Em um momento em que o câncer colorretal avança silenciosamente entre populações cada vez mais jovens, a Sociedade Americana do Câncer ampliou suas diretrizes para incluir testes de sangue e fezes ao lado da colonoscopia no rastreamento de pessoas a partir dos 45 anos. A mudança reconhece que detectar a doença antes de qualquer sintoma pode dobrar as chances de cura — e que o acesso ao diagnóstico precisa ser mais amplo e menos intimidador. No Brasil, o movimento chega em 2026, quando o SUS incorporará o teste imunoquímico fecal à atenção primária, aproximando milhões de pessoas de uma proteçã
Sociedade Americana do Câncer amplia rastreio colorretal com testes de sangue e fezes
Quando manifesta sintomas, a probabilidade de remissão cai pela metade
Por que a Sociedade Americana do Câncer decidiu incluir testes de sangue e fezes se a colonoscopia já existe há tanto tempo?
Porque a colonoscopia, apesar de ser excelente para remover lesões, é um procedimento que assusta muitas pessoas. O preparo intestinal é rigoroso, exige sedação, e nem todos têm acesso fácil. Os novos testes podem servir como porta de entrada — identificam quem realmente precisa da colonoscopia, aumentando a adesão ao rastreamento.
Mas esses testes de sangue conseguem detectar o câncer tão bem quanto a colonoscopia?
Não. Os testes de DNA tumoral no sangue não identificam lesões pré-cancerígenas e não conseguem removê-las. São complementares, não substitutos. A colonoscopia permanece como padrão de referência porque é o único que faz tudo: detecta, localiza e remove.
Então por que a idade recomendada caiu de 50 para 45 anos?
Porque o câncer colorretal está aumentando em pessoas mais jovens, e a maioria delas não tem predisposição genética. São fatores de estilo de vida — sedentarismo, alimentação ruim, sobrepeso, álcool, tabagismo. Começar mais cedo significa pegar a doença antes que ela cause sintomas, e isso dobra as chances de cura.
E no Brasil, quando isso vai estar disponível para todos?
O SUS começará com o teste FIT em 2026, mas apenas para maiores de 50 anos. Há uma defasagem com as recomendações internacionais, justificada pela falta de consenso global completo. Mas o país também está expandindo a rede de colonoscopias, então é um movimento na direção certa.
Se alguém tem câncer colorretal na família, muda alguma coisa?
Muda bastante. A recomendação é começar dez anos antes da idade em que o parente foi diagnosticado. Se seu pai teve aos 55, você começa aos 45. É uma forma de reconhecer que o risco não é o mesmo para todos.
O Pulso
- O câncer colorretal mata em silêncio: quando os primeiros sintomas aparecem, a probabilidade de cura já caiu pela metade.
- Novos testes de DNA tumoral e sangue oculto nas fezes surgem como alternativas menos invasivas para identificar quem realmente precisa de colonoscopia.
- O aumento de casos em pessoas abaixo dos 50 anos — sem histórico genético — aponta para fatores de estilo de vida como obesidade, sedentarismo e dieta ultraprocessada.
- O Brasil caminha para ampliar o rastreamento pelo SUS em 2026, mas mantém o corte nos 50 anos, enquanto especialistas e sociedades médicas recomendam começar aos 45.
Em um momento em que o câncer colorretal avança silenciosamente entre populações cada vez mais jovens, a Sociedade Americana do Câncer ampliou suas diretrizes para incluir testes de sangue e fezes ao lado da colonoscopia no rastreamento de pessoas a partir dos 45 anos. A mudança reconhece que detectar a doença antes de qualquer sintoma pode dobrar as chances de cura — e que o acesso ao diagnóstico precisa ser mais amplo e menos intimidador. No Brasil, o movimento chega em 2026, quando o SUS incorporará o teste imunoquímico fecal à atenção primária, aproximando milhões de pessoas de uma proteção que antes lhes era distante.
A Sociedade Americana do Câncer atualizou suas diretrizes de rastreamento colorretal, incorporando testes de sangue e fezes à rotina diagnóstica para pessoas entre 45 e 75 anos. A publicação na revista CA: A Cancer Journal for Clinicians marca uma virada: a colonoscopia permanece como padrão de referência — único procedimento capaz de localizar e remover lesões pré-cancerígenas no mesmo momento —, mas os novos exames ganham papel complementar relevante, ajudando a selecionar quem realmente precisa do procedimento mais invasivo.
O argumento central é o tempo. Quando o câncer colorretal já manifesta sintomas como sangue nas fezes ou alterações intestinais, a chance de remissão completa cai pela metade. Detectar antes de qualquer sinal clínico é, portanto, a estratégia mais eficaz. O coloproctologista Sergio Eduardo Araujo, do Einstein Hospital Israelita, chama atenção para um dado preocupante: a maioria dos pacientes diagnosticados antes dos 50 anos não tem predisposição genética. O que os une são hábitos — sobrepeso, álcool, tabagismo, sedentarismo e dieta rica em ultraprocessados.
