Trump expande influência na América do Sul com 8 presidentes alinhados; Flávio pode ser o 9º

Trump ofereceu validação a líderes que já compartilhavam sua visão
A estratégia americana de recuperação de influência na América do Sul encontrou terreno fértil em governos que já se movimentavam para a direita.
Mark

Por que Trump conseguiu construir esse bloco tão rapidamente? Parece que em 2024 ele tinha pouca influência aqui.

Mimi

Ele tinha uma vantagem: a maioria desses países já estava se movimentando para a direita. Milei na Argentina, Kast no Chile — essas eleições já estavam acontecendo. Trump apenas ofereceu validação e apoio diplomático a líderes que já compartilhavam sua visão.

Luke

Mas precisamos ser cuidadosos com a palavra "bloco". Esses presidentes têm relações muito diferentes com Trump. Milei visita Mar-a-Lago constantemente. Kast tem afinidade ideológica, mas não relação pessoal. Paz é pragmático. Não é um bloco coeso — é mais um conjunto de alinhamentos bilaterais.

Mark

E quanto à Venezuela? Delcy Rodríguez parece estar em uma situação completamente diferente.

Mimi

Completamente. Ela não escolheu se alinhar. Trump literalmente sequestrou Maduro e a colocou no poder. Agora ela está assinando acordos de petróleo e libertando presos políticos — é mais uma imposição do que um alinhamento voluntário.

Luke

E aí está o ponto importante: a matéria chama isso de "aliança forçada", mas não fica claro se Delcy realmente apoia Trump ou se está apenas fazendo o que precisa fazer para sobreviver politicamente. Não temos declarações dela sobre isso.

Mark

Flávio pode realmente se tornar o nono? Ele está apenas 2 pontos à frente de Lula.

Mimi

Está muito próximo. Mas a matéria mostra que Trump já está investindo nele — a visita à Casa Branca, a foto no Salão Oval, o elogio público. Se Flávio vencer, será porque conseguiu capitalizar esse apoio.

Luke

Embora Trump tenha sido cuidadoso em não endossar publicamente Flávio antes do primeiro turno. Ele só comentou depois que o resultado saiu. Isso sugere que Trump estava esperando para ver como as coisas se desenrolariam.

Mark

Qual é o objetivo final dessa "Doutrina Donroe"?

Mimi

Recuperar o controle americano sobre a região. Ampliar bases militares, controlar rotas marítimas, combater imigração e tráfico. É basicamente dizer: "A América Latina é nossa esfera de influência, e não vamos permitir que outras potências entrem aqui".

Luke

Mas a matéria não explica muito bem contra quem isso é direcionado. Assume que é contra China e Rússia, mas não cita nenhuma atividade específica desses países na região que justifique essa resposta. É um pressuposto que fica implícito.

  • Flávio Bolsonaro lidera primeiro turno com 47,03% contra 45,16% de Lula
  • Oito presidentes sul-americanos já mantêm alinhamento com Trump
  • Estratégia de segurança nacional americana divulgada em dezembro de 2024 busca restaurar predominância americana no Hemisfério Ocidental
  • Trump publicou foto com Flávio no Salão Oval em junho de 2026
  • Nicolás Maduro foi sequestrado em operação militar dos EUA e está preso em Nova York

Flávio Bolsonaro lidera primeiro turno das eleições de 2026 com 47,03% dos votos contra 45,16% de Lula, podendo se tornar o nono presidente sul-americano alinhado a Trump. Trump mantém relações diplomáticas e políticas com presidentes de Colômbia, Argentina, Equador, Paraguai, Bolívia, Chile, Peru e Venezuela, formando bloco de apoio regional.

Trump consolida apoio de oito presidentes sul-americanos e pode ganhar um nono com possível vitória de Flávio Bolsonaro, implementando estratégia de retomada de influência regional conhecida como 'Doutrina Donroe'.

Flávio Bolsonaro saiu do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 à frente de Luiz Inácio Lula da Silva. Com 47,03% dos votos contra 45,16% do petista, o senador pelo PL abriu caminho para um segundo turno que pode redefinir o alinhamento geopolítico do Brasil. Se vencer, ele se tornaria o nono presidente sul-americano a manter aproximação política e diplomática com Donald Trump — um bloco que já inclui líderes de oito países da região e que reflete uma estratégia americana de longa data para recuperar influência no continente.

Quando questionado sobre o desempenho de Flávio na segunda-feira seguinte ao pleito, Trump expressou surpresa. "É uma grande vitória. Muito apertada, mas impressionante, na verdade", disse o presidente americano, embora tenha evitado comentários mais detalhados sobre a disputa brasileira. Nos dias que antecederam a votação, Trump não havia respondido diretamente se apoiaria o candidato. Ainda assim, ao longo de 2026, Flávio e Trump se aproximaram em múltiplas ocasiões: em maio, Flávio visitou a Casa Branca e solicitou que os grupos criminosos PCC e Comando Vermelho fossem classificados pelos Estados Unidos como organizações terroristas — uma posição contrária à que Lula defendia. Em junho, Trump publicou uma foto do encontro no Salão Oval e elogiou o senador como "um jovem inteligente que ama muito o seu país". Naquele mesmo mês, Flávio afirmou que o Pix não deveria ser internacionalizado e defendeu que o Brasil barrasse sistemas de pagamento considerados "não ocidentais". Em setembro, prometeu que, se eleito, o Brasil integraria o Escudo das Américas, uma coalizão de segurança lançada pelo governo Trump.

