Em pleno inverno brasileiro, a Fundação Oswaldo Cruz confirma o que os corredores de hospitais já sussurram: a Síndrome Respiratória Aguda Grave segue elevada em quase todo o país, conduzida sobretudo pela influenza A e pelo vírus sincicial respiratório. Dois vírus, dois perfis de vítima — idosos e crianças pequenas —, e uma proteção gratuita disponível que ainda não alcança a todos. A ciência oferece resposta; a adesão, ainda, é a pergunta em aberto.
Fiocruz: vírus respiratórios seguem em alta em maior parte do Brasil
Influenza A mata desproporcionalmente os idosos
Por que a Fiocruz está divulgando esse boletim agora? Isso é sazonal ou há algo diferente acontecendo?
A Fiocruz divulga semanalmente, mas o que chama atenção neste boletim é que a maioria do país ainda está em alta. Não é uma queda generalizada — é um platô preocupante em muitos lugares.
Mas seis estados em alerta não é "maioria do país". Vinte e uma unidades federativas mostram queda. Precisamos ser precisos sobre o que é realmente crescimento e o que é estabilização.
Entendi. E quanto à vacinação? A pesquisadora diz que é gratuita, mas as pessoas estão se vacinando?
Ela reforça a importância, o que sugere que não há adesão suficiente. Se a vacinação estivesse em dia, talvez não precisasse fazer esse apelo.
Verdade, mas o boletim não traz dados de cobertura vacinal. Não sabemos se o problema é falta de acesso ou falta de procura. São coisas diferentes.
A influenza A mata muito mais que os outros vírus, certo?
Sim. Setenta e quatro por cento das mortes por SRAG são por influenza A, enquanto ela representa apenas 33% dos casos. Isso significa que quem pega influenza A tem risco muito maior de morrer.
Especialmente idosos. O boletim deixa claro que a influenza A é a principal causa de morte entre idosos, mas não diz quantos idosos estão vacinados. Sem esse dado, não sabemos se o problema é que a vacina não funciona ou se não está chegando a quem precisa.
E as crianças pequenas?
O vírus sincicial respiratório é o vilão para elas. Mas também há vacina disponível, embora talvez não tão amplamente quanto a da influenza.
Aqui também faltam números. Quantas crianças estão sendo hospitalizadas? Qual é a taxa de mortalidade? O boletim fala em "maior impacto", mas não quantifica.
Il Polso
- A influenza A responde por 74,1% das mortes por SRAG, revelando uma letalidade desproporcional que vai muito além de sua presença nos casos positivos.
- Seis estados — Alagoas, Mato Grosso, Paraná, Pará, Rondônia e Roraima — estão em nível de alerta ou alto risco, com curvas de hospitalização ainda em ascensão.
- Crianças pequenas enfrentam uma ameaça distinta: o vírus sincicial respiratório lidera os casos pediátricos, seguido pelo rinovírus e pela influenza A.
- Enquanto estados como São Paulo e Rio de Janeiro começam a ver queda nos casos entre adultos e idosos, Minas Gerais, Sergipe e Roraima ainda registram crescimento.
- A vacina contra influenza é gratuita no SUS para grupos prioritários, mas especialistas alertam que a baixa adesão mantém populações vulneráveis desnecessariamente expostas.
Em pleno inverno brasileiro, a Fundação Oswaldo Cruz confirma o que os corredores de hospitais já sussurram: a Síndrome Respiratória Aguda Grave segue elevada em quase todo o país, conduzida sobretudo pela influenza A e pelo vírus sincicial respiratório. Dois vírus, dois perfis de vítima — idosos e crianças pequenas —, e uma proteção gratuita disponível que ainda não alcança a todos. A ciência oferece resposta; a adesão, ainda, é a pergunta em aberto.
A Fiocruz divulgou seu boletim semanal de vigilância respiratória com um diagnóstico preocupante: a Síndrome Respiratória Aguda Grave permanece em alta em quase todo o Brasil. No centro do problema estão dois vírus — a influenza A, com 33,4% de positividade nas últimas quatro semanas, e o vírus sincicial respiratório, com 47,7%. O rinovírus aparece em 20,6% dos casos, enquanto covid-19 e influenza B têm presença menor.
