Em Pernambuco, o presidente Lula usou a inauguração de uma fábrica de medicamentos para hemofilia como palco para uma reflexão mais ampla sobre o lugar da cultura na vida pública brasileira. Sem pronunciar o nome de seu antecessor, deixou claro que via os anos anteriores como um período de abandono deliberado — e que a recriação do Ministério da Cultura era não apenas um ato administrativo, mas uma declaração de valores. A sanção do marco regulatório do Sistema Nacional de Cultura, naquela mesma noite, converteu o discurso em lei.
Lula critica antecessor e promete proteger cultura: 'Que ninguém mais ouse acabar'
Que ninguém mais ouse acabar com a cultura desse país
Por que Lula escolheu falar sobre cultura justamente durante a inauguração de uma fábrica de medicamentos?
Porque para ele não são coisas separadas. O evento em Pernambuco era sobre reconstrução — reconstrução de capacidade produtiva, de soberania em saúde. Mas também era sobre reconstrução de um país que, em sua visão, havia sido desmontado. A cultura é parte dessa narrativa.
Mas ele não nomeou Bolsonaro. Como sabemos que era dele que falava?
Porque em 2019 Bolsonaro extinguiu o Ministério da Cultura. Ninguém mais fez isso. É um fato histórico específico que Lula estava referenciando.
E quanto à crítica a Temer? Isso é menos óbvio.
Verdade. Lula agrupou os dois governos — Temer e Bolsonaro — como um período de seis anos em que "não foi feito" o que deveria ter sido feito. Ele estava ampliando a crítica para além de Bolsonaro.
Mas ele não detalhou o que especificamente Temer não fez na cultura. Isso fica vago.
Fica mesmo. O discurso é mais sobre tom e promessa do que sobre análise específica de políticas culturais de cada governo.
E a "fábrica de mentiras"? Isso apareceu duas vezes no mesmo dia.
Sim. Lula estava preocupado com desinformação. Pediu aos pais que protegessem os filhos. É um tema que o ocupa.
Mas ele não ofereceu exemplos concretos de quais mentiras ou fake news estava combatendo.
Não. O discurso era mais genérico, mais sobre criar um clima de preocupação com a veracidade das informações.
A lei que ele sancionaria naquela noite — o marco regulatório da cultura — isso é uma resposta concreta?
Sim. É a ação que acompanha o discurso. Não é só falar em proteger a cultura; é criar um marco legal para isso.
Mas a gente não sabe ainda o que essa lei contém ou como ela vai funcionar na prática.
Le Pouls
- Lula chamou Bolsonaro de 'tranqueira' e alertou que espera nunca mais ver alguém extinguir o Ministério da Cultura, recriado assim que retornou ao poder.
- O presidente ampliou a crítica para abranger também o governo Temer, afirmando que seis anos de gestão anterior deixaram a cultura — e outras áreas — em estado de negligência deliberada.
- Em dois eventos distintos no mesmo dia, Lula denunciou o que chamou de 'fábrica de mentiras e de ódio', pedindo aos pernambucanos que protegessem seus filhos da desinformação sistemática.
- Na mesma noite, a sanção do marco regulatório do Sistema Nacional de Cultura transformou o discurso de proteção à área em obrigação legal.
- O padrão do dia revelava uma estratégia clara: usar inaugurações de obras públicas como tribuna para reforçar a narrativa de reconstrução frente ao que foi perdido.
Em Pernambuco, o presidente Lula usou a inauguração de uma fábrica de medicamentos para hemofilia como palco para uma reflexão mais ampla sobre o lugar da cultura na vida pública brasileira. Sem pronunciar o nome de seu antecessor, deixou claro que via os anos anteriores como um período de abandono deliberado — e que a recriação do Ministério da Cultura era não apenas um ato administrativo, mas uma declaração de valores. A sanção do marco regulatório do Sistema Nacional de Cultura, naquela mesma noite, converteu o discurso em lei.
Na tarde de 4 de abril, em Goiana, Pernambuco, Lula discursava na inauguração de uma fábrica de medicamentos para hemofilia quando desviou o olhar para um tema que claramente o ocupava mais: a cultura brasileira e o que ele enxergava como seu abandono nos anos anteriores. Sem pronunciar o nome de Jair Bolsonaro, deixou claro a quem se dirigia. "Eu espero que nunca mais na vida apareça alguém que ouse acabar com o Ministério da Cultura", disse, em frase que soava ao mesmo tempo como promessa e advertência.
