No Rio Grande do Sul, criminosos armados com inteligência artificial e dados judiciais roubados ergueram uma ilusão quase perfeita de autoridade legal — clonando vozes de defensores públicos reais para extorquir pessoas já vulneráveis que buscavam amparo do Estado. O golpe revela como a tecnologia pode transformar a confiança institucional em arma, e como a intimidade dos dados pessoais, quando nas mãos erradas, dissolve a fronteira entre o legítimo e o fraudulento. A Polícia Civil investiga ao menos cinco casos confirmados, enquanto autoridades alertam que a única defesa confiável é a verific
Golpe usa voz clonada e nome da Defensoria Pública para enganar vítimas no RS
Quando zerou a minha conta, ele desligou
Como é que criminosos conseguem informações tão específicas sobre os processos das pessoas?
Não está claro na investigação, mas provavelmente vem de vazamentos de dados de sistemas públicos ou de pessoas que trabalham dentro dessas instituições. O fato é que eles chegam já sabendo detalhes que só a Defensoria teria.
E por que a voz clonada é tão convincente?
Porque não é perfeita demais. Se fosse uma imitação óbvia, ninguém caía. Mas tem aquele padrão robotizado que você quase não percebe na primeira escuta, especialmente se você está estressado ou com pressa.
A pessoa que perdeu R$ 899 — ela percebeu o roubo acontecendo?
Não. Ela disse que tudo foi muito rápido, que começaram a pressionar, a mandar mensagens, e quando a conta zerou, o criminoso simplesmente desligou. Ela não teve tempo de processar o que estava acontecendo.
Qual é o papel da inteligência artificial aqui?
Ela tornou tudo mais barato e mais acessível. Não precisa de hacker sofisticado. Qualquer pessoa com alguns reais consegue clonar uma voz ou gerar um vídeo falso. Isso democratizou o crime.
E se alguém receber uma ligação assim? O que faz?
Desliga. Não confirma nada na ligação. Pega o telefone, liga de volta para o órgão ou profissional que supostamente está entrando em contato. Verifica diretamente. É a única forma de ter certeza.
El Pulso
- Criminosos já conhecem nomes de filhos, números de processos e detalhes íntimos das vítimas antes mesmo de ligar — tornando a fraude quase indistinguível de um contato oficial legítimo.
- Vozes clonadas de defensores públicos reais circulam em áudios que prometem indenizações milionárias ou exigem taxas para liberar benefícios fictícios, com uma semelhança perturbadora reconhecida pelos próprios servidores imitados.
- Uma mãe perdeu R$ 899 — um terço do salário — ao clicar em um link que entregou o controle total do celular aos golpistas; uma aposentada ficou tão abalada que parou de atender qualquer chamada.
- A Defensoria Pública recebe relatos de fraudes desse tipo uma ou duas vezes por semana, e casos semelhantes já foram documentados em outros quatro estados brasileiros.
- Autoridades orientam: desligue, ligue de volta diretamente para o órgão ou profissional, e lembre-se de que a Defensoria Pública jamais cobra honorários, taxas ou despesas de qualquer natureza.
No Rio Grande do Sul, criminosos armados com inteligência artificial e dados judiciais roubados ergueram uma ilusão quase perfeita de autoridade legal — clonando vozes de defensores públicos reais para extorquir pessoas já vulneráveis que buscavam amparo do Estado. O golpe revela como a tecnologia pode transformar a confiança institucional em arma, e como a intimidade dos dados pessoais, quando nas mãos erradas, dissolve a fronteira entre o legítimo e o fraudulento. A Polícia Civil investiga ao menos cinco casos confirmados, enquanto autoridades alertam que a única defesa confiável é a verificação direta e o ceticismo diante de qualquer pedido de dinheiro ou acesso.
No Rio Grande do Sul, uma modalidade de golpe sofisticada vem vitimando pessoas que buscam assistência jurídica gratuita. Criminosos se passam por defensores públicos usando informações extraídas de processos judiciais — nomes de filhos, números de processos, detalhes de casos — para criar uma ilusão de legitimidade difícil de questionar no calor do momento. A Polícia Civil investiga ao menos cinco casos confirmados, e fraudes semelhantes já foram registradas em outros quatro estados.
Uma das vítimas havia conseguido uma vaga em creche para o filho de cinco anos quando recebeu uma ligação de alguém que se apresentou como defensor público. O homem pediu um depósito e solicitou que ela clicasse em um link. Ao fazê-lo, entregou o controle do celular aos criminosos e perdeu R$ 899 — cerca de um terço do salário mensal, dinheiro reservado para a prestação da casa própria. Em outros casos, as vítimas recebem promessas de indenizações milionárias e são cobradas por taxas para liberar valores fictícios.
A tecnologia ampliou o alcance do crime. Os golpistas passaram a enviar áudios com vozes clonadas de defensores reais. O defensor Felipe Kirchner, do Núcleo de Defesa do Consumidor, reconheceu com perturbação a semelhança de uma gravação com sua própria voz — embora notasse um padrão levemente robotizado. Segundo o analista de segurança Cristiano Goulart Borges, as ferramentas usadas não são sofisticadas: são modelos de inteligência artificial acessíveis a preços baixos, disponíveis no cotidiano digital.
