Em um momento em que o Brasil busca reequilibrar sua economia após anos de juros historicamente baixos, o Banco Central surpreendeu os mercados ao elevar a Selic para 2,75% ao ano com uma agressividade além do esperado, sinalizando que o aperto continuará em maio. A Bolsa recuou diante da incerteza, enquanto o dólar cedeu pelo terceiro dia seguido — um reflexo de que o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos começa a redesenhar o fluxo de capital no horizonte. A decisão é, em essência, uma mensagem: o país retoma o caminho dos juros mais altos, com todas as promessas e riscos que is
Ibovespa cai 1,47% após alta da Selic; dólar recua pelo 3º dia
O BC já começou com um choque de juros
Por que o Banco Central surpreendeu o mercado com uma alta tão grande da Selic?
Porque a maioria dos especialistas esperava um aumento menor, de 0,5 ponto percentual. O BC foi além disso, sinalizando também que fará outro aperto de mesma magnitude em maio. Isso muda o jogo.
E por que isso afeta o dólar de forma diferente da Bolsa?
A Bolsa caiu porque juros mais altos tornam as ações menos atrativas — o dinheiro prefere a renda fixa. Mas o dólar caiu porque juros maiores no Brasil atraem investidores estrangeiros buscando retorno, aumentando a demanda por real.
Então o Brasil estava com juros muito baixos?
Exatamente. Nos últimos anos, o país saiu de ser um dos mais caros para ser um dos mais baratos entre os emergentes. Isso havia pressionado a moeda. Agora, com o aperto, isso começa a se reverter.
O que o Federal Reserve fez na mesma semana?
Manteve sua taxa perto de zero, reafirmando que não vai apertar nos próximos anos. Isso amplia ainda mais o diferencial de juros entre Brasil e EUA, tornando o real mais atrativo.
Qual é o risco dessa estratégia?
Se a pandemia piorar ou houver turbulência política, o capital estrangeiro pode sair tão rápido quanto entrou. O BC está apostando em estabilidade que ainda não é garantida.
El Pulso
- O Banco Central elevou a Selic acima do esperado pelo mercado, surpreendendo 29 dos 30 especialistas consultados pela Reuters, que apostavam em alta menor.
- O Ibovespa caiu 1,47%, com papéis da Gol despencando 7,53%, em reação imediata à decisão e à sinalização de novo aperto em maio.
- O dólar recuou pelo terceiro dia consecutivo, fechando a R$ 5,569, respondendo positivamente ao aumento do diferencial de juros entre Brasil e EUA.
- O Federal Reserve, em contraste, reafirmou juros próximos a zero nos EUA, ampliando a atratividade dos ativos brasileiros para capital estrangeiro.
- Analistas alertam que o cenário favorável ao real depende de estabilidade política e de uma melhor condução da pandemia nos próximos meses.
Em um momento em que o Brasil busca reequilibrar sua economia após anos de juros historicamente baixos, o Banco Central surpreendeu os mercados ao elevar a Selic para 2,75% ao ano com uma agressividade além do esperado, sinalizando que o aperto continuará em maio. A Bolsa recuou diante da incerteza, enquanto o dólar cedeu pelo terceiro dia seguido — um reflexo de que o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos começa a redesenhar o fluxo de capital no horizonte. A decisão é, em essência, uma mensagem: o país retoma o caminho dos juros mais altos, com todas as promessas e riscos que isso carrega.
A Bolsa brasileira fechou em queda na quinta-feira, 18 de março, com o Ibovespa recuando 1,47% para 114.835,43 pontos, um dia após ter subido 2,22%. O movimento negativo foi desencadeado pelo anúncio do Banco Central de elevar a Selic para 2,75% ao ano — decisão mais agressiva do que o mercado antecipava. Entre as ações, Santander liderou os ganhos com alta de 2,77%, enquanto Gol registrou a maior queda do dia, de 7,53%.
O dólar seguiu caminho oposto, caindo 0,30% e fechando a R$ 5,569 na venda, acumulando três sessões consecutivas de recuo. Apesar de ter aberto com queda de quase 2%, a moeda não sustentou toda a força até o encerramento do pregão.
