Numa era em que a linguagem molda a perceção do poder, Donald Trump declarou que quem persistir em usar o termo 'Inteligência Artificial' será tratado como inimigo do seu governo — uma posição que já havia formalizado em decreto presidencial em setembro. A batalha semântica, iniciada com o argumento de que 'Superinteligência' simplesmente 'soava melhor', revela como a nomenclatura se tornou um instrumento de afirmação política. Enquanto o presidente trava esta guerra de palavras, o eleitorado americano aguarda respostas concretas sobre segurança e regulação de uma tecnologia que transforma o m
Trump considera "inimigo" quem não usar a expressão Superinteligência em vez de IA
Qualquer pessoa que use IA em vez de Superinteligência será considerada inimiga
Porque é que Trump insiste tanto nesta mudança de terminologia? Parece uma questão menor.
Não é apenas linguagem. É sobre controlo narrativo. Ao impor um termo novo através de decreto, Trump está a estabelecer autoridade sobre como a tecnologia é discutida no governo.
Mas a sondagem mostra que os eleitores querem regulamentações, não novos nomes. Há uma lacuna entre o que Trump está a fazer e o que as pessoas pedem.
Então o grupo de trabalho que se reúne esta semana — vai tentar colmatar essa lacuna?
Teoricamente, sim. Scott Kupor fala em demonstrar seriedade sobre segurança. Mas ainda não sabemos que recomendações vão fazer.
Exatamente. Kupor diz que as empresas precisam de agir, mas o decreto de Trump é sobre palavras, não sobre regulação. São duas coisas diferentes.
E as empresas privadas já estão a adotar "Superinteligência"?
Meta e Elon Musk sim. Mas isso pode ser apenas conformismo com o poder, não concordância genuína com a mudança.
Ou pode ser que vejam vantagem em alinhar-se com o presidente. Não temos informação sobre se acreditam realmente que o termo é melhor.
O que é que os eleitores esperam que aconteça a seguir?
Regulamentações concretas sobre segurança e vulnerabilidades. Não nomes novos.
E aí está o risco: se o grupo de trabalho gastar energia em questões terminológicas, pode perder credibilidade quando o que importa é ação regulatória real.
Der Puls
- Trump escalou a sua campanha terminológica ao classificar explicitamente como 'inimigos' todos os que continuem a usar 'Inteligência Artificial' em vez de 'Superinteligência'.
- A imposição já tem força de lei: um decreto presidencial assinado em setembro obriga os serviços governamentais dos EUA a adotar a nova nomenclatura.
- Gigantes tecnológicos como a Meta e figuras como Elon Musk já alinharam o seu discurso com a terminologia presidencial, sinalizando a pressão que o setor privado sente.
- Em paralelo, o grupo de trabalho sobre IA criado por Trump reúne-se esta semana, numa altura em que a pressão pública para regular a tecnologia atinge novos máximos.
- Uma sondagem Reuters/Ipsos revela que a maioria dos eleitores americanos acredita que a Administração Trump não está a levar os riscos da IA suficientemente a sério — uma desconexão gritante entre a agenda presidencial e as preocupações do país.
Numa era em que a linguagem molda a perceção do poder, Donald Trump declarou que quem persistir em usar o termo 'Inteligência Artificial' será tratado como inimigo do seu governo — uma posição que já havia formalizado em decreto presidencial em setembro. A batalha semântica, iniciada com o argumento de que 'Superinteligência' simplesmente 'soava melhor', revela como a nomenclatura se tornou um instrumento de afirmação política. Enquanto o presidente trava esta guerra de palavras, o eleitorado americano aguarda respostas concretas sobre segurança e regulação de uma tecnologia que transforma o mundo.
Donald Trump declarou esta quinta-feira que qualquer pessoa que continue a usar o termo 'Inteligência Artificial' será considerada inimiga do seu governo. A afirmação, publicada na rede Truth Social, representa uma escalada numa campanha que começou de forma aparentemente inócua: em setembro, na Assembleia-Geral da ONU, Trump propôs substituir 'IA' por 'Superinteligência', argumentando que o novo termo 'soava muito melhor'. Dias depois, formalizou a mudança através de decreto presidencial.