Essa aproximação de Flávio com Trump faz parte de um movimento muito maior. Em dezembro do ano anterior, o governo americano divulgou sua nova estratégia de segurança nacional, que incluía a intenção de retomar influência na região para conter o avanço de potências de outros continentes. O jornal The New York Times batizou essa iniciativa de "Doutrina Donroe" — uma fusão dos nomes Donald e Monroe — em referência à Doutrina Monroe de 1823, que defendia que potências europeias não deveriam interferir nas Américas. A nova estratégia americana se baseia em três elementos principais: ampliar a presença da Guarda Costeira e da Marinha para controlar rotas marítimas, combater imigração ilegal e reduzir tráfico de drogas e pessoas; reforçar a proteção das fronteiras e intensificar o combate aos cartéis, inclusive com uso de força letal em alguns casos; e estabelecer ou ampliar o acesso dos EUA a locais estratégicos na região. O documento afirma explicitamente que os EUA buscam "reafirmar e aplicar a Doutrina Monroe para restaurar a predominância americana no Hemisfério Ocidental".

O alinhamento não é novo nem acidental. Abelardo De la Espriella, eleito presidente da Colômbia em junho de 2026, recebeu apoio explícito de Trump durante a campanha. Na plataforma Truth Social, Trump o chamou de "um líder inteligente, forte e determinado" e afirmou que teria sucesso no combate ao crime e ao tráfico. Após a vitória, Trump prometeu trabalhar junto para construir uma "relação poderosa". Javier Milei, presidente da Argentina, talvez seja o trumpista mais destacado entre os mandatários sul-americanos — fez diversas viagens a Mar-a-Lago, a residência particular de Trump, e é presença constante em eventos da direita conservadora americana. Daniel Noboa, do Equador, mantém relação mais pragmática, mas buscou apoio de Trump especialmente ao apresentar projetos de segurança pública e não descartou o retorno de bases militares estrangeiras. Santiago Peña, do Paraguai, foi um dos convidados para o "Conselho da Paz", iniciativa de Trump para criar uma organização paralela à ONU — na ocasião, elogiou o presidente americano por "trazer esperança novamente".

Rodrigo Paz assumiu a presidência da Bolívia em novembro de 2025, encerrando duas décadas de governos de esquerda. Trump o parabenizou pela vitória, e Paz declarou que haveria "uma relação fluida e compromissos de cooperação e trabalho conjunto". Paz enfrenta protestos persistentes devido à crise econômica, e em maio a Casa Branca reforçou seu apoio quando o vice-secretário de Estado Christopher Landau afirmou que as manifestações seriam "um golpe financiado por uma aliança perigosa entre política e crime organizado na região". José Antonio Kast, presidente eleito do Chile, possui grande afinidade ideológica com Trump — foi comparado ao republicano diversas vezes desde sua primeira candidatura em 2021. Sua plataforma promete combater imigração ilegal e até construir um muro na fronteira com a Bolívia, além de criticar progressismo, políticas identitárias e multilateralismo tradicional. Após sua vitória no final de 2025, Trump disse na Casa Branca: "Descobri sobre o Chile que a pessoa que eu apoio, que não estava na liderança, ganhou com facilidade".

Keiko Fujimori, eleita presidente do Peru em junho de 2026, aproximou-se de Trump principalmente na área de segurança. Durante a campanha, defendeu a entrada do país no Escudo das Américas. Como presidente, confirmou a entrada do Peru na iniciativa durante reunião com o secretário de Estado Marco Rubio e participou de uma reunião de alto nível do grupo ao lado de Trump na Assembleia Geral da ONU em setembro. Embora Trump não tenha declarado apoio público durante a campanha, o governo americano afirmou após sua vitória que esperava aprofundar cooperação em segurança, investimentos e comércio. A Venezuela representa um caso à parte: Delcy Rodríguez assumiu como presidente interina após uma operação militar dos EUA que sequestrou Nicolás Maduro e o levou para Nova York, onde aguarda julgamento. Desde então, o regime venezuelano assinou acordos de exploração de petróleo, libertou presos políticos e fez acenos diplomáticos a Washington, tudo sem manifestação explícita de alinhamento.

Com Flávio potencialmente se tornando o nono presidente alinhado a Trump, a estratégia americana de recuperação de influência na América do Sul estaria praticamente consolidada. O que começou como uma política de segurança nacional em dezembro de 2024 transformou-se em um bloco de lideranças conservadoras que compartilham prioridades de combate ao crime, restrição à imigração e ceticismo em relação ao multilateralismo tradicional. O segundo turno das eleições brasileiras, marcado para as próximas semanas, será decisivo não apenas para o futuro político do Brasil, mas para a configuração do poder regional nos próximos anos.

É uma grande vitória. Muito apertada, mas impressionante, na verdade
— Donald Trump, sobre o desempenho de Flávio Bolsonaro no primeiro turno
Um jovem inteligente que ama muito o seu país, o Brasil
— Donald Trump, elogiando Flávio Bolsonaro após encontro na Casa Branca
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