Em meio à busca por responsabilidades sobre a gestão da pandemia, o Brasil assiste a um momento em que as lealdades políticas se desfazem diante das próprias contradições do poder. O depoimento de Fábio Wajngarten à CPI da Covid, nesta quarta-feira de maio de 2021, carrega o peso de quem conheceu o governo por dentro — e escolheu, ao criticar publicamente o ex-ministro Pazuello, um caminho que o deixou sem aliados. A oposição vê nele uma ponte entre o silêncio institucional e a evidência; a base governista, um inconveniente que já não merece proteção.
Depoimento de Wajngarten pode trazer provas sobre falhas do governo em vacinas
A base não teria mais interesse em proteger Wajngarten
Por que o depoimento de Wajngarten era tão importante para a oposição?
Porque ele estava dentro do governo durante as negociações por vacinas. Se ele pudesse detalhar as falhas, os erros, as oportunidades perdidas, teria peso de testemunha interna.
Mas por que a base governista deixaria de defendê-lo?
Porque ele havia criticado Pazuello publicamente, chamando-o de incompetente. Isso o tornou um problema político para o próprio governo. Não fazia sentido proteger alguém que já havia se virado contra eles.
A Pfizer depondo no dia seguinte muda algo?
Muda tudo. Os senadores poderiam usar o que Wajngarten dissesse para confrontar os executivos da farmacêutica. Se houvesse contradições, ficaria claro. Se houvesse confirmações, a narrativa de falha governamental ganharia força.
Wajngarten tinha credibilidade para fazer isso?
Tinha uma posição ambígua. Era do governo, mas havia se afastado criticamente. Isso o tornava ao mesmo tempo insider e crítico, o que podia funcionar nos dois sentidos.
E Pazuello, por que ainda não havia deposto?
Havia pedido adiamento alegando contato com pessoas infectadas. Mas era óbvio que seu depoimento seria ainda mais tenso que o de Wajngarten, porque ele era o ministro, o responsável direto.
O Pulso
- A oposição aguarda o depoimento de Wajngarten como uma oportunidade rara de documentar, com testemunho interno, as falhas nas negociações por vacinas — especialmente com a Pfizer.
- Ao chamar Pazuello de incompetente em entrevista à revista Veja, Wajngarten rompeu o pacto tácito de lealdade que poderia tê-lo protegido durante o interrogatório.
- A base bolsonarista no Senado, que normalmente atuaria para blindar aliados, decidiu abandonar Wajngarten à própria sorte após as críticas ao ex-ministro.
- A estratégia oposicionista é encadear os depoimentos: o de Wajngarten hoje e o dos representantes da Pfizer amanhã, para confrontar versões e identificar inconsistências.
- Pazuello, figura central nas negociações por imunizantes, ainda aguarda seu próprio depoimento, marcado para 19 de maio após ter faltado à sessão anterior.
Em meio à busca por responsabilidades sobre a gestão da pandemia, o Brasil assiste a um momento em que as lealdades políticas se desfazem diante das próprias contradições do poder. O depoimento de Fábio Wajngarten à CPI da Covid, nesta quarta-feira de maio de 2021, carrega o peso de quem conheceu o governo por dentro — e escolheu, ao criticar publicamente o ex-ministro Pazuello, um caminho que o deixou sem aliados. A oposição vê nele uma ponte entre o silêncio institucional e a evidência; a base governista, um inconveniente que já não merece proteção.
A CPI da Covid no Senado chegava a uma de suas sessões mais aguardadas: o depoimento de Fábio Wajngarten, ex-secretário de comunicação do governo Bolsonaro, marcado para a quarta-feira, 12 de maio de 2021. Para a oposição, ele representava uma fonte privilegiada — alguém que esteve próximo ao núcleo de poder durante boa parte da pandemia e que poderia fornecer documentos e testemunho sobre as negociações fracassadas pela compra de vacinas, em especial as da Pfizer.
