Piauí encerra 2020 com 143 mil casos de covid-19 e quase 3 mil mortes

Quase 3 mil piauienses morreram por covid-19 em 2020, incluindo o prefeito de São José do Divino, Antônio Nonato Lima Gomes, primeira vítima fatal do estado em 28 de março.
Todos os 224 municípios registraram casos; 200 deles tiveram mortes
O alcance da pandemia no Piauí foi total, atingindo 89,3% dos municípios com óbitos.
Mark

Como um estado inteiro vivencia o primeiro ano de uma pandemia? O que muda quando passa de zero para 143 mil casos?

Mimi

Muda tudo. Você começa com três casos em março e acha que é controlável. Depois vê julho chegar com 30 mil casos em um mês. As pessoas que você conhece começam a morrer. O prefeito de uma cidade pequena é a primeira vítima — isso não é abstrato, é alguém que assinava documentos, que tinha rosto.

Mark

O pico em julho foi brutal. Mas por que agosto começou a ceder?

Mimi

Não sabemos ao certo. Pode ter sido o isolamento que finalmente pegou, as pessoas tendo mais cuidado, ou simplesmente o padrão natural de uma onda de infecção. Mas o importante é que a curva caiu — agosto, setembro, outubro, todos menores que julho.

Mark

E então dezembro sobe de novo. Por quê?

Mimi

Eleições em novembro, festas de final de ano, pessoas relaxando a guarda. É sempre assim — quando você acha que está controlando, a vida retorna e as pessoas voltam a se encontrar.

Mark

Mas as mortes em dezembro foram menos que em novembro, mesmo com mais casos.

Mimi

Exatamente. Talvez porque aprendemos a tratar melhor, talvez porque os mais vulneráveis já tinham sido infectados. Ou talvez seja apenas sorte. O vírus não segue lógica perfeita.

Mark

E os 139 mil recuperados? Isso não é uma história de esperança?

Mimi

É. A maioria das pessoas que pegou covid no Piauí sobreviveu. Mas 3 mil mortes em um estado não é um número pequeno. Cada uma delas é alguém que deixou de existir.

  • O mês de julho representou o momento mais sombrio da pandemia no Piauí, com 30 mil casos e 668 mortes em apenas 30 dias — números que revelaram a fragilidade do sistema diante de uma doença em plena expansão.
  • A doença avançou sem respeitar fronteiras internas: 200 dos 224 municípios piauienses registraram óbitos, tornando a pandemia uma tragédia coletiva e não apenas urbana.
  • Dezembro trouxe novo alerta — as festividades e as eleições impulsionaram os casos acima dos de novembro, sinalizando que o relaxamento social tinha consequências imediatas e mensuráveis.
  • Apesar da alta de casos em dezembro, as mortes não acompanharam o mesmo ritmo, sugerindo que o estado aprendeu, ao longo do ano, a tratar melhor os pacientes graves.
  • Com 139.938 pessoas recuperadas ou em acompanhamento e 80% dos casos classificados como leves ou assintomáticos, o Piauí encerrou 2020 entre a dor dos que perdeu e o alívio dos que resistiram.

O Piauí despediu-se de 2020 carregando o peso de 143 mil infectados e quase 3 mil mortes por covid-19 — uma pandemia que não poupou nenhum dos seus 224 municípios e que começou a cobrar sua primeira vida ainda em março, com a morte de um prefeito do interior. Entre picos devastadores e lentas recuperações, o estado encerrou o ano com a consciência de que a crise ainda não havia terminado, mas também com a esperança frágil de quem sobreviveu a um tempo sem precedentes.

O Piauí chegou ao fim de 2020 com mais de 143 mil casos confirmados de covid-19 e quase 3 mil mortes — números que marcaram cada canto do estado. Todos os 224 municípios registraram infecções, e em 200 deles houve óbitos, o equivalente a 89,3% do território piauiense.

Os primeiros sinais surgiram em março: três casos confirmados no dia 19 e, nove dias depois, a primeira morte. O prefeito de São José do Divino, Antônio Nonato Lima Gomes, o Antônio Felícia, tinha 57 anos quando faleceu em Piracuruca com falta de ar intensa. Ele se tornaria o símbolo inaugural de uma tragédia que ainda estava por vir.

