No ritmo lento e calculado da política brasileira, os partidos do chamado centrão começam a reposicionar suas peças em direção a Flávio Bolsonaro, antecipando um segundo turno que pode redesenhar o mapa do poder nacional. A viabilidade eleitoral do senador do PL, antes questionada, agora funciona como um ímã para legendas que historicamente gravitam em torno de quem tem mais chances de governar. É menos uma questão de afinidade e mais uma leitura fria do que o futuro pode oferecer a quem chegar primeiro.
Centrão discute apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno após crescimento em pesquisas
Quando você vive de negociar poder, você acompanha onde o poder está indo
Por que o centrão mudou de ideia tão rápido? No primeiro turno eles diziam que Flávio não era viável.
Porque as pesquisas mudaram. Quando você é um partido que vive de negociar poder, você acompanha onde o poder está indo. Se Flávio estava perdendo, apoiá-lo era arriscado. Agora que ele está crescendo, não apoiá-lo é que fica arriscado.
Mas a gente precisa ser cuidadoso aqui. A reportagem diz que há uma "tendência" de apoio, que líderes "dizem" que há essa tendência. Isso é o que os dirigentes estão sinalizando, não necessariamente o que vai acontecer.
Então não é uma decisão fechada?
Não. Ciro Nogueira ainda está preso à eleição do Piauí. Kassab está esperando para ver como as coisas evoluem. Mas a direção é clara — se Flávio chegar ao segundo turno em posição forte, esses partidos vão apoiá-lo.
E a gente não sabe exatamente como Flávio está nas pesquisas. A reportagem diz que ele "cresceu", mas não dá números. Cresceu de quanto para quanto? Isso importa para saber se ele é realmente viável.
Você está dizendo que a reportagem não é completa?
Estou dizendo que ela captura a conversa que está acontecendo nos bastidores, mas não nos dá os dados que estão alimentando essa conversa. A gente sabe que o centrão está falando sobre apoiar Flávio, mas não sabemos exatamente por quê, em números.
Justo. Mas o ponto é que a dinâmica mudou. Antes era "Flávio não pode ganhar". Agora é "Flávio pode ganhar, então vamos nos posicionar".
Il Polso
- Flávio Bolsonaro cresceu nas pesquisas e transformou o cálculo político do centrão: o que era risco agora parece oportunidade.
- União Brasil e PP, que se mantiveram neutros no primeiro turno, devem liderar o movimento de apoio explícito ao senador do PL no eventual segundo turno.
- Ciro Nogueira segurou a federação PP-União Brasil por causa de sua própria disputa no Senado do Piauí — com essa eleição se encerrando, a trava deve cair.
- Republicanos e PSD também sinalizam apoio, mas o pragmático Kassab pode esperar até o último instante para revelar suas cartas.
- O centrão não está se movendo por convicção ideológica, mas pela lógica de sempre: quem parece ganhar atrai aliados, e quem chega cedo ocupa mais espaço.
No ritmo lento e calculado da política brasileira, os partidos do chamado centrão começam a reposicionar suas peças em direção a Flávio Bolsonaro, antecipando um segundo turno que pode redesenhar o mapa do poder nacional. A viabilidade eleitoral do senador do PL, antes questionada, agora funciona como um ímã para legendas que historicamente gravitam em torno de quem tem mais chances de governar. É menos uma questão de afinidade e mais uma leitura fria do que o futuro pode oferecer a quem chegar primeiro.
Os líderes do centrão começaram a conversar abertamente sobre apoiar Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. Os mesmos partidos que se mantiveram neutros na primeira etapa da disputa presidencial agora enxergam o senador do PL com outros olhos — ele cresceu nas pesquisas e passou a ser visto como um nome capaz de derrotar Lula. A tendência é que União Brasil e PP encabecem essa movimentação, seguidos pelo Republicanos e pelo PSD.
