Evento gratuito reúne Beth Goulart e especialistas sobre saúde cerebral em SP

Como ressignificar a vida após um diagnóstico de demência
Beth Goulart e Celene Pinheiro discutem no painel de encerramento como as pessoas podem reconstruir sentido após o diagnóstico.
Mark

Por que um evento como esse importa agora? Parece que há muita conversa sobre Alzheimer, mas pouca ação.

Mimi

Porque a população está envelhecendo rapidamente e as pessoas precisam saber que há coisas que funcionam — atividade física, sono, convivência social. Não é só esperar pelo diagnóstico.

Luke

Mas o evento fala sobre prevenção. Quanto disso é realmente comprovado? Atividade física ajuda, sim, mas quanto? E para quem já tem Alzheimer, essas coisas mudam o curso da doença?

Mimi

Não muda o curso, mas muda a qualidade de vida. E a estimulação cognitiva é usada como parte do tratamento. Não é cura, é cuidado.

Mark

E as políticas públicas? O Brasil tem estrutura para isso?

Mimi

Tem a Política Nacional e o Plano Nacional de Demências. Volta Redonda tem um centro-dia público. Mas é fragmentado — alguns lugares têm, outros não.

Luke

Então o evento está discutindo o que deveria existir, não o que existe em escala. Isso é importante, mas é também um sinal de que falta muito.

Mimi

Exatamente. Por isso a presença de Celene Pinheiro, da ABRAz, e de Leandro Minozzo falando sobre políticas. Estão tentando conectar o conhecimento médico com a realidade do cuidado.

Mark

E Beth Goulart? Por que uma atriz nesse painel?

Mimi

Porque ela traz a dimensão humana. Não é só sobre números e diagnósticos. É sobre como você vive depois que recebe aquele resultado.

Luke

Mas ela não é médica. Qual é a credibilidade dela nesse contexto?

Mimi

A credibilidade é outra. Ela é escritora, diretora, conhece narrativa. E provavelmente tem uma história pessoal com isso. O painel é sobre ressignificar a vida após o diagnóstico — não é um painel técnico, é um painel sobre sentido.

  • O Brasil envelhece em ritmo acelerado, mas suas políticas e estruturas de cuidado ainda correm atrás — e esse descompasso é o pano de fundo urgente do evento.
  • Especialistas nacionais e internacionais se reúnem para discutir prevenção, diagnóstico e estimulação cognitiva, sinalizando que o cuidado com o cérebro começa muito antes de qualquer sintoma.
  • A experiência de Volta Redonda, com seu centro-dia público para idosos com Alzheimer, emerge como um modelo concreto de como municípios podem agir diante da crise do cuidado.
  • A pergunta 'Quem cuidará de nós em 2050?' paira sobre o encontro como um alerta estrutural — e a presença de uma advogada no debate indica que direitos e legislação são parte indispensável da resposta.
  • Beth Goulart traz ao encerramento uma voz que vai além da medicina: a arte e a narrativa pessoal como formas de ressignificar a vida após um diagnóstico de demência.
  • O evento é gratuito e transmitido on-line, sinalizando uma aposta na democratização do conhecimento sobre saúde cerebral para além dos muros acadêmicos.

Em São Paulo, um encontro gratuito sobre saúde cerebral reúne médicos, pesquisadores, juristas e a atriz Beth Goulart para refletir sobre o que significa envelhecer com dignidade numa sociedade que ainda aprende a cuidar dos seus. A oitava edição do Despertando a Sociedade para a Saúde do Cérebro não se limita ao diagnóstico clínico — ela interroga como famílias, comunidades e políticas públicas podem, juntas, responder ao avanço das demências. É um convite à escuta coletiva num momento em que o Brasil envelhece mais rápido do que seus sistemas de cuidado conseguem acompanhar.

São Paulo sedia nesta segunda-feira a oitava edição do Despertando a Sociedade para a Saúde do Cérebro, evento gratuito no Edifício Bunkyo, na Liberdade, com transmissão on-line. O encontro reúne médicos, pesquisadores, gerontólogos, juristas e a atriz Beth Goulart para discutir Alzheimer, demência e envelhecimento saudável — não apenas sob o olhar clínico, mas também cultural, jurídico e político.

A programação percorre temas como atividade física, sono, alimentação e estímulo intelectual como ferramentas de preservação cerebral. A neuropsicóloga Sharon Simon, da Universidade Rutgers, traz perspectiva internacional sobre longevidade, enquanto o neurologista Marcelo Houat e a geriatra Sumika Mori Lin debatem avanços no diagnóstico e na prevenção. Um painel específico aborda a estimulação cognitiva — tanto para cuidadores quanto para pessoas já diagnosticadas.