A escalada foi rápida e implacável. De 18 casos em março, o estado saltou para 582 em abril, 4.519 em maio e mais de 16 mil em junho. Julho foi o auge: 30 mil casos e 668 mortes em um único mês. A partir de agosto, a curva começou a ceder gradualmente, chegando a 14.140 casos em novembro — o mês mais tranquilo desde o pico.

Mas dezembro trouxe novo alerta. Com três dias ainda por vencer, o mês já havia superado novembro em infectados, totalizando 15.493 casos. As mortes, porém, não acompanharam essa alta — encerraram em 206 óbitos, menos do que no mês anterior. Nas últimas 24 horas do ano, foram registrados 507 novos casos e três mortes: dois homens, de Amarante e Guadalupe, e uma mulher de 90 anos de Várzea Branca.

Apesar do saldo trágico, a maioria dos piauienses que contraíram o vírus conseguiu se recuperar. Cerca de 139.938 pessoas já estavam recuperadas ou em acompanhamento, e 80% dos casos foram classificados como leves ou assintomáticos. O estado encerrou o ano com 401 leitos ocupados e a certeza de que os desafios seguintes ainda estavam por vir.

O Piauí encerrou 2020 sob o peso de números que marcaram profundamente o estado. Ao virar o ano, a contagem oficial apontava para mais de 143 mil pessoas infectadas pelo novo coronavírus e quase 3 mil mortes. A doença havia tocado cada canto do estado — todos os 224 municípios registraram casos, e em 200 deles houve óbitos, o que representa 89,3% do território piauiense.

Os primeiros sinais chegaram em março. No dia 19, três casos foram confirmados. Uma semana depois, no dia 28, veio a primeira morte. O prefeito de São José do Divino, Antônio Nonato Lima Gomes, conhecido como Antônio Felícia, tinha 57 anos quando morreu no Hospital Dr. José Brito Magalhães, em Piracuruca, após dar entrada com falta de ar intensa. Ele seria a primeira vítima fatal da pandemia no estado.

O que se seguiu foi uma escalada vertiginosa. Março terminou com apenas 18 casos, mas abril saltou para 582. Maio chegou a 4.519. Junho ultrapassou 16 mil. Julho foi o mês do pico — o Piauí registrou mais de 30 mil casos em um único mês, um recorde que marcaria o auge da crise. As mortes também atingiram seu ponto máximo naquele mês: 668 óbitos.

A partir de agosto, a curva começou a ceder. Agosto registrou 25.401 casos, setembro caiu para 18.990, outubro para 16.697. Novembro foi o mês mais tranquilo desde o pico, com 14.140 casos. Mas as eleições e as festividades de final de ano trouxeram novo alerta. Dezembro, com apenas três dias faltando para terminar, já havia superado novembro em número de infectados, totalizando 15.493 casos. As mortes, porém, não acompanharam essa alta — dezembro encerrou com 206 óbitos, menos que novembro.

Nos últimos 24 horas de 2020, a Secretaria de Saúde do Piauí registrou 507 novos casos e três mortes. Entre os infectados, 289 eram mulheres e 218 homens, com idades variando de um a 91 anos. Os que não resistiram eram dois homens — um de 63 anos de Amarante e outro de 86 anos de Guadalupe, este sem comorbidades — e uma mulher de 90 anos de Várzea Branca.

Apesar do saldo trágico, a maioria dos piauienses que contraíram o vírus conseguiu se recuperar. A Secretaria de Saúde estimava que aproximadamente 139.938 pessoas já estavam recuperadas ou em acompanhamento, sem necessidade de internação ou evolução para morte. Nos leitos destinados ao tratamento, 401 estavam ocupados no último dia do ano — 243 clínicos, 155 em UTI e três de estabilização. As altas acumuladas somavam 7.545.

A pandemia de 2020 deixou o Piauí marcado por uma doença que afetou indistintamente ricos e pobres, cidades grandes e pequenas. O estado encerrou o ano com a esperança de que a recuperação continuasse seu curso, mas também com a certeza de que os próximos meses ainda trariam desafios.

O prefeito de São José do Divino, Antônio Nonato Lima Gomes, foi a primeira vítima fatal da pandemia no Piauí, morrendo no dia 28 de março aos 57 anos
— Secretaria de Saúde do Piauí
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