Gilberto Gil guarda retrato de Preta Gil na infância para lidar com saudade

Morte de Preta Gil por câncer de intestino, deixando impacto emocional permanente na família, especialmente no pai Gilberto Gil e na mãe Flora Gil.
A presença da saudade não vai acabar, não vai ter ausência da presença
Flora Gil reflete sobre como a ausência de Preta é permanente na vida da família, um ano após sua morte.
Mark

Por que você acha que Gilberto Gil escolheu especificamente uma foto da infância? Não seria mais natural guardar uma imagem recente?

Mimi

Talvez porque a infância é quando ela era inteiramente dele, antes do mundo a reivindicar. Uma criança não é ainda uma artista, uma celebridade, alguém que pertence ao público. É só a filha.

Mark

Flora Gil disse que a saudade não vai acabar. Isso soa como resignação, ou como algo mais?

Mimi

Não é resignação. É honestidade. Ela está recusando a narrativa comum de que o luto passa, que você "segue em frente". Ela está dizendo: isso vai estar aqui comigo para sempre, e tudo bem.

Mark

Os documentários parecem ser uma forma de transformar a dor em algo público. Como a família lidou com expor tudo isso?

Mimi

Preta pediu para documentar. Ela mesma quis que isso fosse registrado. Então não é exatamente a família expondo — é Preta deixando um recado, e a família honrando esse desejo.

Mark

Qual é a diferença entre guardar uma foto e assistir a um documentário sobre alguém que se foi?

Mimi

A foto é privada, diária, silenciosa. O documentário é um ato de testemunha — é dizer ao mundo inteiro: ela existiu, ela importava, vejam quem ela era.

  • A família Gil se aproxima de um ano sem Preta, e a dor não diminuiu — ela se tornou rotina, companhia diária e silenciosa.
  • Flora Gil recusa qualquer narrativa de superação: a ausência da filha não é episódica nem passageira, é uma presença constante que não vai acabar.
  • Gilberto Gil encontrou no retrato da filha criança um ritual íntimo de memória — uma forma de mantê-la visível no cotidiano que ela não habita mais.
  • A própria Preta Gil tomou a iniciativa de registrar seu tratamento, transformando o quarto de hospital — apelidado de 'camarote' pelos visitantes — em material para um documentário.
  • O documentário e a série que estreiam no Globoplay funcionam como retratos em movimento: não uma imagem fixa, mas uma tentativa coletiva de manter viva não só a memória, mas a presença.

Quando uma vida se encerra, os que ficam aprendem formas silenciosas de continuar carregando quem partiu. Quase um ano após a morte de Preta Gil, seu pai Gilberto Gil mantém ao alcance dos olhos um retrato dela ainda criança — um gesto pequeno que diz tudo sobre a natureza permanente da saudade. Ao mesmo tempo, dois projetos audiovisuais chegam ao público para transformar a memória em presença: o documentário 'Preta - Eu Não Ando Só' e a série 'Meu Nome É Preta', ambos no Globoplay, nascidos em parte da própria vontade de Preta de deixar um legado.

Faltam poucos dias para se completar um ano sem Preta Gil. Nesse intervalo, Gilberto Gil encontrou uma forma concreta de carregar a filha consigo: um retrato dela ainda criança, guardado num lugar onde possa vê-lo todos os dias. É um ritual silencioso — uma imagem do passado usada para habitar o vazio do presente.

Flora Gil, mãe da cantora, não busca consolo nas palavras. A falta, ela diz, é diária e permanente. 'A presença da saudade não vai acabar, não vai ter ausência da presença.' Não é uma promessa de cicatrização — é o reconhecimento de que certas perdas não se fecham, apenas se aprende a viver com elas.

Preta Gil morreu após uma luta contra o câncer de intestino iniciada em janeiro de 2023. Durante o tratamento, ela mesma decidiu que aquele período de dor poderia se tornar legado. O quarto de hospital, sempre cheio de amigos e familiares, ganhou o apelido carinhoso de 'camarote da Preta Gil'. Os registros feitos ali formam a espinha dorsal do documentário 'Preta - Eu Não Ando Só', dirigido por Mônica Almeida e disponível a partir desta segunda-feira no Globoplay.

Acompanha o documentário a série 'Meu Nome É Preta', com quatro episódios que percorrem a carreira e a vida pessoal da artista por meio de depoimentos de familiares como Bela Gil e de colegas profissionais — situando Preta não apenas como filha de Gilberto Gil, mas como uma voz e uma presença em seu próprio direito.

Para a família, esses projetos são uma forma de dizer ao mundo o que o retrato guardado numa gaveta já diz em silêncio: ela esteve aqui, ela importava, e continua importando.

Faltam poucos dias para que se complete um ano sem Preta Gil. Nesse tempo, Gilberto Gil encontrou uma forma de carregar a filha consigo todos os dias: um retrato dela ainda criança, guardado num lugar onde possa vê-lo constantemente. É uma imagem do passado que o ajuda a lidar com a ausência do presente — um ritual silencioso de memória e saudade que marca cada dia que passa.

A morte de Preta Gil, ocorrida após uma luta contra o câncer de intestino que começou em janeiro de 2023, deixou um vazio que a família continua processando. Flora Gil, mãe da cantora, foi clara ao falar sobre isso: a falta não é episódica, não é algo que diminui com o tempo. É permanente. "A falta da Preta na minha vida é todos os dias", disse ela. "A presença da saudade não vai acabar, não vai ter ausência da presença." Não é uma frase que promete cicatrização. É um reconhecimento de que algumas perdas não se fecham — apenas aprendemos a viver com elas.

Para honrar a memória da filha e documentar sua trajetória, a família se envolveu em dois projetos que chegam agora ao público. Um documentário chamado "Preta - Eu Não Ando Só" estreia nesta segunda-feira no Globoplay, reunindo material íntimo que a própria Preta Gil ajudou a registrar durante seu tratamento. A ideia partiu dela mesma — uma decisão de transformar aquele período de dor em algo que pudesse deixar um legado. O quarto de hospital onde ela passava os dias ganhou um apelido carinhoso entre os visitantes: o "camarote da Preta Gil", um espaço que se tornou menos isolado graças à presença constante de amigos e familiares. A diretora artística Mônica Almeida trabalhou com esses registros para criar um documento que é ao mesmo tempo íntimo e coletivo — a história de uma mulher vista através dos olhos daqueles que a amavam.

Acompanhando o documentário, uma série de quatro episódios também chega à plataforma. Chamada "Meu Nome É Preta", ela percorre a carreira e a vida pessoal da artista através de depoimentos de familiares como Bela Gil e de colegas profissionais. É um retrato mais amplo, que situa Preta não apenas como filha de Gilberto Gil, mas como uma artista e pessoa em seu próprio direito.

Esses projetos funcionam como um tipo diferente de retrato — não uma imagem fixa guardada numa gaveta, mas um movimento através do tempo, uma tentativa de manter viva não apenas a memória, mas a presença. Para Gilberto Gil, que olha para aquela foto de Preta criança todos os dias, e para Flora Gil, que carrega a saudade como uma companhia permanente, esses documentários são talvez uma forma de dizer ao mundo: ela esteve aqui, ela importava, e continua importando.

A falta da Preta na minha vida é todos os dias. A presença da saudade não vai acabar, não vai ter ausência da presença.
— Flora Gil, mãe de Preta Gil
Quer a matéria completa? Leia o original em UOL ↗
Fale Conosco FAQ