Para quem tem familiar de primeiro grau diagnosticado com a doença, a recomendação é iniciar o rastreamento dez anos antes da idade do diagnóstico desse parente, ou aos 45 anos, o que vier primeiro — reconhecendo que o risco não é igual para todos.
No Brasil, o movimento internacional encontra eco. O Instituto Nacional de Câncer anunciou em março a criação de um protocolo para o teste imunoquímico fecal (FIT) no SUS, previsto para o segundo semestre de 2026, voltado a homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos. O Ministério da Saúde também planeja expandir a rede de colonoscopias. Há, porém, uma tensão: enquanto sociedades médicas brasileiras e americanas recomendam começar aos 45, o SUS mantém os 50 anos como ponto de entrada, argumentando que o consenso internacional sobre os benefícios da antecipação ainda não é completo.
A Sociedade Americana do Câncer atualizou suas diretrizes de rastreamento do câncer colorretal no final de maio, expandindo as ferramentas disponíveis para detectar a doença em seus estágios iniciais. Além da colonoscopia tradicional, agora recomenda que testes de sangue e fezes integrem a rotina de diagnóstico precoce para pessoas entre 45 e 75 anos. A mudança, publicada na revista científica CA: A Cancer Journal for Clinicians, reflete um esforço crescente para identificar tumores antes que causem sintomas.
A colonoscopia continua sendo o padrão de referência — é o único procedimento que consegue localizar lesões pré-cancerígenas e removê-las no mesmo momento. Mas os novos testes têm um papel complementar importante. Exames de sangue que rastreiam marcadores de DNA tumoral e testes de sangue oculto nas fezes podem ajudar a identificar quem realmente precisa passar pela colonoscopia, reduzindo a carga sobre pacientes que temem o preparo intestinal rigoroso ou a sedação necessária para o procedimento. Segundo Sergio Eduardo Araujo, coloproctologista e diretor médico da Rede Cirúrgica do Einstein Hospital Israelita, a Sociedade Americana do Câncer demonstra novamente seu pioneirismo ao ampliar as opções de rastreamento além da colonoscopia tradicional.
O timing do diagnóstico é crítico. Quando o câncer colorretal já apresenta sintomas — sangue nas fezes, alterações no funcionamento intestinal — a chance de remissão completa cai pela metade. Por isso, detectar a doença antes de qualquer manifestação clínica é a estratégia central para aumentar as chances de cura. Araujo alerta que é preciso ampliar o alcance do rastreamento, especialmente entre pessoas mais jovens, porque a maioria dos pacientes com câncer colorretal antes dos 50 anos não possui predisposição genética. Fatores ambientais e de estilo de vida — sobrepeso, consumo de álcool, tabagismo, sedentarismo e dieta rica em ultraprocessados e gordura saturada — estão por trás do aumento de casos em idades mais precoces.
Para quem tem histórico familiar da doença, a vigilância deve começar ainda mais cedo. A recomendação é iniciar o rastreamento dez anos antes da idade em que um parente de primeiro grau foi diagnosticado, ou aos 45 anos, o que ocorrer primeiro. Essa abordagem reconhece que o risco não é uniforme e que alguns grupos precisam de proteção mais agressiva.
No Brasil, essas mudanças internacionais estão gerando movimento. Em março, o Instituto Nacional de Câncer anunciou a criação de um protocolo ampliado para o teste imunoquímico fecal (FIT), que rastreia sangue oculto nas fezes. A partir do segundo semestre de 2026, o teste integrará a cobertura da atenção primária do Sistema Único de Saúde para homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos. O Ministério da Saúde também planeja expandir a rede de colonoscopias disponíveis no país. Há, porém, uma diferença de idade entre as recomendações: enquanto a Sociedade Americana do Câncer e as sociedades brasileiras de Cirurgia Oncológica e Coloproctologia recomendam começar aos 45 anos, o SUS mantém 50 anos como ponto de partida, justificando que ainda não há consenso internacional completo sobre os benefícios de antecipar o rastreamento.
Citações Notáveis
A ACS foi pioneira na modificação da faixa etária de início do rastreamento e agora mostra seu pioneirismo de novo ao reforçar o papel de outros testes além da colonoscopia— Sergio Eduardo Araujo, coloproctologista e diretor médico da Rede Cirúrgica do Einstein Hospital Israelita
Temos de ampliar o alcance do rastreamento, especialmente na população jovem. A maioria dos pacientes jovens com câncer colorretal não possui predisposição genética para a doença— Sergio Eduardo Araujo