IA pode substituir psicólogo mal formado, diz reitor de faculdade com mensalidade de R$ 7 mil

Não dá para ficar esperando, vamos entrar em colapso
Reitor justifica urgência de inovar currículo diante da inteligência artificial e das mudanças tecnológicas.
Mark

Por que um reitor de Psicologia fala em substituição por IA como algo tão certo, tão próximo?

Mimi

Porque viu de perto. Trabalhou com dependência de tecnologia, viu como a mente muda. Se o psicólogo não entender neurociência, não entender como a tecnologia funciona no cérebro, ele fica obsoleto. Não é a IA que substitui; é a ignorância que deixa o espaço aberto.

Mark

Mas há algo de contraditório em cobrar sete mil reais por mês e depois dizer que vai democratizar a formação com inovação.

Mimi

Não é contradição, é realidade. Ele está criando um modelo premium, especializado, para quem pode pagar. Não é para todos. É para treinar muito bem um grupo pequeno que depois vai influenciar a profissão inteira.

Mark

O programa de IA como copiloto — isso é realmente diferente de substituição, ou é só uma forma mais palatável de dizer a mesma coisa?

Mimi

É diferente porque o copiloto não toma decisão. Levanta hipóteses, oferece pistas. O psicólogo ainda precisa pensar, interpretar, decidir. Mas sim, se o psicólogo não souber usar a ferramenta, ela o torna dispensável.

Mark

Psicologia cresceu quase quarenta por cento em quatro anos. Isso é demanda real ou bolha?

Mimi

Demanda real, mas talvez insustentável. Muita gente quer ser psicólogo, mas nem toda instituição forma bem. A Apsy aposta que há mercado para qualidade cara, para quem quer diferencial.

Mark

E se a Apsy fracassar? Se ninguém pagar sete mil reais?

Mimi

Então o modelo não funciona. Mas Nabuco não está sozinho — há outras faculdades pequenas e caras crescendo. Ele está apostando que existe uma classe que valoriza especialização e inovação o suficiente para pagar por isso.

  • A IA pode substituir psicólogos mal formados — e é exatamente essa ameaça que motivou a criação de uma faculdade inteira para evitar que isso aconteça.
  • Com mensalidade de R$ 7 mil ao mês, a Apsy se posiciona deliberadamente fora do alcance da maioria, apostando em exclusividade e rigor como diferenciais num mercado com 346,5 mil estudantes de Psicologia.
  • O currículo rompe com o modelo tradicional: prática clínica supervisionada desde o primeiro semestre, neurociência, ressonância magnética funcional e disciplinas sobre saúde mental na era digital.
  • A faculdade está desenvolvendo um sistema de IA como 'copiloto' do psicólogo — capaz de identificar padrões sintomáticos durante atendimentos, sem substituir o profissional, mas ampliando sua capacidade diagnóstica.
  • O reitor Cristiano Nabuco adverte que instituições engessadas estão a caminho do colapso, e a Apsy é sua resposta concreta: quarenta milhões de reais investidos na reinvenção de uma profissão em risco.

Em um momento em que a inteligência artificial redesenha as fronteiras de quase todas as profissões, um psicólogo clínico decide não esperar que as universidades tradicionais se adaptem — e constrói, do zero, uma faculdade inteiramente dedicada a preparar psicólogos para esse novo mundo. A Artmed School of Psychology, a Apsy, abrirá em São Paulo em 2027 com a mensalidade mais alta do país na área, apostando que a formação rigorosa, baseada em evidências e integrada à tecnologia, é a única resposta honesta à velocidade das transformações que já estão em curso.

Cristiano Nabuco começa com uma provocação: a inteligência artificial pode, sim, substituir psicólogos — desde que eles não sejam bem formados. É essa convicção que o move como reitor da Apsy, a Artmed School of Psychology, faculdade exclusivamente dedicada à Psicologia que abrirá em São Paulo em 2027 com mensalidade de aproximadamente R$ 7 mil ao mês, a mais alta do país na área.

Nabuco tem credenciais para fazer essa afirmação. Por anos coordenou uma unidade do Instituto de Psiquiatria da USP no Hospital das Clínicas voltada ao atendimento de pessoas com dependência de tecnologia. Viu de perto como o digital remodela a mente humana — e, portanto, o trabalho do psicólogo. A Apsy nasce dessa experiência: um curso com 50 vagas iniciais, ensino baseado em evidências clínicas, prática supervisionada desde o primeiro semestre, neurociência ao lado de Vygotsky e Piaget, e até ressonância magnética funcional como ferramenta de formação. A psicanálise tem seu lugar — inclusive uma sala com o nome de Freud —, mas o que Nabuco rejeita é a rigidez de ensinar os clássicos sem questionar se ainda respondem aos problemas de hoje.

A IA, nesse cenário, não é inimiga. A Apsy está desenvolvendo um sistema que funciona como copiloto do psicólogo: durante o atendimento, o programa pode identificar padrões de fala ou temas recorrentes e sugerir hipóteses diagnósticas. Não substitui o profissional — oferece um suporte ao raciocínio clínico.

