Em Ribeirão Preto, uma bebê prematura chamada Serena morreu dois dias após sofrer uma lesão cerebral de sete centímetros causada por bisturi durante uma cesárea de emergência. O caso levanta questões que atravessam o tempo: sobre a fragilidade da vida que ainda não chegou a se firmar no mundo, sobre a responsabilidade de quem detém o bisturi e o conhecimento, e sobre o direito de uma mãe de saber a verdade sobre o que aconteceu com sua filha. Enquanto investigações policiais e internas avançam, o luto de uma jovem de vinte anos permanece como testemunho silencioso de uma falha que o laudo médi
Relatório aponta lesão de 7 cm no cérebro de bebê morta após corte em cesárea
Disseram que estava bem, que havia perdido sangue, que foi a pinça
Como uma lesão tão profunda pode ocorrer durante um parto cesáreo de rotina?
Não era rotina — era uma emergência. A mãe estava com apenas vinte e sete semanas de gravidez, e o bebê apresentava bradicardia fetal. Quando você está operando rápido, em situação de urgência, com um bebê tão pequeno, as margens de erro diminuem drasticamente. Mas sete centímetros é uma profundidade significativa.
A mãe disse que lhe contaram uma história diferente. Por quê?
Essa é a pergunta que a investigação precisa responder. Ela foi informada de que a lesão havia sido causada por uma pinça, não por um bisturi. Ou a equipe não sabia exatamente o que havia acontecido, ou escolheu não contar a verdade completa. Ambas as possibilidades são preocupantes.
Qual é o impacto de uma lesão assim no cérebro de um recém-nascido?
Devastador. Você está falando de penetração em cinco camadas de proteção, incluindo o próprio tecido cerebral. A hemorragia intracraniana que se seguiu foi fatal. Uma criança maior talvez tivesse mais recursos fisiológicos para sobreviver, mas um bebê prematuro de vinte e sete semanas não tinha essa margem.
O que acontece agora?
Investigação. A polícia está envolvida, o hospital abriu uma apuração interna, e o Instituto Médico Legal vai emitir um laudo oficial. A mãe tem direito a respostas sobre como isso aconteceu e por que não foi informada adequadamente.
Der Puls
- Uma bebê de 27 semanas nasceu com uma ferida de sete centímetros penetrando cinco camadas do crânio — lesão que destruiu tecido cerebral e desencadeou hemorragia intracraniana fatal.
- A mãe passou dois dias acreditando que a filha havia sofrido apenas um pequeno ferimento por pinça e perda de sangue, sem saber da gravidade real documentada no relatório médico.
- Serena foi submetida a múltiplos procedimentos de emergência após o nascimento, mas a progressão da hemorragia era irreversível — ela morreu na manhã de quinta-feira.
- O caso foi registrado na polícia e o Hospital das Clínicas abriu apuração interna, enquanto o IML ainda deve emitir laudo oficial sobre as causas da morte.
- As perguntas centrais — como o bisturi atingiu o crânio da bebê e por que a mãe não foi informada corretamente — seguem sem resposta oficial.
Em Ribeirão Preto, uma bebê prematura chamada Serena morreu dois dias após sofrer uma lesão cerebral de sete centímetros causada por bisturi durante uma cesárea de emergência. O caso levanta questões que atravessam o tempo: sobre a fragilidade da vida que ainda não chegou a se firmar no mundo, sobre a responsabilidade de quem detém o bisturi e o conhecimento, e sobre o direito de uma mãe de saber a verdade sobre o que aconteceu com sua filha. Enquanto investigações policiais e internas avançam, o luto de uma jovem de vinte anos permanece como testemunho silencioso de uma falha que o laudo médico já começou a nomear.
Uma mãe de vinte anos chegou ao Hospital das Clínicas da USP de Ribeirão Preto com vinte e sete semanas de gravidez e o coração da filha batendo perigosamente devagar. A cesárea de emergência era necessária. Dois dias depois, Serena estava morta.