O Coronel Gilson Wagner, assessor da Defensoria Pública, reforça um ponto essencial: a instituição nunca cobra por seus serviços — nenhum honorário, nenhuma taxa, nenhuma despesa. A delegada Luciane Bertoletti orienta que qualquer pedido de dinheiro ou acesso a contas deve acionar desconfiança imediata, e que vítimas devem registrar ocorrência em delegacia. A recomendação dos especialistas é simples e urgente: desligue, e ligue diretamente para o órgão ou profissional que supostamente entrou em contato. A confiança, neste momento, exige verificação.
No Rio Grande do Sul, criminosos descobriram uma forma particularmente sofisticada de enganar pessoas que buscam ajuda legal: eles se passam por defensores públicos, usando informações roubadas de processos judiciais, mensagens que parecem oficiais e até vozes clonadas de servidores reais. A Polícia Civil do estado está investigando pelo menos cinco casos confirmados, e autoridades já documentaram fraudes semelhantes em outros quatro estados.
O golpe funciona porque os criminosos já possuem dados que deveriam ser privados. Quando ligam ou enviam mensagens, conhecem detalhes específicos do caso da vítima, nomes de filhos, números de processos — informações que criam uma ilusão de legitimidade quase impossível de questionar no primeiro momento. Uma mulher que havia conseguido uma vaga em creche para seu filho de cinco anos recebeu uma ligação de alguém que se apresentou como defensor público. O homem disse que era necessário completar o processo, pedindo um depósito e solicitando que ela clicasse em um link. Quando ela fez isso, entregou aos criminosos o controle total do seu celular e acesso a seus aplicativos bancários. Perdeu R$ 899 — aproximadamente um terço do seu salário mensal — dinheiro que havia guardado para pagar a prestação da casa própria.
Em outros casos, as vítimas recebem promessas de indenizações milionárias supostamente ganhas em processos judiciais. Os criminosos exigem o pagamento de taxas para liberar esse dinheiro fictício. Segundo o Coronel Gilson Wagner, assessor de segurança institucional da Defensoria Pública, a instituição recebe relatos desse tipo de fraude uma ou duas vezes por semana. É importante ressaltar que a Defensoria Pública nunca cobra pelos seus serviços — nenhum honorário, nenhuma taxa, nenhuma despesa relacionada ao atendimento.
A tecnologia tornou o crime mais convincente. Os golpistas agora enviam áudios com vozes clonadas de defensores públicos reais. Em uma gravação, uma vítima foi informada de que teria direito a uma indenização de mais de R$ 124 mil após uma suposta decisão favorável da Justiça. Os criminosos utilizaram a voz do defensor público Felipe Kirchner, que trabalha no Núcleo de Defesa do Consumidor e Tutelas Coletivas. Quando Kirchner ouviu a gravação, reconheceu a semelhança perturbadora com sua própria voz, embora notasse um padrão robotizado subjacente. Em outro áudio, o falso defensor convida a vítima para uma audiência virtual, reforçando a aparência de legitimidade da fraude.
Segundo Kirchner, os golpes estão evoluindo rapidamente. Colegas defensores e advogados também estão sendo alvo, não apenas com vídeos falsos, mas com avatares emulados em conversas online ao vivo. A inteligência artificial democratizou essas ferramentas. Cristiano Goulart Borges, analista de segurança da informação, explica que não se trata de tecnologias de ponta — são ferramentas de IA e modelos disponíveis no dia a dia, acessíveis por preços baixos. Uma aposentada recebeu uma mensagem que parecia vir da Defensoria Pública, tão bem elaborada que pareceu completamente real. Os criminosos tentavam obter acesso à sua conta no aplicativo gov.br. O susto foi tão grande que ela isolou o telefone e parou de atender chamadas.
A delegada Luciane Bertoletti oferece orientação clara: qualquer solicitação de dinheiro ou acesso a contas deve ser tratada com desconfiança imediata. Se a pessoa caiu no golpe, deve procurar uma delegacia de polícia e registrar a ocorrência. Borges reforça a recomendação: quando receber um pedido suspeito, desligue o telefone e ligue diretamente para o profissional ou órgão que supostamente está entrando em contato. Ligue para o advogado, para a Defensoria, para quem você estava tratando anteriormente. Verifique se a informação realmente procede. A confiança, neste momento, é um luxo que exige verificação.
Citas Notables
A Defensoria Pública não cobra pelos serviços. Ela não cobra nenhum tipo de honorário, nem nenhum tipo de despesa em razão do serviço da Defensoria— Coronel Gilson Wagner, assessor de segurança institucional da Defensoria Pública
Desconfie imediatamente. Caiu no golpe, procure imediatamente a delegacia de polícia e registre sua ocorrência— Delegada Luciane Bertoletti