Lula apresenta a Biden proposta de grupo negociador para fim da guerra na Ucrânia

É preciso parar de atirar se não tem solução
Lula resume sua estratégia para a Ucrânia: encerrar o conflito primeiro, negociar o futuro depois.
Mark

Por que Lula achou que tinha algo a oferecer que os americanos e europeus já não estivessem tentando?

Mimi

O Brasil não estava dentro da guerra. Não tinha armas em jogo, não tinha OTAN, não tinha sanções diretas contra a Rússia. Isso o colocava numa posição diferente — alguém que ambos os lados poderiam ouvir sem desconfiança automática.

Luke

Mas o comunicado conjunto diz que lamentam a violação territorial ucraniana. Isso não é neutralidade. Isso é tomar partido.

Mimi

Verdade. Lula estava tentando ser honesto sobre os fatos — a Rússia invadiu — mas ao mesmo tempo oferecer-se como intermediário. É um equilíbrio difícil.

Mark

E Biden comprou a ideia? O comunicado diz que ele demonstrou preocupação, mas não diz que concordou com o grupo negociador.

Luke

Exatamente. O texto diz que Biden "demonstrou preocupação com a duração do conflito". Isso não é a mesma coisa que dizer "vamos apoiar sua proposta". Pode ser apenas educação diplomática.

Mimi

Verdade. O que sabemos é que houve uma reunião privada de quase uma hora. O que foi dito lá, ninguém sabe.

Mark

Então a proposta pode ter morrido ali, na Casa Branca?

Mimi

Ou pode ter sido plantada. Lula já tinha falado com Macron e Scholz. Talvez o objetivo fosse começar a construir consenso, não resolver tudo em um encontro.

Luke

E quanto à Rússia? Há alguma indicação de que Putin estaria interessado em negociar através de um grupo assim?

Mimi

Nenhuma mencionada aqui. A fonte não diz nada sobre a reação russa.

Mark

Então é uma proposta que flutua no ar, esperando para ver se alguém a pega?

Mimi

Por enquanto, sim.

  • Com quase um ano de guerra e centenas de milhares de vítimas, Lula chegou a Washington sentindo a urgência de propor algo que os grandes blocos ainda não haviam conseguido: uma saída negociada.
  • A proposta de criar um grupo de países mediadores — já discutida com Macron e Scholz — provocou a questão central: seria possível reunir interlocutores em quem tanto Moscou quanto Kiev pudessem confiar?
  • Biden sinalizou abertura, reconhecendo a necessidade de parceiros capazes de construir pontes, mas sem abandonar o apoio militar e financeiro à Ucrânia — uma tensão que o comunicado conjunto tentou, com cuidado, não expor.
  • O comunicado final equilibrou condenação à violação territorial russa com o apelo por uma paz justa e duradoura, refletindo a difícil geometria diplomática que o Brasil precisava navegar.
  • Para além da Ucrânia, o encontro produziu acordos sobre o fortalecimento do G20 sob presidência brasileira e a reforma do Conselho de Segurança da ONU — sinais de uma visão multipolar que Brasília quer liderar.

Em fevereiro de 2023, o presidente Lula chegou à Casa Branca carregando uma ideia que poucos líderes do Sul Global ousariam apresentar diretamente a Washington: a formação de um grupo internacional de mediadores para encerrar a guerra na Ucrânia. O encontro com Biden revelou menos uma aliança do que uma convergência de inquietações — dois líderes de mundos distintos reconhecendo, cada um à sua maneira, que o conflito havia durado tempo demais. O Brasil, fiel à sua tradição de não alinhamento automático, buscava um papel que a história raramente reserva a potências médias: o de arquiteto da paz.

Na tarde de 10 de fevereiro de 2023, Lula foi recebido por Biden no jardim sul da Casa Branca com uma proposta que já havia testado em Paris e Berlim: a criação de um grupo internacional de países dispostos a mediar negociações entre Rússia e Ucrânia. Era uma ideia ambiciosa para um momento de ceticismo profundo sobre qualquer saída diplomática.

Durante os 12 minutos de declarações no Salão Oval, Lula foi direto: era preciso encontrar uma saída para a guerra. Segundo ele, Biden demonstrou preocupação com a duração do conflito e reconheceu a necessidade de parceiros capazes de construir um grupo em que os dois lados pudessem confiar. O encontro público foi seguido por quase uma hora de conversa reservada, depois ampliada para incluir ministros brasileiros.

A lógica de Lula era sequencial: primeiro parar os disparos, depois negociar o futuro territorial e político. 'É preciso parar de atirar se não tem solução', resumiu. A proposta já havia sido apresentada a Macron e a Scholz, que visitara Brasília em janeiro, sinalizando que o Brasil construía uma base europeia para a iniciativa antes de levá-la a Washington.