Os números de óbitos contam uma história diferente. A influenza A, que representa um terço dos casos positivos, salta para 74,1% das mortes por SRAG — uma letalidade que recai de forma desproporcional sobre os idosos. O vírus sincicial respiratório, por sua vez, é a principal ameaça para crianças pequenas, seguido pelo rinovírus e pela influenza A.
Seis estados concentram a situação mais crítica: Alagoas, Mato Grosso, Paraná, Pará, Rondônia e Roraima apresentam incidência em nível de alerta ou alto risco, com crescimento contínuo. Em outros estados de grande porte, como São Paulo e Rio de Janeiro, os casos entre adultos e idosos já começam a recuar — mas em Minas Gerais, Sergipe e Roraima, a curva ainda sobe.
A pesquisadora Tatiana Portella, do InfoGripe, reforça que a vacinação contra influenza é a principal ferramenta disponível — e gratuita pelo SUS para grupos prioritários. Ela lembra ainda que ter tido gripe este ano não dispensa a vacina, pois ela protege contra os três principais tipos de influenza que infectam humanos. O recado da Fiocruz é direto: a proteção existe, está acessível, e deixá-la de lado é um risco que os mais vulneráveis não podem se dar ao luxo de correr.
A Fundação Oswaldo Cruz divulgou esta semana seu boletim semanal de vigilância respiratória, e a notícia não é animadora: a Síndrome Respiratória Aguda Grave continua em alta em quase todo o Brasil. Dois vírus dominam o cenário — a influenza A e o vírus sincicial respiratório — e ambos têm vacinas disponíveis, embora nem sempre as pessoas as procurem.
Nas últimas quatro semanas, a influenza A respondeu por 33,4% dos casos positivos de SRAG, enquanto o vírus sincicial respiratório chegou a 47,7%. O rinovírus apareceu em 20,6% dos casos, a influenza B em 1,1%, e a covid-19 em 1,8%. Quando se olha para os óbitos, porém, o quadro muda: a influenza A salta para 74,1% das mortes por SRAG, o vírus sincicial respiratório cai para 14,1%, o rinovírus fica em 10,2%, a influenza B em 1,3%, e a covid-19 em 3,1%. Esses números revelam que nem todos os vírus matam com a mesma frequência — a influenza A é particularmente letal.
Seis estados enfrentam situação mais crítica. Alagoas, Mato Grosso, Paraná, Pará, Rondônia e Roraima apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco, com sinais de crescimento continuado. Em muitos outros estados — como Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Espírito Santo, Amazonas, Amapá, Tocantins, Bahia, Ceará, Maranhão e Paraíba — os casos de influenza A entre jovens, adultos e idosos começam a cair. Mas em Alagoas, Sergipe, Minas Gerais, Mato Grosso, Paraná e Roraima, eles ainda sobem.
Tatiana Portella, pesquisadora do InfoGripe, aponta que a influenza A segue como a principal causa de internações e mortes por SRAG entre idosos. Nas crianças pequenas, o quadro é diferente: o vírus sincicial respiratório lidera, seguido pelo rinovírus e depois pela influenza A. Portella reforça que a vacinação contra influenza é fundamental, especialmente porque o Sistema Único de Saúde oferece a vacina gratuitamente para grupos prioritários. Ela destaca um ponto importante: mesmo quem já teve gripe este ano deve se vacinar, porque a vacina protege contra os três principais tipos de influenza que infectam humanos.
O que torna a situação complexa é que não há uma única solução. A vacinação é gratuita e acessível, mas depende de adesão. Alguns estados ainda veem crescimento de hospitalizações, enquanto outros começam a respirar mais aliviados. O vírus sincicial respiratório continua sendo uma ameaça particular para os pequenos, enquanto a influenza A mata desproporcionalmente os idosos. A Fiocruz segue monitorando semana a semana, mas o recado é claro: quem ainda não se vacinou, especialmente entre os grupos de risco, está deixando uma proteção disponível e gratuita de lado.
Citazioni salienti
Mesmo que você já tenha tido gripe este ano, é importante se vacinar, já que a vacina protege contra os três principais tipos de vírus da influenza que infectam humanos— Tatiana Portella, pesquisadora do InfoGripe
A influenza A segue como a principal causa de hospitalizações e óbitos por SRAG entre os idosos— Tatiana Portella, pesquisadora do InfoGripe