Cigarro e vape continuam como principais vilões no Dia Nacional de Combate ao Fumo

Tabagismo causa 8 milhões de mortes anuais globalmente, incluindo 1,2 milhão de não-fumantes expostos ao fumo passivo; mulheres enfrentam riscos aumentados de câncer de pulmão e doenças reprodutivas.
Usar vape regularmente equivale a fumar vinte cigarros por dia
Segundo o Instituto do Coração, o risco cardiovascular do cigarro eletrônico é maior do que muitos imaginam.
Mark

Por que o vape ainda é tão atraente se os riscos são tão claros?

Mimi

Porque parece moderno, menos agressivo, e muitas vezes é comercializado como uma ferramenta para parar de fumar. Mas a nicotina continua ali, frequentemente em concentrações maiores, e o corpo não sabe a diferença entre uma molécula de nicotina que veio de um cigarro ou de um vape.

Mark

E por que as mulheres correm mais risco?

Mimi

Não é coincidência biológica. O estrógeno muda a forma como o corpo processa a nicotina, criando mais substâncias cancerígenas. É uma vulnerabilidade que a indústria do tabaco historicamente ignorou ou escondeu.

Mark

Se parar de fumar é tão difícil, por que não há mais programas públicos de cessação?

Mimi

Existem, mas não são suficientemente acessíveis ou conhecidos. E há um problema de estigma — as pessoas sentem vergonha de pedir ajuda. A terapia cognitivo-comportamental funciona, mas exige tempo e recursos que nem sempre estão disponíveis.

Mark

O que muda com a votação do projeto de lei em setembro?

Mimi

Se aprovado, o Brasil teria um marco regulatório claro para cigarros eletrônicos. Mas regulamentação não é proibição — pode abrir portas para legalização controlada. É um debate que vai além da saúde pública.

Mark

Então o Dia Nacional de Combate ao Fumo é apenas simbólico?

Mimi

Não. É um momento para nomear o problema e lembrar que existem caminhos para sair dele. Mas só funciona se as pessoas tiverem acesso real a ajuda profissional e se a sociedade parar de tratar o tabagismo como uma falha pessoal.

  • O vape, vendido como modernidade e alívio, esconde um risco equivalente a vinte cigarros por dia e aumenta em quase 80% a chance de infarto — e ainda assim segue amplamente acessível a jovens.
  • O cigarro convencional mata sete milhões de fumantes e mais de um milhão de não-fumantes por ano, sobrecarregando famílias e sistemas de saúde ao redor do planeta.
  • Mulheres enfrentam uma vulnerabilidade biológica silenciosa: o estrógeno altera o metabolismo da nicotina, elevando a produção de substâncias cancerígenas e os riscos reprodutivos.
  • A votação do PL 5.008/2023, que regulamentaria os cigarros eletrônicos no Brasil, segue pendente após aprovação de audiência pública no Senado em abril.
  • Especialistas alertam que parar de fumar exige mais do que força de vontade — a terapia cognitivo-comportamental é apontada como peça central para tratar os gatilhos emocionais do vício.

A cada 29 de agosto, o Brasil é convidado a olhar de frente para uma das mais antigas e persistentes ameaças à saúde coletiva: o tabagismo em todas as suas formas. Neste ano, o cigarro eletrônico ocupa o centro do debate ao lado do cigarro tradicional — dois instrumentos de dependência que, juntos, ceifam mais de oito milhões de vidas por ano no mundo. Enquanto o Congresso delibera sobre a regulamentação do vape, a ciência já deu seu veredicto: não há alternativa segura onde há nicotina e combustão.

No Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, o Brasil se vê diante de um paradoxo persistente: décadas de campanhas, proibições e evidências científicas convivem com milhões de fumantes e com a ascensão de novos dispositivos que prometem ser menos nocivos — mas não são.

O cigarro eletrônico é o símbolo mais recente dessa contradição. Segundo o InCor, usá-lo regularmente equivale a fumar vinte cigarros por dia. Estudos apontam que o vape eleva em 1,79 vezes o risco de infarto e em 19% o de insuficiência cardíaca. O pneumologista Ciro Kirchenchtejn, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, alerta que esses dispositivos costumam conter mais nicotina do que o cigarro comum e são deliberadamente direcionados a jovens. Proibido pela Anvisa desde 2009, o vape ainda aguarda definição legal: o PL 5.008/2023, que regulamentaria sua comercialização, segue sem votação no Congresso.

