Dia Nacional de Combate ao Fumo: sete dicas práticas para abandonar o cigarro

Fumantes enfrentam hospitalizações e complicações graves de saúde; 443 pessoas morrem diariamente no Brasil por causa do tabagismo.
Não tenho escolha, realmente tenho que parar
Maria Lourdes, que foi internada duas vezes por complicações do tabagismo, reconhece a urgência de abandonar o vício.
Mark

Por que o cigarro eletrônico é tão perigoso quanto o convencional, se não tem alcatrão?

Mimi

Porque a nicotina em alta dose já é suficiente para danificar o coração e os rins. Os vapes adicionam inalantes e corantes que também prejudicam. O problema não é só uma substância — é o conjunto.

Mark

A psicologia parece tão importante quanto a medicina aqui. Por quê?

Mimi

Porque fumar é um hábito emocional. A pessoa fuma quando está ansiosa, entediada, estressada. Se você só tira o cigarro sem lidar com a ansiedade, ela volta a fumar em uma semana.

Mark

Roger e Genilda pararam juntos. Isso faz diferença?

Mimi

Faz. Ter alguém no mesmo barco significa que você não está sozinho naquele momento difícil. E quando um quer desistir, o outro puxa para cima.

Mark

443 mortes por dia é um número que choca. Como isso não é mais urgente na conversa pública?

Mimi

É urgente, mas o cigarro é normalizado. As pessoas sabem que mata, mas acham que é com os outros. Até o dia em que ficam internadas como Maria Lourdes.

Mark

Mudar a posição do computador realmente ajuda a parar de fumar?

Mimi

Sim. O cérebro associa lugares e rotinas ao cigarro. Se você quebra a rotina, quebra a associação. É simples, mas funciona.

Mark

E se a pessoa não conseguir parar sozinha?

Mimi

Existem programas como o da Serra, que oferece tratamento desde 2008. Medicamentos ajudam. Terapia ajuda. Mas no final, é a vontade da pessoa que decide.

  • Um cigarro contém cerca de 2.500 substâncias nocivas ao pulmão
  • 443 pessoas morrem diariamente no Brasil por causa do tabagismo
  • Na Serra, 200 pessoas recorreram ao Programa de Controle do Tabagismo no ano passado
  • A fumaça passiva contém até 50 vezes mais substâncias cancerígenas do que a fumaça inalada pelo fumante

O cigarro contém 2.500 substâncias nocivas e está ligado a diversos tipos de câncer, doenças cerebrovasculares e problemas cardíacos, afetando também fumantes passivos. Especialistas recomendam combinar terapia psicológica, mudanças de hábitos cotidianos e atividade física para superar a dependência emocional e fisiológica do tabagismo.

No Dia Nacional de Combate ao Fumo, médicos apresentam sete dicas práticas e orientações psicológicas para ajudar fumantes a largar o vício, destacando os graves riscos à saúde associados ao tabagismo.

O 29 de agosto marca, todos os anos, um dia dedicado a reforçar uma mensagem que médicos repetem com urgência: o cigarro mata. Não de forma abstrata ou distante, mas através de doenças cerebrovasculares, câncer de pulmão, infarto, derrame. A lista é longa e documentada. Mas para quem fuma, saber disso e conseguir parar são duas coisas completamente diferentes.

Um cigarro comum contém cerca de 2.500 substâncias nocivas — enxofre, alcatrão, nicotina. Os cigarros eletrônicos, os vapes, não são alternativa mais segura; carregam inalantes, corantes e nicotina em doses altas. Ambos danificam o coração, os rins, provocam infecções e pioram alergias. Mas o dano vai além de quem fuma. A fumaça que sai da ponta do cigarro contém, em média, três vezes mais nicotina e monóxido de carbono do que aquela que o fumante inala, e até 50 vezes mais substâncias cancerígenas. Quem convive com fumantes respira isso tudo. No Brasil, 443 pessoas morrem a cada dia por causa do tabagismo. O custo econômico ultrapassa 125 bilhões de reais em danos ao sistema de saúde e à economia.

O primeiro passo para largar o cigarro é entender que o vício não é apenas físico. Mariana Machado, psicóloga do Viver Bem Unimed Vitória, explica que a dependência nasce de questões emocionais — ansiedade, estresse, hábito. Por isso, o tratamento precisa ser duplo: psicológico e psiquiátrico, combinado com mudanças concretas na rotina. Alimentação melhor, atividade física regular, cuidados com a saúde mental. Tudo junto.

A pneumologista Cilea Martins oferece sete orientações práticas. Primeira: saia dos lugares onde você costuma fumar. Se fuma na varanda, feche a porta. Às vezes a pessoa nem quer fumar, mas o ambiente a puxa. Segunda: não compre maços de cigarro. Terceira: evite álcool, que estimula o tabagismo. Quarta: pule o café da manhã — a cafeína, como o álcool, é um gatilho. Tome suco, coma melão ou mamão. Quinta: atrase o primeiro cigarro do dia o máximo possível; quanto mais tarde começar, menos fumará. Sexta: identifique e quebre os hábitos que o fazem lembrar de fumar. Para quem trabalha em casa, mudar a posição do computador pode fazer diferença. Sétima: exercite-se. A atividade física controla a ansiedade e, de bônus, coloca você perto de menos fumantes.

Na Serra, um casal decidiu enfrentar isso junto. Roger de Oliveira Cercondes, 48 anos, vigilante, e Genilda Soprani Cercondes, 50 anos, dona de casa, moradores do bairro Palmeiras, procuraram a Unidade Regional de Saúde de Serra Sede em julho deste ano. Genilda teve a ideia; Roger a acompanhou. Ambos participaram do Programa de Controle do Tabagismo oferecido pelo município. Hoje, nenhum dos dois fuma mais. O dinheiro que gastavam com cigarro agora vai para uma poupança. Roger relata que comprou uma bicicleta ergométrica, tem mais ânimo, não procrastina mais. A relação com a filha melhorou. Desde 2008, a Serra oferece esse atendimento. No ano passado, 200 pessoas recorreram ao programa.

Mas nem sempre a história é de sucesso planejado. Maria Lourdes de Figueiredo, 56 anos, começou a fumar aos 15. Foi hospitalizada duas vezes por problemas causados pelo tabaco. Na primeira, ficou sete dias internada. Na segunda, precisou ser intubada e passou 24 dias no hospital. "Não tenho escolha, realmente tenho que parar", disse ela. A vontade de parar, segundo Cilea Martins, é o que determina o sucesso do tratamento, mesmo com medicamentos e mudanças de hábitos. O cigarro é uma despesa — econômica, para a saúde, e para a vida social. Largar o vício não é fácil, mas é possível. E ninguém precisa fazer isso sozinho.

O cigarro é uma despesa econômica, para a saúde e ainda afasta as pessoas do convívio social
— Cilea Martins, pneumologista
Estamos fazendo uma caixinha com o que gastávamos com cigarro, depositamos em uma conta. Imagino o que eu poderia já ter economizado ao longo da vida
— Roger de Oliveira Cercondes, vigilante que parou de fumar
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