Anvisa autoriza testes em humanos da primeira vacina de mRNA desenvolvida no Brasil

O Brasil constrói sua própria infraestrutura para responder a crises de saúde
Com 210 milhões de reais investidos em três centros de pesquisa, o país busca reduzir dependência de tecnologias externas.
Mark

Por que isso importa tanto? É só mais uma vacina contra Covid, certo?

Mimi

Não é só sobre Covid. É sobre o Brasil ter a capacidade de criar suas próprias vacinas, em qualquer emergência, sem depender de outros países. A plataforma de mRNA é como um molde que pode ser adaptado para dengue, malária, qualquer doença.

Luke

Mas precisamos ser claros: estamos falando de testes em 90 pessoas. Isso é muito pequeno. Não sabemos ainda se vai funcionar ou se será segura em larga escala.

Mark

Quanto tempo até sabermos se funciona?

Mimi

O recrutamento começa em 2027 e leva seis meses. Depois cada pessoa é acompanhada por mais seis meses. Então estamos falando de pelo menos um ano e meio só nesta primeira fase.

Luke

E mesmo depois disso, haverá fases dois e três, que podem levar anos. A aprovação de hoje não é o fim da linha, é o começo.

Mark

Então por que o governo investiu 210 milhões de reais?

Mimi

Porque a tecnologia é estratégica. Se o Brasil conseguir dominar isso, nunca mais fica refém de outros países em uma crise de saúde. É soberania tecnológica.

Luke

Verdade. Mas também é importante dizer que outros países já têm essa tecnologia funcionando há anos. O Brasil está chegando agora. Não é inovação, é alcançar o que o mundo já sabe fazer.

Mark

Então é um atraso que está sendo recuperado?

Mimi

Exatamente. E com investimento real em três instituições diferentes, não só uma. Isso aumenta as chances de sucesso.

Luke

Desde que os recursos sejam bem usados e que não haja desvios políticos no caminho.

  • O Brasil nunca havia chegado tão longe: uma vacina mRNA contra Covid-19 feita inteiramente no país acaba de receber autorização para ser testada em humanos pela Anvisa.
  • Noventa voluntários saudáveis no Rio de Janeiro serão os primeiros a receber o imunizante da Fiocruz como dose de reforço, com recrutamento previsto para 2027.
  • A plataforma mRNA desenvolvida pela Fiocruz é a primeira da América Latina com certificação de Boas Práticas de Fabricação, abrindo caminho para vacinas contra dengue, malária e Chagas.
  • O governo federal investiu R$ 210 milhões em três instituições — Fiocruz, Butantan e UFMG — para consolidar uma infraestrutura nacional de mRNA e reduzir a dependência tecnológica do exterior.
  • A aprovação não garante vacina disponível em breve: os testes clínicos são justamente o momento de avaliar segurança e resposta imunológica antes de qualquer pedido de registro.

Pela primeira vez, o Brasil avança para testar em seres humanos uma vacina contra a Covid-19 desenvolvida inteiramente em solo nacional, com tecnologia de RNA mensageiro. A Anvisa autorizou o estudo clínico conduzido pela Fiocruz, marcando um momento em que um país historicamente dependente de tecnologias externas começa a construir sua própria soberania imunológica. Mais do que uma vacina, o que está em jogo é a capacidade do Brasil de enfrentar, com recursos próprios, as crises sanitárias que o futuro inevitavelmente reserva.

O Brasil deu um passo inédito em sua história científica: a Anvisa aprovou, em 20 de agosto, o primeiro estudo clínico de uma vacina contra Covid-19 com tecnologia mRNA desenvolvida integralmente no país. O responsável pelo imunizante é o Bio-Manguinhos, instituto da Fiocruz no Rio de Janeiro, que agora leva sua criação para a primeira fase de testes em seres humanos.

Nessa etapa inicial, noventa adultos saudáveis entre 18 e 59 anos serão recrutados em dois centros cariocas para receber a vacina como reforço. O processo deve começar no primeiro trimestre de 2027, com seis meses de recrutamento e mais seis de acompanhamento. Três dosagens serão testadas — 25, 50 e 100 microgramas — para avaliar segurança e resposta imunológica. A vacina instrui as células a produzirem a proteína Spike da variante XBB do coronavírus, treinando o sistema imunológico a reconhecê-lo.

Mas o alcance dessa conquista vai além da Covid-19. A plataforma mRNA da Fiocruz é a primeira da América Latina com certificação de Boas Práticas de Fabricação, o que permite produção em escala comercial. A mesma tecnologia pode ser adaptada para dengue, malária, Chagas, leishmaniose e influenza. O Instituto Butantan e a UFMG também desenvolvem suas próprias unidades de mRNA, compondo um ecossistema nacional em formação.

