Equipes econômicas de presidenciáveis defendem ajuste fiscal e combate ao crime como prioridades

Famílias se endividam para sobreviver enquanto esperam alívio
Representantes das campanhas apontam que redução de juros é essencial para aliviar endividamento das famílias brasileiras.
Mark

Por que o arcabouço fiscal é tão central nessa conversa? Parece que todos falam dele, mas de formas diferentes.

Mimi

Porque é o instrumento que controla quanto o governo pode gastar. Se funciona bem, juros caem, empresas investem, famílias respiram. Se não funciona, a dívida cresce e os juros sobem.

Luke

Mas espera — Durigan diz que o arcabouço funciona e precisa ser mantido. Marques diz que é continuamente burlado e não funciona. Como sabemos quem está certo?

Mimi

Boa pergunta. Durigan aponta que a base tributária foi recomposta — bets e ricos agora pagam impostos. Isso é verificável. Marques diz que o arcabouço é burlado, mas não detalha como.

Luke

Exatamente. Ela critica mas não explica o mecanismo. E quando diz que o Judiciário e Congresso são os mais caros do mundo per capita — isso é uma estimativa dela ou está documentado?

Mark

E quanto ao crime organizado? Por que aparece tanto nas prioridades?

Mimi

Porque afeta diretamente o custo de fazer negócio. Energia cara, logística cara, tudo piora com crime organizado. Se você reduz crime, reduz custos, empresas investem mais.

Luke

Mas nenhum deles detalha como vão combater crime organizado além de replicar a Reag. Dez operações Reag por ano — é realista? Quanto custa? Quantas pessoas são necessárias?

Mark

Então a reforma fiscal é o meio, e a redução de juros é o fim?

Mimi

Sim. Todos concordam que se conseguirem credibilidade fiscal, o Banco Central reduz juros, e aí abre espaço para investimento e alívio das famílias.

Luke

Mas nenhum deles explica por que o Banco Central reduziria juros só porque há reforma fiscal. A taxa de juros responde a inflação, expectativas, risco país. Reforma fiscal ajuda, mas não é automático.

  • A urgência é clara: famílias brasileiras comprometem parcelas crescentes da renda com dívidas, enquanto o Estado gasta mais do que arrecada e os juros permanecem entre os mais altos do mundo.
  • Cada campanha aponta o mesmo inimigo — o desequilíbrio fiscal — mas discorda sobre o remédio: Lula quer aprimorar o arcabouço existente, Flávio quer substituí-lo por uma PEC constitucional, e Caiado aposta num pacto entre poderes e governadores.
  • A proposta de Flávio Bolsonaro provoca maior tensão ao envolver Judiciário e Legislativo numa emenda que limitaria gastos dos três poderes, tocando em estruturas que historicamente resistem a cortes.
  • O combate ao crime organizado surge como agenda paralela e urgente, com a campanha de Lula citando operações da Receita Federal como modelo replicável, e Caiado propondo articulação com governadores.
  • O prêmio prometido por todos é o mesmo: juros menores, alívio para as famílias endividadas e abertura de espaço para investimento produtivo — mas o caminho até lá ainda é disputado.

Em um país onde a dívida pública e os juros altos corroem o cotidiano das famílias, os principais candidatos à presidência de 2026 convergem para um mesmo horizonte: sem disciplina fiscal, não há queda de juros, e sem queda de juros, não há espaço para crescimento real. As propostas diferem em intensidade — aperfeiçoamento, ruptura constitucional ou pacto federativo — mas compartilham o diagnóstico de que o Brasil precisa reconstruir sua credibilidade antes de avançar.

As equipes econômicas dos três principais candidatos à presidência em 2026 apresentaram propostas que, apesar de distintas em método, partem de um diagnóstico comum: o Brasil precisa de ajuste fiscal profundo e combate ao crime para recuperar credibilidade e reduzir juros.

Pela campanha de Lula, o economista Durigan defendeu a manutenção e o aperfeiçoamento do arcabouço fiscal, destacando que o orçamento de 2027 será radicalmente diferente do aprovado em 2022 — que considerou fictício por comprometer recursos dos estados. Ele apontou avanços na base tributária, com apostas esportivas e grandes fortunas agora tributadas, e trabalhadores de até cinco mil reais com carga reduzida. A prioridade seria limitar despesas obrigatórias, como previdência e juros da dívida, para abrir espaço a investimentos. Durigan também destacou operações da Receita Federal contra o crime organizado, como a Reag e a liquidação do Banco Master, com meta de replicá-las dez vezes ao ano.

A campanha de Flávio Bolsonaro, representada por Daniella Marques, foi mais incisiva na crítica ao arcabouço atual, descrito como continuamente burlado e ineficaz. Ela propõe uma Emenda à Constituição que envolveria os presidentes da Câmara, do Senado e do STF, argumentando que os três poderes ordenam despesas mas apenas o Executivo tem o dever de controlá-las. Marques sugeriu ainda o enxugamento de pelo menos dez ministérios e criticou programas de crédito do governo atual como insustentáveis. A PEC seria conduzida já no período de transição.