No encerramento, Beth Goulart e a geriatra Celene Pinheiro, presidente da Associação Brasileira de Alzheimer, propõem uma apresentação literária sobre como ressignificar a vida após um diagnóstico de demência. A voz da atriz amplia o debate para além do campo médico, tocando na dimensão humana e afetiva do cuidado.

O evento também mira o futuro: o gerontólogo Henrique Salmazo da Silva conduz a discussão 'Quem cuidará de nós em 2050?', colocando em perspectiva o envelhecimento acelerado da população brasileira. O geriatra Leandro Minozzo aborda o marco regulatório nacional, e a experiência de Volta Redonda — com seu centro-dia público para idosos com Alzheimer — é apresentada como modelo de assistência municipal. A presença da advogada Alexsandra Manoel Garcia reforça que direitos e legislação são parte essencial dessa conversa.

São Paulo recebe nesta segunda-feira um encontro gratuito dedicado à saúde cerebral, reunindo médicos, pesquisadores e a atriz Beth Goulart em discussões que vão desde o diagnóstico do Alzheimer até as políticas públicas que cercam o cuidado de pessoas com demência. O evento, a oitava edição do Despertando a Sociedade para a Saúde do Cérebro, acontece no Edifício Bunkyo, na Liberdade, das 9h às 12h, com transmissão on-line para quem não puder comparecer presencialmente.

A programação toca em pontos que definem a qualidade de vida no envelhecimento. Especialistas discutirão como atividade física, alimentação, sono adequado, convivência social e estímulos intelectuais se relacionam com a preservação das funções cerebrais. Sharon Simon, psicóloga clínica e neuropsicóloga da Universidade Rutgers, nos Estados Unidos, trará uma perspectiva internacional sobre longevidade e neurociência, focando em caminhos para envelhecer bem. O neurologista Marcelo Houat e a médica geriatra Sumika Mori Lin também participarão das discussões sobre avanços diagnósticos e prevenção.

Um segmento específico será dedicado à estimulação cognitiva — tanto seu uso por cuidadores quanto seu papel no tratamento de pessoas já diagnosticadas com demência. Essa abordagem reconhece que o cuidado não começa apenas após o diagnóstico, mas envolve estratégias contínuas para manter a função cognitiva. A psicóloga Danielle da Silva Freire e a gerontóloga Thaís Bento Lima-Silva integram essa discussão.

No painel de encerramento, Beth Goulart fará uma apresentação literária ao lado de Celene Pinheiro, médica geriatra e presidente da Associação Brasileira de Alzheimer. Juntas, abordarão como ressignificar a vida após um diagnóstico de demência — um tema que toca tanto na experiência pessoal quanto na dimensão coletiva de como a sociedade acolhe essas pessoas. A participação de Goulart, conhecida por seu trabalho como atriz, diretora e escritora, traz uma voz que ultrapassa o campo puramente médico.

O geriatra Leandro Minozzo conduzirá uma discussão sobre o marco regulatório do cuidado no Brasil, abordando a Política Nacional de Cuidado Integral às Pessoas com Doença de Alzheimer e Outras Demências e o Plano Nacional de Demências. Complementando essa perspectiva, o evento apresentará a experiência de Volta Redonda, no Rio de Janeiro, que mantém um centro-dia público para atendimento de idosos com Alzheimer e apoio aos familiares — um modelo que oferece pistas sobre como estruturar assistência em nível municipal.

Henrique Salmazo da Silva, gerontólogo, presidente da Associação Brasileira de Gerontologia e professor da USP, conduzirá uma discussão intitulada "Quem cuidará de nós em 2050?", que coloca em perspectiva o envelhecimento acelerado da população brasileira e os desafios estruturais que isso impõe aos sistemas de saúde e assistência. A advogada Alexsandra Manoel Garcia também participa, sinalizando que questões legais e de direitos integram o debate.

O encontro, portanto, não se limita a informações médicas. Ele tenta tecer uma conversa mais ampla sobre como a sociedade — através de políticas, de modelos de cuidado, de recursos comunitários e de ressignificação pessoal — pode responder ao envelhecimento e à demência. Para quem quer entender o que está sendo discutido sobre Alzheimer e saúde cerebral no Brasil neste momento, é um espaço aberto e sem custo.

Quem cuidará de nós em 2050?
— Henrique Salmazo da Silva, gerontólogo e presidente da Associação Brasileira de Gerontologia
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