O comunicado conjunto lamentou a violação da integridade territorial ucraniana pela Rússia e conclamou uma paz justa e duradoura — formulação que tentava honrar o apoio à Ucrânia sem fechar a porta à negociação. Além da guerra, os dois países acordaram fortalecer o G20 sob presidência brasileira e reformar o Conselho de Segurança da ONU para incluir países africanos e latino-americanos, refletindo a visão brasileira de um mundo multipolar.

A pergunta que o encontro deixou sem resposta era a mais difícil: um grupo de mediadores, por mais bem-intencionado, conseguiria trazer a Rússia à mesa em termos aceitáveis para Kiev e o Ocidente? O Brasil saía de Washington com mais visibilidade diplomática do que certezas — mas, para Lula, esse já era um começo.

Na sexta-feira 10 de fevereiro de 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou à Casa Branca com uma proposta ambiciosa: criar um grupo internacional de países dispostos a atuar como intermediários nas negociações para encerrar a guerra entre Rússia e Ucrânia. Recebido por Joe Biden no jardim sul, Lula levava consigo uma ideia que já havia discutido com líderes europeus e que agora apresentava ao presidente americano como um caminho possível para a paz.

Durante os 12 minutos de declarações públicas no Salão Oval, Lula deixou clara sua convicção de que o conflito precisava terminar. "Estou convencido que é preciso encontrar uma saída para por fim a essa guerra", afirmou, descrevendo a reação de Biden como igualmente preocupada com a duração do embate. O presidente americano, segundo Lula, reconheceu a necessidade de parceiros capazes de construir um grupo de negociadores em que ambos os lados — Rússia e Ucrânia — pudessem confiar e compreender as posições um do outro. A conversa inicial foi seguida por um encontro reservado que durou quase uma hora, depois ampliado para incluir ministros da comitiva brasileira por mais 45 minutos.

A proposta não era nova para Lula. Ele já havia conversado sobre o tema com o presidente francês Emmanuel Macron e com o chanceler alemão Olaf Scholz, que havia visitado Brasília em 30 de janeiro. A ideia refletia uma posição brasileira de que a prioridade imediata era cessar os disparos e as mortes, deixando para depois as negociações sobre o futuro territorial e político. "A 1ª coisa é terminar a guerra. Depois, negociar o que vai acontecer no futuro, mas é preciso parar de atirar se não tem solução", resumiu Lula sua estratégia.

O comunicado conjunto emitido pelos dois países após o encontro deixou registrada a posição compartilhada. Ambos lamentaram a violação da integridade territorial ucraniana pela Rússia e a anexação de partes de seu território, caracterizando essas ações como violações flagrantes do direito internacional. Ao mesmo tempo, conclamaram uma paz que fosse justa e duradoura — uma formulação que tentava equilibrar o apoio à Ucrânia com o reconhecimento da necessidade de uma solução negociada.

Além da questão ucraniana, o encontro produziu acordos em outras frentes. Os dois países concordaram em fortalecer a cooperação em instituições multilaterais, particularmente no G20, que seria presidido pelo Brasil nos meses seguintes. Também houve consenso sobre a necessidade de reformar o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, ampliando sua composição para incluir países da África, América Latina e Caribe. A intenção declarada era permitir que o órgão respondesse de forma mais efetiva às questões mais urgentes relacionadas à paz e segurança globais — uma mudança estrutural que refletia a visão brasileira de um mundo multipolar.

O encontro ocorreu em um momento de tensão geopolítica crescente. A guerra na Ucrânia já durava um ano, com dezenas de milhares de mortos e milhões de deslocados. A proposta de Lula representava uma tentativa do Brasil de posicionar-se como ator relevante na busca por solução, aproveitando sua histórica tradição de diplomacia e sua ausência de alinhamento automático com qualquer potência. Biden, por sua parte, sinalizava abertura ao diálogo, ainda que mantendo o apoio militar e financeiro à Ucrânia. A questão que permanecia em aberto era se um grupo negociador, por mais bem-intencionado, conseguiria convencer a Rússia a sentar-se à mesa em termos aceitáveis para Kiev e seus aliados ocidentais.

Estou convencido que é preciso encontrar uma saída para por fim a essa guerra. E eu senti do presidente Biden a mesma preocupação.
— Luiz Inácio Lula da Silva
É preciso que tenha parceiros capazes de construir um grupo de negociadores que os 2 lados acreditem e possam compreender e terminar essa guerra
— Luiz Inácio Lula da Silva
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