Em um momento em que o Brasil se aproxima de mais um ciclo eleitoral, o ministro da Fazenda Dario Durigan escolheu as câmeras da CNN Brasil para traçar uma linha entre dois modelos de gestão pública: o que, segundo ele, deixou as contas em desordem e o que as reorganizou. A defesa do governo Lula veio acompanhada de um alerta — que retroceder na disciplina fiscal e na reforma tributária não é apenas um risco econômico, mas uma escolha com consequências humanas. No fundo, o debate não é apenas sobre números, mas sobre qual visão de responsabilidade coletiva deve guiar o país.
Durigan defende gestão fiscal de Lula e critica falta de ajuste no governo Bolsonaro
Não existe cavalo de pau na economia
Por que o ministro insiste tanto em comparar com o governo anterior? Não seria mais forte focar apenas no que está sendo feito agora?
Porque o contexto importa. Durigan herdou uma situação que ele descreve como desorganizada — risco-país pior, endividamento crescente. Se ele não estabelece esse contraste, fica difícil explicar por que as medidas que está tomando agora são necessárias.
Mas ele está fazendo afirmações sobre o governo Bolsonaro que precisam de números. Quando diz que o risco-país piorou e o endividamento aumentou, essas são métricas específicas. Ele as apresentou com dados?
Na entrevista, ele citou o descontrole nos registros do Bolsa Família como exemplo concreto. Mas você tem razão — para afirmações mais amplas sobre risco-país, seria importante ver os números.
E quanto à promessa de superávit? Isso é viável?
Durigan diz que os projetos orçamentários para o próximo ano já preveem isso. Ele também argumenta que o crescimento do endividamento não é culpa do resultado primário, mas dos juros altos.
Esse é um argumento importante, mas parcial. Os juros altos são um fator externo, sim, mas o resultado primário também importa. Ele está separando as duas coisas de forma que favorece sua narrativa.
E sobre Flávio Bolsonaro? Durigan o critica bastante.
Sim, mas de forma específica. Aponta para o modelo de Milei na Argentina como inspiração, e questiona se propostas que prometem não prejudicar os pobres são compatíveis com esse modelo.
Aqui ele está fazendo uma inferência. Flávio pode se inspirar em Milei sem adotar exatamente o mesmo modelo. É uma crítica válida, mas não é uma refutação de propostas específicas que Flávio tenha apresentado.
Então o que fica claro dessa entrevista?
Que o governo acredita ter colocado a casa em ordem e quer estabelecer isso como narrativa central antes das eleições.
E o que fica em aberto?
Se o superávit prometido será de fato alcançado, e se as medidas aprovadas na reta final — como o reajuste do Bolsa Família — não comprometem essa meta.
El Pulso
- Durigan foi a público para contestar a narrativa de que o governo Lula gastou além do limite, atribuindo o crescimento da dívida aos juros elevados, não ao resultado primário.
- O ministro acusou o governo Bolsonaro de ter piorado o risco-país, aumentado o endividamento e desrespeitado boas práticas fiscais — citando o descontrole no Auxílio Brasil como exemplo concreto.
- As propostas econômicas de Flávio Bolsonaro foram chamadas de 'pastel de vento', com Durigan alertando que o modelo inspirado em Milei ignora crescimento e emprego em favor de cortes abruptos.
- O ministro defendeu a reforma tributária como conquista irreversível, advertindo que freá-la deixaria o Brasil entre os piores sistemas tributários do mundo.
- Medidas aprovadas na reta final da campanha, como o reajuste do Bolsa Família, foram justificadas com base em verificação orçamentária prévia — em contraste explícito com a 'PEC Kamikaze' do governo anterior.
- A trajetória apontada por Durigan é de superávit fiscal para o próximo ano, com a mensagem de que a estabilidade conquistada não pode ser tratada como ponto de partida para experimentos arriscados.
Em um momento em que o Brasil se aproxima de mais um ciclo eleitoral, o ministro da Fazenda Dario Durigan escolheu as câmeras da CNN Brasil para traçar uma linha entre dois modelos de gestão pública: o que, segundo ele, deixou as contas em desordem e o que as reorganizou. A defesa do governo Lula veio acompanhada de um alerta — que retroceder na disciplina fiscal e na reforma tributária não é apenas um risco econômico, mas uma escolha com consequências humanas. No fundo, o debate não é apenas sobre números, mas sobre qual visão de responsabilidade coletiva deve guiar o país.
Na quinta-feira, o ministro da Fazenda Dario Durigan sentou-se diante das câmeras da CNN Brasil com uma missão dupla: defender a gestão econômica do governo Lula e confrontar o legado fiscal do período anterior. A mensagem central era direta — as contas públicas foram consertadas, e quem as deixou em desordem foi a administração Bolsonaro.