Cristiane Schmidt, da campanha de Ronaldo Caiado, enfatizou que o Executivo não pode agir sozinho e que é preciso reunir todos os atores — incluindo governadores — para enfrentar o crime organizado de forma coordenada. Após essa reorganização institucional, a prioridade seria remover obstáculos para empresários: energia, logística e investimento, viabilizados por uma reforma fiscal que libere espaço no orçamento.

O fio que une as três propostas é a convicção de que credibilidade fiscal é pré-condição para a queda dos juros — o prêmio final que aliviaria o endividamento das famílias brasileiras e abriria caminho para o crescimento real.

As equipes econômicas dos principais candidatos à presidência em 2026 convergem em um diagnóstico compartilhado: o país precisa de ajuste fiscal profundo, combate organizado ao crime e redução de juros para recuperar credibilidade e criar espaço para investimento. As propostas, apresentadas por representantes das campanhas, diferem em método mas não em urgência.

Pela campanha de Lula, o economista Durigan defendeu um grande pacto institucional que mantenha o arcabouço fiscal atual — o mecanismo que limita o crescimento de despesas públicas entre 0,6% e 2,5% acima da inflação — mas o aperfeiçoe. Segundo ele, o orçamento de 2027, que será aprovado ainda este ano, será radicalmente diferente daquele aprovado em 2022 sob Jair Bolsonaro, que descreveu como fictício para o próximo governo porque comprometeu recursos dos estados. Durigan apontou que a base tributária foi recomposta nos últimos anos: antes, instituições como a Santa Casa funcionavam com tributação zero, assim como as apostas esportivas. Agora, tanto os mais ricos quanto as operadoras de bets pagam impostos, enquanto trabalhadores que ganham até cinco mil reais tiveram redução tributária. A prioridade, segundo ele, é limitar despesas obrigatórias — como previdência e juros da dívida — para abrir espaço para gastos discricionários em investimento. Durigan também destacou que a Receita Federal, reorganizada nos últimos três anos, conseguiu operações bem-sucedidas contra crime organizado, como a Reag e a liquidação do Banco Master, e pretende replicar esse modelo dez vezes ao ano. A redução de juros emerge como a meta final: manter o arcabouço, aprimorá-lo com redução de despesa obrigatória e criar espaço para investimento.

A campanha de Flávio Bolsonaro apresenta uma proposta mais radical. Daniella Marques, representante econômica, criticou o arcabouço fiscal atual como continuamente burlado e ineficaz, afirmando que ele aumenta a dívida pública. Ela propõe uma Emenda à Constituição que envolveria os presidentes da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal — argumentando que hoje os três poderes ordenam despesas mas apenas um tem o dever de controlar e gerir o orçamento, tornando a autocontenção impraticável. Marques apontou que o Judiciário e o Congresso são os mais caros do mundo per capita e sugeriu usar a instituição fiscal do Senado para dar transparência aos gastos e sua qualidade. Outra medida prioritária seria o enxugamento de pelo menos dez ministérios. Marques citou como modelo a Reforma da Previdência e marcos legais do saneamento, gás e ferrovias do governo Bolsonaro, sugerindo que Flávio seguiria uma fórmula já provada. A PEC seria conduzida ainda no governo de transição, caso ele seja eleito. Ela também criticou políticas de crédito expansionista do governo atual — como o Move Brasil, programas de renovação de casa e o Desenrola — como insustentáveis e propagandísticos, afirmando que não representam crescimento real.

Cristiane Schmidt, representante da campanha de Ronaldo Caiado, enfatizou que o Executivo não pode agir sozinho e que é necessário colocar todos os atores na mesa. Ela destacou que Caiado quer se unir com governadores para lidar harmoniosamente com o crime organizado. Após essa limpeza institucional, a prioridade seria remover obstáculos para empresários: reduzir custos de energia e gás natural, melhorar logística e aumentar investimento. Para isso, segundo Schmidt, é essencial a reforma fiscal que abra espaço no orçamento.

O fio condutor que une as três campanhas é a convicção de que a credibilidade fiscal é pré-condição para redução de juros, que por sua vez aliviaria o endividamento das famílias brasileiras — muitas das quais comprometem boa parte da renda e se endividam para sobreviver. A diferença está no grau de ruptura: Lula propõe aperfeiçoamento do arcabouço existente; Flávio propõe sua substituição por mecanismo constitucional mais rigoroso; Caiado enfatiza a necessidade de pacto entre poderes. Todos, porém, veem na redução de juros o prêmio final de uma reforma fiscal bem-sucedida.

A despesa vai seguir limitada. O que precisamos é seguir limitando o gasto obrigatório, abrindo espaço para o gasto discricionário, mantendo o arcabouço fiscal.
— Durigan, representante econômico da campanha de Lula
O arcabouço é continuamente burlado e não funciona. Existe uma série de excessos na própria estrutura administrativa, não só do Executivo.
— Daniella Marques, representante da campanha de Flávio
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