Dezesseis dos 20 maiores doadores do país financiam campanhas republicanas, enquanto mais de um terço dos US$ 2,8 bilhões arrecadados vem desses megadoadores. Bilionários do Vale do Silício e Wall Street usam Super PACs para canalizar recursos, com grupos como Maga Inc e No Going Back PAC gastando centenas de milhões em disputas pelo Congresso.
Bilionários reforçam campanhas republicanas nas midterms dos EUA
O sistema político agora está voltado para esses megadoadores e é dependente deles
Como é possível que dezesseis dos vinte maiores doadores estejam apoiando republicanos quando as pesquisas mostram que o partido está atrás dos democratas?
É uma inversão real em relação a 2024, quando Kamala Harris arrecadou muito mais dinheiro que Trump. Desta vez, o dinheiro está fluindo para o lado republicano mesmo com as pesquisas desfavoráveis. Parece que os doadores estão apostando em algo que as pesquisas ainda não capturam.
Mas precisamos ser cuidadosos aqui. As pesquisas de qual data? As pesquisas mudam. E o dinheiro não necessariamente prediz resultados—em 2024, Harris gastou mais e perdeu mesmo assim.
Qual é a diferença entre um Super PAC e um doador que financia um candidato diretamente?
Um Super PAC é uma organização independente que pode arrecadar quantias ilimitadas, mas teoricamente não pode coordenar com o candidato. Um doador direto tem limites legais sobre quanto pode dar. Os Super PACs permitem que bilionários canalizem muito mais dinheiro de forma menos transparente.
Menos transparente é a palavra certa. O Maga Inc e o No Going Back PAC compartilham tesoureiro, endereço e banco, mas o Maga Inc não confirmou vínculos com o outro. Isso é uma lacuna real na reportagem—não sabemos se são efetivamente a mesma operação.
Por que o setor de criptomoedas está gastando tanto dinheiro nesta eleição?
Washington está tomando decisões cruciais sobre regulação de criptomoedas. A Fairshake arrecadou noventa e nove milhões de dólares especificamente para apoiar candidatos favoráveis ao setor. É investimento direto em política que afeta seus negócios.
Verdade, mas a reportagem não detalha quais decisões específicas estão em jogo ou qual é a posição dos candidatos apoiados. Sabemos que o dinheiro está fluindo, mas não sabemos exatamente o que está sendo comprado.
Elon Musk gastou duzentos e cinquenta milhões em 2024 e agora está doando novamente. Ele está tentando comprar a eleição?
Ele está claramente investindo pesadamente em influência política. Mas o dinheiro sozinho não garante vitória—vimos isso com Harris. O que é preocupante é a concentração: mais de um terço dos 2,8 bilhões arrecadados vem desses vinte maiores doadores.
E aqui está o ponto que a reportagem deixa em aberto: qual é o retorno esperado? Musk quer desregulação? Acesso? Influência sobre política de tecnologia? A reportagem documenta o dinheiro, mas não explora o que esses doadores esperam obter em troca.
As primárias parecem ser onde o dinheiro tem mais impacto. Por quê?
Em distritos solidamente democratas ou republicanos, a primária é praticamente a eleição real. O vencedor da primária quase sempre vence a geral. Então se você quer influência máxima, você investe nas primárias onde menos pessoas votam e o dinheiro tem peso maior.
Bonica diz que é mais eficiente investir nas primárias, e isso faz sentido logicamente. Mas a reportagem não oferece números sobre quanto dinheiro foi gasto em primárias versus eleições gerais. Seria útil ver a proporção real.
Il Polso
- Dezesseis dos vinte maiores doadores do país financiam campanhas republicanas
- Mais de um terço dos 2,8 bilhões de dólares arrecadados vem desses megadoadores
- Elon Musk doou cinquenta milhões de dólares à America PAC em 2025-26
- A Fairshake arrecadou noventa e nove milhões de dólares do setor de criptomoedas
- O Maga Inc dispõe de quatrocentos milhões de dólares em fundos eleitorais
Dezesseis dos 20 maiores doadores do país financiam campanhas republicanas, enquanto mais de um terço dos US$ 2,8 bilhões arrecadados vem desses megadoadores. Bilionários do Vale do Silício e Wall Street usam Super PACs para canalizar recursos, com grupos como Maga Inc e No Going Back PAC gastando centenas de milhões em disputas pelo Congresso.
Megadoadores americanos estão canalizando somas colossais para apoiar republicanos nas eleições de meio de mandato de 2026, com 16 dos 20 maiores doadores do país injetando recursos na campanha do partido, marcando uma concentração sem precedentes de influência política entre os ultrarricos.
Os maiores doadores de dinheiro dos Estados Unidos estão canalizando recursos em escala sem precedentes para apoiar candidatos republicanos nas eleições de meio de mandato de 2026, marcando um momento de concentração extrema de influência política entre os ultrarricos. Dezesseis dos vinte maiores megadoadores do país injetaram capital nas campanhas republicanas, segundo análise do Financial Times, enquanto bilionários do Vale do Silício e de Wall Street financiam a ofensiva do partido através de estruturas complexas de Super PACs e grupos de campanha independentes. Essa dinâmica contrasta dramaticamente com a disputa presidencial de 2024, quando Kamala Harris arrecadou e gastou significativamente mais recursos que Donald Trump, mas perdeu.
