Transtornos mentais aumentam risco de morte por covid-19 em até 50%

Pacientes com transtornos mentais enfrentam risco significativamente elevado de morte por COVID-19, com mortalidade 50% maior que a população geral.
Mortalidade 50% mais alta entre pacientes com transtornos mentais
Pesquisa em cinco hospitais dos EUA revelou disparidade dramática na taxa de morte por covid-19.
Mark

Por que levou tanto tempo para que essa conexão entre transtornos mentais e mortalidade por covid-19 fosse documentada?

Mimi

Porque a pandemia foi caótica e os sistemas de saúde estavam sobrecarregados. Os pesquisadores precisavam de dados estruturados de hospitais, e isso só ficou disponível alguns meses após o início da crise. Além disso, saúde mental historicamente recebe menos atenção em pesquisa de saúde pública.

Mark

Os medicamentos psicotrópicos aumentam o risco, ou é a condição mental em si?

Mimi

Provavelmente ambos. A condição mental causa inflamação sistêmica e compromete a imunidade. Mas os medicamentos também têm efeitos colaterais que aumentam riscos de outras doenças crônicas. Não é um ou outro — é tudo junto.

Mark

Se pessoas com transtornos mentais tinham 50% mais mortalidade, por que não foram priorizadas nas campanhas de vacinação?

Mimi

Essa é a pergunta que deveria ter sido feita em 2020. A resposta honesta é que não havia consenso claro na época, e grupos de risco foram definidos principalmente por idade e imunossupressão. Mas esses dados mostram que a definição era incompleta.

Mark

Qual é o impacto psicológico de descobrir que você está em um grupo de risco que ninguém mencionou?

Mimi

Provavelmente aumenta a ansiedade e o isolamento — exatamente o oposto do que alguém com transtorno mental precisa durante uma pandemia. Há uma sensação de invisibilidade que acompanha estar em risco sem ser reconhecido.

Mark

Esses estudos mudam algo agora, em 2021?

Mimi

Deveriam. Mas mudar sistemas de saúde é lento. O que eles fazem é criar um registro — uma prova de que essa vulnerabilidade existe. Para futuras pandemias, para futuras políticas de saúde pública, esses dados agora estão lá.

  • Pacientes com diagnósticos psiquiátricos hospitalizados por covid-19 morreram em taxas 50% mais altas do que aqueles sem transtornos mentais, segundo análise de cinco hospitais americanos em 2020.
  • A condição mental em si já reduz a expectativa de vida em até uma década — e a covid-19 chegou para amplificar esse abismo de forma dramática.
  • Transtornos psiquiátricos podem intensificar a inflamação sistêmica e enfraquecer o sistema imunológico, criando exatamente o terreno que torna a covid-19 mais letal.
  • Os próprios medicamentos usados para tratar doenças mentais elevam o risco de hipertensão, diabetes e problemas cardiovasculares — comorbidades que agravam ainda mais a infecção.
  • Apesar desse risco comparável ou superior ao de outros grupos prioritários, pessoas com transtornos mentais foram amplamente ignoradas nos protocolos de proteção durante a pandemia.

Em meio à pandemia de covid-19, enquanto o olhar coletivo se voltava para idosos e imunossuprimidos, uma vulnerabilidade menos visível permanecia à sombra: pessoas com transtornos mentais morriam da doença em proporções 50% maiores do que a população geral. Pesquisadores norte-americanos revelaram que essa mortalidade elevada não decorre de um único fator, mas de uma confluência silenciosa — inflamação sistêmica, comprometimento imunológico, medicamentos psicotrópicos e comorbidades crônicas que se acumulam ao longo de uma vida inteira de adoecimento. O que esses estudos nos pedem é uma revisão profunda de quem consideramos vulnerável, e por quê.

Durante a pandemia de covid-19, idosos e imunossuprimidos dominaram o debate sobre grupos de risco. Mas pesquisadores norte-americanos trouxeram à tona uma realidade que merecia igual atenção: pessoas com transtornos mentais morriam da doença em taxas 50% mais elevadas do que a população geral.

Em setembro de 2020, um estudo com registros de cinco hospitais nos Estados Unidos confirmou esse dado alarmante. Transtornos psiquiátricos já estão associados a uma redução de até uma década na expectativa de vida — e a covid-19 parecia intensificar esse risco de forma desproporcional. A hipótese levantada pelos pesquisadores aponta para uma combinação de fatores: essas condições podem aumentar a inflamação sistêmica e comprometer o sistema imunológico, dois mecanismos centrais na gravidade da doença. Os medicamentos psicotrópicos, por sua vez, também foram associados a maior risco de morte durante a infecção.