O que tornava o momento ainda mais carregado era uma declaração recente de Wajngarten à revista Veja, na qual ele descrevia o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello como incompetente e ineficiente na condução das tratativas por imunizantes. A crítica, vinda de dentro do próprio governo, tinha peso político incomum — e consequências imediatas.
Segundo a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, a base governista no Senado não pretendia defender Wajngarten. Ao atacar Pazuello, ele havia rompido o vínculo de lealdade que poderia tê-lo protegido. Sem aliados dispostos a blindá-lo, ele comparecia à CPI em posição vulnerável — não mais como porta-voz do governo, mas como potencial fonte de evidências contra ele.
A oposição planejava usar seu depoimento como primeiro passo de uma sequência: no dia seguinte, representantes da Pfizer também depõem, permitindo que os senadores confrontem as duas versões e busquem inconsistências. Enquanto isso, Pazuello — cujo depoimento havia sido adiado após ele alegar contato com casos positivos de covid — aguardava sua vez para o dia 19 de maio, em sessão esperada com igual ou maior ansiedade.
A Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a Covid-19 no Senado estava se preparando para um depoimento que a oposição esperava que fosse revelador. Nesta quarta-feira, 12 de maio, seria a vez de Fábio Wajngarten, ex-secretário de comunicação do governo Bolsonaro, prestar depoimento. Os senadores da oposição viam nele uma oportunidade de obter documentação e testemunho sobre o que consideravam falhas graves nas negociações governamentais pela compra de vacinas, particularmente as desenvolvidas pela Pfizer.
Wajngarten havia ocupado o cargo de secretário de comunicação desde abril de 2019 até sua demissão em março de 2021. Sua trajetória no governo havia sido marcada por um episódio que o tornaria conhecido além dos círculos políticos: em março de 2020, após uma viagem aos Estados Unidos, ele se tornou o primeiro integrante do governo a ser diagnosticado com covid-19. Agora, pouco mais de um ano depois, seu depoimento era aguardado com particular interesse.
O que tornava o depoimento especialmente relevante era uma declaração recente que Wajngarten havia feito à revista Veja. Nela, criticava duramente o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, descrevendo-o como incompetente e ineficiente na condução das negociações por imunizantes. Essa crítica tinha peso político considerável porque vinha de dentro do próprio governo, de alguém que havia estado próximo ao núcleo de poder durante boa parte da pandemia.
A estratégia dos senadores oposicionistas era clara: usariam o depoimento de Wajngarten para estabelecer uma linha de questionamento que seria aprofundada no dia seguinte, quando representantes da Pfizer também compareceriam à CPI. Dessa forma, poderiam confrontar as informações prestadas pelo ex-secretário com o relato direto dos executivos da farmacêutica, buscando identificar inconsistências ou confirmações sobre as alegadas falhas nas negociações.
O que surpreendeu observadores políticos foi a postura da base governista. Segundo informações da coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo, os senadores que apoiavam o governo também aguardavam o depoimento, mas não com a intenção de defender Wajngarten. A crítica que ele havia feito a Pazuello havia minado qualquer disposição de proteção política. A base governista não teria mais interesse em resguardá-lo durante o interrogatório.
Pazuello, por sua vez, ainda aguardava seu próprio depoimento, marcado para o dia 19 de maio. Ele havia faltado à sessão da semana anterior, alegando que havia tido contato com pessoas que testaram positivo para covid-19 e solicitando adiamento. Seu depoimento era esperado com tanta ou maior ansiedade que o de Wajngarten, dado seu papel direto como ministro da Saúde durante os meses críticos de negociação por vacinas.
O cenário que se desenhava era o de uma CPI em busca de responsabilidades, com a oposição tentando construir um registro detalhado das decisões e omissões governamentais, enquanto a base perdia interesse em proteger figuras que haviam se tornado inconvenientes. Wajngarten, que havia sido porta-voz do governo em momento crucial da pandemia, agora comparecia como potencial fonte de evidências contra a administração que o havia empregado.
Citações Notáveis
Descreveu o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello como incompetente e ineficiente na busca por vacinas— Fábio Wajngarten, em declaração à revista Veja