Kauan colidiu sua motocicleta em Birigui, São Paulo, no primeiro dia de 2023, sofrendo traumatismo craniano grave que resultou em morte cerebral. A mãe, que faz hemodiálise e perdeu 100% da visão, autorizou a doação de múltiplos órgãos do filho, incluindo pulmões, fígado, coração e córneas.
Mãe recebe rim doado pelo filho morto em acidente: 'Deixou um presente'
Kauan deixou um presente para ela
Como é possível que uma mãe receba o rim do próprio filho? Isso não é uma coincidência extraordinária?
Não é coincidência. Graziele estava na fila de transplante há mais de quatro anos, e quando um rim compatível apareceu, era dele. A compatibilidade genética entre pais e filhos é alta.
Mas a gente precisa ser claro: ela não sabia que era o rim do filho quando autorizou a doação. Só soube depois, quando o hospital ligou no dia seguinte.
E como ela reagiu ao saber?
Segundo a irmã dela, Graziele ficou muito emotiva. Mas depois de conversar com a família, ela reinterpretou a situação. Disse que Kauan deixou um presente para ela.
Isso é o que a irmã relatou. A gente não tem a fala direta de Graziele sobre isso.
Ela perdeu o velório do filho?
Sim. A cirurgia foi marcada para o mesmo horário do enterro. Graziele escolheu fazer a cirurgia.
Isso é um detalhe brutal. Ela estava cega, dependente de diálise, e teve que escolher entre despedir-se do filho ou receber o órgão que poderia mudar sua vida.
E agora, como ela está?
Passou bem pela cirurgia e está se recuperando. Mas a família enfrenta dívidas na casa. Graziele tem mais de oito parcelas atrasadas porque perdeu a visão e não consegue pagar os boletos.
A vaquinha que abriram — ela já atingiu a meta?
Não. Segundo o texto, foi aberta no ano passado e não bateu a meta. Agora estão tentando novamente.
O Pulso
- Kauan Farias, 20 anos, colidiu motocicleta em Birigui, São Paulo, no primeiro dia de 2023
- Graziele Farias estava na fila de transplante há mais de quatro anos e é cega
- A cirurgia de transplante ocorreu no mesmo horário do enterro do filho
- Kauan doou pulmões, fígado, ambos os rins, coração, córneas e tecido ósseo
- Graziele tem mais de oito parcelas atrasadas no financiamento da casa
Kauan colidiu sua motocicleta em Birigui, São Paulo, no primeiro dia de 2023, sofrendo traumatismo craniano grave que resultou em morte cerebral. A mãe, que faz hemodiálise e perdeu 100% da visão, autorizou a doação de múltiplos órgãos do filho, incluindo pulmões, fígado, coração e córneas.
Após quatro anos na fila de transplante, Graziele Farias recebeu um rim de seu filho Kauan, morto aos 20 anos em acidente de moto. A cirurgia ocorreu no mesmo horário do enterro do jovem.
Graziele Farias havia esperado mais de quatro anos por um rim. A fila de transplante é longa, e cada dia na hemodiálise é um dia roubado da vida que poderia ter. Então, no início de janeiro de 2023, chegou a notícia de que um órgão compatível estava disponível. Ela não sabia que era de seu filho.
Kauan Farias, com 20 anos, colidiu sua motocicleta no primeiro dia do ano em Birigui, no interior de São Paulo. O impacto foi violento — traumatismo craniano grave. Ele entrou em coma, foi internado em Birigui e depois transferido para um hospital em Araçatuba. Graziele, que é cega e faz hemodiálise regularmente, só soube do acidente após a transferência do filho. Enquanto ela estava em uma sessão de hemodiálise no hospital ao lado de onde Kauan estava internado, os médicos constataram a morte cerebral dele. Era terça-feira, 3 de janeiro.
Apenas depois que o tratamento de diálise terminou, alguém informou Graziele da morte do filho. Naquele mesmo momento, ela foi questionada sobre doação de órgãos. Sem hesitar, ela autorizou tudo. Kauan doou os pulmões, o fígado, os dois rins, o coração para retirada de válvulas, as córneas e tecido ósseo, segundo a Santa Casa de Araçatuba. Um dos rins foi para a própria mãe.
Nayara Furquim, irmã de Graziele, descreveu o momento em que a mãe tomou a decisão: "Ela não pensou dois segundos. Falou que poderia doar tudo, todos os órgãos que fossem possíveis doar. 'Eu quero que esteja um pedacinho do meu filho em cada lugar', disse." Os médicos alertaram que Graziele tinha insuficiência cardíaca e talvez não pudesse receber o rim do próprio filho. Ela respondeu que não havia problema — que era para doar mesmo assim.
No dia seguinte à morte de Kauan, o hospital ligou para Graziele. Havia um rim novo para ela. Era o rim do seu filho. A cirurgia foi marcada para o mesmo horário do enterro. Graziele enfrentou uma escolha impossível: despedir-se do filho ou receber o órgão que poderia devolver-lhe a vida. Ela escolheu a cirurgia. Segundo Nayara, a irmã ficou muito emotiva com a decisão, mas depois encontrou uma forma de entender: "Graziele disse que o Kauan deixou um presente para ela. Ele sempre falava quando a encontrava triste, chorosa: 'Mãe, aguenta mais um pouquinho. Logo mais nós vamos poder fazer tudo que você tem vontade de fazer'. O sonho da vida dele era esse."
Graziele passou bem pela cirurgia e está se recuperando no hospital. Agora, porém, a família enfrenta outra luta. Graziele tem mais de oito parcelas atrasadas no financiamento da casa onde mora. A perda total da visão a impediu de manter os pagamentos em dia. A família abriu uma vaquinha online para tentar quitar a dívida. Quando Graziele tiver alta, ela quer ir até o túmulo do filho, sentar ali e conversar com ele — a despedida que a cirurgia não permitiu.
Citações Notáveis
Ela não pensou dois segundos. Falou que poderia doar tudo, todos os órgãos que fossem possíveis doar. 'Eu quero que esteja um pedacinho do meu filho em cada lugar'— Nayara Furquim, irmã de Graziele, descrevendo a decisão da mãe sobre a doação de órgãos
Graziele disse que o Kauan deixou um presente para ela. Ele sempre falava quando a encontrava triste: 'Mãe, aguenta mais um pouquinho. Logo mais nós vamos poder fazer tudo que você tem vontade de fazer'— Nayara Furquim, sobre como a irmã reinterpretou o transplante