Durante doze anos, enquanto a Justiça brasileira construía seu caso, um casal de profissionais de saúde vivia livremente em Portugal — ela dando aulas de zumba nos Açores, ele distante das consequências de um regime de terror que impuseram a dezenas de pessoas vulneráveis numa clínica de reabilitação em Ribeirão Preto. A condenação definitiva a dezessete anos e meio de prisão, confirmada pelo Superior Tribunal de Justiça em junho de 2026, abriu caminho para a Interpol localizá-los, e em julho ambos foram presos. O caso lembra que a impunidade pode ser longa, mas raramente é permanente — e que
Promotor detalha torturas sistemáticas em clínica após prisão de casal em Portugal
A punição chegou e chegou com severidade
Como uma clínica de reabilitação chegou a funcionar desse jeito por tanto tempo sem ser fechada?
As investigações começaram em 2014, mas o casal saiu do país legalmente antes dos mandados serem expedidos. Ficaram doze anos fora do alcance enquanto o processo corria.
E as vítimas? Como elas conseguiram denunciar se estavam sendo vigiadas vinte e quatro horas?
Alguns internos procuraram o Ministério Público depois que saíram da clínica. Foram suas declarações que revelaram o padrão de violência — não foi um incidente isolado, era sistemático.
Esse código "danoninho" para a medicação — isso sugere que eles sabiam que era errado?
Exatamente. O fato de usarem uma expressão cifrada indica consciência. Eles falavam entre si como se fosse normal, mas claramente ocultavam a prática.
Por que demorou tanto para encontrá-los?
Estavam em Portugal, vivendo uma vida aparentemente normal. Só foram localizados quando a Polícia Federal e o Ministério Público colaboraram para identificar seus endereços no exterior.
E agora, com a prisão em Portugal, o que vem?
O Brasil solicitou a extradição. Eles precisam voltar para cumprir dezessete anos e meio em regime fechado aqui. A Interpol facilitou tudo isso.
O Pulso
- Pelo menos 24 ex-internos foram submetidos a socos, agressões com madeira, abuso sexual com instrumentos e medicação forçada administrada em código — chamada de 'danoninho' — sem prescrição nem consentimento.
- O casal deixou o Brasil legalmente antes da expedição dos mandados de prisão, permanecendo fora do alcance das autoridades por mais de uma década enquanto o processo tramitava.
- A condenação definitiva pelo STJ em junho de 2026 permitiu a inclusão dos nomes na Difusão Vermelha da Interpol, desbloqueando a cooperação internacional que levou às prisões em Portugal um mês depois.
- Um sobrinho do réu, identificado como executor frequente das agressões físicas dentro da clínica, foi preso separadamente no interior de São Paulo.
- O Ministério Público aguarda agora a extradição do casal para que cumpra a pena em regime fechado no Brasil, onde a tortura é classificada como crime hediondo.
Durante doze anos, enquanto a Justiça brasileira construía seu caso, um casal de profissionais de saúde vivia livremente em Portugal — ela dando aulas de zumba nos Açores, ele distante das consequências de um regime de terror que impuseram a dezenas de pessoas vulneráveis numa clínica de reabilitação em Ribeirão Preto. A condenação definitiva a dezessete anos e meio de prisão, confirmada pelo Superior Tribunal de Justiça em junho de 2026, abriu caminho para a Interpol localizá-los, e em julho ambos foram presos. O caso lembra que a impunidade pode ser longa, mas raramente é permanente — e que o sofrimento das vítimas, mesmo quando silenciado por anos, encontra eventualmente sua voz nos tribunais.
Uma advogada e um psicólogo que dirigiam uma clínica de reabilitação em Ribeirão Preto foram presos em Portugal em julho de 2026, cerca de um mês após o Superior Tribunal de Justiça confirmar suas condenações por tortura sistemática. Marluci Cabrera Bellini Henares e Djalma Antônio Henares Júnior aguardam extradição para cumprir pena de dezessete anos e seis meses em regime fechado no Brasil.
O promotor Aroldo Costa Filho, que acompanhou o caso desde agosto de 2014, descreveu um ambiente de abuso metódico: internos agredidos com socos e pedaços de madeira, alguns violentados sexualmente com instrumentos, pacientes forçados a permanecer sentados por horas olhando para árvores e acordados com pancadas caso adormecessem. Câmeras vigiavam os internos vinte e quatro horas por dia. Uma substância controlada era dissolvida na água dos pacientes sem prescrição — os funcionários a chamavam em código de 'danoninho'. Internos também eram amarrados e confinados em galpões com chão molhado e ensaboado.