Meses depois, pesquisadores do National Institute on Drug Abuse acrescentaram outra camada ao problema: pessoas com histórico de transtorno mental também tinham maior probabilidade de contrair covid-19. Isso não era coincidência — muitos dos medicamentos prescritos para essas condições favorecem o desenvolvimento de hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares, comorbidades que já sabemos tornar a covid-19 mais perigosa.

O que emerge é um quadro de vulnerabilidade em camadas: a condição mental, os medicamentos necessários para tratá-la, as comorbidades associadas e a inflamação sistêmica resultante. Quando a covid-19 chegou, encontrou um terreno particularmente fértil. Esses dados lançam uma pergunta incômoda sobre como os sistemas de saúde pública definiram prioridades durante a pandemia — e sugerem que, em crises futuras, saúde mental e saúde física precisam ser tratadas como o que sempre foram: inseparáveis.

Durante a pandemia de covid-19, muito se discutiu sobre quem corria maior risco de desenvolver formas graves da doença. Os idosos e imunossuprimidos receberam atenção constante. Mas pesquisadores norte-americanos descobriram algo que merecia estar no centro dessa conversa: pessoas com transtornos mentais morriam de covid-19 em taxas significativamente mais altas do que a população geral.

Em setembro de 2020, um grupo de pesquisadores examinou registros de cinco hospitais nos Estados Unidos, focando em pacientes internados com covid-19 que também tinham diagnósticos psiquiátricos. Os números foram alarmantes. A mortalidade entre esses pacientes era 50% mais elevada do que entre aqueles sem transtornos mentais. O estudo observou que transtornos psiquiátricos já estão associados a uma redução na expectativa de vida de até uma década — e a covid-19 parecia amplificar esse risco de forma dramática.

Mas por quê? Os pesquisadores ainda não tinham uma resposta definitiva, mas levantaram uma teoria plausível. Transtornos mentais podem aumentar a inflamação sistêmica no corpo e prejudicar o funcionamento do sistema imunológico — exatamente os mecanismos que tornam a covid-19 mais letal. Além disso, os medicamentos psicotrópicos usados para tratar essas condições também podem estar associados a um risco elevado de morte quando a infecção por covid-19 ocorre. Não se trata de um único fator, mas de uma confluência de vulnerabilidades biológicas.

Meses depois, em outubro de 2020, pesquisadores do National Institute on Drug Abuse chegaram a uma conclusão complementar: pessoas com histórico de transtorno mental tinham uma probabilidade maior de contrair covid-19 em primeiro lugar. Isso não era coincidência. Muitos dos medicamentos prescritos para doenças mentais aumentam o risco de problemas crônicos de saúde — hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares — condições que já sabemos tornar a covid-19 mais perigosa. Esses pacientes começavam a pandemia em desvantagem biológica.

O que emerge desses estudos é um quadro de vulnerabilidade em camadas. Não é apenas que pessoas com transtornos mentais pegassem covid-19 com mais frequência, ou que morressem dela em maiores proporções. É que elas enfrentavam uma convergência de fatores de risco: a própria condição mental, os medicamentos necessários para tratá-la, as comorbidades crônicas que frequentemente acompanham esses transtornos, e a inflamação sistêmica que pode resultar. Quando a covid-19 chegou, encontrou um terreno particularmente fértil.

Essas descobertas levantam questões importantes sobre como os sistemas de saúde pública priorizaram grupos de risco durante a pandemia. Pessoas com transtornos mentais não receberam a mesma atenção que idosos ou imunossuprimidos, apesar de enfrentarem um risco comparável ou superior. À medida que o mundo continua a lidar com a covid-19 e se prepara para futuras crises de saúde, esses dados sugerem que protocolos de proteção precisam ser mais abrangentes — e que a saúde mental não pode ser separada da saúde física quando se trata de vulnerabilidade a doenças infecciosas graves.

Os transtornos psiquiátricos estão associados a uma expectativa de vida até dez anos mais curta. Há uma preocupação de que a comorbidade psiquiátrica possa aumentar a mortalidade relacionada à covid-19
— Estudo de pesquisadores norte-americanos, setembro de 2020
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