O timing não é acidental. Ciro Nogueira, presidente do PP, pressionou pela neutralidade da federação no primeiro turno por conta de sua própria disputa pela renovação do mandato no Senado pelo Piauí — temia que uma posição nacional pró-Bolsonaro provocasse reação do PT local. Com essa eleição se aproximando do fim, a expectativa é que a federação PP-União Brasil se liberte para apoiar Flávio de forma explícita.
O Republicanos também sinaliza inclinação para o mesmo lado, em parte sob pressão do governador Tarcísio de Freitas. O partido esteve perto de se coligar com Flávio já no primeiro turno, mas recuou na última hora — movimento que agora parece em vias de ser revertido. No PSD, o apoio de Ronaldo Caiado é considerado praticamente certo, mas Gilberto Kassab, figura central da legenda, é conhecido por esperar até o último momento para decidir.
A razão pela qual esses partidos evitaram Flávio na primeira volta era dupla: arranjos regionais e a avaliação de que ele não tinha viabilidade eleitoral. Essa percepção mudou. Agora, o custo de não apoiá-lo é que sobe. O centrão, fiel à sua lógica histórica, está se reposicionando — não por convicção, mas pela aritmética do poder.
Os líderes do centrão estão começando a conversar abertamente sobre apoiar Flávio Bolsonaro no segundo turno. Esses mesmos partidos se mantiveram neutros na primeira etapa da disputa presidencial, mas agora, com o senador do PL crescendo nas pesquisas recentes, a dinâmica mudou. A tendência, segundo dirigentes ouvidos, é de que União Brasil e PP — que formam uma federação — encabecem essa movimentação de apoio, seguidos provavelmente pelo Republicanos e pelo PSD.
O timing dessa mudança não é casual. Ciro Nogueira, presidente do PP, pressionou pela neutralidade da federação no primeiro turno porque enfrentava uma disputa delicada pela renovação de seu mandato no Senado pelo Piauí. Ele temia que uma posição nacional favorável a Bolsonaro provocasse uma reação forte do PT local contra seus aliados. Agora que essa eleição estadual se aproxima do fim, a expectativa entre os dirigentes é que a federação União Brasil-PP se liberte para apoiar Flávio de forma explícita no eventual segundo turno.
O Republicanos também sinaliza inclinação para o mesmo lado, especialmente sob pressão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. O partido esteve perto de se coligar com Flávio já no primeiro turno, mas recuou na última hora — um movimento que agora parece estar em vias de ser revertido. No caso do PSD, o apoio de Ronaldo Caiado é considerado praticamente certo, mas há incerteza sobre como se posicionará Gilberto Kassab, a principal liderança da legenda. Kassab é conhecido por sua pragmatismo político e, segundo as apostas entre dirigentes, pode esperar até o último momento para tomar sua decisão.
A razão pela qual esses partidos se recusaram a apoiar Flávio na primeira volta era dupla: havia arranjos regionais que os prendiam a outras alianças, e havia também uma avaliação generalizada de que o senador não tinha viabilidade eleitoral contra Lula. Essa percepção era compartilhada mesmo entre seus potenciais aliados. Mas nas últimas semanas, o cenário se inverteu. Flávio passou a ser visto como um nome forte, capaz de derrotar o candidato petista. Essa mudança de avaliação está acelerando o movimento de apoio — e os dirigentes do centrão já veem isso como uma oportunidade de se posicionar cedo para ocupar espaço em um eventual governo Bolsonaro.
O que está em jogo agora é menos uma questão de convicção ideológica e mais uma questão de cálculo político. Os partidos do centrão historicamente se movem em função de oportunidades de poder e recursos. Quando Flávio era visto como improvável vencedor, o custo de apoiá-lo era alto. Agora que ele aparece como competitivo, o custo de não apoiá-lo é que sobe. Os próximos dias, especialmente após a resolução da disputa pelo Senado do Piauí, devem deixar isso ainda mais claro.
Citazioni salienti
A recusa dos partidos do centrão de apoiar Flávio no primeiro turno se deveu a arranjos regionais e a uma impressão naquele momento de que o senador não era viável eleitoralmente contra Lula— Dirigentes do centrão