Em fevereiro de 2021, pesquisadores de Oxford trouxeram ao mundo uma descoberta que reconfigurava a esperança depositada nas vacinas: o imunizante desenvolvido com a AstraZeneca não apenas protegia o indivíduo, mas reduzia em 67% a capacidade de transmissão do coronavírus — a primeira evidência científica sólida desse efeito. O achado chegava num momento em que o Brasil aguardava insumos, aprovações e escala produtiva para transformar dados promissores em braços vacinados.
Estudo de Oxford mostra que vacina reduz transmissão do coronavírus em 67%
Redução de 67% nos testes positivos entre os vacinados
Por que esse estudo de Oxford é tão importante? Não sabíamos já que as vacinas funcionavam?
Sabíamos que protegiam o indivíduo vacinado. Mas esse estudo foi o primeiro a mostrar que a vacina também reduzia a capacidade da pessoa de transmitir o vírus para outros. Isso muda tudo em termos de saúde pública.
Como eles mediram isso? Não é fácil saber se alguém está transmitindo.
Testavam semanalmente os participantes, coletando amostras do nariz e da garganta. Se o vírus não estava lá, a pessoa não podia transmitir. Viram uma redução de 67% nos testes positivos entre os vacinados.
E a eficácia? Os números que saíram foram 76%, depois 82,4%. Por que mudava tanto?
Porque o intervalo entre as doses fazia diferença. Quando esperavam 12 semanas ou mais entre a primeira e a segunda dose, a eficácia era melhor. Se aplicavam o reforço rápido demais, caía para 54,9%.
Isso parecia contra-intuitivo na época, não?
Muito. A maioria das pessoas pensava que quanto mais rápido você tomasse as duas doses, melhor. Esse estudo sugeriu o oposto — que dar tempo ao corpo para responder à primeira dose era mais importante.
E no Brasil, como isso se traduzia em prática?
O Brasil tinha contrato com a Fiocruz para 210 milhões de doses, mas enfrentava atrasos nos insumos. Enquanto isso, a Anvisa ainda avaliava se aprovava o registro definitivo. Havia urgência, mas também incerteza sobre o cronograma.
El Pulso
- Pela primeira vez, a ciência documentou que uma vacina contra a covid-19 pode reduzir substancialmente a transmissão do vírus entre pessoas, não apenas proteger quem a recebe.
- O intervalo entre as doses revelou-se decisivo: com 12 semanas ou mais de espera, a eficácia sobe para 82,4%; com menos de 6 semanas, despenca para 54,9%.
- No Brasil, atrasos na entrega de insumos à Fiocruz empurraram o início da distribuição de fevereiro para março, forçando o governo a importar 2 milhões de doses prontas como medida emergencial.
- A Anvisa já havia autorizado o uso emergencial em janeiro e recebia o pedido de registro definitivo, que poderia levar até 60 dias — a diferença entre vacinar grupos restritos e imunizar qualquer pessoa livremente.
- O país seguia em compasso de espera, equilibrando dados científicos encorajadores com os desafios logísticos e regulatórios de uma campanha de vacinação em massa.
Em fevereiro de 2021, pesquisadores de Oxford trouxeram ao mundo uma descoberta que reconfigurava a esperança depositada nas vacinas: o imunizante desenvolvido com a AstraZeneca não apenas protegia o indivíduo, mas reduzia em 67% a capacidade de transmissão do coronavírus — a primeira evidência científica sólida desse efeito. O achado chegava num momento em que o Brasil aguardava insumos, aprovações e escala produtiva para transformar dados promissores em braços vacinados.
Na terça-feira, 2 de fevereiro de 2021, pesquisadores da Universidade de Oxford anunciaram um achado que mudava a forma de enxergar as vacinas contra a covid-19: o imunizante desenvolvido com a AstraZeneca reduzia em 67% os testes positivos entre vacinados. Era a primeira vez que a ciência apresentava evidências sólidas de que uma vacina podia diminuir não apenas a gravidade da doença, mas a própria capacidade de uma pessoa transmitir o vírus.
O estudo mediu esse efeito por meio de testagens semanais nos participantes do ensaio clínico, coletando amostras do nariz e da garganta. A lógica era direta: sem vírus detectável nessas amostras, a transmissão se torna improvável, mesmo em casos de infecção. Além disso, os dados mostraram eficácia de 76% entre 22 e 90 dias após a primeira dose — número que subia para 82,4% quando a segunda dose era aplicada 12 semanas ou mais depois. Quando o intervalo era inferior a 6 semanas, a proteção caía para 54,9%, revelando que o tempo entre as doses importava mais do que a quantidade de medicamento.