O Ministério da Saúde investiu R$ 210 milhões nesse esforço coletivo — R$ 77 milhões para a Fiocruz, R$ 73 milhões para o Butantan e R$ 60 milhões para a UFMG — com o objetivo declarado de reduzir a dependência brasileira de tecnologias estrangeiras. A aprovação para testes clínicos não significa vacina disponível no curto prazo, mas sinaliza que o Brasil começa a construir, com ciência própria, a infraestrutura para enfrentar as emergências sanitárias que ainda estão por vir.

O Brasil acaba de receber autorização para fazer algo que nunca havia feito antes: testar em pessoas uma vacina contra a Covid-19 inteiramente desenvolvida no país usando tecnologia de RNA mensageiro. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou o estudo clínico em 20 de agosto, abrindo caminho para que o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fiocruz, conhecido como Bio-Manguinhos, leve seu imunizante para a primeira fase de testes humanos.

Esta primeira fase é sobre segurança e resposta imunológica. Noventa adultos saudáveis, com idades entre 18 e 59 anos, serão recrutados em dois centros no Rio de Janeiro para receber a vacina como dose de reforço, seguindo o calendário do Programa Nacional de Imunizações. O recrutamento deve começar no primeiro trimestre de 2027, com seis meses previstos para incluir todos os voluntários e mais seis meses de acompanhamento após isso. Os pesquisadores testarão três dosagens diferentes — 25, 50 e 100 microgramas — para entender como o corpo responde e se há efeitos colaterais.

A vacina usa RNA mensageiro que instrui as células a produzirem a proteína Spike da variante XBB do coronavírus, treinando assim o sistema imunológico a reconhecer e combater o vírus. Antes de chegar aos testes em humanos, o imunizante passou por estudos pré-clínicos e avaliações toxicológicas. O estudo será aberto e não controlado, o que significa que os pesquisadores e participantes saberão que estão recebendo a vacina, e não haverá um grupo comparativo recebendo placebo nesta etapa inicial.

Mas o significado desta aprovação vai muito além de uma única vacina contra a Covid-19. A plataforma de RNA mensageiro desenvolvida pela Fiocruz é a primeira da América Latina com certificação de Boas Práticas de Fabricação, o que a torna capaz de produzir imunizantes em escala comercial. A tecnologia é flexível: os mesmos processos e equipamentos podem ser adaptados para criar vacinas contra dengue, malária, doença de Chagas, leishmaniose visceral e influenza. O Instituto Butantan está investindo em sua própria unidade de mRNA para Covid-19 e raiva, enquanto a Universidade Federal de Minas Gerais desenvolve projetos em seu Centro de Competência em Vacinas.

O Ministério da Saúde reconheceu essa importância estratégica e investiu 210 milhões de reais no desenvolvimento dessas plataformas. A Fiocruz recebeu 77 milhões, o Butantan 73 milhões e a UFMG 60 milhões. Esses recursos fazem parte do Novo PAC Saúde e têm um objetivo claro: reduzir a dependência brasileira de tecnologias desenvolvidas no exterior e fortalecer a capacidade do país de responder a futuras emergências sanitárias. Segundo o presidente da Fiocruz, Mario Moreira, a consolidação dessa plataforma amplia a capacidade nacional de responder a crises de saúde e cria uma base para desenvolver novos produtos para o Sistema Único de Saúde.

É importante notar que a aprovação para testes clínicos não significa que a vacina estará disponível para a população em breve. Os testes em humanos são justamente o momento em que os pesquisadores avaliam se os benefícios superam os riscos. Depois disso, será necessário apresentar um pedido formal de registro à Anvisa. Mas o passo dado agora coloca o Brasil em posição de construir uma infraestrutura tecnológica própria para responder a desafios de saúde pública — não apenas hoje, mas nas crises que virão.

A consolidação dessa plataforma amplia a capacidade nacional de responder a emergências sanitárias, reduz a dependência de tecnologias externas e cria uma base para o desenvolvimento de novos produtos voltados a diferentes desafios do Sistema Único de Saúde
— Mario Moreira, presidente da Fiocruz
Mais do que viabilizar uma vacina específica, a estratégia cria uma infraestrutura tecnológica nacional capaz de gerar diferentes vacinas e produtos de interesse do SUS
— Alexandre Padilha, ministro da Saúde
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