No outono de 2020, enquanto a segunda vaga da pandemia ganhava força, o Hospital Fernando da Fonseca, em Amadora-Sintra, respondeu à pressão iminente com uma decisão estrutural: construir uma nova Unidade de Cuidados Intensivos de nível II, com 15 camas adicionais, prevista para abrir a 10 de dezembro. A iniciativa, antecipada de 2021 por força da urgência epidémica, reflete a tensão permanente entre os limites dos sistemas de saúde e a imprevisibilidade das crises que os testam. Mais do que números, o investimento representa uma tentativa de ganhar margem de manobra antes que o inverno tornas
Hospital Amadora-Sintra constrói nova UCI com 15 camas para reforçar resposta à covid-19
Uma obra estruturante com impacto em toda a instituição
Porque é que um hospital antecipa uma obra de um ano inteiro para apenas alguns meses?
Porque a pressão é real e imediata. Não é planeamento abstrato — é sobre ter camas disponíveis quando os doentes chegam, especialmente no inverno.
Mas 15 camas adicionais fazem realmente diferença num hospital inteiro?
Faz. Quando o rácio é de 2,6 camas por 100 mil habitantes e a média nacional é cinco, estás a trabalhar com metade da capacidade que devias ter. Cada cama conta quando há fila.
E a equipa médica? Onde vêm os médicos e enfermeiros?
Vêm da reorganização interna e de contratações novas. Não é ideal — significa que outras áreas perdem recursos — mas é o que se consegue fazer num contexto de crise.
O que muda para um doente que precisa de cuidados intensivos?
Muda tudo. Menos tempo à espera na urgência, camas adequadas ao seu nível de severidade, equipas mais descansadas porque não estão a trabalhar com sobrecarga permanente.
E as cirurgias que estavam a ser canceladas?
Voltam a ser possíveis. Quando não tens camas de cuidados intensivos livres, não podes fazer cirurgias complexas — é arriscado. Com a nova UCI, esse gargalo desaparece.
Isto é uma solução ou um penso rápido?
É ambos. Resolve o problema imediato do inverno, mas o hospital já está a pensar em novos investimentos. Ninguém acredita que isto seja o fim.
El Pulso
- O hospital mais pressionado da região de Lisboa e Vale do Tejo durante a pandemia tinha apenas quatro camas de cuidados intensivos de nível II — um número insuficiente para o que o inverno prometia trazer.
- A segunda onda acelerou um projeto que estava planeado para 2021, comprimindo meses de preparação numa janela de apenas algumas semanas de construção.
- Cirurgias oncológicas e outros procedimentos complexos estavam a ser cancelados por falta de camas de cuidados intensivos, revelando que a crise ia muito além da covid-19.
- Com a nova unidade, o rácio de camas por 100 mil habitantes subiria de 2,6 para 5, aproximando o hospital da média nacional e reduzindo a dependência de redistribuições regionais.
- A obra foi estrategicamente posicionada junto à urgência geral, ao bloco operatório e ao serviço de medicina intensiva, com abertura prevista para o momento de maior pressão sazonal.
No outono de 2020, enquanto a segunda vaga da pandemia ganhava força, o Hospital Fernando da Fonseca, em Amadora-Sintra, respondeu à pressão iminente com uma decisão estrutural: construir uma nova Unidade de Cuidados Intensivos de nível II, com 15 camas adicionais, prevista para abrir a 10 de dezembro. A iniciativa, antecipada de 2021 por força da urgência epidémica, reflete a tensão permanente entre os limites dos sistemas de saúde e a imprevisibilidade das crises que os testam. Mais do que números, o investimento representa uma tentativa de ganhar margem de manobra antes que o inverno tornasse a escolha impossível.
O Hospital Fernando da Fonseca, em Amadora-Sintra, foi o estabelecimento da região de Lisboa e Vale do Tejo que mais doentes com covid-19 recebeu desde o início da pandemia. Com o inverno de 2020 a aproximar-se e a segunda onda a intensificar-se, a administração tomou uma decisão que não podia esperar: construir uma nova Unidade de Cuidados Intensivos de nível II, com 15 camas adicionais, para abrir a 10 de dezembro.
O projeto estava originalmente agendado para 2021, mas a pressão epidémica tornou a espera inviável. Marco Ferreira, presidente do Conselho de Administração, sublinhou que a expansão era uma resposta estruturada a uma crise sem fim à vista. A equipa seria formada através de reorganização interna do Serviço de Medicina Intensiva, reforçada com a contratação de novos intensivistas, enfermeiros e assistentes operacionais.
