Em um encontro reservado com ministros que deixavam o governo, o presidente Lula invocou a linguagem da soberania nacional para lançar uma acusação de peso: Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência, estaria disposto a entregar ao governo Trump os recursos e a autonomia do Brasil. A fala, relatada por cinco integrantes do governo à Folha, revela como a disputa eleitoral que se aproxima já começa a ser moldada em torno de uma pergunta antiga e sempre urgente — a quem, afinal, um governante deve sua lealdade?
Lula afirma que Flávio entregaria Brasil a Trump se eleito
Flávio entregaria minerais raros e soberania aos americanos
Por que Lula escolheu fazer essa crítica justamente numa reunião com ministros que saem do governo, e não num discurso público?
Porque era uma conversa de trabalho, uma orientação estratégica. Ele estava dizendo aos ministros que iriam disputar eleições qual era a narrativa que ele queria que levassem aos estados.
Mas nós só sabemos disso porque cinco ministros contaram à Folha. Lula não quis que a imprensa ouvisse diretamente. Isso muda alguma coisa?
Muda o tom, talvez. Não é uma acusação feita para câmeras. É uma conversa interna que vazou.
E quanto às acusações específicas — minerais raros, entreguismo? Lula tem evidências de que Flávio planejaria isso?
Ele está extrapolando a partir do padrão de comportamento: Flávio foi à CPAC, mantém conexões com Trump, apoiou as tarifas. Lula está conectando os pontos.
Mas conectar pontos não é a mesma coisa que ter um plano documentado. Lula está fazendo uma acusação política baseada em inferência.
Sim, mas é uma inferência razoável dado o histórico. Flávio não esconde sua aproximação com Trump.
E a crítica à invasão da Venezuela? Como isso se encaixa?
Lula está dizendo que bolsonaristas parecem acreditar que ficar perto de Trump resolve tudo, inclusive questões geopolíticas complexas. A Venezuela é o exemplo de que não funciona assim.
Novamente, Lula está atribuindo uma lógica aos bolsonaristas. Flávio disse explicitamente que apoiaria uma invasão?
Não, mas ele apoia Trump, e Trump invadiu a Venezuela. Lula está dizendo que apoiar Trump significa apoiar essas ações.
Então essa reunião é basicamente Lula preparando seus ministros para uma campanha contra o entreguismo?
Exatamente. É a estratégia eleitoral dele: alertar sobre o risco de um governo que entregaria soberania aos EUA.
Il Polso
- Lula chamou Flávio Bolsonaro de 'traidor da pátria' em reunião fechada, acusando-o de planejar entregar minerais raros e a soberania brasileira aos Estados Unidos.
- A acusação ganha peso porque Flávio manteve e aprofundou laços com o governo Trump mesmo após anunciar sua pré-candidatura, incluindo presença na CPAC, o maior evento conservador do mundo.
- O presidente alertou que Trump 'se considera dono do mundo' e que Flávio esperaria que o americano pedisse votos para ele no Brasil — uma imagem de subordinação política que Lula quer fixar no imaginário do eleitorado.
- Lula também criticou o apoio bolsonarista à guerra deflagrada por Trump no Oriente Médio, contrastando essa postura com os esforços do seu governo para conter os impactos econômicos do conflito.
- Ao encerrar o encontro, Lula pediu aos ministros que saem do governo que relembrem à população o planejamento do golpe de 8 de janeiro — sinalizando que a narrativa de ameaça à democracia será central na estratégia eleitoral petista.
Em um encontro reservado com ministros que deixavam o governo, o presidente Lula invocou a linguagem da soberania nacional para lançar uma acusação de peso: Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência, estaria disposto a entregar ao governo Trump os recursos e a autonomia do Brasil. A fala, relatada por cinco integrantes do governo à Folha, revela como a disputa eleitoral que se aproxima já começa a ser moldada em torno de uma pergunta antiga e sempre urgente — a quem, afinal, um governante deve sua lealdade?
Numa terça-feira de março, o presidente Lula reuniu ministros que deixavam o governo para disputar eleições e fez uma acusação direta, longe dos microfones: se eleito, Flávio Bolsonaro entregaria o Brasil aos Estados Unidos. A informação foi relatada à Folha por cinco integrantes do governo presentes na reunião.
