Sérvio parcialmente sugado de avião fala em 'milagre' após alta hospitalar

Passageiro sofreu ferimentos graves incluindo queimaduras, hematomas e possível lesão cervical, permanecendo hospitalizado e enfrentando recuperação prolongada.
É o barulho antes do caos, o barulho que está sempre lá
Karović descreve o som da explosão que o persegue todas as noites quando tenta dormir.
Mark

Como um homem consegue sobreviver a algo assim? O que o mantém preso?

Mimi

O cinto de segurança. Parece simples, mas foi a diferença entre a vida e a morte. Quando a pressão caiu, ele foi puxado com força contra a janela, mas a fivela o prendeu ao assento. Sem isso, teria sido sugado completamente.

Mark

Ele desmaiou várias vezes. Como alguém recupera consciência depois de passar por isso?

Mimi

Não sabemos exatamente quando acordou ou como seu corpo respondeu. O que sabemos é que desmaiou enquanto estava sendo puxado para fora, depois novamente quando o trouxeram de volta. Seu corpo estava em choque.

Mark

A tripulação não o ajudou?

Mimi

Esse é o ponto de discórdia. Seu advogado diz que ninguém ofereceu ajuda enquanto ele desmaiava. A Ryanair diz que a tripulação só podia agir depois que o avião descesse para uma altitude segura. Ambos podem estar certos, tecnicamente.

Mark

E agora? Como ele segue em frente?

Mimi

Com dor. Precisa usar um colar cervical por seis semanas enquanto os médicos decidem se precisa de cirurgia. Ele diz que não vai voltar a voar tão cedo. O som da explosão ainda o acorda à noite.

Mark

Então a culpa é da Boeing? Do motor?

Mimi

Ainda não sabemos. A investigação aponta que um fragmento do motor se desprendeu e atingiu a janela. Se isso for confirmado, reduz a responsabilidade da companhia aérea. Mas há 28 dias para descobrir a verdade completa.

  • Ljubisa Karović, 61 anos, foi parcialmente sugado pela janela em 10 de julho durante voo Ryanair entre Grécia e Alemanha
  • Sobreviveu preso ao cinto de segurança; desmaiou múltiplas vezes e sofreu queimaduras e hematomas
  • Precisará usar colar cervical por 6 semanas enquanto médicos avaliam necessidade de cirurgia
  • Investigação preliminar aponta que fragmento de motor atingiu a janela do Boeing 737 durante decolagem
  • Relatório detalhado será divulgado em 28 dias e pode impactar responsabilidade de Boeing e Ryanair

Ljubisa Karović, 61 anos, foi parcialmente sugado pela janela durante voo entre Grécia e Alemanha em 10 de julho, mas sobreviveu preso ao cinto de segurança. Passageiro sofreu ferimentos graves, desmaiou múltiplas vezes e precisará usar colar cervical por 6 semanas enquanto médicos avaliam necessidade de cirurgia.

Passageiro sérvio relata sobrevivência milagrosa após ser parcialmente sugado para fora de avião da Ryanair em julho. Investigação aponta que objeto atingiu motor durante decolagem entre Grécia e Alemanha.

Ljubisa Karović, um sérvio de 61 anos, deixou o hospital na semana passada ainda revivendo o momento em que foi parcialmente sugado para fora de um avião. O incidente ocorreu em 10 de julho, durante um voo da Ryanair entre a Grécia e a Alemanha — uma viagem que deveria ser celebração, pois ele viajava para comemorar o aniversário do irmão. Quando a fuselagem se despressurizou logo após a decolagem, uma explosão o lançou contra a janela. Ele descreve o som como algo que o persegue: "É o barulho antes do caos, o barulho que está sempre lá quando fecho os olhos para dormir."

O que o manteve vivo foi o cinto de segurança. Enquanto era puxado pela força da despressurização, a fivela o prendeu ao assento, impedindo que fosse completamente sugado para fora. Karović desmaiou múltiplas vezes — uma delas enquanto estava parcialmente fora da aeronave, outras depois que conseguiram trazê-lo de volta para dentro. A aeronave retornou ao aeroporto de origem para um pouso de emergência. Quando finalmente recebeu alta hospitalar, ele carregava consigo queimaduras, hematomas no braço direito e uma lesão cervical que exigirá o uso de colar por pelo menos seis semanas enquanto os médicos avaliam se será necessária cirurgia. As dores na cabeça e no pescoço persistem.

Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, Karović atribuiu sua sobrevivência ao destino e à fé. "Estou vivo. Pode ter sido o cinto de segurança, o fato de eu ainda estar preso ao assento. Mas talvez tenha sido o destino. Eu acredito em Deus e agradeço a ele todos os dias. Tenho sorte." Ele afirmou que não pretende voltar a viajar de avião tão cedo.

O advogado do passageiro, Vasilis Tsiaras, pintou um quadro mais sombrio da resposta da tripulação. Ele descreveu Karović como tendo ficado "entre a vida e a morte" e criticou a falta de assistência imediata. Segundo Tsiaras, o passageiro desmaiou duas ou três vezes, e em nenhum momento a tripulação se ofereceu para ajudar. A Ryanair respondeu que, em casos de despressurização, todos os passageiros e tripulantes são obrigados a afivelar os cintos e colocar as máscaras de oxigênio, e que a tripulação prestou assistência assim que a aeronave desceu para uma altitude segura.

A investigação preliminar aponta para uma causa externa. Michael O'Leary, CEO da Ryanair, afirmou que um "objeto estranho" atingiu o motor durante a decolagem. Vídeos do acidente e análises da Administração Federal de Aviação dos EUA indicam que um fragmento do motor se desprendeu e atingiu a janela do Boeing 737 pouco depois que a aeronave saiu do solo grego. O'Leary observou que o avião tem 18 anos e que o motor havia passado por manutenção e revisão completa nos dois anos anteriores. Se for confirmado que os danos foram provocados por um objeto externo, isso poderá reduzir significativamente a responsabilidade tanto da Boeing quanto da Ryanair. Um relatório preliminar sobre o caso deve ser divulgado em cerca de 28 dias, seguido por uma análise mais detalhada.

Estou vivo. Pode ter sido o cinto de segurança, o fato de eu ainda estar preso ao assento. Mas talvez tenha sido o destino. Eu acredito em Deus e agradeço a ele todos os dias.
— Ljubisa Karović, passageiro
Meu cliente ficou entre a vida e a morte. Em nenhum momento a tripulação se ofereceu para ajudar.
— Vasilis Tsiaras, advogado do passageiro
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