A mensagem desta quinta-feira foi mais direta: 'A Casa Branca considera como INIMIGO qualquer pessoa que utilize o termo Inteligência Artificial, em vez do novo e mais preciso termo, amplamente aceite, Superinteligência!' A imposição já encontrou eco no setor privado — a Meta integrou o novo vocabulário nas suas comunicações oficiais, e Elon Musk adotou a expressão com regularidade na rede X.
No mesmo dia, reunia-se o grupo de trabalho sobre IA criado pelo próprio Trump. Scott Kupor, vice-presidente da comissão, afirmou à Reuters que as empresas de IA 'precisam de demonstrar que estão a levar muito a sério as preocupações sobre segurança e vulnerabilidades'. Mas existe uma tensão evidente: enquanto a presidência debate terminologia, uma sondagem Reuters/Ipsos publicada na véspera revelou que a maioria dos eleitores americanos considera que a Administração não está a tratar os riscos da IA com a seriedade necessária — e exige regulamentação concreta. O país aguarda ações; a Casa Branca oferece palavras.
Donald Trump declarou esta quinta-feira que qualquer pessoa que continue a usar o termo Inteligência Artificial será considerada um inimigo do seu governo. A afirmação, publicada na rede Truth Social, marca uma escalada na campanha do presidente norte-americano para impor a palavra Superinteligência como terminologia oficial, uma mudança que já tinha proposto em setembro na Assembleia-Geral da ONU e que formalizou através de decreto presidencial no final desse mês.
A insistência de Trump na alteração começou com uma justificação simples: o termo Superinteligência "soava muito melhor". Quando apresentou a ideia na ONU, o presidente enquadrou-a como uma questão de precisão linguística. Mas a mensagem desta quinta-feira, onde classifica explicitamente como inimigos os que não adotarem a nova nomenclatura, revela uma abordagem bem mais assertiva. "A Casa Branca considera como INIMIGO qualquer pessoa que utilize o termo Inteligência Artificial, em vez do novo e mais preciso termo, amplamente aceite, Superinteligência!", escreveu.
O decreto assinado em setembro obrigou os serviços governamentais norte-americanos a adotarem a nova terminologia. Essa imposição já encontrou eco em setores privados: a Meta, empresa de Mark Zuckerberg, integrou Superinteligência nas suas comunicações oficiais. Elon Musk, aliado próximo de Trump, também abraçou a mudança e utiliza regularmente a expressão nas suas mensagens na rede social X.
Na mesma quinta-feira em que Trump fazia estas declarações, o grupo de trabalho sobre Inteligência Artificial que criou tinha uma reunião marcada. Este grupo, liderado por quatro responsáveis, reúne-se numa altura em que a pressão sobre Washington para agir no domínio da IA aumenta significativamente. Scott Kupor, vice-presidente da comissão, afirmou à agência Reuters que esperava ter todos os membros reunidos na semana seguinte. Kupor sublinhou que as empresas de IA "precisam de dar um passo em frente e demonstrar que estão a levar muito a sério as preocupações que as pessoas têm em relação à segurança e às vulnerabilidades".
Os especialistas veem nesta task force uma oportunidade para definir a abordagem da Administração Trump face à tecnologia num momento crítico. Mas existe uma desconexão clara entre as prioridades do presidente e as preocupações do eleitorado. Uma sondagem da Reuters/Ipsos publicada na quarta-feira revelou que a maioria dos eleitores norte-americanos considera que a Administração Trump e o Congresso não estão a levar os riscos da IA suficientemente a sério. Esses mesmos eleitores exigem que o Governo elabore novas regulamentações para a tecnologia. Enquanto Trump debate terminologia, o país aguarda ações concretas sobre segurança e regulação.
Bemerkenswerte Zitate
As empresas de IA precisam de demonstrar que levam muito a sério as preocupações sobre segurança e vulnerabilidades— Scott Kupor, vice-presidente do grupo de trabalho sobre IA