O cigarro tradicional, por sua vez, permanece o vilão mais letal. A OMS contabiliza mais de oito milhões de mortes anuais atribuídas ao tabaco — incluindo 1,2 milhão de não-fumantes vítimas do fumo passivo. Para quem deseja parar, Kirchenchtejn reforça que a dependência psicológica é tão real quanto a física, e que a terapia cognitivo-comportamental aumenta significativamente as chances de sucesso.

Um dado menos discutido é a desigualdade de risco entre os sexos. Mulheres metabolizam a nicotina de forma distinta por influência do estrógeno, o que intensifica a produção de nitrosaminas — substâncias cancerígenas — e eleva a vulnerabilidade a cânceres e doenças reprodutivas. Parar de fumar, para elas, é uma decisão com consequências ainda mais amplas.

O debate sobre regulamentação avança lentamente pelo Congresso, mas a urgência da conversa — nos consultórios, nas famílias e nas políticas públicas — não pode esperar.

Nesta quinta-feira, 29 de agosto, o Brasil marca mais um Dia Nacional de Combate ao Fumo — uma data que deveria servir como ponto de parada para refletir sobre o que realmente sabemos sobre os produtos que matam. A verdade incômoda é que tanto o cigarro quanto o vape continuam sendo os grandes adversários nessa luta, e os números não mentem.

O vape, aquele dispositivo que muita gente imagina ser uma alternativa mais segura e moderna, carrega um risco que a maioria desconhece. Segundo o InCor, o Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP, usar vape regularmente equivale a fumar vinte cigarros por dia. Pesquisadores ao redor do mundo descobriram que o cigarro eletrônico aumenta em 1,79 vezes a probabilidade de infarto e eleva o risco de insuficiência cardíaca em 19%. Ciro Kirchenchtejn, pneumologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, aponta que esses dispositivos frequentemente contêm mais nicotina do que os cigarros tradicionais e são deliberadamente direcionados a jovens e grupos vulneráveis. Há ainda uma dimensão ambiental do problema: o vape adquirido de forma irregular contribui para a poluição com metais pesados. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe o vape desde 2009, mas em abril a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal aprovou uma audiência pública para discutir a regulamentação da comercialização, produção e propaganda desses produtos. A votação do Projeto de Lei 5.008/2023, que deveria ter acontecido em setembro, segue pendente.

Mas o cigarro comum permanece como o vilão mais antigo e mais letal dessa batalha. A Organização Mundial da Saúde registra que o tabaco mata mais de oito milhões de pessoas por ano — sete milhões de fumantes e 1,2 milhão de não-fumantes expostos ao fumo passivo. Esses números representam vidas reais, famílias destruídas, sistemas de saúde sobrecarregados. Kirchenchtejn enfatiza que quando alguém quer parar de fumar, a dependência psicológica não pode ser ignorada. Ele recomenda que programas de cessação incluam terapia cognitivo-comportamental para ajudar as pessoas a lidar com os gatilhos emocionais e comportamentais que alimentam o vício. Embora seja possível parar sozinho, a maioria das pessoas precisa de suporte profissional estruturado para ter sucesso — e esse acompanhamento aumenta significativamente as chances de êxito.

Um aspecto frequentemente negligenciado é que os efeitos do tabagismo não afetam homens e mulheres da mesma forma. As mulheres correm riscos desproporcionais. Além de compartilharem doenças comuns como câncer de pulmão e doença pulmonar obstrutiva crônica, elas têm maior propensão a desenvolver câncer de pulmão e enfrentam doenças específicas do aparelho reprodutivo. A razão está na biologia: as mulheres metabolizam a nicotina de forma diferente devido aos efeitos do estrógeno, o que resulta em maior produção de nitrosaminas, substâncias cancerígenas presentes no cigarro. Se uma mulher deseja engravidar, o ideal é parar de fumar antes de tentar conceber, mas a verdade é que parar de fumar para melhorar a saúde em geral é uma escolha benéfica a qualquer momento da vida.

O Dia Nacional de Combate ao Fumo oferece uma oportunidade para refletir sobre esses malefícios — tanto os do cigarro quanto os do vape — e considerar o que está em jogo. A regulamentação dos cigarros eletrônicos segue seu caminho pelo Congresso, mas enquanto isso, a conversa sobre cessação do fumo, sobre apoio profissional e sobre as diferenças de risco entre populações precisa continuar acontecendo, em consultórios, em casas, em políticas públicas.

Os cigarros eletrônicos muitas vezes contêm mais nicotina do que os cigarros tradicionais e são frequentemente direcionados a jovens e grupos vulneráveis
— Ciro Kirchenchtejn, pneumologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz
Programas estruturados e acompanhamento profissional aumentam significativamente as chances de sucesso na cessação do fumo
— Ciro Kirchenchtejn, pneumologista
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