Hospital Amadora-Sintra constrói nova UCI com 15 camas para responder à covid-19

Pressão sobre sistema de cuidados intensivos em contexto de pandemia covid-19 afeta capacidade de resposta a doentes críticos e cirurgias complexas.
Uma obra estruturante com impacto transversal em toda a instituição
O presidente do hospital descrevia a nova UCI como transformadora para a capacidade de resposta crítica da instituição.
Mark

Porque é que o hospital decidiu antecipar um projeto que estava marcado para 2021?

Mimi

A pressão era real e imediata. O hospital já tinha o maior número de doentes covid-19 internados na região, e o inverno estava a chegar. Não fazia sentido esperar.

Mark

Quatro camas de cuidados intensivos para um hospital desta dimensão — isso parecia-vos suficiente antes da pandemia?

Mimi

Claramente não. O rácio estava muito abaixo da média nacional. Mas a pandemia tornou evidente aquilo que já era um problema estrutural.

Mark

A equipa que vai trabalhar na nova unidade vem toda de contratações novas?

Mimi

Não. A maior parte vem da reorganização interna do Serviço de Medicina Intensiva. Há contratações, mas o hospital está a otimizar recursos que já tinha.

Mark

E as cirurgias que estavam a ser canceladas — quantas é que vocês esperam recuperar?

Mimi

Não há números específicos, mas o impacto será significativo. Muitas operações oncológicas e de grande complexidade ficavam adiadas por falta de camas críticas. Isso vai mudar.

Mark

Dezembro é um prazo muito curto para uma obra desta envergadura. Conseguem cumprir?

Mimi

É ambicioso, mas o hospital estava determinado. A urgência da situação justificava o esforço concentrado.

Mark

Isto é apenas o começo, certo? Ferreira mencionou novos investimentos.

Mimi

Sim. Esta unidade é estruturante, mas o hospital reconhecia que seria apenas o primeiro passo para reforçar a resposta crítica.

  • A segunda onda de covid-19 ameaçava colapsar os cuidados intensivos de um hospital que servia uma das regiões mais pressionadas de Portugal.
  • Com apenas quatro camas de nível II disponíveis, o Hospital Fernando da Fonseca operava abaixo de metade da média nacional de capacidade intensiva por habitante.
  • A administração decidiu antecipar em quase um ano uma obra já planeada, lançando a construção de 15 novas camas com abertura prevista para dezembro de 2020.
  • O investimento de 801.900 euros triplicará a capacidade intensiva do hospital e reduzirá cancelamentos de cirurgias oncológicas por falta de vagas pós-operatórias.
  • A nova unidade posicionará o hospital próximo da média nacional, aliviando também a pressão sobre urgências e outras instituições da região.

No outono de 2020, enquanto a segunda vaga da pandemia se aproximava, o Hospital Fernando da Fonseca em Amadora-Sintra decidiu antecipar o inevitável: expandir a sua capacidade de cuidados intensivos antes que a necessidade se tornasse crise. Com um investimento de 801.900 euros e uma obra acelerada em quase um ano, o hospital reconhecia que enfrentar o sofrimento humano exige não apenas resposta, mas previsão. É o gesto de uma instituição que escolheu preparar-se em vez de esperar.

No outono de 2020, com a segunda vaga da pandemia a ganhar força, o Hospital Fernando da Fonseca tomou uma decisão invulgar: acelerar em quase um ano um projeto de expansão que estava previsto para 2021. A nova Unidade de Cuidados Intensivos de nível II, com 15 camas adicionais e um orçamento de 801.900 euros, deveria estar operacional a 10 de dezembro.

O hospital tinha então apenas quatro camas de nível II — um número que o presidente do Conselho de Administração, Marco Ferreira, reconhecia como claramente insuficiente para uma instituição que era, desde o início da pandemia, um dos pontos de maior pressão na região de Lisboa e Vale do Tejo. O projeto triplicaria essa capacidade, elevando o total para 19 camas, e a equipa seria formada através de reorganização interna e novas contratações de intensivistas, enfermeiros e assistentes operacionais.

A construção ocuparia o espaço da antiga Unidade de Cirurgia Ambulatória, estrategicamente situada junto ao Serviço de Medicina Intensiva, à urgência geral e ao bloco operatório. A nova unidade incluiria um posto de enfermagem centralizado, pensado para otimizar a vigilância de doentes críticos.