A escala do financiamento é colossal. Mais de um terço dos 2,8 bilhões de dólares arrecadados para o ciclo eleitoral de 2025-26 provém desses vinte maiores doadores. Em mais de trinta disputas pela Câmara e pelo Senado, mais de um terço dos gastos externos veio de grupos que receberam pelo menos oitenta por cento de seus recursos de megadoadores—definidos como pessoas que doaram individualmente ao menos cinco milhões de dólares. O dinheiro flui por múltiplos canais: alguns doadores financiam candidatos diretamente, outros criam grandes caixas de campanha em torno de setores específicos como criptomoedas, e um grupo menor usa redes de Super PACs para intervir em disputas pelo Congresso e até mesmo nas primárias, onde o capital tem peso ainda maior.
Adão Bonica, cientista político de Stanford que estuda doações de bilionários americanos desde 1980, descreveu o padrão atual como um desvio moderado em relação às expectativas históricas. Embora não seja incomum que os maiores doadores se inclinem para o Partido Republicano, o balanço nesta eleição está especialmente desequilibrado. Brendan Glavin, diretor de pesquisa da OpenSecrets, uma organização sem fins lucrativos que monitora gastos de campanha, afirmou que o sistema político agora está voltado para esses megadoadores ultrarricos e é dependente deles. Essas elites endinheiradas despejam centenas de milhões de dólares no sistema e exercem uma influência desproporcional, segundo Glavin.
Os principais doadores republicanos canalizaram recursos através de estruturas sofisticadas. O Maga Inc, Super PAC que apoiou a campanha presidencial de Trump em 2024, agora dispõe de um fundo eleitoral de quatrocentos milhões de dólares. Até agora, gastou dez milhões e oitocentos mil dólares apoiando republicanos aliados de Trump no Texas, Tennessee e Carolina do Sul. Um novo grupo, o No Going Back PAC Inc, comprou mais de oitenta e nove milhões de dólares em espaço publicitário para vinte e quatro disputas pela Câmara e pelo Senado desde sua criação em primeiro de setembro, incluindo pelo menos dez milhões de dólares gastos desde a segunda-feira anterior. Embora o Maga Inc não tenha confirmado vínculos com o grupo, ambos compartilham o mesmo tesoureiro, endereço e banco depositário.
Elon Musk, o homem mais rico do mundo, que gastou mais de duzentos e cinquenta milhões de dólares na campanha eleitoral de Trump em 2024, está intensificando seu apoio aos republicanos nas eleições de meio de mandato. Doou cerca de cinquenta milhões de dólares à America PAC, principalmente no ano passado, e o grupo gastou quase todo o valor até o fim de junho. Marc Andreessen e Ben Horowitz, juntamente com suas esposas, doaram dezoito milhões de dólares, enquanto Greg Brockman, cofundador da OpenAI, e sua esposa contribuíram com vinte e cinco milhões de dólares. Os empresários do setor de criptomoedas Cameron e Tyler Winklevoss doaram cerca de onze milhões de dólares.
O setor de criptomoedas acumulou um dos maiores fundos políticos da eleição, usando sua crescente influência sobre a Casa Branca para apoiar candidatos favoráveis ao setor. A Fairshake, uma Super PAC do setor de criptomoedas, arrecadou mais de noventa e nove milhões de dólares em contribuições individuais—quase todas provenientes de um pequeno grupo de investidores, entre eles Coinbase, Ripple, Andreessen e Horowitz. A Fairshake transferiu sessenta e cinco milhões de dólares para Super PACs que apoiam candidatos de ambos os partidos, todos destinados a promover e defender as criptomoedas, em disputas do Alabama ao Texas.
Richard Briffault, professor de Direito da Universidade Columbia, observou que os gastos políticos ocorrem enquanto Washington toma decisões cruciais sobre inteligência artificial, gigantes de tecnologia e moedas digitais. Há simplesmente uma quantia colossal de dinheiro em jogo, afirmou. A concentração do dinheiro dos doadores ricos é particularmente evidente nas primárias de distritos solidamente democratas ou republicanos, onde a disputa interna do partido pode, na prática, decidir quem vai para o Congresso. Os doadores podem ter percebido que investir desde o início nessas primárias pode ser mais eficiente do que fazê-lo durante uma eleição geral, segundo Bonica. Nas primárias, é possível exercer um impacto bastante significativo, afirmou o cientista político. O dinheiro de J.B. Pritzker, governador democrata bilionário de Illinois, ajudou a impulsionar Juliana Stratton à vitória nas primárias do Senado em Illinois, enquanto no Texas, o Lone Star Rising PAC, financiado principalmente pelo bilionário da tecnologia Reid Hoffman, havia empregado quinze milhões de dólares para apoiar o candidato democrata ao Senado James Talarico.
Citazioni salienti
O que estamos vendo é um desvio moderado em relação às expectativas, mas o balanço nesta eleição está especialmente desequilibrado— Adam Bonica, cientista político de Stanford
Há simplesmente uma quantia colossal de dinheiro em jogo— Richard Briffault, professor de Direito da Universidade Columbia