Trump desativou crachás de repórteres de três grandes veículos de imprensa na Casa Branca, acusando-os de reportagens falsas sobre seu governo. A medida ocorre após semana de reveses políticos, incluindo bloqueio da Suprema Corte ao plano de restringir voto por correio e aumento de taxas pelo Federal Reserve.
Trump barra jornalistas da Casa Branca em novo patamar de hostilidade com a imprensa
Um padrão usado para excluir um veículo poderia ser aplicado a qualquer veículo no futuro
Por que Trump fez isso agora, especificamente? Ele critica a imprensa há anos.
Zurcher sugere que é uma combinação de fatores. Trump enfrentou uma semana terrível — a Suprema Corte bloqueou seu plano sobre voto por correio, o Federal Reserve aumentou as taxas apesar de sua pressão, e seus índices de aprovação caíram. Ele está em uma guerra impopular no Irã que elevou os preços. Seu partido enfrenta uma batalha difícil em novembro.
Mas Trump não apontou nenhum incidente específico que motivasse o banimento. Disse apenas "acúmulo de matérias dos últimos anos". Isso é importante — não sabemos exatamente qual reportagem o irritou.
Então é retalho por frustração geral, não por algo concreto?
Parece ser. Zurcher deixa claro que Trump critica a imprensa há mais de uma década, mas essa ação é diferente — é a primeira vez que ele bane organizações inteiras, não apenas correspondentes individuais.
E quanto aos precedentes legais? Trump já tentou isso antes?
Sim. Em seu primeiro mandato, revogou a credencial de Jim Acosta, da CNN. Perdeu na justiça. Suspendeu outro repórter após uma discussão com um assessor. Também perdeu. No ano passado, proibiu a Associated Press do grupo de imprensa que acompanha o presidente. Ainda está em disputa judicial.
Então os tribunais têm um histórico de proteger jornalistas?
Sim, mas é importante notar que esses casos levaram tempo. A batalha de Acosta foi resolvida a seu favor, mas não foi imediato. A da Associated Press ainda não foi totalmente resolvida. Os tribunais dizem que o governo não pode discriminar com base no conteúdo editorial, mas a execução disso é lenta.
E desta vez, os três veículos já prometeram entrar com ações judiciais. A Associação dos Correspondentes da Casa Branca também pediu a restauração do acesso.
Qual é o risco real aqui? Que precedente isso estabelece?
Jacqui Heinrich, presidente da associação, disse claramente: "Um padrão usado para excluir um veículo por causa de sua cobertura poderia ser aplicado a qualquer veículo no futuro". Se Trump conseguir banir a CNN, Politico e MS NOW, por que não o New York Times ou o Washington Post — que ele já chamou de fake news?
Mas há uma diferença entre Trump dizer que quer banir outros veículos e realmente conseguir fazer isso. Ele sugeriu que o New York Times e o Washington Post também são "fake news", mas não os baniu formalmente. Ainda.
Então estamos esperando para ver se ele expande isso?
Exatamente. E se os tribunais bloquearem este banimento, como bloquearam os anteriores, a questão muda: por que Trump continua tentando, sabendo que vai perder?
Der Puls
- Trump desativou crachás de repórteres da CNN, Politico e MS NOW na Casa Branca em 19 de setembro de 2026
- A medida ocorre após semana de reveses: bloqueio da Suprema Corte ao plano de restringir voto por correio, aumento de taxas pelo Federal Reserve, e índices de aprovação em níveis recordes baixos
- Em seu primeiro mandato, Trump perdeu na justiça ao tentar revogar a credencial de Jim Acosta, da CNN, e ao suspender outro repórter
- A Primeira Emenda proíbe o governo de discriminar veículos de imprensa com base no conteúdo editorial
Trump desativou crachás de repórteres de três grandes veículos de imprensa na Casa Branca, acusando-os de reportagens falsas sobre seu governo. A medida ocorre após semana de reveses políticos, incluindo bloqueio da Suprema Corte ao plano de restringir voto por correio e aumento de taxas pelo Federal Reserve.
Trump proibiu acesso à Casa Branca para jornalistas da CNN, Politico e MS NOW, acusando-os de escrever ficção. Os veículos prometem ações judiciais, argumentando violação da Primeira Emenda.
Na manhã de sábado, 19 de setembro, uma repórter e um fotógrafo da MS NOW chegaram à Casa Branca para trabalhar. Seus crachás não funcionaram. Um agente do Serviço Secreto os confiscou e explicou que estavam desativados — acima de sua autoridade, disse ele, sem mais detalhes. Naquele mesmo dia, repórteres da CNN e do Politico enfrentaram a mesma barreira. Seus crachás também haviam sido desativados. O presidente Donald Trump havia anunciado na sexta-feira que estava proibindo os três veículos de entrar nas dependências presidenciais, acusando-os de escrever "ficção ou mentiras" sobre seu governo.