O impacto esperado ia além da resposta à covid-19. O rácio de camas intensivas de nível II por 100 mil habitantes subiria de 2,6 para cinco, aproximando o hospital da média nacional. Cirurgias de maior complexidade — sobretudo oncológicas — que eram frequentemente adiadas por falta de vagas pós-operatórias passariam a ter maior viabilidade. O fluxo na urgência geral também beneficiaria, com redução do tempo de internamento na unidade de curta duração.

Ferreira deixou ainda a indicação de que novos investimentos estavam previstos a curto prazo, sugerindo que esta expansão seria apenas o primeiro passo numa reconfiguração mais ampla da capacidade crítica da instituição.

No outono de 2020, quando a segunda onda de covid-19 começava a pressionar os hospitais portugueses, o Hospital Fernando da Fonseca em Amadora-Sintra tomou uma decisão que anteciparia em meses um projeto que estava originalmente marcado para 2021: construir uma nova Unidade de Cuidados Intensivos de nível II com 15 camas adicionais. A obra, orçada em 801.900 euros, começaria na segunda-feira seguinte e deveria estar operacional a 10 de dezembro.

Na altura, o hospital tinha apenas quatro camas de cuidados intensivos de nível II — um número que o presidente do Conselho de Administração, Marco Ferreira, reconhecia como insuficiente. O projeto triplicaria essa capacidade, elevando o total para 19 camas. Mais do que um simples aumento de números, isto representava uma transformação na forma como o hospital poderia responder aos doentes críticos. A equipa que integraria a nova unidade viria da reorganização interna do Serviço de Medicina Intensiva, complementada pela contratação de médicos intensivistas, enfermeiros e assistentes operacionais.

O timing não era casual. O Hospital Fernando da Fonseca era um dos que enfrentava maior pressão na região de Lisboa e Vale do Tejo desde o início da pandemia, com um fluxo contínuo de doentes covid-19 internados. Na sexta-feira anterior ao anúncio, três das dez camas de nível III estavam ocupadas com estes doentes, e o hospital funcionava como ponto de apoio para outras instituições sob maior pressão, cedendo capacidade conforme necessário. Ferreira explicava que o objetivo era antecipar-se ao aumento previsível de necessidades, tanto pelo aproximar do inverno como pela própria dinâmica da pandemia.

O impacto da nova unidade ia além da covid-19. Atualmente, o hospital dispunha de uma média de 2,6 camas de cuidados intensivos de nível II por cada 100 mil habitantes — um rácio abaixo da média nacional. Com o novo projeto, esse número subiria para cinco camas por 100 mil habitantes, aproximando-se do padrão do país e permitindo uma qualidade de cuidados mais adequada. A pressão sobre a Medicina Intensiva diminuiria significativamente, libertando espaço para outras respostas hospitalares.

A construção seria realizada numa área que até então albergava a Unidade de Cirurgia Ambulatória, estrategicamente localizada perto do Serviço de Medicina Intensiva, da urgência geral e do bloco operatório. A nova unidade incluiria um posto de enfermagem e vigilância centralizado, desenhado para otimizar o acompanhamento dos doentes críticos. Ferreira descrevia-a como uma obra estruturante, com impacto transversal em toda a instituição.

Um dos benefícios menos visíveis mas significativos era a redução esperada nos cancelamentos de cirurgias. Muitas operações de maior complexidade — particularmente as oncológicas — eram adiadas por falta de camas de cuidados intensivos disponíveis para o pós-operatório. Com 15 camas adicionais, esse constrangimento diminuiria. Além disso, a nova capacidade permitiria reduzir o tempo médio de internamento dos doentes na unidade de curta duração do Serviço de Urgência Geral, otimizando o fluxo de toda a instituição.

O projeto representava uma aposta clara na antecipação. Ao acelerar uma obra prevista para 2021, o hospital sinalizava que a pandemia não era um fenómeno passageiro, mas uma realidade que exigia reconfiguração estrutural das respostas de saúde. Ferreira adiantava ainda que novos investimentos no reforço da resposta hospitalar estavam previstos a muito breve prazo, sugerindo que esta seria apenas a primeira de várias medidas para reforçar a capacidade crítica da instituição.

É uma obra estruturante para o Hospital Professor Doutor Fernando da Fonseca e com um impacto transversal em toda a instituição e na qualidade dos cuidados que prestamos
— Marco Ferreira, presidente do Conselho de Administração
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