Nos consultórios de neurologia, um número crescente de diagnósticos de esclerose múltipla convida a uma reflexão sobre o que mudou — não apenas nos corpos humanos, mas nos hábitos e nas ferramentas com que a medicina os observa. A neurologista Heloisa Cohim, do Hospital Mater Dei, aponta que obesidade, tabagismo e o uso de vapes criam condições ambientais propícias ao surgimento da doença, enquanto diagnósticos mais precisos revelam casos que antes permaneciam invisíveis. É um fenômeno duplo: o mundo adoece de novas formas e, ao mesmo tempo, aprende a enxergar melhor o que sempre esteve lá.
Obesidade e tabagismo impulsionam aumento de casos de esclerose múltipla
Pessoas que não usariam cigarro estão usando vape
A neurologista menciona vários fatores — obesidade, tabagismo, vape — como se fossem igualmente importantes. Há alguma evidência de qual deles pesa mais?
Ela não hierarquiza. O que fica claro é que são fatores ambientais que, juntos, parecem criar um cenário mais favorável ao surgimento da doença. Mas a entrevista não detalha o peso relativo de cada um.
Exatamente. Ela diz que "fatores ambientais são muito importantes", mas não oferece dados sobre qual fator específico tem maior impacto. Isso é uma limitação real da reportagem — estamos ouvindo uma opinião clínica, não um estudo epidemiológico.
E quanto ao aumento de diagnósticos? Ela sugere que parte do crescimento é apenas detecção melhor, não necessariamente mais doença.
Sim. Ela separa claramente: há mudanças ambientais reais, mas também há o fato de que a medicina ficou melhor em diagnosticar. Ferramentas aperfeiçoadas, maior conhecimento da doença.
Mas novamente, sem números. Quanto do aumento é ambiental e quanto é diagnóstico melhorado? Ela não diz. Seria importante saber se estamos falando de 50-50 ou de 80-20.
A questão das mulheres é interessante — por que a doença as afeta mais após a puberdade?
Ela não explica o mecanismo. Apenas constata o padrão: antes da puberdade é igual, depois é mais mulheres. Deixa em aberto por quê.
E essa é uma pergunta importante que fica sem resposta. Hormônios? Genética? Comportamento? A reportagem não toca nisso.
Der Puls
- Os casos de esclerose múltipla crescem nos consultórios brasileiros, criando urgência para entender se a doença está de fato avançando ou apenas se tornando mais visível.
- Obesidade e tabagismo — incluindo o vape, que seduz quem nunca teria fumado um cigarro tradicional — emergem como fatores ambientais que favorecem o surgimento da condição.
- A partir da adolescência, a doença passa a afetar desproporcionalmente mulheres, concentrando-se justamente entre os 20 e 40 anos, no auge da vida produtiva.
- Ferramentas diagnósticas aperfeiçoadas e maior conscientização entre profissionais de saúde permitem identificar casos mais cedo, quando os sintomas ainda são leves.
- O cenário que se desenha é complexo: o aumento real de casos coexiste com uma capacidade crescente de detectá-los, tornando difícil separar epidemia de visibilidade.
Nos consultórios de neurologia, um número crescente de diagnósticos de esclerose múltipla convida a uma reflexão sobre o que mudou — não apenas nos corpos humanos, mas nos hábitos e nas ferramentas com que a medicina os observa. A neurologista Heloisa Cohim, do Hospital Mater Dei, aponta que obesidade, tabagismo e o uso de vapes criam condições ambientais propícias ao surgimento da doença, enquanto diagnósticos mais precisos revelam casos que antes permaneciam invisíveis. É um fenômeno duplo: o mundo adoece de novas formas e, ao mesmo tempo, aprende a enxergar melhor o que sempre esteve lá.
Nos últimos anos, os consultórios de neurologia registram mais pacientes com esclerose múltipla do que em décadas anteriores. Para a neurologista Heloisa Cohim, do Hospital Mater Dei, que falou ao programa Metrópole Saúde na segunda-feira (14), esse crescimento não tem um único culpado — é resultado de uma convergência entre mudanças no estilo de vida e avanços na capacidade de identificar a doença.
Entre os fatores ambientais, Cohim destacou o aumento da obesidade e a expansão do tabagismo, que hoje inclui os vapes — dispositivos que atraem pessoas que nunca teriam fumado de outra forma. Esses elementos, segundo ela, criam condições que favorecem o surgimento da esclerose múltipla.
Ao mesmo tempo, a especialista ressaltou que parte do aumento nos números reflete uma medicina mais atenta: ferramentas diagnósticas melhores e maior conscientização entre profissionais e pacientes fazem com que casos antes despercebidos cheguem ao consultório mais cedo, ainda em estágios iniciais.
A doença apresenta um padrão de distribuição por gênero que muda com a idade: antes da puberdade, meninos e meninas são igualmente afetados, mas a partir da adolescência a esclerose múltipla passa a predominar em mulheres — diferença que persiste na vida adulta. O período mais comum de primeiro aparecimento é entre os 20 e os 40 anos, justamente quando as pessoas estão no centro de sua vida produtiva e social.
Nos últimos anos, os consultórios de neurologia têm registrado mais pacientes com esclerose múltipla do que em décadas anteriores. A explicação para esse crescimento, segundo Heloisa Cohim, neurologista do Hospital Mater Dei, não aponta para um único culpado, mas para uma convergência de mudanças no modo de vida e na capacidade de identificar a doença.
Cohim concedeu entrevista ao programa Metropole Saúde na segunda-feira (14) e apontou o aumento de obesidade entre a população como um dos fatores ambientais relevantes. Igualmente importante, segundo ela, é o crescimento do tabagismo — não apenas do cigarro tradicional, mas também dos vapes, que atraem pessoas que nunca teriam fumado de outra forma. Esses elementos ambientais, na avaliação da especialista, criam condições que favorecem o surgimento da doença.
Mas Cohim também ressalvou que o aumento nos números não reflete apenas mudanças no ambiente. A melhoria nas ferramentas diagnósticas e a maior conscientização sobre a esclerose múltipla entre profissionais de saúde e população geral também explicam por que mais casos estão sendo identificados. Doenças que antes passavam despercebidas agora chegam ao consultório mais cedo, quando os sintomas ainda são leves.
A distribuição da doença entre homens e mulheres segue um padrão claro. Antes da puberdade, meninos e meninas têm prevalência semelhante. Mas a partir da adolescência, a esclerose múltipla passa a acometer muito mais mulheres que homens — uma diferença que persiste na idade adulta. A doença costuma fazer seu primeiro aparecimento entre os 20 e os 40 anos, período em que as pessoas estão no auge da vida produtiva e social.
O que Cohim descreve é um cenário complexo: não se trata simplesmente de que as pessoas estejam mais doentes, mas de que vivem de formas diferentes, têm acesso a diagnósticos melhores, e a medicina aprendeu a reconhecer sinais que antes passavam despercebidos. O resultado é um aumento real de casos, alimentado tanto por mudanças genuínas no ambiente quanto pela nossa capacidade crescente de vê-los.
Bemerkenswerte Zitate
Essa incidência aumentada nos últimos anos são muitos fatores. O fator ambiental é muito importante, então estamos vendo mais obesidade, mais pacientes tabagistas, inclusive agora nessa era dos vapes.— Heloisa Cohim, neurologista do Hospital Mater Dei