Ensaio duplo-cego com 120 pacientes mostrou redução de 6,27 pontos na escala de agitação em apenas duas semanas, mantendo efeito após 12 semanas de tratamento. Taxa de resposta positiva de quase 90% é considerada nunca antes vista em ensaios clínicos de demência, superando significativamente resultados de tratamentos atuais.
Fórmula de CBD e THC mostra eficácia no tratamento de demência em idosos
Quase 90% dos pacientes responderam positivamente ao novo medicamento
Por que esse resultado é tão diferente do que vemos com outros tratamentos para demência?
Porque a agitação em demência avançada é notoriamente resistente. Os medicamentos que temos — antipsicóticos, sedativos — funcionam de forma inconsistente e trazem riscos reais. Ver quase 90% dos pacientes respondendo bem é genuinamente raro nesse campo.
E quanto ao medo de que canabinoides possam deixar os idosos sedados ou confusos?
É uma preocupação legítima. Mas o estudo foi desenhado para medir agitação comportamental específica, não sedação geral. E os efeitos adversos foram similares ao placebo, o que sugere que não estamos apenas adormecendo as pessoas.
A formulação testada é diferente do que se compra nas lojas. Isso muda tudo?
Muda bastante. O que foi testado foi uma fórmula farmacêutica precisa, com dosagem controlada. Os produtos comerciais variam enormemente em potência e pureza. Você não pode simplesmente dar a um idoso o que vende na rua e esperar os mesmos resultados.
Qual é o próximo passo agora?
Replicação. Confirmação em outros centros. E depois, se tudo se mantiver, o trabalho regulatório para que isso possa ser prescrito como medicamento de verdade. Estamos ainda no começo, mas é um começo promissor.
Para os familiares de idosos com demência avançada, o que isso significa hoje?
Significa que há esperança em pesquisa, mas não há ainda um medicamento disponível. É importante não confundir resultados de ensaio clínico com acesso clínico. Mas para quem está desesperado com a agitação e o sofrimento, saber que algo assim está sendo estudado seriamente é significativo.
Le Pouls
- Ensaio duplo-cego com 120 idosos (idade média 80 anos) com Alzheimer ou demência avançada
- Redução de 6,27 pontos na escala de agitação em duas semanas, mantida após 12 semanas
- 83,9% dos pacientes tratados mostraram redução de agitação em duas semanas vs. 30,5% do placebo
- Efeitos adversos similares entre grupo tratado (46,7%) e placebo (42,4%)
- Apresentado na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer em Londres, 14 de julho de 2026
Ensaio duplo-cego com 120 pacientes mostrou redução de 6,27 pontos na escala de agitação em apenas duas semanas, mantendo efeito após 12 semanas de tratamento. Taxa de resposta positiva de quase 90% é considerada nunca antes vista em ensaios clínicos de demência, superando significativamente resultados de tratamentos atuais.
Estudo clínico apresentado em Londres demonstra que formulação medicinal à base de THC e CBD reduz significativamente agitação em idosos com demência avançada, com resposta positiva em quase 90% dos pacientes.
Pesquisadores apresentaram na terça-feira em Londres os resultados de um ensaio clínico que pode reescrever o tratamento da demência avançada em idosos. A formulação testada combina dois compostos derivados da maconha — CBD e THC — e mostrou-se capaz de reduzir significativamente a agitação em pacientes nos estágios finais da doença, um sintoma que até agora resistia aos tratamentos disponíveis.
O estudo, batizado LiBBY (Benefícios do canabidiol e tetraidrocanabinol no fim da vida), acompanhou 120 idosos com idade média de 80 anos diagnosticados com Alzheimer ou outras formas de demência. Todos apresentavam agitação severa e eram elegíveis para cuidados paliativos — o que significa que seus casos já haviam avançado para um ponto em que o foco mudava de cura para conforto. Dez centros médicos americanos participaram do trabalho, visitando as residências dos participantes para administrar o medicamento ou placebo sem que pacientes, cuidadores ou médicos soubessem quem estava recebendo qual tratamento.
Os números falam por si. Em apenas duas semanas — um período considerado rápido para qualquer intervenção em demência — o grupo que recebeu a formulação de THC e CBD apresentou uma queda de 6,27 pontos na escala de agitação de Cohen-Mansfield, uma medida padronizada que avalia comportamentos perturbadores. Esse ganho não desapareceu com o tempo. Após 12 semanas, o efeito se mantinha. Quando os pesquisadores mediram mudanças comportamentais mais amplas, a diferença ficou ainda mais clara: 83,9% dos pacientes tratados mostraram redução significativa de agitação corporal nas primeiras duas semanas, comparado a apenas 30,5% do grupo placebo. Na marca de 12 semanas, essa proporção subiu para 87,2% contra 23,6%.
Jacobo Mintzer, um dos principais pesquisadores, descreveu os resultados como "extremamente impressionantes" em comunicado à imprensa. O que o deixou particularmente surpreso foi a taxa de resposta: quase 90% dos pacientes responderam positivamente ao novo medicamento. Ele ressaltou que raramente se vê um nível de eficácia assim em ensaios clínicos relacionados à demência. Os tratamentos atuais para agitação em idosos com demência avançada costumam ser antipsicóticos ou sedativos, que trazem seus próprios riscos e efeitos colaterais desagradáveis.
A questão da segurança também foi examinada cuidadosamente. Os pesquisadores observaram que efeitos adversos como infecções e problemas gastrointestinais apareceram em proporções similares nos dois grupos — 46,7% no grupo tratado e 42,4% no placebo. Esses números, embora altos em termos absolutos, foram considerados esperados dada a idade avançada dos participantes e não foram atribuídos ao medicamento em si.
Brigid Reynolds, coautora do estudo, vê nesse resultado uma abertura importante. As opções terapêuticas atuais para demência avançada são limitadas e frequentemente causam efeitos colaterais significativos. Uma alternativa mais segura e eficaz seria uma mudança real na prática clínica. Mas há uma ressalva importante que os pesquisadores enfatizam: a fórmula testada no ensaio não é a mesma coisa vendida comercialmente como produtos de CBD e THC. A versão do estudo foi cuidadosamente formulada, dosificada e testada em condições controladas. Antes que qualquer aplicação clínica mais ampla seja considerada, mais pesquisa será necessária para confirmar esses achados e garantir que a formulação específica possa ser replicada de forma segura e consistente.
Citations marquantes
Os resultados deste ensaio clínico foram extremamente impressionantes e demonstraram um nível de resposta nunca antes visto em ensaios clínicos relacionados à demência— Jacobo Mintzer, pesquisador principal do estudo
As opções de tratamento atuais são limitadas e frequentemente apresentam efeitos colaterais significativos, o que reforça a necessidade de terapias mais seguras e eficazes— Brigid Reynolds, coautora do estudo