Segundo Durigan, o terceiro mandato de Lula encerrará com resultado positivo nas contas federais, algo que não ocorreu na gestão anterior. O ministro listou os problemas herdados: piora do risco-país, aumento do endividamento público e medidas que desrespeitaram boas práticas fiscais — incluindo o descontrole nos registros do então Auxílio Brasil. Ele e Fernando Haddad, afirmou, foram os responsáveis por reorganizar esse cenário. Quanto ao crescimento da dívida no período atual, Durigan atribuiu o fenômeno aos juros elevados, não ao resultado primário.
Ao ser questionado sobre Flávio Bolsonaro, candidato do PL à presidência em 2026, o ministro não economizou nas críticas. Chamou as promessas econômicas do senador de 'vazias' e as comparou a um 'pastel de vento', alertando que o modelo de Javier Milei — referência declarada do candidato — aplica doses drásticas de austeridade sem considerar crescimento ou emprego. A promessa de não prejudicar os mais pobres, disse Durigan, contradiz o histórico desse modelo.
Sobre a reforma tributária, o ministro foi enfático: interrompê-la deixaria o Brasil entre os piores sistemas tributários do mundo. Questionado sobre um eventual quarto mandato de Lula, resumiu sua filosofia com uma frase: 'não existe cavalo de pau na economia'. As medidas aprovadas na reta final da campanha, como o reajuste do Bolsa Família, foram apresentadas como resultado de verificação orçamentária rigorosa — em contraste deliberado com as manobras fiscais do governo anterior.
Dario Durigan, ministro da Fazenda, sentou-se à frente das câmeras da CNN Brasil na quinta-feira para fazer uma defesa frontal da gestão econômica do governo Lula — e, ao mesmo tempo, desferir críticas contundentes ao período anterior. A mensagem era clara: as contas públicas foram consertadas, e quem as deixou desorganizadas foi a administração Bolsonaro.
Durigan apontou que o terceiro mandato de Lula encerrará com as contas em positivo, algo que não ocorreu na gestão anterior. Segundo o ministro, o governo de Jair Bolsonaro não realizou nenhuma correção de rumo fiscal. Pior: o risco-país piorou, o endividamento público aumentou quando se compara o início e o fim daquele período, e uma série de medidas que desrespeitaram boas práticas fiscais foram implementadas. Durigan apontou especificamente para o descontrole nos registros do programa Bolsa Família — que à época era chamado de Auxílio Brasil — como exemplo dessa falta de rigor.
O ministro enfatizou que ele próprio e seu antecessor, Fernando Haddad, foram os responsáveis por organizar as contas do país. Os projetos orçamentários para o próximo ano, segundo Durigan, preveem superávit fiscal por parte do governo federal. Ele também rebateu a narrativa de que o governo teria gasto além de suas possibilidades, argumentando que o crescimento do endividamento público é resultado dos juros altos do país, não do resultado primário em si.
Ao ser questionado sobre as propostas econômicas de Flávio Bolsonaro, senador e concorrente de Lula na corrida presidencial de 2026, Durigan não poupou críticas. Chamou as promessas do candidato do PL de "vazias" e as comparou a um "pastel de vento". O ministro apontou que o modelo que inspira Flávio — o do presidente argentino Javier Milei — trata a economia com ansiedade, aplicando doses altas de medidas sobre endividamento sem olhar para crescimento e emprego. Durigan ressaltou que Flávio promete não prejudicar os mais pobres, mas o histórico do modelo que o inspira contradiz essa promessa.
Sobre a reforma tributária, Durigan defendeu a medida e alertou que se Flávio avançar com sua proposta de frear a reforma, o Brasil ficará entre os piores modelos tributários do mundo. "Quem quer mudança, não pode trazer retrocesso", afirmou o ministro. Quando questionado sobre como seria a política econômica de um eventual quarto mandato de Lula, Durigan foi enfático: "não existe cavalo de pau na economia". A economia, segundo ele, é um organismo que precisa ser tratado com responsabilidade. Desde 2024 as contas estão equilibradas, e embora seja necessário alcançar resultado positivo, isso deve ocorrer de forma que não comprometa o funcionamento geral do sistema.
Sobre pautas aprovadas na reta final da campanha — como o reajuste do Bolsa Família e o fim das bets — Durigan afirmou que as medidas só foram aprovadas após verificação orçamentária que confirmou haver espaço para acomodá-las. O ministro fez questão de diferenciar essas ações das medidas tomadas no final do governo Bolsonaro, mencionando a ausência de "PEC Kamikaze" ou calote de precatório. A mensagem subjacente era inequívoca: desta vez, as contas foram feitas com rigor.
Citas Notables
No governo Bolsonaro não foi feito nenhuma correção de rumo fiscal. O risco-país piorou. O endividamento público piorou quando toma o começo e o fim.— Dario Durigan, ministro da Fazenda
Não existe cavalo de pau na economia. É um organismo que tem que ser tratado de maneira responsável.— Dario Durigan, ministro da Fazenda