Lula associou explicitamente o senador fluminense à figura de Donald Trump, defendeu a soberania nacional e voltou a chamá-lo de 'traidor da pátria'. Foi específico sobre as consequências que temia: até os minerais raros do país, disse ele, seriam cedidos aos americanos num eventual governo bolsonarista. Insistiu que a população precisa estar ciente dessa ameaça, que ele nomeou de entreguismo.
A acusação se apoia em gestos concretos. Desde que as tensões diplomáticas entre Brasil e EUA se intensificaram, os filhos de Jair Bolsonaro assumiram postura de apoio aberto ao governo Trump. Flávio aprofundou essas conexões mesmo após anunciar sua pré-candidatura, participando da CPAC — o maior evento conservador do mundo — ao lado de líderes de direita latino-americanos.
Lula também criticou o apoio bolsonarista à guerra que Trump deflagrou no Oriente Médio, contrastando-o com os esforços do seu governo para reverter os impactos econômicos do conflito. Segundo participantes, afirmou que Trump 'se considera dono do mundo' e que Flávio esperaria que o americano pedisse votos para ele no Brasil.
Ao final do encontro, Lula abordou a governabilidade e pediu que os ministros que partem lembrem à população que bolsonaristas planejaram um golpe — uma referência direta aos eventos de 8 de janeiro de 2023, que promete ocupar papel central na estratégia eleitoral do PT.
Numa terça-feira de março, o presidente Lula reuniu-se com ministros que deixavam o governo para disputar eleições municipais e estaduais. Durante seu discurso final — uma fala que não chegou aos jornalistas — ele fez uma acusação direta: se eleito, Flávio Bolsonaro entregaria o Brasil aos Estados Unidos.
Segundo cinco integrantes do governo que conversaram com a Folha, Lula associou explicitamente a figura do senador fluminense à de Donald Trump. O presidente defendeu a soberania nacional e voltou a chamar Flávio de "traidor da pátria". Ao criticar a recente viagem do senador aos EUA, Lula foi específico sobre as consequências que imaginava: até mesmo minerais raros, disse ele, seriam entregues aos americanos num eventual governo bolsonarista. Segundo relatos de quem estava presente, Lula insistiu que a população brasileira precisa estar ciente dessa ameaça, que ele chamou de entreguismo.
A acusação não é isolada. Desde que tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos se intensificaram, os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro assumiram posturas de apoio explícito ao governo Trump. Eduardo Bolsonaro liderou a resposta às imposições tarifárias americanas. Flávio, por sua vez, manteve e aprofundou essas conexões mesmo após anunciar sua pré-candidatura à presidência. Um gesto simbólico foi sua participação na CPAC, o maior evento conservador do mundo, realizado nos Estados Unidos com presença de líderes de direita latino-americanos.
Lula também criticou o apoio de bolsonaristas à guerra que o governo Trump deflagrou no Oriente Médio. Disse que seu governo trabalha para reverter o impacto econômico dessa guerra, mas frisou que são os bolsonaristas que oferecem suporte político ao presidente americano. Segundo participantes da reunião, Lula afirmou que Trump se considera dono do mundo e que a expectativa de Flávio é que o americano peça votos para ele no Brasil.
Em outro momento do encontro, Lula criticou especificamente a invasão da Venezuela, chamando de erro supor que uma ocupação americana tornaria os venezuelanos subservientes à Casa Branca. A crítica parecia apontar para uma lógica geopolítica que ele atribui aos bolsonaristas: a de que proximidade com Washington traria benefícios automáticos.
Ao final, Lula abordou a questão da governabilidade. Segundo participantes, ele afirmou ser necessário dialogar com os partidos do chamado centrão, reconhecendo que não vê possibilidade de lulistas e bolsonaristas mudarem de lado. Nesse contexto, pediu que os ministros que saíam do governo lembrassem a população de que bolsonaristas planejaram um golpe no Brasil — uma referência aos eventos de 8 de janeiro de 2023.
Citazioni salienti
Lula chamou Flávio de 'traidor da pátria' e afirmou que ele entregaria minerais raros aos americanos— Segundo interlocutores presentes na reunião
Lula disse que a população brasileira precisa saber da ameaça do entreguismo— Relatos de participantes do encontro