendo agora mas espera desacelerar, e ninguém sabe exatamente quanto a versão em comprimido vai mudar o jogo.
Exatamente. É um mercado em transição, e as projeções refletem essa incerteza.
Il Polso
- A Eli Lilly surpreendeu com lucro ajustado de US$ 7,54 por ação e receita de US$ 19,3 bilhões — ambos bem acima do esperado — impulsionados pelo avanço do Mounjaro e do Zepbound.
- A Novo Nordisk, por outro lado, viu seu lucro líquido cair 4,7% e sua receita recuar 7,6% no quarto trimestre, sinalizando que o domínio da empresa dinamarquesa está sendo contestado.
- Para 2026, a Novo Nordisk projeta queda de 5% a 13% em vendas e lucro operacional, um cenário muito mais sombrio do que o mercado antecipava e que abalou a confiança dos investidores.
- Pressão de preços por acordo com o governo dos EUA, avanço da concorrência e desafios regulatórios formam a tríade de riscos que a Novo Nordisk terá de enfrentar ao longo do ano.
- A versão em comprimido do Wegovy teve boa recepção inicial nos Estados Unidos, mas seu impacto financeiro ainda levará tempo para aparecer nos resultados da empresa.
No mercado global de medicamentos para diabetes e obesidade, uma virada de poder começa a se desenhar: a Eli Lilly encerrou 2025 com crescimento de 43% em receita e projeções ousadas para 2026, enquanto a Novo Nordisk — que por anos dominou esse espaço com Wegovy e Ozempic — projeta queda de até 13% nas vendas, pressionada por acordos de preços com o governo americano e pela concorrência crescente. É o tipo de inversão que lembra ao mercado que nenhuma liderança é permanente, especialmente em setores onde a inovação e a política de saúde caminham juntas.
A Eli Lilly abriu 2026 com números que deixaram o mercado para trás. No quarto trimestre do ano anterior, a farmacêutica reportou lucro ajustado de US$ 7,54 por ação — acima dos US$ 6,91 esperados — e receita de US$ 19,3 bilhões, superando o consenso e marcando crescimento anual de 43%. O desempenho foi puxado pelo Mounjaro e pelo Zepbound, seus medicamentos para diabetes tipo 2 e controle de peso. Para 2026, a empresa projetou receita entre US$ 80 bilhões e US$ 83 bilhões, novamente acima das expectativas do mercado.
O cenário é bem diferente para a Novo Nordisk. A fabricante do Wegovy e do Ozempic apresentou resultados mistos no trimestre: o lucro por ação superou estimativas, mas o lucro líquido caiu 4,7% e a receita recuou 7,6%. O Wegovy cresceu 17% e o Ozempic avançou 1%, ambos acima do esperado — mas o que preocupa investidores é o horizonte de 2026.
A empresa dinamarquesa projeta queda de 5% a 13% em vendas e lucro operacional, citando três fatores: pressão de preços decorrente de um acordo com o governo americano para reduzir valores de medicamentos contra obesidade, aumento da concorrência — com a Eli Lilly ganhando mercado — e desafios regulatórios ainda por se resolver. A versão em comprimido do Wegovy teve boa recepção inicial nos Estados Unidos, mas seu impacto financeiro levará tempo para se consolidar. O mercado de medicamentos para diabetes e obesidade está vivendo uma inversão que não se via há tempos.
A Eli Lilly entrou em 2026 com números que deixaram o mercado para trás. No quarto trimestre do ano anterior, a farmacêutica reportou lucro ajustado de US$ 7,54 por ação — bem acima dos US$ 6,91 que analistas esperavam. A receita chegou a US$ 19,3 bilhões, superando o consenso de US$ 17,9 bilhões e marcando um crescimento anual de 43%. O desempenho foi puxado pelo Mounjaro e pelo Zepbound, seus medicamentos para diabetes tipo 2 e controle de peso, que continuam ganhando espaço mesmo com a concorrência acirrada e o surgimento de novas formas de administração desses tratamentos.
Para o ano que se inicia, a Lilly projetou receita entre US$ 80 bilhões e US$ 83 bilhões — novamente acima do que o mercado antecipava. O lucro ajustado por ação deve ficar entre US$ 33,50 e US$ 35, também superior às expectativas. Esses números refletem a confiança da companhia em manter o ritmo de crescimento, alimentada pelo volume crescente de seus medicamentos de maior sucesso.
O cenário é bem diferente para a Novo Nordisk, fabricante do Wegovy e do Ozempic. A empresa dinamarquesa apresentou resultados mistos no quarto trimestre. O lucro por ação ficou em 6,04 coroas dinamarquesas (US$ 0,96), acima do esperado de 5,85 coroas (US$ 0,93). Mas o lucro líquido caiu 4,7%, para 26,89 bilhões de coroas (US$ 4,25 bilhões), enquanto a receita recuou 7,6%, para 79,14 bilhões de coroas (US$ 12,52 bilhões) — ainda assim acima da projeção de 76,91 bilhões de coroas (US$ 12,17 bilhões).
Os medicamentos de destaque da Novo Nordisk tiveram desempenhos desiguais. O Wegovy cresceu 17% em comparação anual, atingindo 21,86 bilhões de coroas (US$ 3,45 bilhões), superando as estimativas. O Ozempic avançou apenas 1%, para 31,83 bilhões de coroas (US$ 5,03 bilhões), mas ainda assim acima do esperado. Apesar desses números positivos no trimestre, o que preocupa investidores é o que vem pela frente.
Para 2026, a Novo Nordisk projetou queda de 5% a 13% nas vendas e no lucro operacional ajustado a taxas constantes — um cenário bem mais sombrio do que o mercado esperava. A empresa apontou três razões principais: a pressão de preços resultante de um acordo com o governo dos Estados Unidos para reduzir valores de medicamentos contra obesidade, o aumento da concorrência (leia-se: Eli Lilly ganhando mercado) e desafios regulatórios que ainda estão por se desenrolar.
Há um ponto positivo na história da Novo Nordisk: a versão em comprimido do Wegovy teve boa recepção inicial nos Estados Unidos. Mas a empresa reconhece que o impacto financeiro dessa inovação ainda levará tempo para se consolidar nos números. Enquanto isso, a dinâmica do mercado de medicamentos para diabetes e obesidade está mudando. A Eli Lilly está ganhando terreno com força, enquanto a Novo Nordisk, que dominou esse espaço, agora enfrenta uma realidade mais desafiadora — uma inversão que o mercado de farmacêuticas não via há tempos.
Citazioni salienti
A Novo Nordisk apontou uma boa recepção inicial da versão em comprimido do Wegovy nos EUA, embora reconheça que o impacto financeiro ainda levará tempo para se consolidar— Novo Nordisk, em comunicado de resultados