Lula critica Zema e Bolsonaro em Minas, chama governador de 'comedor de banana com casca'

Eu resolvi ajudar Minas Gerais, mesmo não sendo do partido
Lula justifica seu acordo de renegociação da dívida estadual como ato de estadista acima das divisões partidárias.
Mark

Por que Lula escolheu justamente uma obra de infraestrutura para fazer esses ataques políticos?

Mimi

Porque a obra não é apenas simbólica — ela resolve um problema real que Minas enfrenta há décadas. Ao inspecioná-la, ele mostra que está entregando, enquanto seus adversários apenas falam. É campanha, mas é campanha ancorada em concreto.

Mark

A expressão "comedor de banana com casca" parece muito específica. O que ela comunica além do insulto?

Mimi

Comunica incompetência, falta de refinamento, alguém que não sabe nem comer direito. É uma forma de dizer que Zema é um amador, alguém que não deveria estar governando. É brutal porque é simples.

Mark

Lula enfatiza que não era do partido de Zema, mas mesmo assim ajudou Minas. Por que isso importa?

Mimi

Porque ele está se posicionando acima da política partidária. Está dizendo: eu sou presidente de todos, e resolvi ajudar mesmo quem me opõe. É uma narrativa de estadista, não de político.

Mark

A margem de 0,4 ponto percentual em 2022 — isso explica por que ambos os candidatos estão tão presentes em Minas agora?

Mimi

Explica tudo. Minas decidiu a eleição passada por praticamente nada. Qualquer movimento aqui pode mudar o resultado nacional. Por isso Lula vem pessoalmente, por isso Flávio Bolsonaro também está lá. O estado é o campo de batalha.

Mark

E quanto à dívida? Lula realmente resolveu o problema ou apenas adiou?

Mimi

Adiou, mas de forma inteligente. Trinta anos com correção apenas pela inflação é bem melhor do que o que era antes. E a condição de investir em educação transforma a dívida em investimento. Mas é verdade que Minas ainda carrega esse peso.

  • Lula visitou Governador Valadares em 21 de agosto para inspecionar obras de R$ 309 milhões na BR-116 e ponte do Rio Doce
  • Acordo de renegociação da dívida permite Minas pagar R$ 180 bilhões em 30 anos com economia de R$ 6 bilhões anuais
  • Lula venceu Minas em 2022 por margem de apenas 0,4 ponto percentual; estado tem segundo maior colégio eleitoral do país

Lula creditou a dívida recorde de Minas à gestão anterior e ao governo Bolsonaro, afirmando que seu acordo permitirá economia de R$ 6 bilhões anuais ao estado. O presidente inspecionou obras de duplicação da BR-116 e construção de nova ponte sobre o Rio Doce, investimentos de R$ 309 milhões considerados críticos para a logística regional.

O presidente Lula visitou Governador Valadares para inspecionar obras de infraestrutura e criticou o ex-governador Romeu Zema e Jair Bolsonaro, acusando-os de mentiras sobre a dívida estadual.

Na sexta-feira, o presidente Lula chegou a Governador Valadares para uma agenda que misturava inauguração de obras e campanha política. Ele estava ali para inspecionar a duplicação da BR-116 e a construção de uma nova ponte sobre o Rio Doce — projetos que custam R$ 309 milhões e que o governo federal considera essenciais para desafogarem o gargalo logístico do leste mineiro. Mas o que marcaria o dia não seria apenas concreto e asfalto. Seria a linguagem crua do presidente contra seus adversários.

Lula usou a plataforma para atacar tanto Romeu Zema, ex-governador e pré-candidato presidencial, quanto Jair Bolsonaro. O alvo principal era a dívida histórica de Minas Gerais com a União — um tema que domina os debates eleitorais no estado. O presidente argumentou que Bolsonaro nunca negociou com o antecessor de Zema, Fernando Pimentel, deixando o estado mineiro sem recursos para pagar salários enquanto arcava com obrigações federais. Pimentel governou entre 2015 e 2018, atravessando os mandatos de Dilma Rousseff e Michel Temer. A dívida acumulada remonta aos anos 1990, mas em 2018, já no final da gestão petista, conseguiu-se uma liminar que suspendeu as cobranças da União.

Quando Zema assumiu o governo, segundo Lula, aquela suspensão desapareceu. "Na medida em que o Pimentel ganhou na Justiça o direito de não pagar a dívida, o comedor de banana com casca assumiu o governo e passou a fazer demagogia", disse o presidente, usando uma expressão que se tornaria o destaque do dia. Lula repetiu a alcunha mais de uma vez, deixando claro seu desprezo pela gestão anterior.

Mas o presidente também apresentou sua solução. Ele negociou um acordo que permite a Minas Gerais pagar cerca de R$ 180 bilhões de uma dívida acumulada de R$ 200 bilhões ao longo de 30 anos, com correção apenas pela inflação. O programa, chamado Propag, foi estendido também a São Paulo e Rio de Janeiro, mas com uma condição: os recursos economizados devem ser investidos em educação. Lula calculou que Minas economizará cerca de R$ 6 bilhões por ano com esse arranjo. "Eu não era do partido do comedor de casca de banana, mas eu sou presidente do Brasil, e eu resolvi ajudar Minas Gerais", afirmou, marcando sua posição de estadista acima das divisões partidárias.

A obra que Lula inspecionou naquele dia é de fato crítica para a região. O projeto envolve a duplicação de 35 quilômetros da BR-116 entre Governador Valadares e Engenheiro Caldas, além de melhorias viárias no perímetro urbano. A ponte do São Raimundo, que atravessa o Rio Doce, recebe mais de R$ 80 milhões apenas para sua construção, com fundações em rocha profunda e concreto de alta durabilidade dimensionado para suportar o tráfego pesado de carretas. A previsão é que a nova travessia seja entregue até o final do ano. O ministro dos Transportes, George Santoro, acompanhava a vistoria e ressaltava que não se tratava apenas de infraestrutura, mas da superação de um gargalo histórico que o setor produtivo e a população mineira esperavam há décadas.

O contexto político é claro. Minas Gerais possui o segundo maior colégio eleitoral do país, atrás apenas de São Paulo, e é historicamente considerada decisiva nas eleições presidenciais. Lula venceu ali em 2022 por margem mínima — apenas 0,4 ponto percentual separava seus 50,2% dos 49,8% de Bolsonaro. Agora, com a campanha em andamento, ambos os lados intensificam sua presença no estado. Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato presidencial, já havia participado do lançamento da candidatura de Flávio Roscoe ao governo estadual e caminhado ao lado de apoiadores como o deputado Nikolas Ferreira.

Naquela noite, Lula seguiria para Belo Horizonte para um comício ao lado de Patrus Ananias, candidato do PT ao governo mineiro. Ananias emergiu como opção consensual após o senador Rodrigo Pacheco desistir e a ex-prefeita Marília Campos recusar o convite — ela agora concorre ao Senado Federal. O presidente já planejava retornar no sábado seguinte para um evento voltado ao eleitorado feminino. A campanha em Minas Gerais estava apenas começando, e o tom já havia sido estabelecido: crítico, direto, e marcado pela linguagem de quem não teme ofender seus adversários.

Na medida em que o Pimentel ganhou na Justiça o direito de não pagar a dívida, o comedor de banana com casca assumiu o governo e passou a fazer demagogia
— Presidente Lula, referindo-se a Romeu Zema
Eu não era do partido do comedor de casca de banana, mas eu sou presidente do Brasil, e eu resolvi ajudar Minas Gerais
— Presidente Lula, sobre seu acordo de renegociação da dívida estadual
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