A repórter Akayla Gardner, da MS NOW, descreveu o momento: um agente pediu seu crachá e informou que estava desativado. Quando perguntou por quê, recebeu uma resposta vaga. O que intrigou Gardner foi que uma produtora da MS NOW conseguiu passar seu crachá pelo sistema sem problemas — ninguém explicou por que alguns foram desativados e outros não. Betsy Klein, da CNN, recebeu a mesma informação de um agente do Serviço Secreto. Cheyenne Haslett, do Politico, também teve sua credencial revogada.
Os três veículos responderam imediatamente com declarações de protesto. A MS NOW argumentou que a Casa Branca "pertence ao povo americano" e que as decisões tomadas lá são financiadas pelos impostos dos cidadãos. O editor-chefe do Politico, Jonathan Greenberger, prometeu defender "vigorosamente" os direitos de seus repórteres sob a Primeira Emenda. A CNN foi direto: chamou a proibição de "ataque ilegal" a um direito fundamental garantido pela Constituição. Os três veículos anunciaram que entrariam com ações judiciais.
Trump não apontou reportagens específicas que motivassem a decisão. Disse apenas que era "um acúmulo de matérias dos últimos anos". Quando perguntado se outros veículos seriam banidos, respondeu de forma vaga, mas depois nomeou o New York Times e o Washington Post como "fake news". A Associação dos Correspondentes da Casa Branca, grupo independente que representa jornalistas que cobrem a presidência, pediu ao governo que restaurasse imediatamente o acesso. Sua presidente, Jacqui Heinrich, da Fox News, alertou que o precedente era perigoso: "Um padrão usado para excluir um veículo por causa de sua cobertura poderia ser aplicado a qualquer veículo no futuro". Ela também ressaltou que os tribunais já decidiram repetidamente que, uma vez que a Casa Branca oferece acesso a jornalistas, não pode negá-lo arbitrariamente ou com base no conteúdo editorial.
O correspondente da BBC Anthony Zurcher analisa que Trump elevou a hostilidade com a imprensa a um novo patamar. A medida chega após uma semana de derrotas políticas significativas. A Suprema Corte bloqueou o plano de Trump de restringir o voto por correio antes das eleições de meio de mandato — uma derrota que levou o presidente a atacar até os ministros que ele próprio nomeou. O Federal Reserve aumentou as taxas de juros, contrariando meses de pressão presidencial para reduzi-las. Um juiz ordenou que o governo desse 30 dias de aviso antes de fazer alterações no Kennedy Center, após Trump sugerir que o local poderia ser "demolido". Seus índices de aprovação caíram a níveis recordes para seu segundo mandato.
Zurcher observa que essas derrotas se combinam com outras dificuldades: uma guerra impopular e difícil de resolver no Irã que elevou os preços da energia e de produtos de consumo, e pesquisas que sugerem que o partido de Trump enfrenta uma batalha difícil para manter o controle da Câmara dos Representantes e possivelmente do Senado nas eleições legislativas de novembro. As tentativas de melhorar o humor público em eventos de campanha e na convenção republicana no Texas no início do mês não funcionaram.
Embora a abrangência desta medida seja sem precedentes — afetando organizações inteiras, não apenas correspondentes individuais, e restringindo acesso a toda a área da Casa Branca — não é a primeira vez que o governo Trump tenta limitar o acesso de veículos tradicionais. Em seu primeiro mandato, revogou a credencial de Jim Acosta, da CNN, desencadeando uma batalha judicial que o jornalista venceu. Suspendeu temporariamente a credencial de outro repórter após uma discussão com o assessor Sebastian Gorka — também bloqueado pelos tribunais. No ano passado, a Casa Branca proibiu repórteres da Associated Press de participar do grupo de imprensa que acompanha o presidente porque a agência não seguiria a decisão de Trump de renomear o Golfo do México. Essa disputa levou a uma longa batalha judicial ainda não totalmente resolvida e forçou a Casa Branca a alterar as regras para eliminar a vaga garantida para todas as agências de notícias. Trump também entrou com ações judiciais contra veículos americanos e internacionais, incluindo o New York Times, o Wall Street Journal e a BBC — alguns resultando em acordos de milhões de dólares.
Os tribunais têm uma longa história de proteção ao acesso de jornalistas. A Primeira Emenda proíbe o governo de discriminar veículos de imprensa com base no conteúdo de sua cobertura. Os três veículos banidos prometeram contestar a decisão na justiça. Zurcher conclui que, embora Trump tenha sido claro sobre seus motivos — crítica à cobertura — ele ofereceu poucas explicações sobre por que agiu agora. "Pode haver algo mais por trás dessa decisão. Mas também pode ser simplesmente um indicativo da frustração presidencial diante de acontecimentos e circunstâncias, algumas provocadas pelo próprio presidente, que estão se voltando contra ele."
Bemerkenswerte Zitate
O agente me pediu para entregar meu crachá. Ele disse que estava desativado. Perguntei por que eu não podia entrar. Ele disse que isso estava acima da autoridade dele.— Akayla Gardner, repórter da MS NOW
As implicações vão além dessas organizações: um padrão usado para excluir um veículo de imprensa por causa de sua cobertura poderia ser aplicado a qualquer veículo no futuro.— Jacqui Heinrich, presidente da Associação dos Correspondentes da Casa Branca