O relatório médico solicitado pela Polícia Militar revelou o que havia ocorrido na sala de cirurgia: um bisturi penetrou sete centímetros na cabeça da recém-nascida prematura, atravessando pelo menos cinco camadas de proteção craniana — do pericrânio até o córtex temporal direito, a própria massa encefálica. Houve perda de tecido cerebral. A hemorragia intracraniana que se seguiu era inevitável e, para uma bebê tão pequena, fatal.
O que agrava o caso é o relato da mãe sobre o que lhe foi dito após o parto. Segundo ela, a equipe médica informou apenas que a menina havia perdido sangue e sofrido um ferimento por pinça — sem mencionar o bisturi, sem mencionar a lesão cerebral. A jovem passou aqueles dois dias acreditando em uma versão dos fatos que não correspondia ao que o documento médico posteriormente registraria.
Serena foi submetida a vários procedimentos na tentativa de salvá-la. Nenhum funcionou. O Hospital das Clínicas instaurou apuração interna e lamentou o ocorrido. O caso foi registrado na polícia, e o IML ainda emitirá laudo oficial. O que exatamente aconteceu na sala de cirurgia — e por que a mãe não foi informada — permanece em aberto.
Uma mãe de vinte anos entrou em uma sala de cirurgia na terça-feira com vinte e sete semanas de gravidez. Seu bebê apresentava bradicardia fetal — o coração batia muito lentamente — e a cesárea de emergência era necessária. Dois dias depois, na manhã de quinta-feira, sua filha Serena estava morta.
O relatório médico do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, solicitado pela Polícia Militar, revelou o que havia acontecido durante aqueles minutos na sala de cirurgia. Um bisturi havia penetrado profundamente na cabeça da bebê prematura — sete centímetros de profundidade, segundo o documento ao qual a reportagem teve acesso. Não foi um corte superficial. A lâmina atravessou pelo menos cinco camadas distintas de proteção craniana: o pericrânio, que reveste o osso do crânio; o músculo temporal; a fontanela esfenoidal, uma das "moleiras" onde os ossos ainda não se haviam soldado; a duramáter, a membrana mais espessa que funciona como escudo para o cérebro; e finalmente o córtex temporal direito, a própria massa encefálica. Houve perda de tecido cerebral. A hemorragia intracraniana que se seguiu foi inevitável e, para uma bebê tão pequena, fatal.
O que torna este caso ainda mais complexo é o que a mãe diz ter ocorrido após o nascimento. Ela afirma que a equipe médica não lhe informou a gravidade real do que havia acontecido. Segundo seu relato, disseram-lhe que a menina estava bem, que havia perdido um pouco de sangue, que seria necessário fazer alguns exames — e que o ferimento havia sido causado por uma pinça. Nenhuma menção a um bisturi. Nenhuma menção a uma lesão de sete centímetros penetrando o cérebro. A jovem mãe passou aqueles dois dias acreditando em uma versão dos fatos que não correspondia ao que o relatório médico posteriormente documentaria.
Serena foi submetida a vários procedimentos médicos imediatamente após o nascimento, na tentativa de salvá-la. Nada funcionou. A progressão da hemorragia intracraniana era irreversível. Ela morreu na manhã de quinta-feira, dois dias após sofrer a lesão.
O Hospital das Clínicas Campus emitiu um comunicado lamentando o ocorrido e informando que havia instaurado uma apuração interna para esclarecer as circunstâncias do atendimento. A Secretaria de Segurança Pública registrou o caso na Central de Polícia Judiciária de Ribeirão Preto, e o terceiro distrito policial foi designado para investigar. O Instituto Médico Legal ainda deve emitir um laudo oficial sobre as causas da morte. O caso segue em investigação, e as questões sobre o que exatamente ocorreu na sala de cirurgia, como o ferimento foi causado e por que as informações foram comunicadas de forma incompleta à mãe permanecem em aberto.
Bemerkenswerte Zitate
Eles ocultaram um pouco as informações pra mim. Falaram que ela estava bem, que ela havia perdido um pouquinho de sangue e que ia ter que fazer alguns exames nela e que foi a pinça que machucou ela— Mãe da bebê Serena