Em outubro de 2026, o Hospital de Clínicas da UFPR realizou sua primeira cirurgia de estimulação cerebral profunda para Parkinson pelo SUS, rompendo uma fronteira histórica entre tecnologia médica avançada e acesso público. O procedimento — que implanta um dispositivo capaz de enviar impulsos elétricos às regiões cerebrais responsáveis pelo movimento — não cura a doença, mas devolve às pessoas algo que o Parkinson rouba lentamente: a capacidade de habitar o próprio corpo com dignidade. É um daqueles momentos em que a medicina pública avança não apenas em técnica, mas em justiça.
HC de Curitiba realiza primeira cirurgia de estimulação cerebral para Parkinson pelo SUS
Devolve autonomia a quem já sofre com tremores intensos
Por que essa cirurgia é tão importante agora? Parkinson já existe há séculos.
Porque até agora, no SUS, não havia essa opção. Quem não tinha dinheiro ficava limitado aos medicamentos, mesmo quando eles deixavam de funcionar bem. Agora há um caminho.
Mas é importante notar que isso não é para todo paciente com Parkinson. É um procedimento muito específico, para um perfil bem definido.
Qual é esse perfil exatamente?
Pacientes que ainda respondem bem aos remédios, mas enfrentam tremores e rigidez tão intensos que não conseguem fazer coisas simples do dia a dia. É um ponto de equilíbrio delicado.
E quantas pessoas no Paraná se encaixam nesse perfil? O texto não diz. Sabemos que o hospital quer fazer uma cirurgia por mês, mas não sabemos quantas pessoas estão na fila ou quanto tempo vão esperar.
Como funciona a tecnologia, na prática?
É como um marcapasso, mas para o cérebro. Eletrodos enviam impulsos para as áreas que controlam o movimento. Reduz tremor, rigidez, estabiliza o efeito dos medicamentos.
E quanto aos riscos? O texto não menciona complicações possíveis, infecção, ou o que pode dar errado. Sabemos que é seguro?
Boa pergunta. E depois da cirurgia, o que acontece?
O paciente volta um mês depois para ligar o dispositivo e começar o acompanhamento. Aí sim veem os resultados reais.
Mas quanto tempo leva para ver melhora? Semanas? Meses? E quanto dura o efeito? O texto não deixa claro.
O hospital vai fazer uma cirurgia por mês. Isso é muito ou pouco?
Para começar, é um passo importante. Mas considerando quantas pessoas têm Parkinson no estado, é apenas o começo.
Exatamente. Uma cirurgia por mês significa 12 por ano. Sem saber quantas pessoas precisam, é difícil avaliar se isso é suficiente ou se há uma fila enorme esperando.
Der Puls
- Pacientes do SUS com Parkinson grave viviam sem acesso a um tratamento disponível há anos no setor privado — essa lacuna acaba de ser parcialmente fechada em Curitiba.
- A cirurgia implanta um 'marcapasso cerebral' que estabiliza tremores e rigidez sem curar a doença, exigindo critérios clínicos precisos para indicação — nem cedo demais, nem tarde demais.
- O HC montou um ambulatório multidisciplinar com neurologista, neuropsicólogo e neurocirurgião para garantir que cada decisão de operar seja coletiva e cuidadosa.
- A meta é realizar cerca de uma cirurgia por mês, com perspectiva de expandir o serviço para distonias, tremor essencial, dores crônicas refratárias e paralisia cerebral.
- O acesso ao serviço é restrito a pacientes já acompanhados pela rede de Neurologia do próprio hospital, consolidando o procedimento como extensão do cuidado existente, não uma porta aberta ao público geral.
Em outubro de 2026, o Hospital de Clínicas da UFPR realizou sua primeira cirurgia de estimulação cerebral profunda para Parkinson pelo SUS, rompendo uma fronteira histórica entre tecnologia médica avançada e acesso público. O procedimento — que implanta um dispositivo capaz de enviar impulsos elétricos às regiões cerebrais responsáveis pelo movimento — não cura a doença, mas devolve às pessoas algo que o Parkinson rouba lentamente: a capacidade de habitar o próprio corpo com dignidade. É um daqueles momentos em que a medicina pública avança não apenas em técnica, mas em justiça.
O Hospital de Clínicas da UFPR marcou outubro de 2026 com um feito inédito no tratamento público do Parkinson no Paraná: a primeira cirurgia de estimulação cerebral profunda realizada pelo SUS na instituição. O que até então era acessível apenas a quem podia pagar chegou aos corredores do HC, trazendo consigo a possibilidade concreta de devolver autonomia a pacientes que convivem diariamente com tremores incapacitantes e rigidez muscular.
A tecnologia funciona como um marcapasso cerebral: um dispositivo implantado no crânio envia impulsos elétricos contínuos às regiões que controlam o movimento. A cirurgia não cura o Parkinson — ninguém promete isso. Mas reduz tremores, diminui a rigidez e estabiliza o efeito dos medicamentos já em uso. Para quem passou anos lutando contra o próprio corpo, isso pode significar abotoar uma camisa, levar uma xícara à boca sem derramar, caminhar sem medo constante de cair.
