Rio das Ostras reforça atendimento especializado a mulheres vítimas de violência

Mulheres vítimas de violência recebem atendimento especializado e integrado para proteção, acolhimento e recuperação física e psicológica.
A vergonha precisa mudar de lado, não recair sobre a vítima
Princípio que orienta o atendimento especializado oferecido pela Sala Lilás em Rio das Ostras.
Mark

Por que a Sala Lilás precisa funcionar 24 horas? Não seria suficiente horário comercial?

Mimi

Violência não marca hora. Uma mulher pode chegar à madrugada, ferida, em pânico. Se a porta estiver fechada, ela volta para casa ou desiste de buscar ajuda. Funcionar 24 horas significa estar lá quando ela consegue coragem de sair.

Mark

E por que colocar tudo isso dentro do hospital, em vez de criar um espaço separado?

Mimi

Porque no hospital você coleta evidências médicas corretamente, faz exames, notifica as autoridades — tudo que a lei exige. Mas também porque evita que ela tenha que contar sua história cinco vezes em cinco lugares diferentes. Uma mulher que acabou de sofrer violência não tem energia para isso.

Mark

Essa história de "a vergonha precisa mudar de lado" — é só uma frase bonita ou muda algo na prática?

Mimi

Muda tudo. Se o profissional acredita que a vítima tem culpa, ele atende com frieza, com desconfiança. Se ele acredita que a vergonha é do agressor, ele acolhe. Treinar profissionais nessa perspectiva não é detalhe — é o fundamento.

Mark

E depois que ela sai da Sala Lilás? O acompanhamento continua?

Mimi

Sim. Ela é encaminhada para saúde mental, para a unidade de saúde da família, para o serviço de saúde da mulher — depende do que ela precisa. Não é abandono após o atendimento inicial. É continuidade.

Mark

Como o município consegue integrar tantos serviços diferentes — saúde, assistência social, polícia, justiça?

Mimi

Não é fácil. Mas quando uma mulher chega com violência sexual, por exemplo, ela não pode esperar que saúde e polícia se entendam depois. Eles precisam estar coordenados desde o primeiro momento. A integração é exigência da realidade, não luxo administrativo.

  • A violência doméstica continua sendo uma emergência silenciosa, e Rio das Ostras responde com um espaço especializado disponível 24 horas para receber mulheres no momento mais vulnerável de suas vidas.
  • A Sala Lilás elimina o obstáculo cruel de obrigar vítimas a percorrer múltiplas instituições logo após o trauma, concentrando atendimento médico, psicológico e social em um único ambiente seguro.
  • O fluxo de atendimento é estruturado por protocolos claros — com rotas distintas para menores de idade, casos de violência sexual recente e situações que ultrapassam as 72 horas críticas.
  • A campanha Agosto Lilás ancora-se em um princípio ético explícito: inspirada na coragem da francesa Gisèle Pelicot, a prefeitura treina seus profissionais para que a vergonha mude de lado.
  • A integração entre Saúde, Assistência Social, Segurança Pública e órgãos de Justiça sinaliza que a proteção às mulheres está sendo construída como política de Estado, não como ação isolada.

Em agosto, mês que marca duas décadas da Lei Maria da Penha, Rio das Ostras reafirma seu compromisso com a dignidade das mulheres ao ampliar e divulgar a Sala Lilás — um espaço de acolhimento integrado que funciona ininterruptamente no Hospital Municipal. A iniciativa reconhece que a violência de gênero exige não apenas cuidado médico, mas uma resposta humana, coordenada e sem julgamentos. No horizonte dessa política pública está uma inversão simbólica necessária: que a vergonha recaia sobre quem agride, e não sobre quem sobrevive.

Rio das Ostras mobiliza o mês de agosto para reforçar seus serviços de proteção a mulheres em situação de violência, aproveitando a campanha Agosto Lilás e os 20 anos da Lei Maria da Penha para dar visibilidade a um equipamento inaugurado no ano passado: a Sala Lilás, instalada dentro do Hospital Municipal.