No Brasil, a Fiocruz havia firmado contrato para fornecer 210,4 milhões de doses, parte delas produzida com insumos importados e parte fabricada inteiramente no país. Atrasos na chegada desses insumos, porém, deslocaram o início da distribuição de fevereiro para março, levando o governo federal a importar 2 milhões de doses prontas para não perder ritmo.
Do lado regulatório, a Anvisa havia autorizado o uso emergencial da vacina em 17 de janeiro e, dias depois, recebeu o pedido de registro definitivo — um processo que poderia durar até 60 dias. Com esse registro, a vacinação deixaria de ser restrita a grupos prioritários e o imunizante poderia ser comercializado livremente. Enquanto a burocracia seguia seu curso, os dados de Oxford alimentavam a esperança de que, uma vez superados os obstáculos logísticos, o Brasil teria em mãos uma ferramenta capaz de frear não apenas a doença, mas a própria cadeia de contágio.
Pesquisadores da Universidade de Oxford divulgaram na terça-feira, 2 de fevereiro de 2021, um achado que marcaria um ponto de virada na compreensão de como as vacinas contra a covid-19 funcionavam: a vacina desenvolvida em parceria com a AstraZeneca conseguia reduzir substancialmente a transmissão do coronavírus. Era a primeira vez que a ciência documentava evidências sólidas de que um imunizante podia influenciar na difusão do Sars-CoV-2.
O estudo, ainda não submetido à revisão de outros cientistas, mediu o impacto na transmissão através de testagens semanais realizadas nos participantes do ensaio clínico. Os pesquisadores coletavam amostras microbiológicas do nariz e da garganta dos voluntários, procurando pela presença do vírus. A lógica era simples: sem o vírus nessas amostras, uma pessoa não consegue transmitir a doença, mesmo que esteja infectada. Os dados mostraram uma redução de 67% nos testes positivos entre os vacinados — um resultado que sugeria que a vacina não apenas protegia o indivíduo, mas também diminuía sua capacidade de espalhar o vírus.
Além dessa descoberta sobre a transmissão, os pesquisadores de Oxford informaram que a vacina apresentava eficácia de 76% entre 22 e 90 dias após a aplicação da primeira dose. Mas havia um detalhe importante: o intervalo entre as doses importava muito. Quando a segunda dose era aplicada 12 semanas ou mais depois da primeira, a eficácia subia para 82,4%. Em contraste, quando o reforço era dado em menos de 6 semanas, a eficácia caía para 54,9%. As análises sugeriam que era o tempo entre as doses, não a quantidade de medicamento, que tinha maior impacto sobre a proteção oferecida.
No Brasil, o governo federal havia traçado planos ambiciosos para a vacina de Oxford. A Fiocruz, a Fundação Oswaldo Cruz, havia assinado um contrato para fornecer 210,4 milhões de doses. As primeiras 100,4 milhões seriam produzidas com insumo farmacêutico ativo importado, enquanto as outras 110 milhões seriam completamente fabricadas no país. Havia também um acordo com o consórcio internacional Covax Facility para garantir mais doses. A expectativa inicial era que a Fiocruz começasse a distribuir as vacinas em fevereiro, mas atrasos na entrega dos insumos empurraram o cronograma para março. Para acelerar o processo, o governo federal decidiu importar 2 milhões de doses já prontas.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, havia aprovado o uso emergencial da vacina em 17 de janeiro. Pouco depois, em 29 de janeiro, a agência comunicou que havia recebido o pedido de registro definitivo do imunizante. Esse processo de avaliação poderia levar até 60 dias. A diferença entre as duas autorizações era significativa: no uso emergencial, a vacinação era restrita a grupos específicos; com o registro definitivo, a empresa responsável pela vacina poderia imunizar qualquer pessoa e comercializar o produto livremente. O país aguardava esse próximo passo enquanto os dados de Oxford ofereciam esperança de que a campanha de vacinação em massa teria ferramentas eficazes para conter a pandemia.
Citas Notables
O intervalo entre as doses, e não o nível de dosagem, tem maior impacto sobre a eficácia da vacina— Pesquisadores de Oxford