O que mais chamou atenção dos investidores foi a sinalização do Banco Central de que promoverá novo aperto de igual magnitude em maio. A autarquia justificou a decisão pela piora nas projeções de inflação em meio às incertezas da pandemia de covid-19. Para o estrategista Mauro Morelli, da Davos, o impacto mais relevante não foi o tamanho da alta em si, mas a mensagem transmitida: o Brasil retoma um ciclo de juros mais elevados após anos entre os patamares mais baixos dos mercados emergentes.
O contraste com os Estados Unidos reforça esse cenário. O Federal Reserve reafirmou na quarta-feira seu compromisso de manter juros próximos a zero, mesmo projetando crescimento robusto e inflação elevada para 2021. Esse diferencial pode atrair capital estrangeiro ao Brasil e beneficiar o real — desde que o país consiga navegar sem turbulências políticas e avançar no enfrentamento da pandemia nos meses à frente.
A Bolsa de Valores brasileira fechou em queda nesta quinta-feira, 18 de março, com o Ibovespa recuando 1,47% e encerrando o pregão aos 114.835,43 pontos. O movimento negativo veio logo após o anúncio do Banco Central de que elevaria a taxa básica de juros, a Selic, para 2,75% ao ano — uma decisão que surpreendeu o mercado por ser mais agressiva do que o esperado.
Entre as ações individuais, o Santander liderou os ganhos com alta de 2,77%, enquanto os papéis da Gol sofreram a maior queda do dia, recuando 7,53%. No dia anterior, o índice havia fechado em valorização de 2,22%, atingindo 116.549,44 pontos. A volatilidade reflete a incerteza que permeia o mercado diante das decisões de política monetária.
O dólar comercial, por sua vez, apresentou movimento oposto ao da Bolsa. A moeda americana fechou em queda de 0,30% ante o real, cotada a R$ 5,569 na venda. Este foi o terceiro dia consecutivo de recuo da divisa, após ter caído 0,59% no dia anterior, quando estava cotada a R$ 5,586. Apesar de ter aberto as negociações em queda de quase 2%, a moeda não manteve toda essa força até o fechamento.
O que chamou atenção dos investidores não foi apenas a magnitude da alta da Selic, mas principalmente a sinalização do Banco Central de que promoverá um novo aperto de igual magnitude em sua próxima reunião, marcada para maio. Dos 30 especialistas consultados em pesquisa da Reuters, 29 apostavam em uma elevação de apenas 0,5 ponto percentual. A autarquia justificou a decisão apontando uma piora nas projeções para a inflação, em contexto de incertezas geradas pela pandemia de covid-19.
Para Mauro Morelli, estrategista da Davos, o impacto principal não foi apenas o tamanho da alta, mas a mensagem que ela transmite. Segundo ele, o Banco Central iniciou seu ciclo de aperto monetário com um choque de juros que terá influência importante sobre o câmbio. Essa mudança de postura é significativa porque, nos últimos anos, o Brasil havia migrado de um dos patamares de juros mais elevados entre os mercados emergentes para um dos mais baixos, fator que havia pressionado a moeda doméstica.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos agora se amplia. Na quarta-feira, o Federal Reserve reafirmou seu compromisso de manter a taxa de juros próxima a zero nos próximos anos, mesmo após projetar um crescimento econômico robusto e inflação elevada para os Estados Unidos em 2021. Esse contraste cria um cenário potencialmente favorável ao real, atraindo capital estrangeiro em busca de retornos maiores.
Morelli avalia que, sem turbulências políticas e com o país conseguindo lidar melhor com a pandemia, o real pode se beneficiar do aperto monetário que se aproxima. O próximo passo será observar se esse diferencial de juros efetivamente atrairá um maior fluxo de capital estrangeiro e se as expectativas do mercado se concretizarão nos próximos meses.
Citas Notables
O BC já começou com um choque de juros, o que terá influência importante sobre o câmbio— Mauro Morelli, estrategista da Davos
Sem muitos ruídos políticos e se o país conseguir lidar melhor com a pandemia de covid-19, o real pode se beneficiar do aperto monetário que vem pela frente— Mauro Morelli, estrategista da Davos