A aposta faz sentido diante dos números: Psicologia é o segundo curso com mais matrículas na rede privada brasileira, com 346,5 mil estudantes, e cresceu quase 39% entre 2020 e 2024. A Apsy é a primeira faculdade da Artmed — editora gaúcha hoje integrada ao grupo +A Educação — e representa uma tendência crescente no ensino superior: instituições pequenas, especializadas e caras, voltadas às classes altas e comprometidas com currículos mais conectados ao presente.

Nabuco não esconde a urgência. Para ele, as universidades tradicionais estão engessadas e o tempo está passando. A Apsy é sua resposta ao colapso que ele considera iminente — a convicção de que a Psicologia só sobreviverá se abraçar a inovação não como enfeite, mas como alicerce.

Cristiano Nabuco senta-se para falar sobre o futuro da Psicologia no Brasil, e a primeira coisa que sai de sua boca é uma provocação: inteligência artificial pode, sim, substituir psicólogos que não forem bem formados. Não é uma ameaça vaga. É uma convicção que o move enquanto reitor da Artmed School of Psychology, a Apsy, faculdade exclusivamente dedicada à Psicologia que abrirá as portas em 2027 na capital paulista.

Nabuco vem de uma trajetória que o credencia para fazer essa afirmação. Coordenou por anos uma unidade do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo no Hospital das Clínicas, espaço voltado ao atendimento de pessoas com dependência de tecnologia. Viu de perto como a tecnologia remodela a mente humana e, portanto, o trabalho do psicólogo. Agora, com a Apsy, ele aposta em algo que as universidades tradicionais relutam em fazer: reinventar completamente o currículo. O novo curso terá ao menos 50 vagas no primeiro ano, com mensalidade de aproximadamente sete mil reais ao mês — a mais alta do país na área de Psicologia.

O modelo que Nabuco propõe não é apenas caro; é radicalmente diferente. O ensino será baseado em evidências clínicas, com o que ele chama de prática deliberada desde o primeiro semestre, sempre sob supervisão de professores. Mas há mais: disciplinas específicas para lidar com questões de saúde mental agravadas pelas novas tecnologias. Neurociência entra no currículo ao lado de Vygotsky e Piaget. Exames de imagem funcional — ressonância magnética — farão parte da formação, contribuindo para a compreensão de transtornos como depressão. Psicanálise terá seu lugar, inclusive uma sala batizada com o nome de Sigmund Freud. O que Nabuco rejeita é a rigidez: o establishment das faculdades que ensinam os clássicos sem questionar se aquele conhecimento ainda responde aos problemas de hoje.

A inteligência artificial, neste cenário, não é vilã. A Apsy está desenvolvendo um programa que funciona como um copiloto do psicólogo, ajudando a levantar hipóteses diagnósticas durante o atendimento. Se um paciente repete uma frase específica ou aborda repetidamente um tema, o sistema pode indicar que aquilo se assemelha a um sintoma de um transtorno particular. Não substitui o profissional; oferece um backup para o treinamento. É uma ferramenta, não um substituto — pelo menos é assim que Nabuco a concebe.

Mas por que agora? Por que uma faculdade inteira dedicada à Psicologia, com investimento de quarenta milhões de reais? A resposta está na demanda. Psicologia tornou-se um dos cursos mais concorridos da Fuvest, o vestibular da USP, com cerca de sessenta candidatos por vaga. Na rede privada, é o segundo curso com maior número de matrículas no país, com trezentos e quarenta e seis mil e quinhentos estudantes, atrás apenas de Direito. Entre 2020 e 2024, o número de alunos cresceu quase trinta e nove por cento — um acréscimo de aproximadamente noventa e seis mil estudantes em quatro anos.

A Apsy é a primeira faculdade da Artmed, que começou como editora no Rio Grande do Sul e hoje integra o grupo +A Educação, com cursos de pós-graduação na saúde e plataformas educacionais. O prédio onde funcionará, na Rua Alvorada, ainda está em obras. A instituição representa uma tendência que ganhou espaço no ensino superior brasileiro nos últimos anos: pequenas, especializadas, com mensalidades elevadas, apresentando-se como alternativa às universidades tradicionais, particularmente para as classes altas, apostando em currículos mais conectados ao mercado e aos temas contemporâneos.

Nabuco insiste que não há tempo a perder. As instituições estão engessadas, a inovação curricular é lenta, e o mundo está mudando rapidamente. "Não dá para a gente ficar esperando, porque o tempo está passando. Nós vamos entrar em colapso, principalmente com a questão da inteligência artificial agora", diz. A Apsy é sua resposta a esse colapso iminente — uma aposta de que a Psicologia, para sobreviver e prosperar, precisa abraçar a neurociência, a tecnologia e a inovação, não como adornos, mas como fundações.

Inteligência artificial pode tomar o lugar de muitos psicólogos se eles não forem bem formados
— Cristiano Nabuco, reitor da Apsy
Não dá para a gente ficar esperando, porque o tempo está passando. Nós vamos entrar em colapso, principalmente com a questão da inteligência artificial agora
— Cristiano Nabuco
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