Na manhã de um sábado de novembro, um tornado de categoria F3 atravessou o interior do Paraná com ventos de 250 km/h, apagando quase por completo a cidade de Rio Bonito do Iguaçu e cobrando seis vidas. O desastre lembra que a natureza, quando se impõe, não distingue o cotidiano do extraordinário — e que a reconstrução de uma comunidade exige muito mais do que tijolos e concreto. Diante da devastação, o poder público federal e estadual mobilizou equipes para sustentar o que restou e reerguer o que foi perdido, enquanto o frio que se aproxima adiciona urgência a cada hora.
Tornado F3 deixa 6 mortos e 750 feridos no Paraná; Rio Bonito do Iguaçu tem 90% destruída
A cidade está praticamente destruída
Por que um tornado F3 causa tanta destruição em comparação com outras categorias?
A velocidade é tudo. Duzentos e cinquenta quilômetros por hora não é apenas vento forte — é uma força que arranca estruturas do chão, que transforma edifícios em pó. Rio Bonito do Iguaçu perdeu 90% de sua área urbana. Não é um bairro, é uma cidade inteira.
Como uma cidade se recupera de algo assim?
Lentamente. Primeiro vem o atendimento de emergência — os feridos, os desabrigados. Depois vem o levantamento dos danos, que é quando você realmente entende o que perdeu. Linhas de crédito ajudam, mas reconstruir infraestrutura de saúde, casas, comércios — isso leva anos.
O frio que se aproxima muda algo?
Muda tudo para quem está na rua. Vinte e oito pessoas desabrigadas, mil desalojadas. Onze graus no domingo não é brincadeira quando você não tem teto. É por isso que as equipes federais precisam chegar rápido.
Você acha que as pessoas esperavam por isso?
Ninguém espera por um tornado. Mas depois que passa, você percebe que a vida que tinha — a rotina, a casa, o trabalho — desapareceu em minutos. O que fica é a necessidade de reconstruir do zero.
E os que morreram?
Seis pessoas. Números frios em um relatório. Mas cada uma delas era alguém que acordou naquele sábado sem saber que era o último dia.
The Pulse
- Ventos de 250 km/h varreram municípios paranaenses em questão de minutos, matando seis pessoas e enviando 750 feridos às unidades de saúde da região.
- Rio Bonito do Iguaçu teve 90% de sua área urbana destruída, com hospitais colapsados e apenas um centro de saúde funcionando graças a uma força-tarefa emergencial.
- Cerca de 10 mil pessoas foram impactadas, entre elas mil desalojadas e 28 completamente desabrigadas — números que ainda cresciam conforme as equipes avançavam pelos escombros.
- O governo federal enviou equipes da Defesa Civil Nacional e da Força Nacional do SUS, lideradas pela ministra Gleisi Hoffmann, para reativar serviços e oferecer apoio psicossocial.
- Uma massa de ar frio se aproxima da região, com temperaturas podendo cair a 11°C no domingo, agravando a situação de quem já perdeu teto e infraestrutura básica.
Na manhã de um sábado de novembro, um tornado de categoria F3 atravessou o interior do Paraná com ventos de 250 km/h, apagando quase por completo a cidade de Rio Bonito do Iguaçu e cobrando seis vidas. O desastre lembra que a natureza, quando se impõe, não distingue o cotidiano do extraordinário — e que a reconstrução de uma comunidade exige muito mais do que tijolos e concreto. Diante da devastação, o poder público federal e estadual mobilizou equipes para sustentar o que restou e reerguer o que foi perdido, enquanto o frio que se aproxima adiciona urgência a cada hora.
Na manhã de sábado, um tornado F3 com ventos de 250 km/h cruzou cidades do Paraná, transformando vidas cotidianas em escombros. Seis pessoas morreram e 750 buscaram atendimento em unidades de saúde. Rio Bonito do Iguaçu, a cerca de 400 quilômetros de Curitiba, foi o epicentro da devastação: 90% de sua área urbana foi danificada, e a Defesa Civil estimou que dez mil pessoas foram impactadas — 28 desabrigadas e mil desalojadas.
A infraestrutura de saúde do município entrou em colapso. Os feridos foram distribuídos entre hospitais e unidades em cidades vizinhas, como Cascavel e Guarapuava, onde os casos mais graves foram operados. Apenas um centro de saúde em Rio Bonito permaneceu aberto, sustentado por uma força-tarefa de prefeituras da região. O secretário estadual de Saúde classificou a situação como crítica.