Nem todo paciente é candidato. O critério exige um equilíbrio delicado: a pessoa precisa ainda responder bem aos medicamentos, mas enfrentar dificuldades crescentes por causa dos movimentos involuntários. Cerca de um mês após a cirurgia, o paciente retorna para a ativação do estimulador e o início do acompanhamento dos resultados.
A conquista foi construída sobre uma estrutura nova: o HC criou um ambulatório de Neurocirurgia Funcional com neurologista, neuropsicólogo e neurocirurgião trabalhando em conjunto. Nenhuma decisão de operar é tomada por uma pessoa sozinha — é sempre o resultado de uma avaliação multidisciplinar. A meta é realizar aproximadamente uma cirurgia por mês, e o escopo vai além do Parkinson, incluindo distonias, tremor essencial, dores crônicas refratárias e cirurgias para paralisia cerebral em crianças e adultos.
O acesso ao serviço é restrito a quem já está em acompanhamento regular na rede de Neurologia do hospital. Mas o que este momento representa é maior do que os critérios de elegibilidade: uma tecnologia sofisticada, cara e historicamente privada agora está disponível pelo SUS em Curitiba — não como cura, mas como a diferença entre existir e realmente viver.
O Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná acaba de marcar um ponto de virada na história do tratamento público do Parkinson no estado. Em outubro de 2026, a instituição realizou sua primeira cirurgia de estimulação cerebral profunda pelo Sistema Único de Saúde — um procedimento que, até então, permanecia fora do alcance da maioria dos pacientes da rede pública. O que antes era privilégio de quem podia pagar agora chega aos corredores do HC, trazendo consigo a promessa de recuperar a autonomia de pessoas que convivem diariamente com tremores incapacitantes e rigidez muscular.
A tecnologia implantada funciona como um marcapasso cerebral. Um dispositivo é posicionado no interior do crânio e envia impulsos elétricos contínuos para regiões específicas do cérebro — aquelas que orquestram o controle dos movimentos. A cirurgia não cura o Parkinson. Ninguém promete isso. O que ela faz é mais modesto e, ao mesmo tempo, profundamente transformador: reduz os tremores, diminui a rigidez, e estabiliza o efeito dos medicamentos que o paciente já toma. Para alguém que passou anos lutando contra o próprio corpo, isso significa poder abotoar uma camisa, levar uma xícara à boca sem derramar, caminhar sem o medo constante de cair.
Nem todo paciente com Parkinson é candidato ao procedimento. O hospital estabeleceu um critério claro: o paciente precisa ainda responder bem aos medicamentos, mas estar enfrentando dificuldades crescentes para manter sua rotina por causa dos movimentos involuntários e do tremor intenso. É um ponto de equilíbrio — nem tão cedo na doença que os remédios ainda funcionem bem sozinhos, nem tão tarde que o corpo tenha deixado de responder à medicação. Cerca de um mês após a cirurgia, o paciente retorna ao hospital para que o estimulador seja ativado e o acompanhamento dos resultados comece de verdade.
Esta conquista não surgiu do nada. O HC criou recentemente um ambulatório inteiro dedicado à Neurocirurgia Funcional, reunindo neurologista, neuropsicólogo e neurocirurgião em uma equipe que avalia cada caso em conjunto antes de indicar qualquer intervenção. A decisão de operar não é tomada por uma pessoa sozinha em uma sala; é o resultado de uma conversa multidisciplinar. O hospital estabeleceu como meta realizar aproximadamente uma cirurgia desse tipo por mês, o que significa que dezenas de pacientes poderão se beneficiar ao longo do próximo ano.
O escopo do novo serviço vai além do Parkinson. O ambulatório foi estruturado para atender distonias — condições que causam contrações involuntárias e dolorosas — tremor essencial, procedimentos para alívio de dores crônicas refratárias, e cirurgias em crianças e adultos com paralisia cerebral. Cada uma dessas condições representa um universo de sofrimento que a estimulação cerebral profunda pode aliviar. Mas há um filtro importante: para ter acesso ao serviço, o paciente já precisa estar em acompanhamento regular na rede de Neurologia do próprio hospital. Não é um serviço aberto ao público geral; é uma extensão natural do cuidado que já estava sendo oferecido.
O que torna este momento significativo é a mudança de paradigma que representa. Uma tecnologia sofisticada, cara, e até recentemente restrita ao setor privado agora está disponível através do SUS em Curitiba. Isso não resolve o Parkinson — nada resolve. Mas devolve às pessoas algo que a doença rouba progressivamente: a capacidade de viver com dignidade e autonomia. Para os pacientes que enfrentam essa batalha diária, é a diferença entre existir e realmente viver.
Bemerkenswerte Zitate
A ideia não é curar a doença, mas sim devolver autonomia a quem já sofre com tremores intensos, rigidez e oscilações no efeito dos medicamentos— Hospital de Clínicas da UFPR