Bolsonaro havia extinguido o ministério em 2019; Lula o recriou ao retornar ao Planalto. Mas a crítica foi além: o presidente chamou o antecessor de "tranqueira" e incluiu também o governo de Michel Temer no escopo de sua reclamação, afirmando que nos seis anos entre o impeachment de Dilma Rousseff e seu próprio retorno ao poder, não se fez o que deveria ter sido feito.
O tema da desinformação também permeou o dia. Em mais de um evento, Lula pediu aos pernambucanos que protegessem seus filhos da "fábrica de mentiras" e da "fábrica de ódio" — referência clara ao que vê como desinformação sistemática produzida por adversários políticos.
Na noite do mesmo dia, o discurso ganhou forma legal: Lula sancionou o marco regulatório do Sistema Nacional de Cultura, convertendo em lei o compromisso de que a área teria proteção institucional duradoura. A fábrica inaugurada, da estatal Hemobrás, tinha capacidade para produzir 1,2 bilhão de unidades do fator 8 recombinante por ano, com previsão de abastecer o SUS a partir de setembro — mas foi a cultura, e não os medicamentos, que dominou a narrativa do dia.
Lula estava em Pernambuco na tarde de 4 de abril quando voltou a atacar seu antecessor — desta vez sem pronunciar o nome de Jair Bolsonaro, mas deixando claro quem tinha em mente. O presidente petista falava durante a inauguração de uma fábrica de medicamentos para hemofilia em Goiana, mas o tema que o ocupava era a cultura do país e o que ele via como abandono deliberado dela nos anos anteriores.
"Eu espero que nunca mais na vida apareça alguém que ouse acabar com o Ministério da Cultura e acabar com a cultura nesse país", disse Lula. A frase funcionava como promessa e advertência ao mesmo tempo — um compromisso de que, sob seu terceiro mandato, a cultura teria proteção que não teve antes. Bolsonaro havia extinguido o Ministério da Cultura em 2019, nos primeiros meses de seu governo. Lula o recriou assim que retornou ao Palácio do Planalto.
Mas Lula não parou na crítica velada. Chamou Bolsonaro de "tranqueira" e ampliou o escopo de sua reclamação para incluir também o governo de Michel Temer, que ocupou a presidência entre o impeachment de Dilma Rousseff em 2016 e a posse de Bolsonaro em 2019. Segundo Lula, nos últimos seis anos — período que abarcava ambos os governos — não se fez aquilo que deveria ter sido feito. A cultura era apenas uma das áreas que, em sua avaliação, havia sido negligenciada.
O presidente também se debruçou sobre o que chamou de "fábrica de mentiras" e "fábrica de fake news", temas que o ocuparam em mais de um evento naquele dia. Pediu aos pernambucanos que cuidassem de seus filhos para protegê-los da quantidade de insinuações, mentiras e acusações que circulavam — uma referência clara ao que vê como desinformação sistemática produzida por seus adversários políticos. "Esse país não pode ficar subordinado à fábrica de mentiras, à fábrica de fake news, à fábrica de ódio", afirmou.
Na noite daquele mesmo dia, Lula sancionaria um projeto de lei que institui o marco regulatório do Sistema Nacional de Cultura — uma ação concreta que acompanhava o discurso de proteção à área. A assinatura da lei representava um passo formal na direção daquilo que ele prometia: um país onde a cultura não seria mais alvo de cortes ou extinções de órgãos federais.
O evento em Goiana tinha como foco principal a inauguração da fábrica de medicamentos da Hemobrás, empresa estatal de hemoderivados e biotecnologia. A unidade teria capacidade de produzir 1,2 bilhão de unidades do medicamento fator 8 recombinante por ano, com previsão de começar a abastecer o Sistema Único de Saúde a partir de setembro. Lula foi acompanhado pela primeira-dama Janja, pela ministra da Saúde Nísia Trindade e pela governadora de Pernambuco Raquel Lyra.
Não era a primeira vez naquele dia que Lula criticava seu antecessor. Horas antes, durante a inauguração de uma estação elevatória de água em Arcoverde, também em Pernambuco, ele havia voltado ao tema da "fábrica de mentiras", embora sem nomear Bolsonaro diretamente. O padrão era claro: Lula estava em modo de campanha permanente, usando eventos de inauguração e entregas de obras para reforçar sua narrativa sobre o que havia sido perdido nos anos anteriores e o que ele estava reconstruindo.
Citations marquantes
Espera que nunca mais apareça alguém que ouse acabar com o Ministério da Cultura e com a cultura do país— Presidente Lula
O país não pode ficar subordinado à fábrica de mentiras, à fábrica de fake news, à fábrica de ódio— Presidente Lula