O CER-IV atende pacientes com cegueira e baixa visão através de acompanhamento oftalmológico especializado, recursos tecnológicos como lupas e treinamento de mobilidade com bengalas. Aproximadamente 80% dos casos de cegueira e baixa visão são adquiridos ao longo da vida, frequentemente causados por diabetes, glaucoma e degeneração macular.
CER-IV de São Bernardo oferece reabilitação integral para cegueira e baixa visão
Quando o equipamento comunica sobre a condição, todos podemos ser mais empáticos
Por que a maioria das pessoas não conhece o significado das cores das bengalas?
Porque historicamente a gente não criou espaços de informação sobre isso. A deficiência visual é invisível até o momento em que você vê alguém com uma bengala. Se ninguém explica o que aquela cor significa, a pessoa fica sem contexto.
E isso muda alguma coisa na forma como a sociedade reage?
Muda tudo. Quando você sabe que a bengala branca é cegueira total e a verde é baixa visão, você entende que aquela pessoa tem necessidades diferentes. Você para de achar estranho. Você começa a antecipar o que ela pode precisar.
Qual é a parte mais difícil da reabilitação? O físico ou o emocional?
Os dois estão entrelaçados. Aprender a usar uma bengala é técnica, mas é também aceitar que sua vida mudou. O CER-IV trabalha os dois lados ao mesmo tempo.
E quanto aos 80% dos casos que são adquiridos? Isso significa que essas pessoas têm que reconstruir tudo?
Exatamente. Elas não nasceram cegas. Elas viveram décadas vendo. Então sim, é uma reconstrução completa. Mas é por isso que o trabalho de mobilidade e os recursos tecnológicos são tão importantes. Não é começar do zero. É aprender a viver de novo.
Como uma pessoa descobre que o CER-IV existe?
Pela UBS. É o ponto de entrada. Se você está com problemas de visão, você vai lá, faz uma consulta, e o médico te encaminha. O sistema está pensado para isso.
O Pulso
- CER-IV oferece acompanhamento oftalmológico, lupas eletrônicas e treinamento de mobilidade com bengalas
- Aproximadamente 80% dos casos de cegueira e baixa visão são adquiridos ao longo da vida
- Acesso via encaminhamento das Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou Clínica Municipal da Visão
- Bengala branca para cegueira total, verde para baixa visão, branca e vermelha para surdocegueira
O CER-IV atende pacientes com cegueira e baixa visão através de acompanhamento oftalmológico especializado, recursos tecnológicos como lupas e treinamento de mobilidade com bengalas. Aproximadamente 80% dos casos de cegueira e baixa visão são adquiridos ao longo da vida, frequentemente causados por diabetes, glaucoma e degeneração macular.
O Centro Especializado em Reabilitação (CER-IV) de São Bernardo oferece serviços de reabilitação para cegueira e baixa visão, com foco na recuperação de autonomia e qualidade de vida através de recursos tecnológicos e orientação de mobilidade.
Em São Bernardo, existe um lugar onde pessoas que perderam a visão aprendem a viver novamente. O Centro Especializado em Reabilitação, conhecido como CER-IV, funciona como porta de entrada para quem enfrenta a cegueira ou a baixa visão — condições que chegam, na maioria das vezes, não como uma realidade desde o nascimento, mas como uma ruptura no meio da vida.
A estatística é clara: oito em cada dez casos de perda visual são adquiridos. São pessoas que nasceram vendo, que dirigiram carros, que leram jornais, que reconheciam rostos na rua — e que um dia tiveram essa capacidade comprometida. Diabetes, glaucoma, degeneração macular: doenças que avançam silenciosamente e deixam marcas profundas. Clinicamente, a baixa visão é definida quando alguém retém 30% ou menos de acuidade visual, sem possibilidade de correção com óculos convencionais. É um limiar que muda tudo.
O caminho até o CER-IV começa nas Unidades Básicas de Saúde do município. Um morador que enfrenta problemas de visão procura sua UBS mais próxima, passa por uma consulta inicial e recebe um encaminhamento. Também há a Clínica Municipal da Visão como ponto de entrada. Uma vez dentro do CER-IV, o paciente encontra uma equipe estruturada para transformar essa perda em funcionalidade recuperada. Há acompanhamento oftalmológico especializado. Há lupas manuais e eletrônicas — tecnologias que ampliam o mundo quando os olhos não conseguem mais fazê-lo. E há algo menos visível, mas igualmente importante: o treinamento de mobilidade.
A Dra. Ana Carolina Salata, oftalmologista da unidade, descreve o trabalho com precisão: adaptação de lupas, recursos que cabem na vida cotidiana, e orientação para quem precisa aprender a usar uma bengala com segurança e confiança. Não é apenas sobre técnica. É sobre reconstruir a autonomia. Helenice de Oliveira, técnica de orientação e mobilidade, trabalha com algo que vai além do físico: ela ensina as pessoas a se moverem pelo espaço urbano com uma ferramenta que também comunica. A bengala branca sinaliza cegueira total. A bengala verde indica baixa visão. A bengala branca e vermelha marca a surdocegueira. Essas cores não são apenas identificação. São um diálogo silencioso com a cidade, um pedido de empatia, uma forma de evitar preconceitos nos espaços públicos.
"Quando a gente tem um equipamento que, além de auxiliar quem usa, comunica sobre a condição daquela pessoa, todos podemos ser mais empáticos", diz Helenice. É uma observação que toca algo fundamental: a reabilitação não é apenas individual. É social. É sobre ensinar a sociedade a reconhecer e respeitar quem enfrenta essas limitações.
O CER-IV foi pensado para ser integral. Luiza Gallina, coordenadora da unidade, explica que a equipe não trabalha apenas com deficiência visual. Há profissionais preparados para reabilitação de deficiências intelectual, auditiva e física. O foco de todos é o mesmo: devolver funcionalidade, recuperar qualidade de vida, resgatar a autonomia que a doença tirou. Para quem vive em São Bernardo e enfrenta a perda de visão, o caminho está claro: procurar a UBS mais próxima e começar.
Citações Notáveis
Aqui no CER-IV nós vamos fazer o acompanhamento oftalmológico, adaptar lupas e uma série de recursos que auxiliam esse paciente no dia a dia. Temos também o serviço de orientação e mobilidade, para auxiliar os pacientes que precisam utilizar bengalas para se locomover— Dra. Ana Carolina Salata, oftalmologista do CER-IV
É importante divulgar a informação sobre as cores das bengalas, porque a maioria das pessoas desconhece, mas isso ajuda a evitar preconceitos— Helenice de Oliveira, técnica de orientação e mobilidade