Angelo Bellini Neto, sobrinho de Djalma e monitor da clínica, foi apontado como o principal executor das agressões físicas — técnicas de imobilização, socos e pontapés. Ele foi condenado e preso separadamente em Cravinhos. Pelo menos vinte e quatro ex-internos foram identificados como vítimas já no dia da operação de busca e apreensão em 2014.
O casal havia deixado o Brasil legalmente antes da expedição dos mandados de prisão. Marluci chegou a trabalhar como professora de zumba nos Açores. Durante doze anos permaneceram fora do alcance das autoridades brasileiras. A virada veio com a condenação definitiva em junho de 2026, que permitiu a inclusão de seus nomes na Difusão Vermelha da Interpol. Um mês depois, ambos foram detidos em Portugal. 'A punição chegou e chegou com severidade', disse o promotor. As defesas dos acusados não se manifestaram publicamente.
Uma advogada e um psicólogo foram presos em Portugal no mês de julho de 2026, pouco mais de trinta dias após o Superior Tribunal de Justiça confirmar suas condenações por tortura sistemática. Marluci Cabrera Bellini Henares e Djalma Antônio Henares Júnior dirigiam uma clínica de reabilitação em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, onde, segundo investigações que se estenderam por doze anos, submeteram internos a violência contínua e degradante. O Ministério Público agora trabalha para trazê-los de volta ao Brasil, onde devem cumprir pena de dezessete anos e seis meses em regime fechado.
O promotor de Justiça Aroldo Costa Filho, que acompanhou o caso desde seu início em agosto de 2014, descreveu um cenário de abuso metódico. Os internos eram agredidos com socos e pedaços de madeira. Alguns foram violentados sexualmente com instrumentos. Além das agressões físicas, havia práticas de controle psicológico: pacientes eram obrigados a permanecer sentados durante horas olhando para árvores, e se adormecessem eram despertados com pancadas. Os proprietários da clínica utilizavam câmeras para vigiar os internos vinte e quatro horas por dia, participando ativamente das dinâmicas abusivas.
Uma prática particularmente reveladora envolvia medicamentos controlados. Os funcionários da clínica usavam uma expressão em código — "danoninho" — para se referir a um remédio em gotas que era colocado na água dos pacientes sem prescrição médica e sem consentimento. Os internos eram forçados a ingerir a substância. Além disso, eram amarrados e confinados em galpões com o chão molhado e ensaboado, submetidos a um regime de humilhação contínua.
Angelo Bellini Neto, sobrinho de Djalma que trabalhava como monitor na clínica, foi identificado como o responsável direto pela execução frequente das agressões físicas — técnicas como mata-leão, socos e pontapés. Ele também foi condenado e posteriormente preso em Cravinhos, no interior paulista. Pelo menos vinte e quatro ex-internos foram identificados como vítimas apenas no dia da operação de busca e apreensão em 2014.
O casal conseguiu deixar o Brasil legalmente antes que os mandados de prisão fossem expedidos. Marluci chegou a trabalhar como professora de zumba na região autônoma dos Açores, em Portugal. Durante doze anos, enquanto o processo transcorria na Justiça brasileira, permaneceram fora do alcance das autoridades. A localização só foi possível após colaboração entre o Ministério Público e a Polícia Federal, que identificaram seus endereços em território estrangeiro.
Em junho de 2026, com a condenação definitiva do Superior Tribunal de Justiça, os nomes de Marluci e Djalma foram incluídos na Difusão Vermelha da Interpol — o sistema internacional de busca de criminosos. Um mês depois, ambos foram presos em Portugal. A dosimetria da pena levou em conta a continuidade dos crimes e o número de vítimas. O crime de tortura é classificado como hediondo no ordenamento jurídico brasileiro, o que implica rigor na aplicação da sentença.
O promotor Aroldo Costa Filho comentou sobre o desfecho: a resposta para a sociedade é satisfatória, ainda que tenha demorado. A punição chegou e chegou com severidade. O Ministério Público de Ribeirão Preto agora aguarda a extradição dos réus para que cumpram suas penas em regime fechado no Brasil. As defesas dos acusados não se manifestaram sobre o caso até o momento.
Citações Notáveis
As pessoas foram agredidas com socos, com pedaços de madeira. Até violentadas sexualmente com outros tipos de instrumentos— Promotor Aroldo Costa Filho
A resposta para a sociedade é muito boa. Demorou um pouco, mas a punição veio e veio com rigor— Promotor Aroldo Costa Filho