O espaço funciona 24 horas por dia e foi concebido para romper com a lógica fragmentada que obriga vítimas a se deslocar entre instituições logo após o trauma. Quando uma mulher chega relatando violência em qualquer unidade da rede municipal, ela é acolhida, classificada quanto ao risco, notificada no sistema oficial e encaminhada à Sala Lilás, onde uma equipe treinada coleta evidências, realiza exames e aciona os órgãos competentes — tudo em ambiente seguro e sem julgamentos.

O fluxo prevê caminhos distintos conforme cada situação: menores são direcionadas ao núcleo especializado em crianças e adolescentes; casos de violência sexual dentro das 72 horas recebem avaliação clínica e acompanhamento multiprofissional; situações além desse prazo seguem para o Núcleo de Atenção e Vigilância das Violências. Todas as vítimas têm continuidade de cuidado na Atenção Primária.

A subsecretária Deiva Motta ancora a iniciativa em um princípio ético inspirado na francesa Gisèle Pelicot: a vergonha deve mudar de lado, recaindo sobre o agressor, nunca sobre a vítima. Esse valor orienta tanto a qualificação dos profissionais quanto a articulação do município com Assistência Social, Segurança Pública, polícias, Justiça e Conselho Tutelar — uma rede que busca garantir proteção integral, muito além do atendimento médico.

Rio das Ostras está reforçando seus serviços de atendimento a mulheres vítimas de violência durante a campanha Agosto Lilás, que marca este mês como período de conscientização e enfrentamento da violência de gênero. O município abraça a iniciativa nacional em alusão aos 20 anos da Lei Maria da Penha, legislação que desde 2006 estabelece mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra mulheres.

No centro dessa resposta municipal está a Sala Lilás, um espaço especializado inaugurado em setembro do ano passado dentro do Hospital Municipal. Diferentemente de modelos fragmentados de atendimento, a Sala funciona 24 horas por dia como um ambiente integrado onde mulheres em situação de violência recebem cuidado médico, psicológico e social em um único local. A equipe é treinada para acolher as vítimas com sensibilidade e sem julgamentos, reconhecendo o momento de fragilidade em que chegam.

O espaço foi pensado para evitar que mulheres precisem se deslocar entre várias instituições logo após sofrer violência. Quando uma mulher chega ao Hospital Municipal, à UPA 24 horas ou a qualquer outra unidade da rede municipal de saúde relatando violência, ela é acolhida, passa por classificação de risco, tem seu caso notificado no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinam) e é encaminhada à Sala Lilás. Ali, os profissionais coletam evidências médicas adequadamente, realizam exames necessários e garantem que a notificação chegue aos órgãos competentes conforme exigido por lei.

A subsecretária de Atenção Especializada de Saúde, Deiva Motta, situa essa abordagem em um princípio ético claro: a vergonha não deve recair sobre quem sofre violência, mas sobre quem a pratica. Ela cita a francesa Gisèle Pelicot, símbolo de coragem ao expor publicamente a violência que sofreu, e sua frase "a vergonha precisa mudar de lado" como orientadora da qualificação oferecida aos profissionais de saúde e da prefeitura em geral.

O fluxo de atendimento foi estruturado para responder a diferentes situações. Mulheres menores de idade são encaminhadas ao Núcleo de Atenção à Saúde da Criança e do Adolescente. Nos casos de violência sexual ocorrida nas últimas 72 horas, há encaminhamento ao Serviço de Atendimento Especializado para avaliação clínica e acompanhamento multiprofissional. Quando a mulher chega após esse período, ela é direcionada ao Núcleo de Atenção e Vigilância das Violências e depois aos serviços apropriados. Todas as vítimas recebem seguimento na Atenção Primária em Saúde conforme suas necessidades específicas.

O modelo adotado por Rio das Ostras integra a Secretaria de Saúde com as secretarias de Assistência Social e Segurança Pública, além de contar com apoio de polícias, órgãos de Justiça e Conselho Tutelar. Essa articulação entre serviços públicos busca garantir que a proteção e o acolhimento às mulheres não fiquem restritos ao atendimento médico, mas se estendam aos aspectos sociais, jurídicos e de segurança que cada situação demanda.

A vergonha e a culpa nunca devem recair sobre a vítima e sim sobre quem pratica a violência
— Deiva Motta, subsecretária de Atenção Especializada de Saúde
Quieres la nota completa? Lee el original en G1 ↗
Contáctanos FAQ