Os números ilustravam a urgência: com apenas 2,6 camas de nível II por 100 mil habitantes — abaixo da média nacional —, o hospital via-se frequentemente a ceder as suas vagas a outras instituições sob maior pressão. A nova unidade elevaria esse rácio para cinco camas por 100 mil habitantes. Mas o impacto ia além da covid-19: a escassez de camas estava a forçar o cancelamento de cirurgias complexas, incluindo oncológicas.
A nova UCI seria instalada no espaço da Cirurgia Ambulatória, estrategicamente próxima da urgência geral, do bloco operatório e do serviço de medicina intensiva. Ferreira descreveu-a como uma obra com impacto transversal em toda a instituição — não apenas mais camas, mas uma melhoria real na qualidade dos cuidados prestados num momento em que o sistema nacional estava à beira do limite. E sinalizou que este seria apenas o primeiro de novos investimentos previstos para breve.
O Hospital Fernando da Fonseca, em Amadora-Sintra, estava a enfrentar uma pressão crescente. Desde o início da pandemia, tinha recebido mais doentes com covid-19 do que qualquer outro hospital da região de Lisboa e Vale do Tejo. No outono de 2020, com o inverno à porta e a segunda onda a ganhar força, a instituição tomou uma decisão: construir uma nova Unidade de Cuidados Intensivos de nível II, com 15 camas adicionais.
A obra começaria na segunda-feira seguinte ao anúncio e deveria estar pronta a 10 de dezembro — um calendário apertado, mas necessário. Atualmente, o hospital tinha apenas quatro camas de nível II. Com este investimento, passaria a ter 19. Marco Ferreira, presidente do Conselho de Administração, explicou que a expansão não era um luxo: era uma resposta estruturada a uma crise que não tinha fim à vista. A equipa médica viria da reorganização interna do Serviço de Medicina Intensiva, complementada pela contratação de novos intensivistas, enfermeiros e assistentes operacionais.
O projeto tinha sido originalmente agendado para 2021, mas a pandemia acelerou tudo. A situação epidémica tornou claro que esperar um ano não era uma opção. O hospital já tinha três das suas dez camas de nível III ocupadas com doentes covid-19 na altura do anúncio, e as vagas disponíveis eram geridas centralmente pela Administração Regional de Saúde, frequentemente desviadas para outras instituições sob maior pressão. Ferreira sublinhou que o HFF apoiava essa redistribuição, mas precisava de reforçar a sua própria capacidade.
Os números revelavam a urgência. O hospital tinha uma média de 2,6 camas de cuidados intensivos de nível II por 100 mil habitantes — abaixo da média nacional. Com a nova unidade, esse rácio subiria para cinco camas por 100 mil habitantes, aproximando-se do padrão do país e permitindo uma qualidade de cuidados mais robusta. Não era apenas sobre covid-19. A falta de camas de cuidados intensivos estava a forçar cancelamentos de cirurgias complexas, incluindo oncológicas. A nova UCI aliviaria essa pressão, reduzindo o tempo médio de permanência na urgência geral e otimizando o uso de todas as camas de cuidados intensivos.
A unidade seria construída no espaço ocupado pela Cirurgia Ambulatória, estrategicamente localizada perto do Serviço de Medicina Intensiva, da urgência geral e do bloco operatório. Incluiria um posto de enfermagem e vigilância centralizado, desenhado para responder aos diferentes níveis de severidade dos doentes críticos. Ferreira descreveu-a como uma obra estruturante, com impacto transversal em toda a instituição. Não era apenas sobre aumentar números; era sobre melhorar a qualidade dos cuidados prestados num momento em que o sistema estava à beira do colapso em várias regiões.
O timing era crítico. O inverno aproximava-se, e a experiência da primeira onda tinha mostrado que dezembro era quando a pressão atingia o pico. Se a construção terminasse a tempo, o hospital entraria nesse período com uma margem de manobra que não tinha antes. Ferreira também sinalizou que este era apenas o primeiro passo: novos investimentos no reforço da resposta hospitalar estavam previstos para breve. A pandemia tinha exposto as fragilidades do sistema, e este hospital estava a tentar corrigi-las antes que fosse demasiado tarde.
Citas Notables
É uma obra estruturante para o Hospital Professor Doutor Fernando da Fonseca e com um impacto transversal em toda a instituição e na qualidade dos cuidados que prestamos— Marco Ferreira, presidente do Conselho de Administração
O objetivo é começar desde já a dar resposta ao aumento de necessidade que é previsível não só pelo inverno, como pela situação de pandemia por covid-19— Marco Ferreira