O governador Ratinho Júnior esteve na cidade desde as primeiras horas, anunciando parceria com o Crea para mapear os danos e iniciar a reconstrução. O prefeito Sezar Augusto Bovino descreveu uma cidade praticamente destruída e falou em linhas de crédito e apoio setorial — medidas que pareciam modestas diante da escala do desastre.
O presidente Lula anunciou o envio de equipes federais especializadas, incluindo médico sanitarista, enfermeiro e especialista em saúde mental, sob a liderança da ministra Gleisi Hoffmann. A missão: reativar serviços, apoiar a gestão local e oferecer atendimento emergencial. Para além da logística, uma nova ameaça se aproximava — uma massa de ar frio que poderia derrubar as temperaturas a 11°C no domingo, tornando ainda mais urgente cada decisão tomada sobre os escombros.
No sábado pela manhã, um tornado de categoria F3 varreu cidades do Paraná com ventos que atingiram 250 quilômetros por hora, deixando um rastro de morte e destruição que ainda estava sendo contabilizado horas depois. Até o início da tarde, 750 pessoas haviam procurado atendimento em unidades de saúde. Seis morreram. O fenômeno climático transformou em escombros o que era, até então, uma vida cotidiana em comunidades do interior paranaense.
Rio Bonito do Iguaçu, localizada a cerca de 400 quilômetros de Curitiba, foi o município mais atingido. Noventa por cento de sua área urbana foi danificada — uma proporção que revela não um incidente isolado, mas o apagamento de uma cidade. A Defesa Civil estimou que dez mil pessoas foram impactadas pelo tornado. Entre elas, 28 estão desabrigadas e mil foram desalojadas, números que continuavam sendo atualizados conforme as equipes avançavam pela cidade.
Os feridos foram distribuídos entre várias unidades de saúde. A maioria recebeu atendimento em duas unidades hospitalares, uma Unidade Básica de Saúde e uma faculdade em Laranjeiras do Sul. Os casos mais graves foram encaminhados ao Hospital Universitário de Cascavel e ao Hospital Regional de Guarapuava. Quatro pessoas passaram por cirurgia. O secretário de Saúde do Paraná, Beto Preto, descreveu a situação em Rio Bonito do Iguaçu como crítica. As estruturas de saúde estavam colapsadas. Apenas um centro de saúde da cidade permanecia aberto, mantido funcionando por uma força-tarefa que reuniu prefeituras da região.
O governador Ratinho Júnior esteve na cidade desde as primeiras horas do sábado. Ele anunciou uma parceria com o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia para acelerar o levantamento dos danos e iniciar o processo de reconstrução. O prefeito de Rio Bonito do Iguaçu, Sezar Augusto Bovino, falou sobre o cenário que encontrou: a cidade estava praticamente destruída. Ele mencionou planos de oferecer linhas de crédito, apoio para reconstrução e cobertura de prejuízos em diversos setores — medidas que, ainda assim, pareciam pequenas diante da escala da devastação.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o envio de equipes da Defesa Civil Nacional e da Força Nacional do SUS. A comitiva federal seria liderada pela ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e contaria com cinco profissionais especializados: um médico sanitarista, um enfermeiro, um especialista em saúde mental, além de analistas logísticos e assistenciais. Essas equipes trabalhariam para reativar serviços de saúde, apoiar a gestão local e oferecer atendimento psicossocial e médico emergencial.
A meteorologia trouxe uma complicação adicional. Uma massa de ar frio se aproximava do Paraná e de Santa Catarina nos dias seguintes. Em Rio Bonito do Iguaçu, a temperatura variaria entre 13 graus e 22 graus no sábado, podendo cair para 11 graus no domingo. Para uma população já desabrigada e desalojada, para uma cidade sem infraestrutura de saúde funcionando, o frio que se aproximava representava mais um desafio na luta pela sobrevivência.
Notable Quotes
As estruturas de saúde estão todas colapsadas. Apenas um centro de saúde da cidade está aberto.— Beto Preto, secretário de Saúde do Paraná
A cidade está praticamente destruída.— Sezar Augusto Bovino, prefeito de Rio Bonito do Iguaçu