Ataque atribuído aos houthis deixou ao menos 12 mortos no aeroporto internacional de Riade, incluindo um cidadão americano, elevando tensões regionais. Trump havia recusado anteriormente pedidos sauditas de ataques aéreos americanos, mas agora considera envolver o maior exército do mundo no conflito iemenita.
Trump chama ataque a Riade de 'inaceitável' e sinaliza possível entrada dos EUA no conflito
Nós vamos analisar. Tomaremos uma decisão. Nos movimentamos muito rapidamente.
Por que Trump está mudando de ideia agora? Ele havia dito não aos sauditas.
O ataque matou doze pessoas, incluindo um americano. Mas o timing também importa — a Arábia Saudita vai sediar eventos internacionais em breve, e o príncipe-herdeiro precisa mostrar que controla a situação.
Certo, mas precisamos ser precisos: Trump sinalizou que pode entrar, não que vai entrar. Ele disse "vamos analisar". Isso é diferente de um compromisso.
E os houthis? Por que atacam agora?
Porque a Arábia Saudita começou uma nova campanha de bombardeios contra eles. Os houthis disseram que iam retaliar, e fizeram.
Mas por que a Arábia Saudita intensificou agora? Porque o Iêmen está se tornando mais instável, e os houthis controlam rotas comerciais críticas. Há interesse estratégico aqui, não apenas segurança.
Quantos países estão envolvidos agora?
Paquistão, Turquia, Reino Unido, França, além dos EUA que já têm duzentos militares lá. E Israel e o Irã estão de fundo, porque os houthis são apoiados pelo Irã.
Mas nenhum desses países declarou guerra formalmente. Estamos falando de apoio militar, reabastecimento, análise de alvos. É importante não confundir colaboração com combate direto.
E as pessoas no Iêmen?
Duzentas mil foram deslocadas desde setembro. O conflito continua a destruir vidas.
Esse número vem das Nações Unidas, então é confiável. Mas é importante notar que o Iêmen já estava em crise antes disso. Essa escalada está piorando uma situação que já era terrível.
Il Polso
- Ataque ao aeroporto de Riade matou ao menos 12 pessoas, incluindo um cidadão americano
- Trump havia rejeitado pedidos sauditas de ataques aéreos americanos, mas agora considera envolver os EUA
- Mais de 200 analistas de inteligência e militares americanos já trabalham em centros de comando sauditas
- 200 mil iemenitas foram deslocados desde setembro, segundo as Nações Unidas
- Paquistão, Turquia, Reino Unido e França já oferecem apoio militar à Arábia Saudita
Ataque atribuído aos houthis deixou ao menos 12 mortos no aeroporto internacional de Riade, incluindo um cidadão americano, elevando tensões regionais. Trump havia recusado anteriormente pedidos sauditas de ataques aéreos americanos, mas agora considera envolver o maior exército do mundo no conflito iemenita.
Trump condenou ataque houthi ao aeroporto de Riade que matou 12 pessoas e sinalizou possível intervenção militar americana, revertendo posição anterior de rejeição a pedidos sauditas de apoio aéreo direto.
Donald Trump saiu da Casa Branca no sábado e disse aos jornalistas que o ataque ao aeroporto internacional de Riade era inaceitável. Pelo menos doze pessoas morreram na operação, incluindo um cidadão americano, segundo a rede ABC. Os houthis, grupo armado xiita que controla o norte do Iêmen, foram responsabilizados pelo ataque. Trump anunciou que conversaria com o príncipe-herdeiro saudita Mohammed bin Salman e deixou em aberto a possibilidade de os Estados Unidos entrarem militarmente no conflito. "Nós vamos analisar. Acabamos de ficar sabendo do último ataque, mas tomaremos uma decisão. Nos movimentamos muito rapidamente", disse o presidente em vídeo divulgado pela Al Jazeera.
A mudança de tom é significativa. Semanas antes, Trump havia rejeitado pedidos diretos do governo saudita para que a força aérea americana bombardeasse os houthis. Mas a escalada no Iêmen está pressionando a Arábia Saudita de forma que não pode mais ignorar. O reino planeja sediar vários eventos internacionais nas próximas semanas, incluindo uma cúpula anual de investimentos que reúne líderes mundiais, bilionários e executivos globais. Os combates ameaçam esses planos e a transformação de Riade em polo de negócios e turismo que o príncipe-herdeiro persegue há anos.
O conflito no Iêmen reaqueceu em julho, cinco meses após o início da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, país que apoia os houthis. Em fevereiro, os governos Trump e Netanyahu mataram o líder supremo iraniano Ali Khamenei em um ataque aéreo a Teerã. Desde então, os houthis intensificaram operações para expandir seu controle territorial. Autodeclarados parte do "eixo de resistência" contra os EUA e Israel, assim como o Hamas palestino e o Hezbollah libanês, os rebeldes atacam a Arábia Saudita por seu apoio ao governo iemenita reconhecido internacionalmente. No mês passado, os houthis conquistaram grandes áreas do litoral e aumentaram o controle sobre o Estreito de Bab el-Mandeb, rota alternativa crucial para o comércio de petróleo após o fechamento do Estreito de Ormuz pela guerra entre EUA e Irã.
A Arábia Saudita anunciou nesta semana uma nova campanha de bombardeios contra os houthis, que prometeram retaliar atacando aeroportos e infraestrutura energética. O ataque de sábado foi a resposta. Hans Grundberg, enviado das Nações Unidas para o Iêmen, condenou a operação como "grave escalada" e pediu aos houthis que cessassem os ataques contra alvos civis. "Ações como essas representam uma grave ameaça à segurança regional, perpetuam os ciclos de violência e complicam ainda mais os esforços de paz para o Iêmen", declarou em comunicado.
O conflito está atraindo potências militares de fora da região. Paquistão e Turquia ativaram nesta semana um pacto de defesa para fornecer apoio militar ao reino. Um alto funcionário militar paquistanês disse ao New York Times, sob anonimato, que caças paquistaneses estavam sendo usados em ataques contra os houthis. O Reino Unido prometeu reabastecimento aéreo limitado para aviões de guerra sauditas. A França anunciou em setembro que enviaria tropas e recursos militares para proteger a infraestrutura energética saudita no Mar Vermelho.
Os Estados Unidos já colaboram intensamente, embora sem bombardeios diretos até agora. Mais de duzentos analistas de inteligência e militares americanos trabalham em centros de comando dentro da Arábia Saudita, analisando e selecionando alvos em apoio aos aliados iemenitas, segundo funcionários americanos atuais e ex-funcionários ouvidos pelo Times. Washington fornece reabastecimento aéreo para aviões de guerra sauditas em patrulhas defensivas. Agora, com a sinalização de Trump, essa participação pode se transformar em combate direto.
O custo humano da escalada é imenso. As Nações Unidas registram que duzentas mil pessoas foram deslocadas desde setembro, quando os combates se intensificaram. O conflito no Iêmen, que já dura anos, continua a fragmentar o país entre o governo reconhecido internacionalmente e os houthis que controlam o norte e buscam ser reconhecidos como governo de fato. A entrada potencial dos Estados Unidos no conflito aberto marca um ponto de inflexão que pode atrair ainda mais atores regionais e internacionais para um conflito que já deslocou centenas de milhares de pessoas.
Citazioni salienti
O que aconteceu na Arábia Saudita é inaceitável— Donald Trump, presidente dos EUA
Ações como essas representam uma grave ameaça à segurança regional, perpetuam os ciclos de violência e complicam ainda mais os esforços de paz para o Iêmen— Hans Grundberg, enviado das Nações Unidas para o Iêmen